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sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

A Magia do Natal


Que neste Natal
A magia guardada de todo o ano
Venha presente nos corações daqueles que festejam o amor.
Que não seja apenas uma comemoração,
Mas um início para uma nova geração.
O Natal simboliza nova vida,
Pois nele comemoramos o nascimento do Homem
Que modificou a nossa maneira de ver o mundo.
Trazendo-nos amor e esperança.
Que neste natal sejam confraternizados todos os desejos De um mundo melhor.
Que todos estabeleçam um novo vigor de humanidade.
E que nada seja mais forte do que a união
Daqueles que brindam o afeto entre eles.
Feliz Natal!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

A VIDA DEPOIS DA MORTE Parte II


Os atentados terroristas de 2001 geraram uma 
série de estudos sobre a resiliência diante da morte
Os rostos que ilustram esta reportagem fazem parte dessa maioria à qual os especialistas chamam de “resilientes”. O termo, emprestado da física, traduz em sentido figurado o que ocorre com quem supera uma perda: é a propriedade que alguns corpos apresentam de retornar à forma original depois de sofrer um impacto. Isso não significa que não houve sofrimento ou que foi fácil. Em comum, os resilientes têm a decisão de continuar a viver – conscientemente, como Ana Cristina, ou de forma inconsciente, como Maria de Fátima Ferreira, que enfrentou um câncer de mama na mesma época da morte do filho Francesco, de 21 anos, em 2004. “As pessoas achavam que eu não ia aguentar. Eu achava que ia morrer junto”, diz. Mas ela venceu. Há quatro meses foi declarada curada pelos médicos.
Os cientistas acreditam que somos capazes de reações como a de Maria de Fátima – inexplicáveis até para ela – porque já nascemos dotados dessa capacidade de superação. Nossos genes e circuitos cerebrais teriam sido programados, ao longo de milhares de anos de evolução, para contornar o abalo provocado pela morte de pessoas com quem temos fortes vínculos emocionais. A depressão, descrita por Maria de Fátima e por outros milhares de pessoas que viveram uma tragédia, faria parte dessa estratégia. A tristeza causa uma sensação de torpor: o mundo parece estar em câmera lenta; perdem-se a fome, o desejo sexual e a vontade de viver. Essa prostração nos impediria de tomar decisões e atitudes que coloquem a própria sobrevivência em risco durante esse período. Hoje, essa função da tristeza pode parecer banal. Mas, quando nossos antepassados eram nômades, até 10 mil anos atrás, a sensação de torpor era uma questão de sobrevivência. Podia impedir que alguém entrasse por impulso em uma disputa por comida e apenas no decorrer dela se lembrasse de que seu parceiro não estaria por perto para lhe dar apoio. O período de depressão corresponderia ao período de atualização de nossos circuitos cerebrais a essa nova realidade.
A prostração soa como uma estratégia ruim de sobrevivência para nossos antepassados, às voltas com a luta diária pela vida. Mas, se ela for contrabalançada por oscilações entre depressão e otimismo, passa a fazer sentido. Quem já enfrentou a morte de alguém próximo sabe que o luto não é tristeza 24 horas por dia, sete dias por semana. Há dias em que mergulhamos no mais profundo pesar. Em outros, a vida parece ter voltado ao normal e há até momentos de genuína alegria. A teoria dos cinco estágios do luto, mostram os estudos recentes, é insatisfatória, definindo como lineares fases que são, na verdade, cíclicas.
Se o luto não é necessariamente tão sofrido quanto se imaginava, se a maioria consegue superar bem uma perda, por que algumas pessoas enfrentam tanta dificuldade? Os 15% estimados por Bonanno passam anos vivendo como nos primeiros e mais difíceis momentos do luto. Essas pessoas não conseguem retomar a vida. Vivem para a dor, em uma espécie de luto crônico, chamado pelos especialistas de “luto patológico” ou “luto complicado”. Além de prejudicar a qualidade de vida, ele aumenta os riscos de desenvolver desordens como depressão grave e transtornos de ansiedade. Um estudo da Universidade Yale, nos Estados Unidos, mostrou que esses enlutados crônicos correm um risco sete vezes maior de se suicidar.
fonte: clique aqui

