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sexta-feira, 31 de julho de 2015

8 dicas para viver bem, sem precisar de muito

Pierre Wolfer

“Comece a viver imediatamente, e conte cada dia como se fosse uma vida.”
- Seneca


Quem procura uma vida mais zen, concentrada nas coisas e nas pessoas que realmente importam, procura, inevitavelmente, uma vida mais calma, mais simples. E a verdade é que não precisamos de muito – nomeadamente bens materiais – para vivermos bem e para sermos verdadeiramente felizes… precisamos apenas da mentalidade certa.
  1. Precisa de muito pouco para ser muito feliz. Comida simples e boa, um telhado sobre as nossas cabeças, algumas mudas de roupa, um bom livro, um caderno precioso, trabalho importante e pessoas que amamos e que nos amam.
  2. Queira pouco e não será pobre. Pode ter muito dinheiro e muitos bens materiais, mas se está sempre ansioso por mais, será mais pobre do que aquela pessoa que tem pouco e não quer nada.
  3. Concentre-se no presente. Deixe de preocupar-se com o futuro e de viver no passado. Quanto tempo passa por dia a pensar em outras coisas sem ser onde está e o que está a fazer naquele preciso momento? Quantas vezes não está preso aos seus próprios pensamentos em vez de estar a saborear e a viver o presente, a aproveitar cada momento da sua vida? Viva o aqui e o agora e terá uma vida preenchida.
  4. Seja feliz com aquilo que tem e com o lugar em que se encontra. Não raras vezes, queremos estar noutro sítio, a fazer outra coisa, com outras pessoas, a conseguir coisas que nada têm a ver com aquilo que já temos. Mas a verdade é que aquilo que temos e o momento da vida em que nos encontramos já é fantástico! As pessoas com quem estamos (incluindo nós próprios) já são perfeitas. Aquilo que temos, chega. Aquilo que estamos a fazer, é maravilhoso.
  5. Sinta-se grato pelos pequenos prazeres da vida. Uma mão cheia de framboesas, alguns quadrados de um chocolate delicioso, uma bela chávena de chá – prazeres simples que são muito melhores do que sobremesas decadentes, refrigerantes açucarados e alimentos fritos, se aprendermos a desfrutar deles ao máximo. Um bom livro que trouxe da biblioteca, uma caminhada com uma pessoa amada, a satisfação de uma enérgica sessão de exercício físico, as palhaçadas que os filhos dizem, o sorriso de um estranho, andar descalço sobre a relva, um momento de silêncio enquanto se contempla o amanhecer e o mundo ainda descansa. Estes pequenos prazeres são sinónimos de viver bem, sem precisar de muito.
  6. Deixe-se motivar pela alegria e não pelo medo. Muitas vezes, as pessoas são conduzidas pelo medo de ficar para trás ou esquecido, pelo medo da mudança, pelo medo de perder alguma coisa. Estes não são bons motivos para fazer o que quer que seja. Em vez disso, faça as coisas porque estas lhe trazem a si, ou a quem o rodeia, alegria. Deixe que o seu trabalho seja conduzido pela alegria de fazer algo criativo, valioso, com significado e não pela vontade de manter um certo estilo de vida ou pelo medo de ver esse estilo de vida alterado.
  7. Pratique a compaixão. Compaixão pelos outros cria relações de amor, relações valiosas e cheias de recompensas. Compaixão por si significa que se perdoa por erros cometidos no passado, que cuida bem de si (alimenta-se de forma saudável e pratica exercício físico) e que se ama tal e qual é.
  8. Esqueça a produtividade e os números. No fundo, isso não interessa nada. Se está exclusivamente focalizado em fazer coisas para atingir números (certos objetivos), o mais certo é que já perdeu de vista aquilo que é realmente mais importante. Se o objetivo é ser produtivo, estará a encher os dias apenas para que possa ser (ou parecer) produtivo e isso é uma perda de tempo. Cada dia é uma bênção e não deve ser sufocado com afazeres, com tudo e mais alguma coisa – procure sempre tempo para desfrutar do seu dia, para desfrutar daquilo que preenche verdadeiramente a sua vida.  fonte:aqui

