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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A palavra que estimula


A palavra é faculdade natural que Deus concedeu ao homem. Graças a ela, o homem se expressa no Mundo, vivendo em sociedade.


Quando bem utilizada, é veículo de bênçãos grandiosas. Em periódico norte-americano, colhemos a história de um episódio acontecido com um industrial.

Sherman Rogers recebeu o cargo de administrador de um acampamento de madeireiros no Idaho.

Logo conheceu Tony, empregado que sempre vivia de mau humor e, por isso, pensou em despedi-lo.

Tony tinha como função cobrir de areia um morro coberto de gelo, para evitar que troncos de árvores gigantescos escorregassem sobre os homens e os animais que trabalhavam nas encostas.

O proprietário da empresa abordou Sherman e lhe disse:

Haja o que houver, aconselho-o a não mexer com Tony.

Ele é irritadiço, birrento, impulsivo mas, em 40 anos desse trabalho, nunca vi melhor empregado. Nunca se perdeu um só homem ou cavalo por negligência dele.

Naquela manhã gélida, Sherman observou Tony de pé, junto a uma fogueira. Mas ele não estava se aquecendo. Estava aquecendo a areia que ia jogar na colina gelada coberta de neve.

O administrador se aproximou, cumprimentou o empregado e lhe falou: O patrão me disse que você é um excelente empregado.

A reação emocional de Tony foi comovedora. Seus olhos se encheram de lágrimas.

Apertou demoradamente a mão de Shermann. Depois, agarrou a pá e foi trabalhar com um vigor redobrado.

À noite, Tony foi o assunto de todas as conversas. Entre risadas, comentou-se que ele jogara tanta areia nas encostas do morro que daria para cobrir uma dúzia deles.

E, mais: ele rira e fizera brincadeiras o dia inteiro.

Somente o administrador sabia o porquê do comportamento do operário.

Doze anos depois, encontrou Tony trabalhando como Superintendente na construção de uma ferrovia, em um dos maiores acampamentos de madeireiros do oeste americano.

Aquele momento em que o senhor me disse aquelas palavras estimuladoras mudou toda a minha vida, confessou Tony a Sherman Rogers.


domingo, 27 de novembro de 2011

Aceitação (o início da transformação)



A primeira impressão que temos quando ouvimos ou pensamos em aceitar, seja uma pessoa, um fato ou uma circunstância é de que estaremos nos submetendo ou nos subjugando, desistindo de lutar, desistindo de mudar, sendo fracos.

De verdade se quisermos modificar qualquer aspecto da nossa vida, das nossas relações ou de nós mesmos devemos começar aceitando.
Na verdade a aceitação é detentora de um poder transformador que só quem já experimentou é que pode avaliar.

É realmente difícil aceitar perda material ou afetiva; uma situação de dificuldade financeira; uma doença; uma "humilhação"; uma "traição", etc.
Mas a aceitação é um ato de força interior, sabedoria, e humildade, já que existem inúmeras situações que não podemos mudar no momento em que acontecem.
E de maneira geral as pessoas são como são, dificilmente mudam, na verdade não podemos contar com isso, quem muda somos nós por escolha e vontade própria, portanto, se não houver aceitação, o que estaremos fazendo é insensato, é insano.
Ser resistente a isso, brigar, revoltar-se, negar, deprimir, desesperar,

indignar-se, culpar, culpar-se, etc, são reações emocionais carregadas de raiva; raiva do outro, raiva de si mesmo, raiva da vida e a raiva destrói, desagrega. A aceitação é uma força que desconhecemos porque somos condicionados á lutar, a esbravejar, a brigar.

Aceitar não é desistir, nem tão pouco se resignar. Aceitar é estar lúcido do momento presente como é, e se assim a vida se apresenta, assim deve ser, já que tudo está coordenado pela Lei da ação e reação.

No instante em que aceitamos, desmaterializamos situações que foram criadas por nós, soluções surgem naturalmente através da intuição ou fatos trazendo as respostas e as saídas para a situação, tudo isso porque paramos de resistir a VIDA como se apresenta no momento.