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

A VIDA DEPOIS DA MORTE Parte I


foto: Ricardo Corrêa

por Marcela Buscato -Revista Época

Marilena Fernandes achou que estava começando a redescobrir a vida, nove anos depois da morte do marido, quando um acidente de carro lhe roubou o filho Paulo, de 20 anos. Ela decidiu abrir as cortinas de casa e enchê-la de flores. Não queria que os três outros filhos levassem uma vida amargurada. Desde então – e lá se vão cinco anos – desfila suas alegrias e tristezas todo ano em uma escola de samba. Alice Quadrado transformou o pesar causado pela morte da filha Eliana, aos 25 anos, em vontade de ajudar. Percebeu quanto outros pais que passavam por essa situação se sentiam sozinhos. Fundou a associação Casulo, onde uns apoiam os outros e encontram forças para seguir em frente. “Foi a maneira que encontrei para dar significado a algo de muito ruim”, diz. Marilena e Alice descobriram o que existe além de uma das piores dores a que os seres humanos estão sujeitos: perder um filho.
“Já enterrei amigos, irmãos, mãe. Nada se compara à perda de uma filha”, diz Ana Cristina de Freitas Rocha, de 57 anos, mãe de Tatiana. A jovem de 20 anos morreu em 2005, de uma infecção generalizada diagnosticada tarde demais. “Essa dor é hors-concours”, diz Ana Cristina, usando uma expressão francesa que significa “fora de competição”. É justamente essa avalanche de sentimentos, que atinge quem perde alguém amado, que os cientistas têm tentado revolver. A quem viveu grandes tragédias pessoais, fizeram a mesma pergunta que nos ocorre ao conhecer histórias como as descritas nesta reportagem: como é possível superar a dor que tanto tememos? Nós seríamos capazes?
Há bons motivos para acreditar que sim. “Somos mais fortes do que pensávamos”, afirma o psicólogo americano George Bonanno, pesquisador da Universidade Colúmbia, nos Estados Unidos, e referência no estudo de fenômenos ligados à morte. Em seu livro The other side of sadness (O outro lado da tristeza, ainda sem tradução no Brasil), Bonanno compilou uma série de estudos recentes que obrigaram os especialistas a repensar o que se sabe sobre como reagimos à morte. Esses estudos parecem mostrar que a maior parte das pessoas consegue se refazer de uma perda rapidamente, às vezes em questão de semanas. E sugerem que não existe um roteiro de emoções a serem sentidas para que a superação aconteça. No depoimento da página 84, Ana Carolina de Oliveira, a mãe da menina Isabella Nardoni, relata como cada membro da família superou de forma diferente a perda da menina.
Até recentemente, a teoria mais difundida para explicar a reação humana à morte era a dos “cinco estágios do luto”, desenvolvida pela psiquiatra suíça Elizabeth Kübler-Ross, em 1969. Ela apregoa que, até superar uma perda, as pessoas enlutadas passam por fases sucessivas de negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Essa teoria entrou até para a cultura pop: foi tema de um episódio recente do seriado americano Grey’s anatomy e serviu como conteúdo ilustrativo para demonstrar o funcionamento do novo aparelho da Apple, o iPad. Kübler-Ross teve o mérito de chamar a atenção para um assunto até então ignorado, mas seu pioneirismo não foi seguido pela publicação de novos estudos.
Na década de 90, a geração de novatos à qual pertencia Bonanno notou as lacunas no conhecimento sobre o luto e desencadeou uma onda de estudos. “Chegamos a conclusões surpreendentes, simplesmente porque fizemos perguntas básicas que ninguém tinha feito”, diz Bonanno. Percebeu-se que os escassos estudos anteriores eram feitos com voluntários que haviam procurado ajuda de psiquiatras e psicólogos – logo, tinham mais dificuldades que a média para lidar com o luto, o que distorcia os resultados.
O próprio modelo dos cinco estágios do luto é um exemplo. Kübler-Ross tinha desenvolvido sua teoria observando o comportamento de pacientes com doenças terminais, o que não corresponde necessariamente à reação a outros tipos de morte. Mesmo as fases de negação, raiva, barganha, depressão e aceitação foram definidas a partir da interpretação subjetiva de Kübler-Ross e seus colegas das entrevistas com os pacientes. Até o fim da vida, em 2004, Kübler-Ross disse que sua pesquisa não havia sido bem entendida e que nunca dissera que essas cinco fases se aplicam a todos os casos nem que eram nitidamente separadas. Mas, ante a vontade de entender a inquietação humana diante da morte, sua teoria era irresistivelmente simplificadora.
Os novos estudos, com uma gama mais ampla de pessoas, concluíram que há outras maneiras de lidar com a morte de quem amamos. “Cerca de metade das pessoas lida muito bem com a perda e volta à vida normal em semanas”, diz Bonanno, que analisou uma série de levantamentos para chegar a essas estatísticas de referência. “Outros 25% sofrem por um período maior, que pode durar de alguns meses até um ano. Cerca de 15% desenvolvem graves dificuldades que afetam a convivência social e o desempenho no trabalho.”
A morte de 3 mil pessoas nos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, teve um papel inesperado no novo entendimento da ciência sobre a morte. O trauma redespertou o interesse da ciência pelo tema e impulsionou uma série de estudos que acompanharam a recuperação dos moradores de Nova York. Os resultados foram surpreendentes. Apenas seis meses após a tragédia, 65% das pessoas entrevistadas mostravam-se emocionalmente equilibradas. Essa taxa era alta até entre aquelas que perderam um amigo ou um parente na tragédia: 54% não tiveram a saúde emocional abalada, 35% já tinham se recuperado depois de desenvolver algum tipo de trauma e apenas 11% ainda enfrentavam dificuldades para se recuperar. As proporções, semelhantes àquelas encontradas por Bonanno e seus colegas em seus primeiros estudos, ajudaram a consolidar o nome que se deu ao outro lado da tristeza: resiliência.