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Cuidar dos lutos e das perdas


Pertencem, inexoravelmente, à condição humana, as perdas e o luto. Todos somos submetidos à férrea lei da entropia: tudo vai lentamente se desgastando; o corpo enfraquece, os anos deixam marcas, as doenças vão nos tirando irrefreavelmente nosso capital vital. Essa é a lei da vida que inclui a morte.
Mas há também rupturas que quebram esse fluir natural. São as perdas que significam eventos traumáticos como a traição do amigo, a perda do emprego, a perda da pessoa amada pelo divórcio ou pela morte repentina. Surge a tragédia, também parte da vida.
Representa grande desafio pessoal trabalhar as perdas e alimentar a resiliência, vale dizer, o aprendizado com os choques existenciais e com as crises. Especialmente dolorosa é a vivência do luto, pois mostra todo o peso do Negativo. O luto, possui uma exigência intrínseca: ele cobra ser sofrido, atravessado e, por fim, superado positivamente.
Há muitos estudos especializados sobre o luto. Segundo o famoso casal alemão Kübler-Ross há vários passos de sua vivência e superação.
O primeiro é a recusa: face ao fato paralisante, a pessoa, naturalmente, exclama:”não pode ser”; “ é mentira”. Irrompe o choro desconsolado que palavra nenhuma pode sustar.
O segundo passo é a raiva que se expressa:“por que exatamente comigo? Não é justo o que ocorreu”. É o momento em que a pessoa percebe os limites incontroláveis da vida e reluta em reconhecê-los. Não raro, ela se culpa pela perda, por não ter feito o que devia ou deixado de fazer.
O terceiro passo se caracteriza pela depressão e pelo vazio existencial. Fechamo-nos em nosso próprio casulo e nos apiedamos de nós mesmos. Resistimos a nos refazer. Aqui todo abraço caloroso e toda palavra de consolação, mesmo soando convencional, ganha um sentido insuspeitado. É o anseio da alma de ouvir que há sentido e que as estrelas-guias apenas se obscureceram e não desapareceram.
O quarto é o autofortalecimento mediante uma espécie de negociação com a dor da perda: “não posso sucumbir nem afundar totalmente; preciso aguentar esta dilaceração, garantir meu trabalho e cuidar de minha família”. Um ponto de luz se anuncia no meio da noite escura.
O quinto se apresenta como uma aceitação resignada e serena do fato incontornável. Acabamos por incorporar na trajetória de nossa existência essa ferida que deixa cicatrizes. Ninguém sai do luto como entrou. A pessoa amadurece forçosamente e se dá conta de que toda perda não precisa ser total; ela traz sempre algum ganho existencial.
O luto significa uma travessia dolorosa. Por isso precisa ser cuidado.

Leonardo Boff
fonte: Casulo

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Celebrar a vida

"Que a minha coragem seja maior que o meu medo; e minha força seja tão grande quanto a minha fé." 

nosso diario gospel

Celebrar a vida é reativar em si a força, a coragem e a fé…

Perde-se a força ao longo da vida  porque abre-se espaço ao desânimo…

A coragem foge porque o medo toma conta da mente…

A fé é desacreditada porque o que se espera não acontece…

Mas para todos os males existe a cura, mesmo que esta cura não esteja tão visível aos olhos da matéria, ela está latente no espírito de todos, por isso celebrar a vida em cada momento que ela nos dá, traz  de volta as virtudes necessárias para nos mantermos vivos e ativos na vida que escolhemos viver.

fonte: gotas de paz

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Desenvolva a resilência e dê a volta por cima em sua vida

