Seguidores

quinta-feira, 31 de março de 2011

Há muitos anos, uma mulher viúva perdeu seu único filho.
Desesperada, incapaz de aceitar aquilo e de suportar a dor, foi ver Buda.
-Mestre, suplico-lhe que devolva o meu filho. O senhor pode ressuscitá-lo?
-É claro - respondeu Buda-, mas para fazer isso preciso de uns grãos de mostarda… mas peça à uma família onde não tenha morrido nem crianças, nem jovens, nem velhos. A mulher, em sua busca desesperada, percorreu toda a cidade e os vilarejos próximos. Por mais que todos se mostrassem generosos para lhe entregar os grãos, os mesmos as decepcionavam ao lhe contar, em cada casa quem já tinha falecido. A mulher não conseguiu encontrar uma só família que não tivesse sofrido a morte de um ser querido. Compreendeu que sua dor era a mesma de muitas pessoas e que essa era a lição que o mestre queria lhe dar. Depois de sepultar seu filhinho, voltou para ver o Buda, que lhe disse:
-Você achava que era a única que tinha perdido um filho, mas não está só em sua dor.
A morte é uma lei igualitária entre todos os seres vivos. 
E só então, consolou-a.  

Antigo relato Hindu 
imagem: internet

terça-feira, 29 de março de 2011

Gasparetto

Seja como uma pipoca!
Ofereço um texto inspirador a você, que precisa de um empurrãozinho para encarar as mudanças e transformações tão necessárias na vida.
Essa mensagem, que há algum tempo chegou às minhas mãos, me fez refletir muito sobre a melhor forma de encarar os desafios. O texto nos mostra que as dificuldades e os momentos difíceis pelos quais passamos sempre trazem um ganho, uma recompensa.
Mais que isso: a conseqüência de todo esse processo é o amadurecimento pessoal. É como se uma nova pessoa nascesse no lugar da outra, que passou por tantos desafios. Ou seja, surge alguém mais forte. Por certo alguém muito, muito melhor. Vamos lá?
“Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca para sempre.
Assim acontece com a gente: as grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo.
Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito a vida inteira. Milhos de pipoca que não estouram são pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosas. Mas elas não percebem, e acham que seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.
De repente vem o fogo.
O fogo é quando a vida nos lança numa situação nunca imaginada: a dor.
Pode ser fogo de fora – perder um amor, um filho, o pai, a mãe, ficar sem emprego ou tornar-se pobre.
Pode ser fogo de dentro – pânico, medo, ansiedade, depressão ou sofrimentos cujas causas ignoramos.
Sempre há o recurso de apagar o fogo. Sem fogo, o sofrimento vai diminuir, mas diminuirá também a possibilidade da grande transformação.Imagino que a pipoca, fechadinha dentro da panela, cada vez mais e mais quente, pensa que sua hora chegou: vou morrer!’
Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não consegue imaginar um destino diferente para si. Não imagina a transformação para a qual está sendo preparada.
A pipoca não sabe do que é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: BUM!
E ela aparece como outra coisa completamente diferente. Algo que ela nunca havia sonhado ser.
Bom, mas ainda temos o “piruá” – aquele milho de pipoca que se recusa a estourar. É como aquela pessoa que insiste em não mudar.
Ela acha que não pode existir nada mais maravilhoso que sua própria maneira de ser. A presunção e o medo são as duras cascas do milho que não estoura. No entanto, o destino dele é triste: será duro pela vida inteira!
Deus é o fogo que amacia nosso coração e tira dele o que há de melhor. Acredite: para extrairmos o melhor de dentro de nós, temos de, assim como a pipoca, passar pelas provas da vida.Talvez hoje você não entenda o motivo de estar passando por algo. Mas, quanto mais quente o fogo, mais rápido a pipoca vai estourar.
fonte: http://mdemulher.abril.com.br/blogs/luiz-gasparetto/superacao-e-otimismo/seja-como-uma-pipoca/