fonte:clique aqui 

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Homenagem de Nelson Freitas ao irmão Régis



"Régis foi valente digno e exemplar em sua luta contra um câncer, e de muitas qualidades que tinha, a de motivar aos que estavam ao seu redor, sempre foi uma das melhores. Fez uma legião de amigos, que agora ficam buscando maneiras de seguir em frente sem a sua alegria. A única certeza que temos nessa vida, é que ela um dia acaba... mas somos muito mal preparados pra isso, é quase um tabu falar, pensar  sobre propria a morte e a de pessoas próximas... e quando acontece é uma devastação. Se pudéssemos viver o agora como o último agora, talvez o impacto pudesse ser menor... será? Se pudéssemos nos apegar menos a coisas e pessoas... mas como não sentir saudade de alguem tão querido? como é que se faz. Gratidão é o que me resta pelo privilégio de ter convivido com ele."
Nelson termina a homenagem ao irmão com um texto de Lya Luft:
“A maior homenagem que se pode fazer a alguém que morreu é voltar a viver da melhor forma possível. Porque tudo é transformação. E a vida sempre chama. Eu acredito nisso.”

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Agradecimentos Professor Nazir


Querido Professor Nazir

Hoje faz sete dias que vc partiu antes de nós. Foi tudo muito rápido, sem despedidas nem adeus. Era tudo que vc queria, sair deste mundo com a elegância e a sabedoria que o acompanhou por toda a sua vida...
Nascemos no mesmo dia, 21 de fevereiro. Quando você completou 9 anos, Deus te deu um presente que você teve que esperar 79 anos para receber. O tempo de Deus não é o nosso, e em 2006 chegou o dia tão esperado...a minha vida em tua vida... Durou 9 anos e nove meses. Uma relação de muito amor, companheirismo, aprendizado. Um relacionamento repleto de felicidade. Tivemos alguns momentos muito difíceis, que superamos juntos para seguir em frente, sem olhar para trás... Hoje, conversando com você bem cedinho, pedi que me desse um sinal. Não importava como. Podia ser em sonho, em um cheiro de perfume ou uma brisa suave no meu rosto, enfim um sinal para que tivesse a certeza de que você ainda está ao meu lado, me cuidando. Você não só enviou um sinal, mas dois. Tenho a certeza de sua presença nas 24 hs do dia. Obrigada, meu anjo de LUZ
Poucas pessoas neste mundo têm a graça de viver e conviver com um ser tão iluminado. Agradeço muito ao meu Deus.