A consciência de que tudo é movimento, nada é permanente, faz com que a aceitação aconteça mais facilmente. A nossa tendência “natural” é resistir, não aceitar, combater tudo o que nos contraria e o que nos gera sofrimento. Dessa forma prolongamos a situação. Resistir só nos mantem presos dentro da situação desconfortável, muitas vezes perpetuando e tornando tudo mais complicado e pesado.

Quando não aceitamos nos tornamos amargos, revoltados,frustrados, insatisfeitos, cheios de rancor e tristeza, e esses padrões mentais/emocionais criam mais e mais dificuldades, nunca trazem solução.
Aceitar é expandir a consciência e encontrar respostas, soluções, alívio. Aceitar é o que nos leva à Fé.

É fundamental entender que aceitar não significa desistir; seguir adiante com otimismo, e ter muitos propósitos a serem atingidos é nossa atitude saudável diante da vida. Aceitar se refere ao momento presente, ao agora, no instante que você aceita, ou em outras palavras, novas idéias surgem para prosseguir na direção desejada. 



Ana Cristina Pereira é terapeuta pessoal

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A ARTE DA ACEITAÇÃO


Aceitar nossa realidade, tal qual é, representa um ato benéfico em nossa vida. Aceitação traz paz e lucidez mental, o que nos permite visualizar o ponto principal da partida e realizar satisfatoriamente nossa transformação interior.

Só conseguimos modificar aquilo que admitimos e que vemos claramente em nós mesmos, isto é, se nos imaginarmos outra pessoa, vivendo em outro ambiente, não teremos um bom contato com o presente e, conseqüentemente, não depararemos com a realidade.

A propósito, muitos de nós fantasiamos o que poderíamos ser, não convivendo com nossa pessoa real. Desgastamos dessa forma uma enorme energia, por carregarmos constantemente uma série de máscaras como se fossem utilitários permanentes.

A atitude de aceitação é quase sempre característica dos adultos serenos, firmes e equilibrados, à qual se soma o estímulo que possuem de senso de justiça, pois enxergam a vida através do prisma da eternidade. Esses indivíduos retêm um considerável “coeficiente evolutivo”, do qual se deduz que já possuem um potencial de aceitação, porquanto aprenderam a respeitar os mecanismos da vida, acumulando pacificamente as experiências necessárias a seu amadurecimento e desenvolvimento espiritual.

Quando não enfrentamos os fatos existenciais com plena aceitação, criamos quase sempre uma estrutura mental de defesa. Somos levados a reagir com “atitudes de negação”, que são em verdade molas que abrandam os golpes contra nossa alma. São consideradas fenômeno psicológico de “reação natural e instintiva” às dores, conflitos, mudanças, perdas e deserções e que, por algum tempo, nos alivia dos abalos da vida, até que possamos reunir mais forças, para enfrentá-los e aceitá-los verdadeiramente no futuro.

Não negamos por ser turrões ou teimosos, como pensam alguns; não estamos nem mesmo mentindo a nós próprios. Aliás, “negar não é mentir”, mas não se permitir “tomar consciência” da realidade.

texto do livro “Renovando Atitudes" 

domingo, 20 de novembro de 2011

Homenagem de uma mãezinha muito especial, Sueli, ao seu filho Márcio.

Eu poderia dar inicio ao meu desabafo de várias maneiras...