sábado, 26 de março de 2011

OBRIGADO - John DeBoer

Obrigado ao amigo que sabia as palavras certas: 
"Há um grupo no centro que pode ajudar."
Obrigado ao pai que teve a coragem de ligar e se informar sobre o "grupo".
Obrigado à mãe que foi ao primeiro encontro sabendo que seria difícil falar, mas falou.
Obrigado ao pai, que disse depois do primeiro encontro que não voltaria, mas voltou.
Obrigado à mãe que, no quinto encontro, abraçou uma mãe recém chegada e disse:
"Eles sabem ajudar a gente".
Obrigado à mãe, que pela primeira vez, conseguiu fazer bolinhos para os amigos do grupo.
Obrigado ao pai de 2 mts de altura, que chorou na frente dos outros homens e não pediu desculpas.
É por causa disso que podemos ajudar alguém que ainda não conhecemos no próximo encontro.

terça-feira, 22 de março de 2011

O que o luto pode nos ensinar


Aprendendo a conviver com a perda

Sensação de estar caindo no vácuo: um espaço vazio, desconhecido e silencioso.
São sentimentos que surgem quando recebemos a notícia do falecimento de uma pessoa importante em nossa vida. Nosso corpo sente-se como se tivesse também tido uma falência. Não entendemos ao certo o que estamos sentindo, ficamos atordoados, fora do tempo. Sabemos apenas que algo grave e denso ocorreu.

À medida que nos recuperamos deste choque inicial, enfrentamos a realidade da perda: o que e onde mudou. A ausência da pessoa que se foi evidencia como estávamos nos apoiando nela em certos aspectos de nossa vida. O luto torna-se, então, um período de conscientização da necessidade de recuperarmos nossa própria capacidade de auto-sustentação. Em algumas áreas de nossa vida, será a primeira vez que estaremos aprendendo a ser autônomos!

Sentimo-nos como um jogo de quebra-cabeças que foi desmontado e remexido. Ao tentarmos unir as peças que estavam separadas umas das outras é que nos damos conta que elas já estavam distantes entre si há muito tempo, muito antes do falecimento da pessoa que despertou o processo de querer juntá-las. A ausência daquele que se foi evidencia onde e como estávamos rompidos, distantes de nós mesmos. Logo, é hora de perceber nosso verdadeiro tamanho sem a presença e a dinâmica dessa pessoa que preenchia tantas lacunas em nosso processo de autoconhecimento.

O luto é um tempo de reconstrução de nossa auto-imagem. Na fragilidade da dor da perda, desvendamos camadas mais profundas de nosso interior; é lá encontramos feridas não curadas. Durante o luto, nossos usuais mecanismos de defesa frente à dor falham. Já que não é possível evitar a dor, temos de aprender a enfrentá-la. É hora de nos perguntarmos: Do que nossa dor realmente se lamenta? Há quanto tempo essa dor pede para ser vista e tratada?

Mesmo sem ter a resposta, nossa consciência nos pressiona a fazer algo para sair de onde estamos atolados. Alessandra Kennedy escreve em seu livro: E a Vida Continua, o pesar revolve os mais profundos níveis da psique trazendo à tona questões não resolvidas, que silenciosamente sabotam a nossa vida. Os sonhos nos informam sobre a presença dessas questões e fornecem orientação de como resolvê-las. Quando ignorados, podem se repetir ou surgir de forma mais dramática, talvez transformando-se em pesadelos.

Não fomos educados para lidar com a dor da perda. Instintivamente, aprendemos a conter nosso amor na tentativa de nos protegermos contra a dor dessa realidade: de que um dia iremos nos separar daqueles com quem convivemos tão de perto. Na economia do amor só há perdas. O luto nos ensina a despertar o amor por nós mesmos, e desta forma ampliamos nossa abertura com os outros. Caem as resistências, pois passamos a lidar com a vulnerabilidade da vida. O luto nos ensina que, pelo resto de nossas vidas, teremos que aprender a aceitar a inevitabilidade de nossa própria mortalidade.

Um novo olhar de auto-reconhecimento começa a surgir quando passamos a acolher, com afeto e tempo, a fragilidade diante da dor da perda. As questões inacabadas vêm à tona: tudo que ficou por ser dito, escutado, feito e compartilhado. Revemos todas as áreas de nossa vida: afetiva, financeira, profissional e espiritual. Surge a coragem, gerada pelo desejo sincero de mudar o que for preciso mudar.