O meu agradecimento eterno à minha filha Karin e ao meu genro Narciso, que  cuidaram dele naquele momento tão difícil e lhe deram amparo e aconchego...
O meu agradecimento aos médicos e à equipe de enfermagem do hospital de Morretes, que fizeram o possível e o impossível para salvá-lo...
Aos meus familiares e todos da família Daher que estão me fortalecendo. Seus amigos da União Espírita de Morretes, Paranaguá e Antonina e aos demais amigos o meu muito obrigada...
Um agradecimento a todos as minhas amigas: da Santa Rita, do grupo do meu lanche, da faculdade da turma da UAM. Sem palavras para expressar minha gratidão aos participantes e companheiros do Grupo Amigos Solidários na Dor do luto. 
Obrigada a todos os meus amigos e amigas de perto ou de longe que compartilharam comigo esse momento tão difícil..
Gostaria de agradecer também a todos que, com palavras, repletas de emoção, relembraram tudo o que você representou em suas vidas. Este momento de partilha foi para mim muito emocionante e gratificante. 
Agradeço, em seu nome, aos amigos, alunos e colegas que fazem parte do cotidiano de Morretes. Sei que sua amizade acolhia desde o mais humilde até o representante maior desta cidade que você tanto amava. 
Naquela tarde de sábado, dia 28 de novembro, eu não te enterrei... 
Com o maior carinho eu te plantei para o melhor lugar que possa existir: a casa do meu Pai.....
Que a LUZ perpétua te ilumine, hoje, amanhã e sempre..

Até o nosso reencontro de eterna felicidade.. 
Te amo
Sua companheira Zelinda 

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

É COM GRANDE PESAR QUE ANUNCIAMOS O FALECIMENTO DO NOSSO QUERIDO E AMADO JOSÉ DAHER (CONHECIDO ENTRE TODOS COMO NAZIR). SEU CORPO ESTARÁ SENDO VELADO À PARTIR DAS 18 HRS. NA CAPELA MUNICIPAL DE MORRETES, LOCALIZADA EM FRENTE AO CEMITÉRIO SANTA ESPERANÇA, SITUADA À RUA ANTÔNIO GONÇALVES DO NASCIMENTO, 354 - MORRETES - PR. DE ONDE SEU CORPO SEGUIRÁ PARA SEPULTAMENTO ÀS 15 HRS DE AMANHÃ (28/11/2015).  





Hoje foi-se embora um grande homem José Daher, também conhecido por Nazir ou também professor Nazir. Voltou à pátria celestial ao convívio de seu amado filho Maurício que lhe precedeu nessa caminhada. Meu companheiro e meu maior amigo. Se foi aos 87 anos muito bem vividos, cumprindo sua missão aqui conosco.

Morretes está de luto. Hoje uma biblioteca inteira foi queimada.... Sim, porque Nazir era uma biblioteca ambulante, entendia e debatia sobre qualquer assunto. E agora tudo se foi...
Estarei sempre com você em meu coração meu querido companheiro e amigo.
Te amo...
Zelinda.






sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Luto por Hilário Trigo


No final da página, assistam o vídeo do Hilário Trigo, onde ele fala sobre o luto

A festa
Uma pessoa se põe a caminho. Olhando à sua frente, vê ao longe a casa que lhe pertence. Caminha até lá e, ao
chegar, abre a porta e entra num espaço preparado para uma festa.
A essa festa comparecem todos aqueles que foram importantes em sua vida. Cada um que vem traz algo, per-
manece algum tempo e parte.
Assim vêm para a festa, e cada um deles traz um presente cujo preço integral já pagou, de uma forma ou de outra: a mãe o pai os irmãos um avô uma avó o outro avô a outra avó os tios e as tias todos os que cederam lugar para você todos os que cuidaram de você vizinhos, talvez amigos pro- fessores parceiros filhos; todos os que foram importantes em sua vida e os que ainda são importantes. E cada um que vem traz algo, permanece algum tempo e parte. Assim como os pensamentos vêm, trazem algo, permanecem algum tempo e partem. Assim como os desejos ou o sofrimento vêm, trazem algo, permanecem algum tempo e partem. Assim como a vida vem, nos traz algo, permanece algum tempo e parte.
Terminada a festa, aquela pessoa fica em casa, cumulada de presentes, e com ela só permanecem aqueles a quem convém ficar ainda algum tempo. Ela vai à janela, olha para fora e vê outras casas. Sabe que um dia ha- verá nelas também uma festa: ela comparecerá, levará algo, ficará algum tempo e partirá.
Nós também estamos aqui numa festa: trouxemos algo, tomamos algo, ficamos ainda algum tempo e parti- mos. 