A verdade é que a vida me brindou com uma grande surpresa, que foi  partida tão cedo do meu filho Márcio e com tanta covardia.
Vivemos com você Márcio, uma felicidade radiante e inexplicável durante estes 30 anos.
Nunca imaginei que um dia fosse nos deixar assim, em prantos em razão dessa tua partida.
Fascinado por bola desde os seis anos de idade. Grande e corajoso zagueiro do Futebol Amador de Curitiba. Suas fotografias eternizam nas paredes dos clubes por onde você jogou muito futebol e por onde conquistou uma legião de amigos.
Os campos de futebol ficaram vazios, a rua da nossa casa ficou vazia, a casa perdeu muito do seu brilho e a saudades se transformou num vazio tão imenso que todas as minhas lágrimas de dor não podem preencher jamais.
Sinto o nosso bairro escuro, com a tua falta, porque sempre o amamos e continuaremos a te amar pela eternidade, mesmo que a dor atormente meu coração, porque apesar de tudo teu sorriso continua lúcido em nossas mentes, teu gesto, tuas ações e até mesmo o teu modo de nos proteger...
Não sei quantos beijos te dei ao longo de sua vida, mas se eu soubesse que naquela sexta feira dia 21.11.08 você iria sair e não voltaria mais, eu te abraçaria e pediria para voçe não sair.
Não podemos aceitar de maneira alguma o descaso e a injustiça. Você morreu meu filho sem dever nada a ninguém e muito menos para a justiça.
Não podemos conceber que a lei seja doada a qualquer um, sem um mínimo de bom senso e caráter para simplesmente a utilizarem para tirar vidas tão importantes, como foi a sua.
Arrancaram você de mim, assim, com covardia. eu, no meu papel de mãe, aquela que dá a luz para uma nova vida, imploro ao criador a justiça divina e tenha certeza, meu querido filho, que nós faremos de tudo para que você caminhe em paz, com nossas orações mais profundas e ao mesmo tempo, tenha certeza, vamos fazer as outras pessoas, essas desconhecidas que habitam no mundo, possam através dessa homenagem, ficarem cientes do quanto você foi importante em nossas vidas, do quanto nós te amamos e que assim essas pessoas, essas mães que iluminam o mundo possam, de alguma maneira, abraçar firme os seus filhos e pedir aos céus que eles estejam protegidos contras ações violentas como esta que aconteceu na nossa familia.
Seguirei, meu filho, levando flores ao seu túmulo, com a mesma dor, com as mesmas lágrimas e com a plena certeza que a justiça divina prevalecerá sempre.

TE AMAMOS PARA SEMPRE...


MÃE, PAI, IRMÃO, FILHA, PARENTES E AMIGOS SEUS.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011


É Proibido

É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,

Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos

Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,

Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,

Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,

Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se
desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,

Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,

Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,

Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.
Pablo Neruda

domingo, 13 de novembro de 2011

RESPEITAR O LUTO PELO ROMPIMENTO AJUDA NO SUCESSO DA NOVA RELAÇÃO



REVISTA CARAS | 6 DE MAIO DE 2010 (EDIÇÃO 861ANO )


Quem não vivencia a dor da separação — e entra em um outro relacionamento ainda sob o impacto de frustrações mal digeridas — não consegue administrar a interação dos vínculos anteriores com os novos e tampouco ter tranquilidade para avaliar o que quer e o que não quer de um futuro parceiro. Isso tudo aumenta o risco de que os erros do passado se repitam.


Separações e recasamentos já não causam estranheza. Em todas as famílias se convive tanto com rompimentos como com novos relacionamentos. Até mesmo os filhos, que são os que mais sofrem com problemas nessa área, hoje aceitam as novas configurações familiares mais facilmente. Ainda assim, ao se pensar em uma nova relação, após o encerramento de outra, cabe fazer algumas reflexões e tomar alguns cuidados.
A primeira questão fundamental é respeitar e suportar a fase de luto pós-rompimento. Por pior que a relação tenha sido, o rompimento traz dores inevitáveis. São os projetos frustrados, as raivas reacendidas, as culpas irracionais, as perdas de todos os tipos. Tudo isso, mais as dificuldades específicas de cada caso, provocam sensações dolorosas. Uma pessoa madura vivencia esses sentimentos e se permite chorar a dor, expressa a raiva e limpa a culpa antes de refazer novos projetos relacionais.
Quem não suporta viver esse período de luto corre o risco de sair em uma corrida desenfreada para colocar alguém no lugar do cônjuge perdido. Dessa maneira, vai começar uma nova relação ainda preso às frustrações e às expectativas da anterior. Aprender a viver sozinho e a lidar com a solidão são duas importantes tarefas no crescimento emocional e podem ser treinadas nessa fase.
Em função das dificuldades na relação anterior e do desejo de acertar dali para a frente, muitos passam a idealizar o próximo relacionamento. Nessa fantasia, correm o risco de não enxergar o novo parceiro com olhos de realidade. Podem esquecer que nem ele nem o outro são "zero-quilômetro". Desejam uma relação sem problemas e funcionam como se os filhos, ex-parceiros, famílias anteriores não existissem, ou têm desejos impossíveis de que eles não atrapalhem, não tenham necessidades nem dificuldades. Saber - e sempre lembrar - que na nova parceria estarão incluídos os vínculos anteriores, mesmo que de forma distante, ajuda a fazer contratos claros, a lidar com os sentimentos e a prevenir dificuldades.
Não forçar aproximações é também um cuidado importante. Os novos companheiros são íntimos da pessoa afetivamente envolvida, mas não o são dos filhos, dos familiares e dos ex-cônjuges. Uma relação harmoniosa não é necessariamente uma relação de encontros frequentes e de intimidade entre todos os envolvidos. Cada um deve ser aproximado na sua própria medida, respeitando suas disponibilidades e características. Os filhos, principalmente, não podem ser envolvidos na nova relação do mesmo modo, como se todos fossem um só, recebendo as mesmas informações e tendo o mesmo tipo de contato com o novo parceiro de seu pai ou mãe.
Outro ponto a ser considerado é uma preparação para fazer contratos claros. Para isso é preciso ter consciência do que se quer e do que não se quer na nova relação, e ter claras as concessões que se está disponível a fazer. Só então será possível examinar o novo parceiro e avaliar quais itens serão fáceis na convivência e quais precisarão de discussão e negociação mais elaborada.
Tomando esses cuidados, a nova relação poderá ser uma fonte de prazer e crescimento, livre dos tormentos da anterior e, na medida do possível, das armadilhas do imprevisto.
Por: por Solange Rosset*