Durante o processo de luto, nos damos conta, também, das falsas expectativas que tínhamos em relação àquele que faleceu. Se elas não se realizaram em vida, agora é a hora de aceitar nossa decepção, pois não há mais como remediá-las. Chegou o momento de agradecer por tudo que recebemos e de aceitar o que não pudemos receber. A partir daí, surge em nós um processo profundo de reavaliação de nossas expectativas atuais. É tempo de nos darmos uma nova chance, real e possível.

O luto é um processo que foge ao nosso controle e por isso pode durar muito mais tempo do que imaginamos que possa durar. Mesmo depois de nos recuperarmos, ainda iremos, inesperadamente, nos encontrar em situações que fazem com que sintamos que caímos outra vez no vácuo da perda. Cada vez que nos erguermos, retornaremos mais inteiros. Como escreve Robin Robertson em seu livro: Sua Sombra, não há mudança que não principie na escuridão da alma humana. Primeiro, temos de descobrir uma entrada para a escuridão, a seguir, temos de acender uma velinha no escuro para que possamos procurar nosso eu futuro e, por fim, temos de nos unir a ele. E isso requer determinação, paciência e, mais que tudo coragem.

Para finalizar, é bom lembrar que do mesmo modo que tivemos de aprender a nos permitirmos sentir a dor para superá-la, teremos que nos permitir sentir a alegria para celebrar o fato de estarmos vivos. Aqueles que se foram ensinam os que ficaram a viver melhor.

Bel Cesar é psicóloga e Autora dos livros Viagem Interior ao Tibete, Morrer não se improvisa, O livro das Emoções e Mania de sofrer pela editora Gaia.