PUBLICADO EM SOCIEDADE POR SORAYA RODRIGUES DE ARAGÃO

Saber lidar com nossa condição humana de sofrimento e mudanças contínuas, é o ponto chave a ser trabalhado para lograr uma vida mais harmoniosa e feliz, pois estamos sujeitos a tudo. Sendo assim, precisamos desenvolver a nossa resiliência. Esta é desenvolvida através de processos dinâmicos de aprendizagem. Supere as adversidades da sua vida transformando-as em aprendizados constantes e otimizando a qualidade do seu viver. Confira os nove passos para seu fortalecimento pessoal e dê a “volta por cima” na sua vida.
A palavra Resiliência, também chamada resilência, é derivada do latim resilientia, do verbo resilio (re + salio) que significa “saltar para trás”, recuperar-se, voltar ao “normal”.
Foi utilizada pela primeira vez pelo físico Thomas Young em 1807 e que a definiu como a capacidade de um objeto, material ou corpo de sofrer pressão ou impacto e, depois, voltar à forma original, nao perdendo, deste modo, suas propriedades. Por exemplo, um elástico, uma vara que se verga, uma borracha, etc.
Psicologicamente, a resiliência é a capacidade de psicoadaptação de indivíduos, grupos e/ou de organizações, de voltar ao seu estado “normal”, após alguma situação traumática ou crítica, ou seja, é a capacidade de superar adversidades. A resiliência demonstra se uma pessoa sabe ou não “funcionar” bem sob pressão, se sabe superar desafios, ter flexibilidade e postura otimista, com projetos de vida claros e definidos, o que não quer dizer ser irrealista, fantasioso ou “não-efetivo”.
Como dito anteriormente, é uma palavra “emprestada” da Física, mas que não se aplica adequadamente para nós, indivíduos contextualizados, visto que nunca voltamos a ser a mesma pessoa de antes, pois somos atravessados por nossa experiência pessoal e relacional e a esta damos sentido(s) e significado(s).
A resiliência é inata ou adquirida?
Existem pessoas mais resilientes, e outras, menos. Até em irmãos gêmeos neonatos observamos comportamentos diversificados. No entanto, a resiliência psicológica nao é inata, mas desenvolvida através de processos dinâmicos de aprendizagem, bem como de nossas escolhas em busca do autoconhecimento, do auto questionamento e da autoavaliação, da busca de sentido e significado que na maioria das vezes fazemos em momentos de crise e que uma vez superada a dificuldade, saimos de cada experiencia fortalecidos, se tivermos a compreensão dos obstáculos vivenciados e superados e de darmos sentido as dificuldades como oportunidade de mudança e crescimento.
Ser resiliente é muito diferente de ser uma pessoa resistente, ou seja, aquela que suporta a pressão, a crise e os estresses da vida. Ser resiliente é muito mais que suportar as intempéries, é aprender a visualizar a crise como uma oportunidade de crescimento e mudança. Em outras palavras, é “dar a volta por cima”.
Podemos desenvolver a resiliência em nove passos. Vale a pena ressaltar que uma pessoa pode ser mais resiliente em um determinado aspecto da vida, mas em outro, nem tanto. Vale a pena refletir e verificar aqueles que precisam ser desenvolvidos:
1- Aprenda a administrar as emoções:
A emoção faz parte do ser humano, ou seja, nao adianta negá-la ou reprimi-la e sim, reagir de maneira harmoniosa e equilibrada diante das situações. Se você não souber administrar as emoções, sua vida pessoal, social e profissional vai ser dificultada. Seja onde for, em casa, com os amigos, ou no trabalho é necessário desenvolver e utilizar sua inteligência emocional.
2- Controle seus impulsos:
Este item é ponto crucial e está diretamente relacionado com o anterior. Tenha muito cuidado! Quando tiver uma raiva, respire fundo, pense muitas vezes (conte até 10…conte até 1000). Nunca se esqueça: em um momento de raiva voce pode, por exemplo, destruir sua imagem, um projeto ou uma relação que levou muito tempo para construir. Como disse Friedrich Schiller: “Breve é a loucura e longo o arrependimento.” Seja responsável por suas atitudes, pense e repense antes de tomar uma decisão ou de fazer algo que lhe trará consequências a curto ou longo prazo.
3- Seja otimista:
O otimismo é a crença ou perspectiva de um futuro melhor. Acreditar que as coisas irão melhorar, nos fortalece e nos revigora. Não se esqueça que do “fundo do poço” também podemos ver as estrelas, basta olhar para o alto. Mude sua postura, mude de foco, olhe para a frente, visualize e acredite em um futuro melhor e faça por onde.
4- Desenvolva a autoeficácia:
A autoeficácia é a utilizaçao de seus recursos internos, a chamada “luz interior”. A autoeficácia anda de mãos dadas com o otimismo e o autoconhecimento.