Texto contido no Ordens do Amor de Bert Hellinger



sexta-feira, 6 de novembro de 2015

A morte explicada por uma criança com câncer

Dr. Rogério Brandão, oncologista

Matéria Vida Simples

“Quando eu morrer, acho que minha mãe vai ficar com saudade. Mas eu não tenho medo de morrer, tio. Eu não nasci para esta vida!”
Como médico cancerologista, já calejado com longos 29 anos de atuação profissional, posso afirmar que cresci e modifiquei-me com os dramas vivenciados pelos meus pacientes. Não conhecemos nossa verdadeira dimensão até que, pegos pela adversidade, descobrimos que somos capazes de ir muito mais além.
Recordo-me com emoção do Hospital do Câncer de Pernambuco, onde dei meus primeiros passos como profissional… Comecei a frequentar a enfermaria infantil e apaixonei-me pela oncopediatria.
Vivenciei os dramas dos meus pacientes, crianças vítimas inocentes do câncer. Com o nascimento da minha primeira filha, comecei a me acovardar ao ver o sofrimento das crianças.
Até o dia em que um anjo passou por mim! Meu anjo veio na forma de uma criança já com 11 anos, calejada por dois longos anos de tratamentos diversos, manipulações, injeções e todos os desconfortos trazidos pelos programas químicos e radioterapias. Mas nunca vi o pequeno anjo fraquejar. Vi-a chorar muitas vezes; também vi medo em seus olhinhos; porém, isso é humano!
Um dia, cheguei ao hospital cedinho e encontrei meu anjo sozinho no quarto. Perguntei pela mãe. A resposta que recebi, ainda hoje, não consigo contar sem vivenciar profunda emoção.
— Tio, disse-me ela — às vezes minha mãe sai do quarto para chorar escondido nos corredores… Quando eu morrer, acho que ela vai ficar com muita saudade. Mas, eu não tenho medo de morrer, tio. Eu não nasci para esta vida!
Indaguei: — E o que morte representa para você, minha querida?
– Olha tio, quando a gente é pequena, às vezes, vamos dormir na cama do nosso pai e, no outro dia, acordamos em nossa própria cama, não é? (Lembrei das minhas filhas, na época crianças de 6 e 2 anos, com elas, eu procedia exatamente assim.) É isso mesmo.
– Um dia eu vou dormir e o meu Pai vem me buscar. Vou acordar na casa Dele, na minha vida verdadeira!
Fiquei “entupigaitado”, não sabia o que dizer. Chocado com a maturidade com que o sofrimento acelerou, a visão e a espiritualidade daquela criança.
– E minha mãe vai ficar com saudades – emendou ela.
Emocionado, contendo uma lágrima e um soluço, perguntei:
– E o que saudade significa para você, minha querida?
– Saudade é o amor que fica!
Hoje, aos 53 anos de idade, desafio qualquer um a dar uma definição melhor, mais direta e simples para a palavra saudade: é o amor que fica!
Meu anjinho já se foi, há longos anos. Mas, deixou-me uma grande lição que ajudou a melhorar a minha vida, a tentar ser mais humano e carinhoso com meus doentes, a repensar meus valores. Quando a noite chega, se o céu está limpo e vejo uma estrela, chamo pelo “meu anjo”, que brilha e resplandece no céu.
Imagino ser ela uma fulgurante estrela em sua nova e eterna casa.
Obrigado anjinho, pela vida bonita que teve, pelas lições que me ensinaste, pela ajuda que me deste. Que bom que existe saudade! O amor que ficou é eterno.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Enquanto eu viver


