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sexta-feira, 26 de julho de 2013

A superação da dor e do sofrimento




Todos nós num planeta de provas e expiações convivemos com dor e prazer.  Isso é inevitável.

A questão é o quanto nos apegamos à dor e o quanto nos apegamos ao prazer?

Aprendemos desde muito cedo que temos que evitar o sofrimento e ir à busca do prazer. A única coisa que esquecemos é que, neste nosso mundo, nada é permanente. 

O maior aprendizado que podemos adquirir é transcender a dor. 

Temos que estar alertas e receptivos para perceber o que aquela experiência pode nos ensinar.

Parece fácil e simples de entender, mas a maioria não está preparada para superar o sofrimento. Infelizmente muitos se mantêm na dor por longo tempo, presos a situação que a gerou.  Tudo vai depender da atitude. O sofrimento só será permanente se nos agarrarmos cegamente a ele, sem permitirmos que nenhuma outra realidade possa surgir em nossas vidas.

Segundo o Dr. Julio Peres, psicólogo clínico, doutor em Neurociência e autor do livro “Trauma e Superação” que deu nome a este título:

“A teoria da ‘Reação universal ao trauma’ foi relativizada a partir de estudos que mostram um grau de variedade individual em processar os eventos ocorridos durante a vida e as emoções básicas. Muitas vítimas de agentes estressores procuram apoio profissional, literatura, apoio de amigos, enquanto outros enfatizam o silêncio, o isolamento, o colapso e ou a vitimização.”

Essa não exteriorização do sofrimento e a negativa em procurar ajuda, é o principal fator que colabora para a perpetuação do sofrimento.

“A memória traumática pode alterar o equilíbrio psicológico, biológico e social de um indivíduo, matizando suas futuras experiências com o desenvolvimento dificultoso de processos cognitivos.

A lembrança específica de episódios ocorridos pode disparar a formação de padrões defensivos de comportamento (por exemplo medos exarcebados em situações que não mais oferecem riscos), que se tornam inapropriados ao momento atual, trazendo desajustes significativos à vida cotidiana.”

Para ler o texto completo clique aqui

sexta-feira, 19 de julho de 2013

A dor de perder um(a) filho(a) é para sempre?




• Perda de filhos
A perda de um filho implica num tipo muito particular de luto, pois solicita adaptações tanto sob os aspectos individuais de cada um dos pais no enfrentamento desta situação, como em adaptações na relação com o(a) esposo (a), no sistema familiar e na sociedade.
Quando perdemos um filho perdemos nossa perspectiva de futuro, pois é neles que garantimos a possibilidade de realizar todos os sonhos e projetos que não conseguimos em nossas próprias vidas. Um filho não é apenas uma extensão biológica de seus pais, mas também psicológica, por isso temos a sensação que perdemos um pedaço de nós.

• Reações à perda de filhos
O luto por um filho é marcado por muita culpa e revolta, e por algum tempo a pessoa chega a "brigar" com Deus, por não conseguir entender (aceitar) o porquê de estar vivendo uma dor tão intensa.

As reações ligadas à perda de um filho dependem de alguns fatores como:
- a relação prévia entre pais e filho. Por exemplo: quando existem conflitos no relacionamento, os pais sentem-se mais culpados após a perda de seu filho.
- a idade do seu filho: não existe uma idade pior, mas em cada etapa da vida existem fatores que dificultam a elaboração da perda, como por exemplo, na adolescência, fase em que existem maiores chances de conflitos entre pais e filhos.
- as circunstâncias da perda: o quê aconteceu, como acontecer, as causas da perda.
- Um número grande de sintomas fisiológicos pode acompanhar as reações psicológicas e sociais dos pais, como por exemplo: anorexia, distúrbios gastrointestinais, perda de peso, insônia, cansaço excessivo, choro, palpitações, estresse, perda do desejo sexual ou hipersexualidade, falta de energia e retardo psicomotor, respiração curta.

• E o que acontece no casamento?
O casamento sofre um grande impacto com a perda de um filho. As características do relacionamento obviamente serão afetadas pela maneira como cada um dos parceiros expressa sua dor. A comunicação tende a complicar-se, pois a mãe pode sentir sozinha em seu luto, enquanto o pai pode se ver lutando para conter sua dor a fim de poupar o sofrimento da esposa. Estas tentativas de evitar o sofrimento do outro, por muitas vezes gera um distanciamento tão grande nos casais, que não é incomum ocorrerem separações após a perda de um filho.

• Perdas paralelas ou secundárias
Quando perdemos um filho, perdemos também todas as suas funções explícitas e implícitas dentro do funcionamento familiar, por exemplo: companheiro da mãe, o "bode expiatório", o apaziguador, etc. Neste momento, podem ocorrer outros tipos de perda, como a separação dos pais, dificuldades financeiras após os gastos com o funeral.


