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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Uma lição pra vida a partir da morte



Eu sei. Não é o melhor assunto pra abrir o ano: a morte. Mas ela me pegou no susto, no finalzinho de 2015. Meu pai. Não foi o pai de outra pessoa. Foi o meu. A dor é dilacerante, visceral, avassaladora, eu me sinto do avesso, em carne viva. Uma ferida profunda? Não, minha amiga. É muito maior que isso. Quem chama só de "ferida" não entende o que esta perda representa. Aliás, nada mais clichê mas absolutamente verdadeiro do que dizer que só quem passou por isso é capaz de entender. 
Meu pai? Cheio de vida, planos, sonhos. Com passagem já marcada para vir me visitar, com detalhes acertados para as próximas férias. Aquele que vibrava com tudo o que eu fazia. Mas tem tanta gente para ir antes dele! Nem doente ele estava pra ter aquele papo de "foi melhor assim pois ele estava sofrendo numa cama de hospital".
Mas eu não estou aqui pra me vangloriar por saber exatamente o tamanho dessa dor. Porque vamos combinar, eu e você que já enfrentamos isso, sabemos que é uma grande merda. A maior de todas. 
Quem pari um filho não esquece jamais a sensação de plenitude, de poder, de realização. Eu achei a explicação para a minha existência no mundo quando meus filhos nasceram. Mas perder alguém? Perder é o oposto disso,  é dar de cara com a ausência. É cair do alto de um precipicio porque você não encontra o chão. É se sentir absurdamente impotente.
Sempre fiquei intrigada de como uma pessoa consegue continuar vivendo a partir da perda de alguém muito importante. E eis me aqui, exatamente nesta situação. Só que apesar de dilacerada, eu não me sinto inconformada. A minha força vem de uma fé incrível. Porque existe em mim uma certeza absoluta: de que meu pai não morreu, ele foi morar com Deus. E quando for da vontade de Deus, eu vou encontrá-lo numa vida eterna. Cada um tem uma fé (ou não). E pra mim a certeza de onde meu pai está agora ajuda a me acalmar. Eu não consigo imaginar qual conforto e explicação pode ter alguém sem nenhuma fé. Respeito, mas eu tenho a impressão de que a dor se multiplica. 
Outra coisa que tem me servido demais é o carinho das pessoas que me querem bem e a preocupação de quem eu nem imaginava. O poder do afeto, manifestado de diferentes maneiras, é impressionante. 
E ainda que a saudade pareça uma facada no peito que tem me deixado sem ar, eu estou tentando matematicamente me explicar. O tamanho do amor pelo meu pai é diretamente proporcional ao tamanho dessa minha dor. Se eu não o amasse tanto, se ele não tivesse me amado tanto, não haveria tanto sofrimento. Simples assim.
E aí eu me dou conta que existem motivos para o meu coração ser grato, ainda que ele esteja aos pedaços. E, absurdamente, o meu contato com a morte me traz uma coisa boa agora: a necessidade de valorizar a vida. Eu não posso me esquecer do que o meu pai repetia sempre pra mim e que nessa hora faz tanto sentido: a gente precisa amar mais e esquecer as besteirinhas que nos impedem de sermos felizes, gratos e alegres. A gente perde tempo com tanta coisa insignificante! Por isso eu quero conseguir ter uma vida com significado, sem nada pendente, com saldos positivos e razões para me orgulhar. É o que eu sinceramente desejo pra sua vida também. Feliz 2016 pra todos nós.
Fabiana Santos é jornalista, casada, mãe de Felipe, de 11 anos, e de Alice, de 4 anos. Eles moram em Washington-DC. O pai dela morava no Rio de Janeiro. A distância nunca foi empecilho já que cada encontro era aproveitado sempre da melhor maneira.   

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Como eu vivo é a maior homenagem para meu filho...



por
Bianca Mocci Passaro
Clecia Bastos Gerardi

(...)Ao se perder um ente querido, aquele de que se amava passa agora a ser um desconhecido, a vida toma a forma de um grande vazio no lugar deixado pela pessoa que não está mais presente. 
Nesse momento, aquele que partiu, pode ser visto, por muitos, como se estivesse descansando ou abandonando as pessoas que faziam parte de sua vida. 
Quem morre silencia a tudo, pois a palavra não mais o
atingirá. 
O morto deixa quem o amou, sem aviso, e numa hora sempre imprópria.
Segundo Kovács (1989) a morte nos fala de representações que envolvem duas pessoas, uma que é perdida, e a outra que lamenta esta falta, um pedaço de si que se foi. 
O morto, em parte, é internalizado nas memórias e lembranças. A morte como perda supõe um sentimento,
uma pessoa e um tempo.
Conforme Parkes (apud, Coelho, 2000) aos enlutados caberá
viver um difícil momento, cumprindo as chamadas tarefas do luto, contando com o tempo para aplacar a dor da perda. À família caberá reorganizar-se, redistribuindo tarefas ou mesmo pontuando o lugar vazio deixado pelo membro que se foi.
Morrer é certo. Kübler-Ross (2004) fala de uma defesa crescente que o homem tem contra a morte e contra a incapacidade de prevê-la, e precaver-se contra ela. 
Em nosso inconsciente não é concebida a idéia de morte, somente a crendice de sermos imortais. Mas a autora
acredita que enfrentar a realidade da morte é a chave para viver uma vida significativa.
É a negação da morte que é parcialmente responsável pela
vida vazia e sem propósito das pessoas; pois quando você
vive como se fosse viver para sempre, torna-se muito fácil
adiar as coisas que você sabe que deve fazer. Em contraste,
quando você compreende plenamente que cada dia em que
você desperta poderia ser seu último dia, você aproveita o
tempo deste dia para crescer, para tornar-se mais quem você
realmente é, para estender a mão a outros seres humanos.