por Ique
Hoje sentei ao lado do meu pai.
As mãos dele começaram a tremer.
Ele pegou o ipad e escreveu:
“Meu filho, estou com dificuldades para digitar.
Não sei até quando vou conseguir.
Então, vou escrever algumas coisas pra você nunca esquecer, tudo bem?”
Respondi:
“Tudo bem.”
Ele começou a digitar.
Quando terminou,
com os olhos cheio dágua, entregou o Ipad.
Comecei a ler:
“Enquanto eu estiver vivo,
não me deixe dormir até tarde.
Estamos aqui por pouco tempo e,
enquanto estou aqui,
quero aproveitar.
No café,
não coloque adoçante.
Eu gosto com açúcar, com afeto.
Na hora de me dar banho,
não precisa escutar Roberto Carlos.
Pode colocar o vocalista cabeludo que você gosta.
Não lembro o nome dele, “Eddie Vera?”
Daqui 2 meses é meu aniversário.
Me leve para ver o mar, pela última vez.
Enquanto eu estiver vivo,
toda sexta feira,
traga rosas vermelhas e,
entregue para a sua mãe.
Antes de dormir,
gosto de ver o Jornal.
Quando acabar, por favor, mude de canal.
Não deixe na novela!
Os canais que eu gosto:
HBO, Discovery e FOX.
Quando sair do quarto,
deixe a cortina aberta.
Eu gosto de olhar as estrelas.
Antes de dormir,
leve sua mãe ao meu quarto todos os dias.
Eu quero que os olhos dela,
sejam a última coisa que eu vou ver no dia.
Enquanto eu estiver vivo,
vamos precisar de sinais.
Quando eu piscar uma vez é sim.
Duas vezes é não.
Três vezes é “Eu te amo”.
Nós todos vamos morrer.
Depois que eu partir,
continue comprando rosas vermelhas.
Mande entregar toda sexta-feira na casa da sua mãe.
Sempre com um cartão escrito:
“Com amor, Juarez”
Quando minha neta completar 15 anos,
dê uma joia e dance a valsa com ela.
Entre um passo e outro,
diga suave no ouvido dela:
“O vovô te ama”
Uma vez por ano,
junte seus irmãos, sua mãe
e façam uma viagem.
Não foque no medo.
Foque na sua vida.
Encontre alguém,
pra dormir abraçado o resto da sua vida.
Homens tornam-se maridos e pais.
Case-se.
É maravilhoso dividir a vida com outra pessoa.
Na verdade o amor,
é a coisa mais importante que existe.
Uma vez por dia,
pegue o meu celular e,
envie uma mensagem pra sua mãe escrito:
“Eu te amo”.
Uma mensagem,
pode mudar uma vida.
Todo dia 2 de Junho,
busque sua mãe as 20:00 e a leve para jantar.
Ela irá entender.
Quando eu era criança,
sua vó me levou até o jardim e disse:
“Olhe para o céu.
As pessoas não morrem.
Elas viram estrelas.
Elas podem nos escutar e,
até realizar sonhos.”
Depois que eu partir,
olhe para o céu.
E toda vez que ver uma estrela,
será o nosso reencontro.
Entreguei o ipad pra ele.
Enxuguei as lágrimas.
Respirei e
pisquei três vezes.
fonte: thebrocode

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

O amor que nos mantém vivos



São 23:04h.
Meu pai acaba de ser ligado a uma máquina de oxigênio.
Eu perguntei ao médico o que estava acontecendo.
Ele respondeu:
“Seu pai está morrendo.
É hora de você dizer adeus”.
Eu perguntei:
“Doutor, você já amou alguém?”
Ele ficou em silêncio.
Eu disse:
“Quando você ama alguém
é impossível dizer adeus.
Porque dizer adeus significa desistir e esquecer”.
Meu pai abriu os ohos e com muito esforço
conseguiu dar meio sorriso.
O médico olhou aquela cena e, com os olhos cheio d’agua,
deixou escorrer uma lágrima.
Eu pedi ao médico para ficar um tempo sozinho com meu pai.
Ele disse: “Tudo bem. Vou esperar na sala”.
Ele abriu a porta e antes dele sair eu disse:
“Não diga adeus.
E, sempre que possível, ame mais uma vez”.
Ele voltou e me deu um abraço.
Saiu do quarto e fechou a porta.
Olhei para o meu pai
ele estava suando frio, chorando e engasgando.
Seguei a mão dele e ela estava gelada.
Então, coloquei a mão dele no meu coração para esquenta-la.
Quando eu era mais novo meu pai sempre fazia isso.
Segurava minha mão gelada,
colocava no coração dele e dizia:
“O nosso corpo esfria.
Por isso, nós temos o coração para esquenta-lo”
Depois de esquentar o corpo do meu pai,
eu segurei o pé dele e fiz cosquinha.
As lágrimas se transformaram em risadas.
Eu fiquei ali ao lado dele por horas.
Eu contei histórias antigas,
e até repetidas.
Coloquei a música alta porque eu sei que meu pai adora.
Cantei sem saber a letra
e dancei na frente dele fazendo careta.
Depois de tudo isso,
meu pai parou de suar frio, chorar e engasgar.
Eu chamei o médico.
Ele entrou no quarto,
examinou meu pai e disse:
“Eu não sei o que você fez.
Mas agora ele está estável”.
Fui para o meu quarto chorando.
Eu sei que meu pai está morrendo.
E eu te pergunto:
“Quem não está?”.
É esse o meu recado.
O nosso tempo é contado.
Mas, enquanto você estiver vivo,
você pode amar e ser amado.
Um dia, nós todos vamos partir.
Eu não sei até quando meu pai vai ficar aqui.
Mas hoje eu sei que ele está feliz.
E isso sempre foi o suficiente pra mim.
Meu pai está morrendo.
Existem outras milhões de pessoas sofrendo.
Eu só queria dizer para cada um de vocês.
Não desista, acredite.
Esperança
é quando você transforma o seu sofrimento
em amor.
E é esse amor,
o laço que nos mantém vivos e unidos.
E isso é tudo.
Um abraço apertado
e até logo.
fonte: http://www.thebrocode.com.br/artigo-309-o-amor-que-nos-mantem-vivos/