5- Aprenda a analisar o ambiente:
Aprender a analisar o ambiente é verificar através de uma leitura ambiental quais são as contingências ameaçadoras ou de risco e a partir desta leitura, desenvolva estratégias de enfrentamento para estas situações. Muitas vezes, através de uma observação sensível de determinados aspectos, encontramos respostas e soluções para os problemas. Entre em receptividade com o ambiente, desenvolva a sensibilidade e analise-o antes de atuar.
6- Alcançar pessoas:
É a busca de auxílio externo, de suporte afetivo e emocional que são provenientes da família e dos grupos de apoio eficazes.
7- Busque um sentido em sua vida:
Tenha propósitos, metas e objetivos de vida específicos.
8- Desenvolva a empatia:
A empatia é a capacidade de compreender a partir da perspectiva do outro, de colocar-se no lugar do outro. O desenvolvimento da empatia melhora substancialmente a qualidade de sua vida e de seus relacionamentos interpessoais.
9- Busque ajuda externa:
Gostaria de corroborar aqui uma questão importante: Ninguém é resiliente sozinho; ninguém é autossuficiente. Busque ajuda externa. O ser humano é atravessado pela dimensão pessoal (subjetiva), interpessoal (comunitária), cultural, política e espiritual. O homem foi feito pra viver em comunidade e procurar auxílio, auxiliar, bem como encontrar soluções dentro de um contexto social que beneficie a todos.
PARA REFLETIR:
Como disse Carlos Drummond de Andrade: “A dor é inevitavel, o sofrimento é opcional”
Situações críticas de dor e tragédia, como separações, rupturas, conflitos, luto, perdas, decepções, doenças, bem como dos desafios que fazem parte da nossa vida cotidiana, são importantes para o nosso processo de desenvolvimento psíquico e emocional, embora nos tragam sofrimento.
Saber lidar com nossa condição humana de sofrimento e mudanças contínuas, é o ponto chave a ser trabalhado para lograr uma vida mais harmoniosa e feliz, pois na vida estamos sujeitos a tudo.
Se você parar neste momento para refletir e enumerar o quanto de dificuldades que já enfrentou em sua vida (e que ainda vai enfrentar) e das vezes que já conseguiu “dar a volta por cima”, e que saiu vitorioso, voce acreditará sempre em um “novo amanhã”,em um “recomeçar”, na “luz no fim do túnel”.
Não se vitimize, assuma as rédeas da sua vida! Uma mente tumultuada e atribulada nao consegue pensar direito. Confie em si mesmo, confie na vida!
A vida vale a pena ser vivida. Erga sua cabeça, tenha fé! Nunca foi dito que não teriamos momentos de dificuldades. E ironicamente, muitas vezes são estas mesmas dificuldades que praguejamos, as que estão disfarçadas em grandes oportunidades e nós não sabemos reconhecê-las, porque aprendemos somente a ver o lado ruim das coisas. Observe as possibilidades a sua volta, não se fixe tanto nos problemas, pois tem coisas que embora queiramos controlar, estas fogem do nosso controle. Então, dê um tempo para que o caos se reorganize. Não entenda isto como uma postura passiva. Faça o que estiver ao seu alcançe, faça o que você puder fazer, mas não pretenda ter o controle de tudo, além de impossível, é desgastante.
Então, se você está passando por um período de crise existencial ou se encontra cheio de anseios, medos e angústias, procure desenvolver estratégias de enfrentamento pra lidar com suas questões; busque ajuda externa, suporte familiar, social e/ou profissional. Você verá que se trata apenas de uma fase e que na verdade um futuro cheio de amor, paz e prosperidade chegará.
Tudo na vida passa e traz aprendizados. Procure se autoconhecer, você deve aprender a desenvolver seus recursos internos.Cuide-se mais, trate-se melhor; ame-se mais. Aprenda técnicas de relaxamento, respiração e meditação; se tiver tempo, pratique esportes. Procure conhecer algo novo, desenvolva novos propositos de vida, busque construir uma nova realidade, se renove, se reinvente!
Outro ponto importante:
É necessário ter paciência; a vida é cheia de ciclos, altos e baixos. Observe a natureza, um ciclo termina para iniciar outro...tudo requer tempo e aprendizado. Observe as coisas que já conquistou. Agradeça as coisas que tem, ao invés de reclamar aquelas que ainda não possui (ou que perdeu). Não existem perdas: o que se foi cumpriu o seu propósito.
Seja capaz de colocar em primeiro plano as coisas boas da vida e aprenda a nao dar importância relevante às coisas menos agradáveis, já que tudo passa, é transitório.
As experiências de vida devem deixar um legado de aprendizagem e construir o patrimônio de valores que deverão nortear a nossa vida de maneira a proporcionar essa construção contínua do nosso ser que não está e que nunca estará pronto.