segunda-feira, 21 de março de 2011

Estresse Pós Traumático – Cyro Masci


O SOBREVIVENTE
Sobreviver a uma catástrofe é uma das coisas mais difíceis que se pode imaginar. Há muitos anos, situações de desespero eram mais comuns, e muitas famílias optavam por ter muitos filhos, porque a chance de que alguns deles viessem a morrer era alta. Epidemias devastavam cidades, as guerras eram frequentes, e episódios de violência mais comuns. A vida enfim era um esperado vale de lágrimas.
Atualmente a coisa mudou. Não é incomum que uma pessoa atravesse a vida inteira sem enfrentar uma tragédia. Não se trata do fato de que problemas e crises deixaram de acontecer. Eles acontecem, como a perda do emprego, a dificuldade financeira, algumas doenças em família, familiares idosos que falecem.
Mas lá pelas tantas algumas pessoas são submetidas a uma experiência  excepcionalmente ruim, como a perda inexplicável de um filho, ser vítima de um incêndio, estupro ou sequestro. Para algumas pessoas episódios como a perda de emprego, ser espancado ou preso, ou mesmo um processo judicial pode ser vivenciado como uma extraordinária catástrofe, e sofrem da mesma maneira.
As pessoas que sobrevivem a essas catástrofes apresentam um quadro que se chama Estresse Pós Traumático, e é dele que estamos tratando.
POR QUE EU?
Essa é a pergunta que todas as pessoas que passaram por experiência particularmente traumática fazem. Não há uma resposta pronta e essa pergunta costuma ecoar dentro da cabeça por um longo tempo. Quanto é esse tempo? Se a experiência traumática for leve, de 3 a 6 meses. Uma perda de um parente próximo, de 6 meses a 2 anos. E infelizmente para traumas mais devastadores, anos a fio ou a vida inteira. Em geral os sintomas tem início nos primeiros 3 meses após o evento, mas pode acontecer desse intervalo chegar a muito mais tempo, às vezes anos.
Pacientes com câncer costumam desenvolver uma sequência de reações já bastante conhecida. E não são apenas as pessoas com esse tipo de problema. Muitas pessoas que passam por um trauma passam por um processo que segue determinadas fases. Vamos a elas:
FASE I
A Notícia: Você fica sabendo da grande mudança na sua vida. É uma ameaça ao seu equilíbrio. A reação mais comum é a de negação. “Não pode ser verdade, não comigo!”. A maioria das pessoas passa por essa fase num estado de letargia, como se a coisa toda não fosse com ela.
FASE II
Primeiro Contato: A pessoa começa lentamente a perceber o que se passa. Pode achar assustador e irritante, ou mesmo agradável e excitante. Esse é um primeiro contato com a realidade, e suas impressões não devem ser levadas inteiramente a sério. Por isso, é importante que a pessoa saiba que possivelmente irá mudar de opinião, e não deve ter nenhum compromisso com esses sentimentos iniciais. Isso é mais difícil quando a pessoa inicialmente fica até animada e com o passardo tempo começa a mudar sua visão.
FASE III
Para sair dessa vou...: A maioria das pessoas começa a tentar uma solução improvisada. Pode querer barganhar com alguma divindade. Pode achar que o pior já passou e que vai sair dessa fácil, fácil! O problema dessa fase é que a pessoa ainda não entrou em contato integral com a dura realidade. Pode estar querendo evitar o sofrimento de ver a real dimensão da crise e achar uma saída em que haja pouco ou nenhum prejuízo. O sonho de sair por cima de tudo e de todos! Um mito que custa muito caro, já que é apenas quando percebemos nossa fragilidade e nossa parcela de responsabilidade no que se passa que crescemos.
É somente quando adquirimos consciência das nossas deficiências e azares que conseguimos ter uma saudável humildade. Para quem se arrepia com essa palavra, vale lembrar que ela tem o mesmo radical que húmus, que significa terra fértil, propícia para crescimento...
FASE IV
Dureza!!! “É péssimo! Não há nenhuma esperança! Só podia acontecer comigo mesmo, que sempre fui um azarado na vida. Eu não mereço! Ou melhor, mereço sim... Eu não vou agüentar! É muito doloroso. Demais...” Nessa fase, a pessoa entra em contato integral com a dor das perdas. Fica face a face com o inevitável. É o momento decisivo, que antecede a vitória final. Aceitar o inevitável, aceitar a perda, aceitar que nem sempre se vence, aceitar que a vida é assim mesmo. A sabedoria nessa fase é parar de procurar culpados, causas para o que aconteceu, agüentar o baque e ver o que se pode fazer depois disso tudo.
FASE V
A vida continua... “É duro, mas parece que já estou conseguindo superar. No final, acho que tudo vai dar certo. Eu posso agüentar isso!” O ciclo começa a terminar. Um pouco mais de tempo e as perspectivas de um futuro melhor recomeçam. Em outras palavras, volta a existir esperança. Toda pessoa sai com algumas feridas, algumas mais abertas, outras já cicatrizadas. Vale destacar o que muitos não percebem: o indivíduo acabou por sair crescido, mais adulto, mais sábio, melhor preparado para a vida! Aumentou de maneira extraordinária
seu arsenal para resolver problemas no futuro, além de possivelmente adquirir maior sensibilidade para ajudar outras pessoas em dificuldades pessoas em dificuldades