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Relato de Graziela Gilioli

“A morte do meu filho me ensinou que a gente pode escolher de que jeito queremos viver: felizes ou tristes"
por Graziela Gilioli
Graziela Gilioli fala da dor de perder um filho (o caçula, aos 14 anos) e de como se recompôs e escolheu ser feliz apesar da dor.
Graziela Gilioli fala da dor de perder um filho (o caçula, aos 14 anos) e de como se recompôs e escolheu ser feliz apesar da dor.


No emaranhado do nosso tempo, adquirimos o hábito de viver sem pensar muito sobre o começo e o fim das coisas, e muitas são as crenças sobre a origem, o fim, e as suas razões. Nascemos e morremos ao bel prazer do destino como se fôssemos reféns dos segredos da nossa existência. E assim, vivemos alienados da nossa sabedoria, esquecidos do que realmente importa na vida.
Mas, afinal, o que é que importa?
Desde sempre nossas indagações sobre o significado das coisas estão suspensas no ar, sem resposta, porque esta é uma condição essencialmente humana – viver com muitas perguntas não respondidas. Sem respostas começamos a pensar na eternidade. Por força da imaginação nossa mente é capaz de acreditar que viveremos para sempre, e infinito é o nosso sonho que nos leva à eternidade. Mas, a despeito dos nossos desejos, nosso mundo é finito.
Nessa vida seguimos a lei do Universo, a lei da finitude, tudo o que principia tem um fim. Tudo o que conhecemos e tudo o que está por vir em algum dia chegará ao fim. Imagine qualquer coisa – um pássaro, um vulcão, um mar, uma cidade, uma árvore, uma esperança, uma certeza, um beijo, um olhar — tudo o que você imaginar tem a sua própria duração de vida.

Tudo o que conhecemos e amamos um dia morre. Onde há vida há morte e vice-versa. Essa é a ordem do Universo. E há beleza nisso

Quando nós aqui da Terra olhamos para o céu, com seus tons amarelados, alaranjados ou róseos e azuis, estamos vendo à distância uma avalanche de meteoros e meteoritos voando por todos os lados, sem rumo, à velocidade da luz com inúmeros buracos negros pela frente. Mas como é bonito um céu colorido! E que deslumbre é o céu estrelado! Para enxergarmos a beleza dos desígnios da vida temos de nos afastar um pouco de nós mesmos para encontrarmos um novo prisma, um novo olhar ou até mesmo uma nova explicação que nos conforte a alma. Isso eu aprendi com o meu filho caçula.
"Estamos acostumados a olhar o mundo sem nos darmos conta que tudo um dia morre."
“Para enxergarmos as belezas dos desígnios da vida temos de nos afastar um pouco de nós mesmos” (foto: Graziela Gilioli).
Eu tenho dois filhos. Há doze anos eles se separaram por uma escolha do destino. Meu filho mais velho, hoje com 28 anos, vive aqui na Terra e o meu filho caçula vive num outro mundo que desconheço. Lá no desconhecido não se contam os dias e então ele tem 14 anos, para sempre. Com o tempo parado na vida do meu caçula entendi a morte como um grande silêncio. Como o fim, sem nenhuma retórica.
Imagine conhecer a morte através do seu filho caçula! Frente à morte somos minúsculos e impotentes. Uma sequência sem fim de perguntas (sem reposta) pipocam em nossa mente e o desânimo, o desespero e a tristeza passam a ser os nossos guias.