• Lidando com os filhos que ficaram
Não é incomum os pais atribuírem qualidades santificadas ao filho morto, como "o favorito", "melhor", "mais sensível", ou "especial". Isto pode intensificar as experiências de luto dos pais como dos irmãos. Podem acontecer as comparações entre os filhos vivos e o filho idealizado que morreu. É bom lembrar que esta criança também está sofrendo pois perdeu um irmão, e porque vê seus pais sofreram de forma tão intensa como se ele não fosse capaz de amenizar dor nenhuma. Isto pode trazer sérias complicações para o desenvolvimento psicológico deste irmão. Por outro lado os pais vivem sentimentos ambivalentes em relação aos filhos que "sobreviveram" pois sentem medo de investir afetivamente nestes, ou por outro lado, passam a superproteger, com medo de perder estes também. Isto muitas vezes tem um caráter de castigo por terem sobrevivido no lugar do irmão morto.

• Lidando com o seu luto
Só você sabe o que esta perda representou para você, portanto respeite-a. Se você entender o seu ritmo e seus limites para enfrentar a adaptação à esta perda, você irá lentamente se organizando diante deste sofrimento. Esta dor é para sempre? De certa forma sim, porque um vínculo com um filho é único e para sempre, mesmo que a distância. O que acontece é que a ferida aberta passa aos poucos a cicatrizar-se, mas nunca se apagará. Você irá se alimentar desta dor por muito tempo, mas aos poucos irá perceber-se divertindo-se, produzindo, trabalhando, enfim, vivendo novamente, mas não será a mesma pessoa de antes, pois esta experiência fará você rever uma série de valores, crenças e comportamentos.

• A hora de pedir ajuda
Peça ajuda quando perceber-se em algumas das situações citadas abaixo:
- sente vários dos sintomas fisiológicos citados acima;
- sente muitas dificuldades de compartilhar o sofrimento com o(a) parceiro(a);
- não consegue relacionar-se com os filhos que ficaram;
- não sente vontade de comparecer à eventos sociais já faz um pelo menos seis meses;
- ninguém consegue ouvir você lembrar tudo o que aconteceu;
- sente-se culpado por brigar com Deus;
- não conseguiu desvencilhar-se de nenhum objeto ou roupa do filho, mesmo após um ano de sua perda.

Gabriela Casellato


Fonte: National Funerla Directors Association – Educational Foundation, Parental Loss, Milwaukee,1997. 



fonte: grupo casulo

sexta-feira, 12 de julho de 2013

As lembranças que deixamos



Muitas pessoas passam pelas nossas vidas e nós passamos pela vida de outros. Isso é natural na nossa existência.
Cada qual busca um caminho e assim nos lançamos a encontros e desencontros.
Durante encontros e despedidas poderemos deixar boas lembranças e saudades em muitos corações.
Por outro lado, poderemos também deixar mágoa, amargura, desilusão e tristes lembranças.
Tudo dependerá da forma como agirmos com as pessoas e dos sentimentos que plantarmos
em cada coração que encontrarmos.
Cada pessoa que passar pela nossa vida terá grande importância, pois o acaso não existe.
Para tudo existe um propósito Divino. 
Sempre teremos algo a ensinar e algo a aprender.
Portanto, cuidemos das nossas atitudes no trato com cada pessoa que cruzar o nosso caminho.
Se deixarmos somente boas lembranças, certamente que as vibrações que daí decorrem reverterão em paz
e alegria para nós mesmos. Quanto ao que os outros deixarem para nós, guardemos apenas as boas lembranças,
pois também estas se transformarão em energias benéficas para nós. 
Aquilo que não for bom, deixemos que fique no esquecimento. 
Plantemos somente o bem em nossos corações e nos daqueles que encontrarmos pelo caminho. 
Pensemos nisso!

(Autor desconhecido)