fonte: Obvius

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Sheryl Sandberg faz relato sobre amor, religião e morte


  
Sheryl Sandberg com Dave Goldberg
São Paulo - Quem já perdeu um ente querido sabe: a dor da perda é algo indescritível, que muitos não conseguem transformar em palavras. Porém, Sheryl Sandberg, vice-presidente de operações do Facebook, soube muito bem realizar esse feitio, escrevendo uma linda carta em homenagem ao seu marido falecido, Dave Goldberg.

Goldberg, presidente-executivo da SurveyMonkey, morreu inesperadamente no dia 2 de maio, durante férias com a família no México. Segundo o The News York Times, a causa da morte foi um acidente do executivo na academia em que se exercitava, o que resultou em um traumatismo craniano.

Após um mês da morte do marido, Sandberg escreveu as lições que aprendeu com seu falecimento tão repentino, relacionando a sua religião com o amor e as riquezas da vida. É um relato muito emocionante e serve de ajuda para aqueles que já passaram por tragédias como a que ela passou.

Confira abaixo uma tradução da carta:

"Hoje é o fim do 'Sheloshim', os primeiros trinta dias de luto, para meu amado marido. O judaísmo denomina de 'Shiva' um período de intenso luto, que dura sete dias após o enterro de alguém querido. Depois do Shiva, a rotina pode voltar ao normal, mas é o fim do Sheloshim que marca a realização completa do luto por um cônjuge.

Um amigo de infância, que agora é um rabino, recentemente me disse que a oração mais poderosa que ele já leu foi: 'não me deixe morrer enquanto ainda estiver vivo'. Eu nunca teria entendido essa oração antes de perder Dave. Agora eu entendo.

Penso que, quando uma tragédia acontece, ela nos apresenta uma escolha. Você pode se render ao vazio que enche seu coração, seus pulmões, tira sua capacidade de pensar ou até mesmo de respirar. Ou você pode tentar encontrar o sentido de tudo isso. Nesses últimos trinta dias, eu fiquei perdida no vazio por muitos momentos. E eu sei que muitos momentos futuros serão consumidos do mesmo jeito por esse mesmo vazio.

Mas, quando eu posso, eu quero escolher a vida e o significado.

E é por isso que eu estou escrevendo: para marcar o fim do Sheloshim e dar de volta um pouco do que os outros têm me dado. Enquanto a experiência de doar é profundamente pessoal, a braveza daqueles que compartilharam suas próprias experiências tem me ajudado a me recolocar nos eixos. Alguns dos que abriram seus corações foram os meus amigos mais próximos. Outros foram totais desconhecidos que compartilharam sabedoria e conselhos publicamente. Então, eu estou compartilhando o que eu aprendi, na esperança de que isso ajude outro alguém. Na esperança de que exista algum sentido para esta tragédia.

Eu envelheci trinta anos nestes trinta dias. Eu estou trinta anos mais triste. Eu me sinto como se fosse trinta anos mais sábia.

Eu ganhei um entendimento bem mais profundo de o que é ser uma mãe, com a agonia que eu senti quando meus filhos gritaram e choraram, e com a conexão que minha mãe teve ao sentir meu sofrimento. Ela tem tentado preencher o vazio na minha cama, me abraçando firme toda noite enquanto eu choro até dormir.