SINTOMAS
Algumas vezes esse processo não termina tão bem assim. Seja porque a experiência foi traumática demais, ou a pessoa já possuía dificuldade anterior em encarar dificuldades, o tempo começa a passar e alguns sintomas começam a se tornar mais estáveis. São eles:
Culpa - muitas vezes culpa por ter sobrevivido, ou pelas coisas que teve que fazer para sobreviver;
Ansiedade - em geral a vítima evita as situações que lembram o trauma, tem dificuldade para adormecer, assusta-se com facilidade;
Depressão - muitas vezes perda das crenças, sensação de inutilidade, vergonha, desespero ou desamparo, além de retraimento para a vida social e um certo entorpecimento para a vida. ;
Revivendo - Com muita frequência o sobrevivente volta a lembrar do trauma, seja em episódios de flashback que invadem a mente, seja em sonhos. Algumas vezes ocorre exatamente o oposto e o sobrevivente não consegue se lembrar de nada. ;
COMO SOBREVIVER?
Episódios realmente catastróficos, como um estupro, sequestro, acidente de avião ou perda de um filho, trazem uma dor enorme e absolutamente compreensível. E já existem inúmeros estudos que apontam para uma boa melhora se a pessoa conseguir falar a respeito de suas dificuldades e de seu sofrimento. É imperativo ventilar o que se está pensando, pois só assim haverá a oportunidade de se ver o problema sob perspectivas que você não havia pensado, e que possivelmente não irá ver se não falar.
E essas novas perspectivas não vem necessariamente do que a outra pessoa lhe fala, mas sim do próprio ato de colocar os pensamentos para fora. Não adianta achar que já está pensando bastante a respeito. Falar é muito diferente do que pensar.
Se a pessoa que você resolveu se abrir não for um profissional, talvez seja interessante verificar se ela possui capacidade para tolerar a angústia alheia. Uma rápida olhada no passado de seu relacionamento possivelmente lhe dará a resposta: essa pessoa foi capaz de tolerar as dificuldades dos outros ouvindo antes de dar sua opinião, ou é um poço de bons conselhos, que na verdade tentam apenas fazer o outro ficar quieto?
Você também poderá procurar um ouvinte profissional, como um psiquiatra, um psicólogo ou um assistente social. Mas esteja certo de que o profissional sabe como agir em situações de crise pessoal. A menos que você deseje aproveitar a oportunidade, torne explícito que você não está procurando um tratamento prolongado, mas alguém que o auxilie a pensar melhor. De qualquer modo deixe bem claro o que você procura e esteja certo de que o profissional aceitou esse papel.
Ao falar sobre o episódio traumático, em geral as vítimas tem como resultado imediato uma certa depressão. Mas com o passar do tempo, quem teve oportunidade de desabafar tem uma redução em torno de 50 % de doenças físicas relacionadas ao estresse e uma melhora considerável de seu sistema imunitário.
Seja um amigo, seja um profissional, é certo de que o apoio situacional eficiente é sempre muito útil, e pode ser muito eficiente se certos tópicos forem lembrados.
COMO AUXILIAR O SOBREVIVENTE
O que uma pessoa, profissional ou não, precisa lembrar no momento em que está com um sobrevivente? Lembre-se especialmente de que apoiar não é palpitar. Apoiar é tolerar: O princípio fundamental que deve ser lembrado é o de que o caminho a ser percorrido não é um linha reta, e não pode ser um círculo vicioso. O que se procura é uma caminho com altos e baixos, mas no qual se caminha para a frente.
Quando a pessoa se encontra no alto, procura-se incentivar na busca de soluções
concretas ou medidas para o futuro. Quando na baixa, tolera-se a angústia e permite-se um saudável extravasar de sentimentos, especialmente os temores. Algumas medidas específicas incluem:
Não entrar na conspiração do silêncio: fazer de conta que tudo está bem é o que de pior pode ocorrer. Há uma crise a ser solucionada. Existem
emoções confusas a serem vistas.
Estimular a pessoa a falar, facilitando o desabafo, procurando tolerar a mágoa e a irritação. É preciso tocar com cuidado no não dito, nos temores racionais e irracionais. Fazendo isso, a pessoa estará conseguindo extravasar sua angústia sem precisar achar um bode
expiatório.
Não querer e não exigir soluções de uma única vez. É preciso ajudar a pessoa a enfrentar a crise em doses controláveis.
Tomar cuidado para não incentivar o silêncio e o recolhimento com frases como “foi a vontade de Deus” ou “a vida deve continuar”, que na realidade são ordens para quebrar os verdadeiros sentimentos e substitui-los por frases feitas. Em geral indicam dificuldade pessoal de quem está ouvindo.
É comum a fantasia de que a pessoa possa estar perdendo o
juízo, ficando louca. Quando possível, aproveitando uma pergunta direta ou uma outra deixa, afirme ao indivíduo que isso não é verdade.
Não estimular soluções mágicas. Se a pessoa tiver uma fé religiosa, ótimo. Se acreditar que estará recebendo auxílio superior, melhor ainda! O que se está tentando evitar é que o indivíduo abandone sua obrigação de achar a saída da crise com uma barganha mística, ou então passando a sua responsabilidade de viver a alguma entidade superior.
Não acreditar em fortalezas. Ninguém sai impune de uma crise. É melhor não acreditar que está tudo bem, porque certamente não está. Estimule o desabafo.
Ser moderado nos empurrões. É muito comum que o indivíduo que está ouvindo resolva dar um chacoalhão, estimulando a pessoa a agir, a não ficar se lastimando. Em geral quem está sob uma crise encontra-se deprimido, e é muito frequênte que indivíduos depressivos busquem punições de maneira inconsciente. Quem ouve sente sua angústia diminuir através dos berros. E quem tem o problema parece melhorar, mas não porque achou a saída, e sim por ser punida!
A postura de quem se propõe a ouvir deve ser a de oferecer o ombro de igual para igual, mostrando que tem fé na capacidade do indivíduo superar a crise.
Promover apoio ambiental, não acreditando que a pessoa não está precisando de nada. O ideal é agir com descrição, não permitindo que a pessoa se sinta inútil, fraca ou incompetente.
E se houver dúvida sobre falar ou não falar, é melhor calar. O principio é tolerar a ansiedade nos momentos em que o indivíduo está por baixo. E estimular à busca de soluções (que não são necessariamente ações imediatas) quando se está por cima. A idéia do caminho com altos e baixos, mas em que se caminha para frente, não deve ser esquecida.
Lembre-se do princípio do armário de cozinha: quando a louça despenca de lá de cima, haverá um momento de aflição, mas será necessário jogar fora o que está irremediavelmente perdido e aproveitar o que está intacto. A partir daí seguir a vida com o que ela oferece de bom.
TRATAMENTO ESPECIALIZADO
As medidas apontadas são excepcionalmente úteis, em especial se aplicadas ao sobrevivente logo após o episódio traumático. Mas se os sintomas persistirem, convém procurar um auxílio médico, com um psiquiatra. Atualmente os medicamentos antidepressivos podem auxiliar um pouco, mas quando administrados de modo isolado, tem sua utilidades bastante diminuída. Já a associação de medicamentos com terapia comportamental dão resultados bem melhores. A técnica que melhor tem apresentado resultados são uma combinação de inoculação de estresse com exposição prolongada.
Essas técnicas devem ser aplicadas exclusivamente por profissionais habilitados, mas quando bem administradas chegam a diminuir acentuadamente os sintomas do Estresse Pós Traumático em 80 % após 9 a 10 sessões.