 texto compilado por Ilca do blog  Thaís Abuquerque in Memorian

sexta-feira, 5 de julho de 2013

JANAINA FIDALGO - DO FOLHA ONLINE



Morte é mais uma das mudanças da vida


Frase do escritor francês Albert Camus: "O homem é a única criatura que se recusa a ser o que é" (ou seja, mortal). A tal ponto, diz Cortella, que estipula um dia para lembrar os mortos, quando se deveria ter isso sempre em mente. "A morte é considerada algo que deve ser combatido a todo custo", diz a professora de psicologia da morte Maria Júlia Kovacs, do Instituto de Psicologia da USP, sobre o pensamento ocidental que assemelha a morte ao fracasso. E essa negação da morte só tem ganhado força. Segundo o antropólogo Acácio Almeida Santos, nos últimos anos, houve um processo pelo qual a morte, que já era um tabu, passou a ser ainda mais escondida.
"Dentro do processo de afastamento, ao colocar a morte (o velório) para fora de casa, criamos recursos para fingir que ela não existe." A própria maneira com que o termo morte é empregado cotidianamente faz acreditar que a dificuldade de adaptação ao assunto foi superada. "Na verdade, a palavra foi "ressemantizada", negada e mascarada. Usamos o termo morte para intensificar os sentimentos (morrendo de fome, morrendo de saudade), mas não para definir o que ela realmente representa. Então dizemos "ele descansou", "foi para o céu", "não está mais conosco'", diz o antropólogo.
Afastar a possibilidade da perda é uma forma de proteção encontrada pelo homem para não fazer contato com o sofrimento. "Somos mal preparados para perder. Ilude-se quem pensa que dá conta de tudo", diz Glaucia Rezende Tavares, psicóloga e fundadora do API (Apoio a Perdas Irreparáveis). A necessidade de expressar o que socialmente é rejeitado, a morte, motivou a psicóloga e seu marido, o pediatra Eduardo Carlos Tavares, a criar o grupo de apoio formado por casais que perderam filhos.

Preparo da vida e da morte

"A morte é a única coisa certa na nossa vida, no entanto ninguém está preparado para ela", diz a professora Juliana Araújo, 25, num misto de mágoa e revolta pela morte da mãe, ocorrida há quatro meses. Mas é possível preparar-se para a morte dos outros ou para a própria morte? Para Bel Cesar, psicóloga e estudiosa do processo da morte segundo o budismo tibetano e que faz atendimento de pacientes que enfrentam o processo da morte, "não se separa o preparo da vida do preparo da morte.Viver as mudanças de uma maneira positiva, com auto-responsabilidade, automoralidade, já é o seu preparo para lidar com a sua morte e com a dos outros",diz.
A psicóloga e coordenadora do Lelu (Laboratório de Estudos e Intervenções sobre o Luto), Maria Helena Pereira Franco, também defende o entendimento e a assimilação de pequenas "mortes" vividas diariamente por todos como uma forma de preparação. Um projeto que não deu certo, o emprego perdido, o casamento que acabou ou a reprovação no vestibular são exemplos de mortes simbólicas. "Trabalhar com essa experiência negativa, que causa dor, traz crescimento e é uma maneira de entender o cotidiano, de tocar a vida e avaliar o que é e como enfrentar a morte", diz Maria Helena.
As crenças religiosas ou filosofias de vida podem ajudar e muito na preparação e no enfrentamento mais tranquilo de uma perda (leia nas págs. 10 e 11 o significado da morte para algumas religiões).
Em "Morrer não se Improvisa" (ed. Gaia), que Bel Cesar acaba de lançar, ela sustenta que a certeza de uma continuidade após a morte, defendida pelo budismo, ajuda as pessoas a lidarem com o "niilismo de nossa cultura materialista, em que o abstrato e o invisível não são reconhecidos". Mas ela também alerta para o risco de cair no extremo e passar a entender a morte de uma forma leve demais. Dessa forma, "também estaremos escondendo nosso medo de encará-la".
"O melhor preparo para a morte é viver bem a vida. É como calibrar o farol do carro. Curto para não cair nos buracos e longo para ver as curvas. Lide com a vida no dia-a-dia, mas saiba que existe essa projeção (a morte) para o futuro", diz Gláucia.
Para a antroposofia, quando uma pessoa termina o que tinha que fazer na terra, ela vai embora. "Acredito que, a cada relacionamento, trocamos também algo de nossa alma com a outra pessoa -e vice-versa. Damos e recebemos constantemente. Quando a morte chega a um de nós, é porque já fizemos todas as trocas anímicas que tínhamos para fazer nesta vida. Quando temos essa compreensão, já não sentimos mais "perder" uma pessoa quando ela morre. Porque o que essa pessoa tinha para nos dar já é nosso. Então ela estará sempre conosco e jamais irá deixar-nos realmente. Só no dia da nossa morte", escreveu o clínico-geral e pediatra antroposófico Luiz Fernando de Barros Carvalho no livro "Morrer Não se Improvisa".
Talvez valesse a pena aderir aos ensinamentos do ateniense Epicuro que, já no século 3 a.C., diz Cortella, não via nenhuma relação do homem com a morte e não a temia porque nunca iria encontrá-la: 
"Enquanto sou, a morte não é; e desde que ela seja, não sou mais".

Um outro lema bom para se guiar na vida é de Guimarães Rosa, expresso em "Grande Sertão: Veredas": 
"O importante não é chegar nem partir, é a travessia".

fonte: folha online 08.11.01