Ela tem lutado para segurar suas próprias lágrimas para dar lugar às minhas. Ela tem me explicado que a angústia que eu estou sentindo é ao mesmo tempo minha e dos meus filhos, e eu entendi que ela estava certa quando eu vi a dor nos olhos dela.

Eu aprendi que eu nunca vou realmente saber o que dizer para outros que precisam de conforto. Eu acho que eu entendi tudo errado antes; eu tentei afirmar a todo mundo que eu estava bem, pensando que a esperança era a coisa mais confortável que eu poderia oferecer. Um amigo meu com câncer avançado me disse que a pior coisa que as pessoas podem dizer a ele é: "tudo vai ficar bem". Aquela voz na cabeça dele ficava gritando: "como você sabe que tudo vai ficar bem? Você não entende que posso morrer?". Eu aprendi nesse último mês que ele estava tentando me aconselhar. A real empatia é, às vezes, não insistir que tudo vai ficar bem, mas saber que provavelmente não vai.

Quando as pessoas dizem para mim "você e seus filhos irão encontrar a felicidade de novo", meu coração me diz: "sim, eu acredito nisso, mas eu sei que eu nunca mais vou sentir o prazer puro novamente". Aqueles que têm dito "você irá encontrar um 'novo normal', mas nunca será tão bom quanto antes" me confortam mais porque eu sei que eles estão falando a verdade.

Até um simples "como você está?" - na maioria das vezes, perguntado na melhor das intenções - seria melhor substituído por um "como você está hoje?". Quando me perguntam "como você está?", eu me esforço e me impeço de gritar: "meu marido morreu há um mês, como você acha que eu estou?". Quando eu escuto "como você está hoje?", eu percebo que essa pessoa sabe que o máximo que consigo fazer agora é viver cada dia.

Eu tenho aprendido sobre algumas coisas práticas que importam. Sabemos agora que o Dave morreu imediatamente, mas eu não sabia disso na ambulância. A ida até o hospital foi completamente lenta. Eu ainda odeio cada carro que não deu passagem, cada pessoa que se importava mais em chegar ao seu destino alguns minutos antes do que dar passagem para nós passarmos. Eu notei isso enquanto eu dirigia em diversas cidades e diversos países. Vamos todos sair do caminho! O pai, parceiro ou filho de alguém talvez dependa disso.

Eu tenho aprendido o quão efêmera cada coisa pode ser sentida, e talvez isso seja tudo. Que qualquer que seja o "tapete" em que você esteja, ele pode ser puxado de você sem nenhum aviso. Nos últimos trinta dias eu ouvi de várias mulheres que perderam os maridos que vários tapetes foram puxados. Algumas suportaram e lutaram sozinhas com o sofrimento emocional e a insegurança financeira. Me parece tão errado que nós abandonemos essas mulheres e suas famílias quando elas mais precisam.

Eu tenho aprendido a pedir ajuda, e tenho percebido o quanto de ajuda eu preciso. Até agora, eu tenho sido a irmã mais velha, a diretora de operações, a doadora e a organizadora. Eu não planejei isso, e quando aconteceu, eu não era capaz de fazer a maioria das coisas. Os mais próximos a mim foram os que comandaram tudo. Eles planejaram. Eles arrumaram. Eles me disseram para sentar e me lembrar de comer. E ainda fizeram muito para apoiar a mim e aos meus filhos!

Eu tenho aprendido que a resiliência pode ser aprendida. Adam Grant me ensinou três coisas que são essenciais para a resiliência e que eu posso aprender todas elas. Personalização: admitir que não é minha culpa. Ele me disse para banir a palavra "desculpa". Para dizer a mim mesma várias e várias vezes que não é minha culpa. Permanência: lembrar que eu não vou me sentir assim para sempre. Que vai ficar melhor. Infiltração: isso não vai afetar cada parte de mim. É a habilidade de permanecer saudável.