Dr Cyro Masci é médico, Habilitado em Medicina Bio-Ortomolecular pela Sociedade Brasileira de Medicina Biomolecular e Radicais Livres, Pós-graduado em Acupuntura Médica pela Associação Médica Brasileira de Acupuntura, Qualificado como Especialista em Psiquiatria pelo Conselho Federal de Medicina, Psicoterapeuta.
É presença constante em jornais, revistas e televisão e possui mais de 400 artigos publicados em revistas leigas e técnicas.
Lecionou na Faculdade de Ciências Médicas de Santos e na Universidade Metodista, Campus ABC. É o Diretor Clínico da Clínica Masci. 
PRINCIPAIS ÁREAS DE ATUAÇÃO: Estafa, Exaustão, Revitalização Biológica, Controle do peso corporal, Emagrecimento, Anti-envelhecimento, Equilíbrio Mente-Corpo, Estresse, Fadiga Prolongada.

quarta-feira, 16 de março de 2011

A noção da criança sobre a morte

O que a criança pensa sobre a morte? Será que ela se preocupa com isso? Quanto à noção da criança sobre a morte, algumas interpretações são articuladas com sua idade cronológica. Não podemos determinar exatamente a idade, porque algumas crianças têm maturidade cognitiva e afetiva mais precoce.

A criança é um ser em desenvolvimento. Na primeira infância, ela possui representações mentais no mundo.Sua imaginação evolui surgindo os pensamentos mágicos, como, a pessoa não está mais ali, mas voltará, como outros que saem e voltam.

Ainda na primeira infância, aos 2 anos de idade, o conceito de abstrato não é apreendido, mas a criança percebe a alteração emocional dos adultos com quem convive e, pelo processo imaginativo, começa a buscar suas formas de compreender por que a pessoa não está mais ali.