leia na íntegra em: http://newpsi.bvs-psi.org.br/tcc/186.pdf

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Falar sobre luto por suicídio é importante para evitar novos casos

por: Paula Moura
fonte:aqui
O luto do suicídio geralmente demora mais para passar e é mais intenso do que o luto por outros tipos de morte. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, para cada caso de suicídio, cinco a dez pessoas próximas são extremamente afetadas. Familiares e amigos de pessoas que se suicidaram são chamados de "sobreviventes" do suicídio e o risco de essas pessoas próximas também repetirem o ato suicida é maior.
Neury Botega, pesquisador do tema na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), explica que geralmente há uma combinação de sentimentos que confundem e acabam calando as pessoas e dificultando o processo de luto: pena, tristeza, raiva, vergonha, humilhação, culpa. "A família se cala, a sociedade se cala."
Não falar faz com que pareça que a pessoa assumiu alguma culpa pelo suicídio, segundo Maria Helena Pereira Franco, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo especializada em luto.
Para Maria Julia Kovács, professora do Laboratório de Estudos da Morte da USP, essa culpa tem várias facetas: acreditar-se culpado pelo ato suicida do outro, por sentir que provocou ou que não cuidou, ou que não percebeu os principais sinais. "É muito importante no trabalho para abrir a possibilidade de legitimar os sentimentos, cuidar da pessoa e ajuda-la a lidar com o estigma social."
Os especialistas são unânimes sobre a necessidade de falar sobre o assunto. No país, existem alguns grupos que se reúnem para trocar experiências e para que os sobreviventes se apoiem mutuamente (veja lista abaixo). A psicóloga Karen Scavacini, que coordena um desses grupos no Instituto Vita Alere e fez mestrado em pósvenção do suicídio na Suécia, avalia que quanto maior for o segredo e o tabu dentro da família mais difícil de lidar. "Muitas vezes a família sofre por gerações", diz.

Conversa vale também para crianças

Karen também defende a conversa com crianças. A autora do livro "E agora? Um livro para crianças lidando com o luto por suicídio" afirma que a criança precisa saber o quanto antes sobre o suicídio de alguém próximo, mas com linguagem e detalhes apropriados para ela. "Se não ela vai ter que lidar com o luto duas vezes, uma da morte e uma de que foi por suicídio. Além disso, manter segredo abala a confiança da criança."
Geralmente, a criança faz perguntas, e é preciso não dar muitos detalhes de como o suicídio aconteceu, mas também não pode fugir da realidade e falar que a pessoa "dormiu" ou "foi viajar", pois isso faria a criança ficar com medo toda vez que vai dormir ou alguém viaja. "É importante usar a palavra morte e explicar o que é morte para a criança, pois geralmente ela não sabe. Explicar que a pessoa não sente mais dor, que não vai voltar e até mesmo incluir sua visão religiosa sobre o assunto", diz. Também vale afastar a culpa que a criança, assim como qualquer outra pessoa, pode sentir.


De acordo com Karen, uma boa saída é fazer uma comparação com uma doença física. Por exemplo, explicar que, assim como a gripe que pode piorar, se tornar uma pneumonia e causar a morte, o mesmo pode acontecer com a depressão que, quando fica grave, a pessoa faz alguma coisa para morrer. "Podemos explicar que é um sofrimento, que a depressão não deixava a pessoas ver o amor e as possibilidades que ela tinha nem que outras pessoas poderiam ajudá-la." 
Parte de livro sobre como falar de suicídio com crianças
A psicóloga listou impactos do luto por suicídio sobre sobreviventes. Veja na lista abaixo:
  • Físicos
Insônia, agitação, fadiga, tontura, queda do apetite sexual
  • Cognitivos
Dificuldade de concentração, angústia, pensamento rígido (não para de pensar no assunto)
  • Sociais
Isolamento, mudança na dinâmica familiar ( datas de festas e aniversários passam a ser muito difíceis, ao mesmo tempo em que família quer ficar sozinha, pessoas sentem-se excluídas do convívio social), aumento do número de pedidos de licença médica, dificuldades financeiras, prejuízo escolar, aumento do uso de álcool e drogas
  • Psicológicos
Aumento dos transtornos de ansiedade, sintomas de estresse pós-traumático (imagens e sons voltam à memória) e depressão (diferente da tristeza do luto), aumento da automutilação, do sentimento de culpa e responsabilidade pelo que aconteceu, raiva, medo de perder outras pessoas próximas

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Antoine de Saint-Exupéry





“Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra. 
Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas não vai só, nem nos deixa sós; leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesmo. 
Há os que levam muito, mas não há os que levam nada; há os que deixam muito, mas não há os que deixam nada. 
Essa é a maior responsabilidade de nossas vidas e a prova evidente que duas almas não se encontram por acaso”.
                                     Antoine de Saint-Exupéry

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Mensagem de Fé e Esperança


Por maior que seja a dificuldade pela qual esteja passando, não desanime. Confie, mantendo a fé e a esperança.
Não se esqueça de que Deus não dá uma cruz mais pesada do que aquela que podemos carregar. Ele dá a lição e as provas conforme o nível de entendimento e evolução do Espírito.
Nesta escola chamada Terra há alunos em diversos graus, alguns mais adiantados, outros mais atrasados, mas o mais importante é que todos estão aprendendo de um jeito ou de outro.
Busquemos compreender as nossas limitações e as dos outros, sem jamais perder a fé e a esperança. A fé e a esperança são as vitaminas essenciais para mantermos a nossa saúde física, emocional e espiritual. 
Acredite em você!

FELIZ ANO NOVO!