Para mim, começar essa transição de voltar para o trabalho tem sido salvadora, a chance de me sentir útil e conectada. Mas eu descobri que mesmo essas conexões mudaram. Muitos dos meus colegas de trabalho têm um olhar de medo quando se aproximam de mim. Eu descobri que eles queriam me ajudar mas não tinham certeza de como fazer isso. "Devo mencionar isso? Não devo falar disso? Se eu falar, o que diabos vou dizer?". Eu percebi que, para restabelecer a proximidade com meus colegas que sempre foram importantes para mim, eu precisava deixar eles entrarem. E isso significava ser o mais aberta e vulnerável que eu podia.

Eu disse para aqueles com quem trabalho mais que eles poderiam me fazer perguntas honestas, e eu iria responder. Também disse que tudo bem se eles quisessem falar de como eles se sentiam. Uma colega admitiu que estava dirigindo até minha casa frequentemente, em dúvida se entrava ou não. Outro disse que ficava paralisado quando eu estava por perto, preocupado que talvez dissesse a coisa errada. Falando abertamente do medo de dizer e fazer alguma coisa errada. Um dos meus desenhos favoritos de todos os tempos é um elefante na sala do telefone, escrito "isso é o elefante". Uma vez que enfrentei o elefante, nós pudemos tirar ele da sala. (Nota da tradução: a expressão em inglês "elefante na sala" significa quando uma verdade é tão óbvia que não dá para ser ignorada).

Ao mesmo tempo, há momentos em que eu não consigo deixar as pessoas entrarem. Eu fui a uma noite na escola quando as crianças mostram aos pais os desenhos nas paredes das salas de aula. Muitos dos pais, os quais também têm sido muito gentis, tentaram fazer contato ou falar algo que eles pensavam ser confortável. Eu olhava para baixo o tempo todo, para que nenhum deles me olhasse nos olhos, com medo que isso me deixasse pior. Eu espero que eles tenham entendido.

Eu tenho aprendido sobre gratidão. A verdadeira gratidão pelas coisas que eu tomava como garantidas antes, como a vida. Como alguém de coração partido, eu olhava para meus filhos todos os dias e agradecia por eles estarem vivos. Eu aprecio cada sorriso, cada abraço. Eu não vejo mais cada dia como garantido. Quando um amigo me disse que ele odiava aniversários e, por isso, não os celebrava, eu olhei para ele em meio a lágrimas: "Celebre seu aniversário, caramba! Você tem sorte de ter cada um deles". Meu próximo aniversário vai ser muito deprimente, mas estou determinada a celebrá-lo no meu coração mais do que eu jamais celebrei um aniversário antes.
Eu sou realmente agradecida aos muitos que ofereceram sua simpatia. Um colega me disse que sua esposa, quem eu nunca conheci, decidiu mostrar seu apoio indo de volta à escola para obter seu diploma, coisa que ela estava enrolando por anos para fazer. Sim! Quando as circunstâncias permitem, eu acredito, mais do que nunca, em aprender. E muitos homens, alguns que eu conheço e outros que eu sei que nunca irei conhecer, estão honrando a vida de Dave passando mais tempo com suas famílias.

Eu não consigo expressar a gratidão que eu senti à minha família e aos meus amigos que têm feito tanto para me ajudar, e continuam fazendo. Nos momentos brutais quando eu sou preenchida pelo vazio, quando os meses e anos me parecem vazios e intermináveis, só as faces deles me colocam de volta nos eixos. Minha gratidão por eles não tem fim.

Eu estava falando para um desses amigos sobre as atividades de pais e filhos que Dave não está aqui para fazer. Nós pensamos num plano para colocar ele nisso. Eu chorei para ele e disse "mas eu quero o Dave, eu quero a primeira opção". Ele colocou o braço em volta de mim e disse "a primeira opção não está disponível, então fique satisfeita com a opção B".

Dave, para honrar sua memória e colocar pra cima seus filhos como eles merecem, eu prometo fazer tudo que eu posso para me satisfazer com a opção B. E mesmo quando o 'Sheloshim' acabe, eu ainda estarei em luto pela opção A. Como Bono cantou "there is no end to grief... And there is no end to love".
Eu te amo, Dave."

 fonte: Exame.com