Entre 3 e 5 anos de idade, a criança começa a ser desafiada pelo mundo social. Frente à situação relacionada à morte, a criança faz uma associação da separação da morte com um sono prolongado.

Entre 5 e 6 anos de idade, há uma tendência da criança personificar a morte e representá-la em figuras de bicho-papão, entre outros personagens.

Aos 9 e 10 anos de idade, a criança passa a perceber que a morte envolve a cessação das atividades corpóreas.Ela é capaz de incluir-se na idéia de morte, mas atribui o fim da vida à velhice e à doença.

Muitos pais bem intencionados querem proteger a criança da dor e, com medo de traumatizar, a afasta dos rituais fúnebres. A exclusão produz confusão sobre o significado da morte e torna mais problemática a maneira de enfrentar perdas futuras.
É importante ajudar a criança a entender o acontecimento de uma perda significativa em sua vida. Mantê-la afastada do que acontece, não evita que a criança perceba a mudança ocorrida no clima familiar. Se a criança deseja participar dos ritos fúnebres é conveniente permitir que o faça. Assim sentir-se-á participe dessa experiência e experimentará seus próprios sentimentos. Informar à criança sobre o que acontecerá e das pessoas que estarão presentes ao funeral é oportuno.

Evite falar coisas como; "perdemos seu pai". Isso pode confundí-la. Também não convém lhe provocar temores com termos religiosos, como, "Deus gostava de tua mãe e a levou para junto Dele". Nesse sentido, podemos estar lhe passando a sensação de que Deus fica roubando as pessoas para si.
A criança tem necessidade de modelos de identificações para crescer, e enfrentar as crises da vida. Os adultos e os pais são seus referenciais positivos para compartilhar com naturalidade os estados emocionais suscitados pelo luto.
Não transferir para a criança responsabilidades e expectativas excessivas, como, "agora que o papai não está mais presente, você deve ser o homem desta casa". Não force a criança a assumir tarefas que não lhe cabem, pois ela não deve ser privada de viver sua infância.
As reações emocionais da criança diante da morte se parecem com as do adulto, ainda que sejam expressas de modo diferente, se bem resolvidas consequentemente mais organizado será o adulto.

Psicóloga Clínica Rosecler Schimitz
imagem da internet

terça-feira, 15 de março de 2011

"Perder um filho ou filha"


É como acordar e ver que tudo não passou de um sonho;
É como voltar de marcha-ré todo o caminho já percorrido;
É voltar a ser uma pessoa “comum” depois de um tempo se sentindo “especial”;
É ter que esperar passar o tempo para se sentir melhor;
É sentir que tudo ficou sem graça;
É saber que isso acontece, com muitas pessoas, mas não sentir alivio por não estar sozinha!, e é péssimo!
É sentir solidão porque já havia se acostumado em vê-la todos os dias.
É procurar a causa da perda mesmo sabendo que não dá para encontrar;
É ter acreditado que comigo não aconteceria esse imprevisto e perceber que essa sensação de proteção é falsa;
É sofrer sozinha, apesar do apoio das pessoas;
É ter que encarar de frente a sensação de incompetência;
É exercitar a paciência para esperar o que o destino está guardando;
É sorrir, mas o coração esta em pedaços, e ter que caminhar com uma saudade infinita no peito..."

"Uma mãe que entrega seu filho a Deus, não é uma simples mãe, é uma mãe coragem. Olhar o sol nascer todos os dias e ver o mundo caminhar mesmo com seu coração estraçalhado, também é dom. Dom de resignação, dom de poder compreender que há mais mistérios entre o céu e a terra que nós pobres mortais podemos compreender. Dom de fé e coragem.
Com você mãe de um filho que partiu, segue uma companheira constante, a SAUDADE. Com você grande mulher, segue uma certeza: MORRER NÂO É O FIM.
Mãe que dorme e acorda todos os dias com coragem suficiente para fortalecer sua família, socorrer os aflitos, necessitados, abandonados; angustiados.
Mulher que carrega em si a força da vida. Mãe tão especial que consegue carregar uma cruz tão grande. Mulher mãe, tu sabes que a força que tens vem do amor que tudo suporta."

Saudades eternas, minha filha Caroline, mamãe te amará eternamente.