sábado, 12 de novembro de 2011

Não deixem de assistir o vídeo do Padre Fábio (postado logo acima), em que ele relata como ele, junto da mãe enfrentou a perda  da  irmã  num acidente de carro. Seu depoimento é emocionante e revelador.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Morrer vivendo


Aprender a viver e a morrer, essa é a grande missão que cada homem deve ser capaz de cumprir, na mais profunda solidão
As flores, as árvores, os animais, os homens e mesmo as estrelas nascem, vivem e morrem. Apenas nós, os homens, deixamo-nos atormentar por esse mar misterioso onde desaguam todos os rios da vida.
Dois mil anos atrás, Lucio Aneu Sêneca nos ensinou: “Deve-se aprender a viver por toda a vida e, por mais que tu talvez te espantes, a vida toda é um aprender a morrer”.
Aprender a viver e a morrer, essa é a grande missão que cada homem deve ser capaz de cumprir, na mais profunda solidão, exatamente naquela solidão insuperável que nos torna únicos.
Vida e morte, dentro de cada um de nós. Todo o tempo, nascem e morrem ilusões, sentimentos, descobertas, crenças, agonias. Impossível vida interior sem morte interior.
Viver é morrer. Morrer, todos os dias um pouco, é viver. Essa infindável sucessão dialética de morte e vida, sempre presente dentro de nós, alarga nossa compreensão da vida e de seu fim.
Aquele que não se desencanta é porque nunca se encantou. O conhecido morre diante do desconhecido. O canto dos pássaros mata o silêncio. O saber é a morte da ignorância. Impossível viver a magia sem deixar de viver o real.
Sem paixão, sem vontade, para que serve a razão? Nossos desequilíbrios são sempre provocados pela morte temporária de uma dessas três senhoras.
A noite, o sono e o descanso são uma espécie de morte diária, assim como o dia e o despertar anunciam o fim do repouso.
Alguém já disse: “Não se vive sem respirar, mas não se vive apenas para respirar”. Viver como as plantas ou os animais é pouco.
O humano é exatamente aquilo que escapa das leis da Física, da Química, da Biologia e mesmo da Economia. O humano é a consciência do universo que nasce, cresce, vive e ao silêncio do mistério retorna.
É triste o espetáculo encenado pelos mortos-vivos (zumbis?), incapazes de sonhar e dar vida ao humano por medo da morte.
Não sabem os tolos, que imaginam se preservar, que é impossível a vida sem a morte, que o medo em excesso impossibilita o pleno viver.
Unir o sentir, o pensar e o fazer. Amar as grandes perguntas é grande prazer para o homem, mas se constitui em verdadeiro tormento para os homens zumbis. Burocratas do impossível de ser normatizado, oportunistas sem ideal. Respiram para viver e tristemente vivem para respirar.
João Guimarães Rosa descreve muito bem o homem de alma pequena: “Ali tinha carrapato...que é que chupavam, para seu miudinho viver?”.
Fernando Pessoa mostra o caminho para a autoconstrução do humano: “Deus ao mar o perigo e o abismo deu, mas nele é que espelhou o céu”.
Morte ou vida, em vida! Opção de cada um?
Para os que ousam escalar a montanha, o horizonte é o prêmio. Do alto se pode ver mais longe, observar a planície, respirar o ar puro, aceitar e compreender todas as mortes que suportam a vida e, finalmente, morrer com um sorriso nos lábios. Haverá prêmio maior?
Oriovisto Guimarães é membro da Academia Paranaense de Letras.
Publicado em 19/02/2011 na Gazeta do Povo