Como é que somos capazes de nos iludir durante a vida toda acreditando que a morte é sempre um assunto para não se pensar, como se fosse algo de menor importância perto da vida?

Nunca houve religião ou filosofia que tenha nos libertado da morte e mesmo assim somos tímidos em pensar a morte como parte da nossa vida. Acreditamos que se não tocarmos nesse assunto teremos paz e conforto, e é essa ilusão que nos impede de compreender a vida em sua plenitude. Em nada nos ajuda vivermos como se a morte fosse um engano ou um azar ou uma injustiça que atinge apenas alguns desafortunados.
Convivi com a morte ao meu lado durante os vinte meses em que o meu caçula esteve internado no hospital com o diagnóstico de neurablastoma (um tipo raro de câncer que acomete crianças). Foi quando aprendi que às vezes a gente consegue hipnotizar a morte com a nossa disposição de lutar pela vida. Então ela fica quieta e calma por mais algum tempo, e esse tempo em que a morte está calma é a nossa vida. Meu caçula me ensinou muitas coisas. Uma delas é que o sofrimento pela perda de quem amamos é inevitável. Mas ele também me ensinou que a gente pode escolher de que jeito queremos viver – sendo pessoas felizes ou tristes.
Um pouco antes de morrer meu filho falou bem baixinho — ele ficou surdo e praticamente sem voz por consequência do “tratamento” —: “Mãe, desculpe. Eu não vou conseguir.” Disse isso olhando de frente pra mim e depois apoiou o rostinho lindo que ele tinha no meu peito. Estávamos os dois sentados na cama dele, no hospital. Em seguida ele me disse: 
“Mãe, eu sei que vai ser duro mas não vai ficar triste, tá bom? Fala isso para o meu irmão porque eu acho que não vai dar tempo de eu falar com ele”.
Meu caçula morreu no dia seguinte, sem ter tempo de falar isso para o irmão mais velho. A generosidade do meu caçula em se despedir de mim com suavidade e a delicadeza dele em me dizer que ele tinha chegado ao fim me deixaram sem palavras. No meu coração despedaçado ficou a certeza de que eu faria tudo para voltar a ser feliz algum dia.
Depois dessa última conversa com meu caçula, deixei o caminho livre para ele morrer. Ninguém tem nenhuma ingerência sobre a vontade da morte, mas quando digo que deixei o caminho livre é no sentido de não me opor ao fim e, sim, aceitar que a partir daquele momento minha caminhada seria sem o meu querido caçula. Eu tinha de ser forte para cuidar do meu filho mais velho que perdera o irmão e me lembrei da sabedoria egípcia onde a mãe é a senhora do céu, soberana de todos os deuses e representa a força, o equilíbrio e a esperança, em qualquer situação da vida.
Com o meu caçula em outro mundo, percebi o quanto somos frágeis e fortes ao mesmo tempo. Frágeis porque não escolhemos nosso destino e fortes porque o aceitamos, apesar de tudo. Aceitar o próprio destino não é uma atitude passiva, é uma escolha, a chance de escolher como viver o que o destino nos oferece. Por que abrir mão dessa liberdade?

Por que não usar nossa capacidade de sermos felizes, por escolha? Ser feliz é uma decisão difícil, mas nos ajuda a conviver com as dores mais profundas que nos acompanham durante a vida toda

Diante de tantos milagres que fazem nossa vida possível como não agradecer o que temos? A gratidão pela vida não deveria ser um pequeno detalhe no meio dos afazeres do dia a dia e sim a coisa mais importante de tudo. Ainda compreendemos muito pouco desse mundo e muitas vezes nos atrapalhamos com os assuntos da alma, sempre à procura de alegria e esperança de que todas as vidas precisam. Aprender a viver com serenidade para aceitar com naturalidade as coisas que facilitam ou dificultam nossa vida pode ser um bom começo para descobrirmos o que importa na vida. 

Graziela Gilioli é escritora, autora do livro O Pequeno Médico, e fotógrafa premiada na 10ª Bienal Internacional de Arte de Roma, além de palestrante do TEDxJardinswww.grazielagilioli.com