 
Peço a todos que lembrem em suas preces de tantas e tantas mãezinhas que assim são obrigadas a sobreviver.
 
Abraços,
 
Patricia





Carlos


Abaixo um poema de Rosana para seu filho Carlos:


Carlos, you've "gone" but my heart beats on.
It'll keep on beating and repeating:
we'll meet again we'll meet again.
Till then, you'll live on in my heart,
we're never really apart!
A fusing of spirits
in silent adoration
of our God
within
this frail
frame of mine,
in essence all Divine.


Mum

sábado, 12 de março de 2011

PERDER ALGUÉM QUERIDO


Não há palavras para expressá-la. Não há livro que a descreva. Por isso, o melhor jeito de consolar é falar pouco, orar junto,sentir junto e estar presente, cada um do jeito que sabe. Palavras não explicam a morte de alguém querido. Sabem disso o pai, a mãe, os filhos, os irmãos, o namorado e a namorada, o marido e a mulher, amigos de verdade. Quando o outro morre, parte do mistério da vida vai com ele. A parte que fica torna-se ainda mais intrigante. Descobrimos a relação profunda entre a vida e a morte quando alguémque era a razão, ou uma das razões, de nossa vida vai-se embora. Para onde? Para quem? Está me ouvindo? A gente vai se ver novo? Como será o reencontro?Acabou-se para sempre, ou ela apenas foi antes?Por que agora? Por que desse jeito? As perguntas insistem em aparecer e as respostas não aparecem claras. Dói, dói, dói e dói... Então a gente tenta assimilar o que não se explica. Cada um do jeito que sabe. Há o que bebe, o que fuma, o que grita, o que abandona tudo, o que agride, o que chora silencioso num canto, o que chama Deus para uma briga, o que mergulha no fatalismo e o que, mesmo sem entender ou crer, aposta na fé. Um dia nos veremos de novo... enquanto este dia não chegar,entes que eu amo sei que me ouvem e oram por mim, lá, junto de Deus. Para eles a vida tem, agora, uma outra dimensão.Alcançou o definitivo. Quem fica perguntando e sofrendo somos nós. Mas como a vida é um riacho que logicamente deságua, a nossa vez também chegará e, quando isso acontecer, então não haverá mais lágrimas. As que aqui ficaram chorando terão a sua explicação.Por enquanto, fica apenas o mistério. Alguém que não sabemos por que nasceu de nós e por que cresceu em nós, por que entrou tão de cheio em nossa vida, fechou os olhos e foi-se embora. Quem ama de verdade não crê que se acabou. A vida é uma só: começa aqui no tempo e continua, depois, na ausência de tempo e de limite. Alguém a quem amamos se tornou eterno. E essa pessoa já sabe quem e como Deus é. E também sabe o porquê de sua partida. Por isso, convém falar com ela e mandar recados a Deus por meio dela. Se ela está no céu, então alguém, além de Deus, de Jesus e dos santos, se importa conosco. Definitivamente, não estamos sozinhos, por mais que doa a solidão de havê-la perdido. Mas é apenas por pouco tempo. Quem amou aqui, sem dúvida, se reencontra no infinito...
PE. Zezinho

A Morte não é Nada



Santo Agostinho 


"A morte não é nada. 
Eu somente passei 
para o outro lado do Caminho.

Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês, 
eu continuarei sendo.

Me dêem o nome 
que vocês sempre me deram, 
falem comigo 
como vocês sempre fizeram.

Vocês continuam vivendo 
no mundo das criaturas, 
eu estou vivendo 
no mundo do Criador.

Não utilizem um tom solene 
ou triste, continuem a rir 
daquilo que nos fazia rir juntos.

Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.

Que meu nome seja pronunciado
como sempre foi, 
sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra
ou tristeza.

A vida significa tudo 
o que ela sempre significou, 
o fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora 
de seus pensamentos,
agora que estou apenas fora 
de suas vistas?

Eu não estou longe, 
apenas estou 
do outro lado do Caminho...

Você que aí ficou, siga em frente,
a vida continua, linda e bela
como sempre foi."

Imagem:http://www.webix.com.br/fotos/940-foto-por-do-sol.html