domingo, 6 de novembro de 2011

Elaboração de Luto Exige Ritos de Passagem




         As elaborações de lutos - em casos de mortes - não podem ser consideradas completas sem os rituais fúnebres. Essas celebrações, além de possibilitar contatos afetivos e de conforto entre parentes, apresentam simbologias que pretendem concretizar o ocorrido. '' Em todas sociedades existem ritos e mitos sobre a morte pois ela implica tomada de providencias práticas e a reordenação sociais. Existem também questões lógicas que os rituais tem de resolver. Mas como pode um ser pensante pensar o não-pensamento? Um alguém pensar o ninguém, o nada que a morte representa. Essa angustia lógica é superada pelos rituais'', argumenta José Carlos Rodrigues, da PUC - RJ. Segundo Maria Helena Bronberg, da PUC - SP. '' a morte é um grande desorganizador cultural; e a cultura encontra respostas para ela por meios dos rituais, que juntam as pessoas, dão uma condição segura para expressão dos afetos e ajudam no processo de construção do significado. Se houver dois indivíduos em uma ilhota do pacífico e um deles morrer, haverá um ritual '', afirma.
        Os rituais fúnebres - e a elaboração do luto em si - sofrem mudanças de acordo com os processos econômico-sociais vividos pelas sociedades. A tendência hoje é fazer tudo depressa, o mais indolor possível, reduzindo-se a simbologia ao mínimo necessário. ''As pessoas, por exemplo não usam mais o preto para significar a morte, cor que tem função importante, pois comunica ao mundo uma situação especial vivida pela pessoa, que merece um tratamento diferente'', alerta Bronberg.'' Nossa cultura atual desqualifica os rituais e tira um pouco do seu valorIsso tem conseqüências: as pessoas não conseguem fazer o processo de luto '', complementa Maria Julia kovács. Nos antigos ritos em casos de mortes familiares, as pessoas participavam do ritual, que eram eventos públicos. Hoje os rituais fúnebres tendem a ser ''escondidos muito mais secos e assépticos''.
        As principais tradições religiosas existentes no mundo - judaísmo, cristianismo, islamismo,budismo e hinduismo - possuem seus próprios rituais e explicações para a morte. ''O homem religioso é aquele que acha que veio de algum lugar e que vai para algum lugar. O espaço religioso é excelente para que a morte tenha voz e cada tradição transita isso de uma forma diferente. É comum a todas elas que a morte seja um rito de passagem; isso nenhuma nega '', observa Cristina Guarnieri, psicoterapeuta e mestre em ciências da religião pela PUC SP. Também a faixa etária influencia na forma como o ser humano enfrenta a morte: '' O adulto idoso pode pensar que triunfou sobre a morte, o adulto jovem tem algo semelhante à repulsa, pois isso não pertence ao momento dele'', avalia Bromberg. Infância e adolescência são as idades mais sensíveis, às quais se devem dispensar uma abordagem clara para a morte.
        O luto - e seu ritual - também pode ser coletivo quando a comoção por perdas mobiliza grandes massas. Uma pesquisa recente (*) apontou as cinco maiores tragédias brasileiras: a morte de Ayrton Senna (54,6%); suicídio de Getúlio Vargas (15,2%); rejeição da emenda das Diretas Já para Presidente da Republica, em 1984 (14,2%); morte de Tancredo Neves (10,7%);derrota pra o Uruguai na copa de 1950 (5,3%). Todos esses eventos foram seguidos de lutos: '' Isso acontece exclusivamente pelo simbólico. Pouquíssimos dos populares que se enlutaram por Getúlio Vargas e por Senna os conheceram pessoalmente. É a partir do que eles significam que se desencadeia o luto'', analisa Maria Helena Franco Bromberg, da PUC SP.

Suicídio de Getúlio Vargas, em agosto de 1954, provoca grande comoção popular e muda os rumos da vida política do país.


        Em alguns casos - particularmente na morte de políticos e conflitos bélicos - o luto pode ter repercussões sociais. A morte dramática de Getúlio, por exemplo reverteu e adiou um processo de golpe de estado que só se efetivou uma década mais tarde. Tancredo Neves comoveu as massas reforçando o momento cívico no contexto da redemocratização do pais - A Nova Republica - após 20 anos de ditadura militar. No entanto o maior cortejo fúnebre já registrado no Brasil foi o do piloto de formula 1 Ayrton Senna, em 1994. Ayrton encarnava a figura de herói nacional. Outro luto esportivo que ainda hoje repercute foi a derrota da seleção brasileira de futebol na final da copa de 1950 - '' nossa maior catástrofe a nossa Hiroshima '' segundo epitáfio de Nelson Rodrigues.
Jornal do CRP
As religiões e seus preceitos:

Judaísmo

A mais antiga das religiões ocidentais fundamenta-se nas escrituras deixadas pelos profetas na Bíblia Sagrada. A vida é preparação para um mundo vindouro; a cremação é proibida. Judeus não velam mortos com caixão aberto, pois a exibição do corpo é considerada desrespeito. Os homens são enterrados com seu xale de oração. Durante a cerimônia, o rabino discursa e os filhos homens recitam oração (kadish). O luto judaico acontece em três fases: shivá ? sete primeiros dias; shloshim ? período de 23 dias; avelut ? estende-se até o primeiro ano após o falecimento, porém só deve ser observado pelos filhos.

Budismo

Equipara a vida presente a uma situação de ?sono?, motivada pela ignorância que mantém o homem inconsciente de sua verdadeira natureza e preso a um ciclo de renascimentos e mortes (tudo é transitório e interligado). Ao obter a ?Verdadeira Sabedoria?, ele se liberta, alcançando o Nirvana ou estado de perfeição espiritual. Os budistas adotam prioritariamente a cremação. Durante o luto é importante cultivar sentimentos de gratidão com relação aos familiares que se foram e aprender com o morto sobre a inevitabilidade da morte.

Cristianismo

Abrange as religiões que professam os preceitos deixados por Jesus Cristo, crê nos profetas bíblicos e no Novo Testamento dos profetas cristãos. Inclui Católicos, Evangélicos, Pentecostais e Ortodoxos (o Espiritismo, que reúne os seguidores de Alan Kardek, é uma tradição particular nesse contexto, pois crê na reencarnação do espírito, que é eterno e evolui). Os cristãos crêem que após a morte o espírito vai para o céu ou para o inferno (os católicos crêem no purgatório), de acordo com os pecados que cometeu. Crêem no Juízo Final, quando os mortos ressuscitarão para uma vida eterna junto a Deus. Os rituais de morte e luto têm similaridades, incluindo: unção, velório, enterro e orações (cultos, missas).

Hinduísmo
Crê na reencarnação. A vida na terra é parte de um ciclo eterno de nascimentos, mortes e renascimentos. A pessoa pode levar uma vida voltada para o bem e se libertar desse ciclo. O cumprimento correto do dharma (dever prescrito) pode levar o praticante à mukti (liberação) do karma (ciclo repetitivo de nascimento e morte). Os mortos são cremados em uma pira aberta, acesa pelo filho mais velho do falecido.



Candomblé

De origem africana, entende que a vida continua por meio da força vital imperecível de cada um: o ori, que volta a reencarnar em outro corpo da mesma família. O rito funerário (axexé) começa após o enterro e pode durar dias; objetos pessoais do morto são quebrados e jogados em água corrente. A morte leva tempo para ser superada e mais tarde o ente que se foi interfere na energia do grupo ao qual esteve ligado.


Islamismo
Pertence à tradição dos profetas bíblicos, mas tem Maomé como último grande profeta. Vê a morte como passagem para uma próxima etapa; no Juízo Final acontecerá a ressurreição, todas as almas retornarão a corpos jovens e sem defeitos. A cremação voluntária é proibida. O caixão serve apenas para transportar o corpo até o cemitério; deve ser simples. O velório apenas serve para cumprir a burocracia ou aguardar um parente. Quanto antes for realizado o sepultamento melhor. Não há luto; para o islamita a morte deve ser vista como natural.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Momento Espírita


Homenagens

 É habitual que, à beira do túmulo, amigos e parentes falem a respeito daquele cujo corpo está sendo enterrado.
As palavras ditas podem ser as espontâneas, vindas do coração nas asas do amor e da amizade. Ou podem ser as preparadas em longos discursos, embora não menos expressivas.
É a última homenagem, dizem, como se o Espírito morresse com o corpo e não continuasse a existir, sentir e perceber.
Mas foi exatamente pensando nessas homenagens póstumas, que um velho professor americano de Massachusetts, a quem o médico diagnosticou um curto período de vida, decidiu por uma coisa inédita.
No seu último ano de vida, se locomovendo em cadeira de rodas, ele foi ao enterro de um amigo que havia morrido de infarto.
Voltou deprimido. Ouvira tantos discursos, tantas homenagens e se perguntava se o amigo tivera ouvido tudo aquilo.
Será que o seu Espírito teria se desligado da matéria? Será que estava bastante lúcido para ouvir?
Pensando nisso, teve uma ideia. Deu uns telefonemas, escolheu uma data.
Numa tarde de domingo muito fria reuniu a família: a mulher e os dois filhos. Também alguns amigos mais íntimos.
O objetivo era um funeral ao vivo. Um a um todos homenagearam o esposo, o pai, o professor, o amigo.
Houve lágrimas e risos. Uma prima lhe dedicou um poema onde o chamava de amado primo e o comparava a uma enorme, antiga e generosa árvore.
O professor chorou e riu com eles. Tudo aquilo que estava represado no íntimo daquelas pessoas que o amavam, foi dito naquele dia.
O funeral ao vivo foi um sucesso. Ele levaria alguns meses mais para morrer. Uma morte lenta, dolorosa. Morreu num sábado, pela manhã, depois de dois dias de agonia.
Aproveitou para exalar seu último suspiro exatamente no instante em que as pessoas que velavam por ele foram até a cozinha para engolir um café.
Na primeira vez que ele ficou sozinho, desde que entrara em coma, ele parou de respirar.
Partiu serenamente, cercado por seus livros, seus apontamentos, suas flores. Morreu em sua cama, em sua casa.
O funeral foi simples, num local à beira de um lago, de onde se podia ouvir os patos sacudindo as penas.
Seu filho leu um poema:
Meu pai caminhava por entre eles e nós
Cantando cada nova folha caída de cada árvore
E toda criança sabia que a primavera dançava
Quando ouvia meu pai cantar.
*   *  *
Enquanto suas pernas estão firmes, corra ao encontro das pessoas que ama.
Enquanto seus braços estão fortes, enlace os seus amores, bem junto ao coração.
Enquanto sua mente está ágil e lúcida, escreva poemas, bilhetes, cartas e expresse todo o seu amor.
Enquanto sua voz soa forte e generosa, não deixe de falar com seus amigos, colegas. Cante, grite, sussurre palavras de afeto, de entusiasmo, de incentivo.
E nunca, nunca se envergonhe de declarar: Eu amo você.
 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. O programa, do livro A última grande lição, de Mitch Albom, ed. Sextante.
Em 01.11.2011.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

SAUDADE - PABLO NERUDA



Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.
Pablo Neruda

O Dia de Finados é o dia da celebração da vida eterna das pessoas queridas que já faleceram. É o Dia do Amor, porque amar é sentir que o outro não morrerá nunca.
É celebrar essa vida eterna que não vai terminar nunca. Pois, a vida cristã é viver em comunhão íntima com Deus, agora e para sempre.

NOSSA PEQUENA HOMENAGEM A TODOS OS ENTES QUERIDOS QUE PARTIRAM ANTES DE NÓS...