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sexta-feira, 27 de abril de 2012



Construindo com a dor

Nenhuma fé impede que soframos. A fé ajuda-nos a sofrer com mais coragem e resignação. Resignação, porém, é algo que precisa ser entendido como: a força interior de aceitarmos aquilo que de fato não podemos mudar em nossas vidas. Este entendimento é essencial para que não confundamos resignação com acovardamento ou omissão, pois, resignarmos-nos é um ato de grande força e coragem que a misericórdia divina nos inspira. Como disse, a fé não garante que não soframos, mas dá forças a muitas pessoas para que aprendam com sua dor, cresçam com ela, até mesmo construindo com ela algo que, beneficiando outros sofredores acabe por atenuar as dores de que constrói.
Uma das glórias da pintura mundial foi o artista Van Gogh. Sua vida foi uma seqüência de sofrimentos. Frustrado em sua vocação religiosa, pois foi um pastor evangélico que fracassou em sua missão, não encontrou correspondência a um grande amor que viveu e que o levou ao desespero: doente de esquizofrenia tanto marginalizou-se quanto foi marginalizado pela sociedade do seu tempo. Após anos a fio pintando encerrou sua existência tendo conseguido vender um único quadro – assim mesmo, para um seu parente. No entanto, Van Gogh passou sua atormentada vida construindo, com seus imensos sofrimentos, um manancial de beleza, empenhando em transfigurar a dor em arte, em transformar toda sua dor em quadros maravilhosos que alimentam nosso século de riqueza estética.
Uma coisa é fazermos do nosso sofrimento grandes acumulações de mágoa e ressentimento: outra bem diversa é, crescendo com nossas dores, nós as transformarmos em algo que ampare e socorra outras vidas. No primeiro caso, nós nos manteremos num constante processo de auto intoxicação, pondo cada vez mais às escuras nossa “casa mental” e contaminando os que convivem conosco com toda sorte de enfermidades espirituais e psíquicas. No segundo caso, abrir-nos-emos aos poderes da divina consolação mediante o são propósito de colocarmos nosso sofrimento como oferenda no altar das dores da humanidade: assim, sairemos da sufocação dos nossos tormentos e abriremos as janelas e portas da alma para olharmos solidariamente o sofrer dos que estão à nossa volta.
Muito mais recentemente, nosso país acompanhou compungidamente a trajetória do cantor e compositor Cazuza, vitimado pela AIDS e também filho único. A mãe, mulher naturalmente muito sofrida, mas de espírito desperto para a rude aprendizagem com o sofrer, após sepultar aquele filho amado e admirado, pôs-se em ação para transformar a tragédia do seu menino na mais bela canção de fraternidade motivada por Cazuza. Dona Lúcia até hoje esforça-se de todas as maneiras para integrar sua dor particular (e de seu marido) na dor universal, com isto criando e dirigindo a já conhecida Fundação Cazuza. Em várias entrevistas a programas de televisão. D. Lúcia diz que sua dedicação aos trabalhos da Fundação não lhe diminuíam saudade, mas davam-lhe vigor íntimo: voltando-se para crianças e outros sofredores é que a mãe de Cazuza se livrara do desespero cotidiano que sempre está à espreita dos que viveram perdas trágicas.
Sabemos de mensagens mediúnicas de jovens desencarnados pedindo aos pais sofredores: “construam alguma coisa com essa dor! Só assim ela doerá menos, em vocês e em mim”.
Lá, no Mundo Maior, os filhos compreendem a necessidade espiritual dos sofrimentos vividos pelos seus familiares e desejam que tais oportunidades de aprendizagem e crescimento não sejam desperdiçadas pelos descaminhos da revolta, da misantropia ou da autocompaixão. Eles compreendem que, como já mencionamos, muitas vezes essas provações são escolhidas e pedidas para auto-burilamento e correção espiritual: por isto, empenham-se para que seus pais, no esquecimento necessário ao processo reencarnatório, construam algo com a dor que escolheram viver – ao invés de maldizê-la.
No amor nobre e puro não pode haver destrutividade. Estamos neste mundo para que aprendamos a ultrapassar-nos, a sair dos nossos estreitos limites e integrar-nos no amor universal.
Pais e mães que sobrevivem ao golpe amargo da perda de uma criança, adolescente ou jovem: se vocês pudessem ouvir aquela voz querida que partiu, ouvi-la-iam dizer: “Pelo amor de Jesus! Construam alguma coisa com essa dor, para que esta lhes possa doer menos”.


 fonte: aqui

terça-feira, 24 de abril de 2012

SENTIMENTOS QUE SE SEGUEM A UMA PERDA (DE UM BEBÊ)



Os dias, as semanas e os meses após a perda de um bebê são extremamente difíceis e dolorosos, com sensações alternadas de tristeza, choque, luto, depressão, culpa, raiva, ressentimento e vulnerabilidade. 

Você pode se sentir distante e irritada, incapaz de se concentrar, comer ou dormir direito. Às vezes uma exaustão física também se apodera de você, tornando qualquer tarefa ou movimento um fardo. 


Com o passar do tempo, haverá horas ou até dias em que você começará a retomar a vida normal, para, de repente, ter uma recaída de tristeza. Lembre-se: cada pessoa reage às perdas de um jeito diferente, e não há modo certo ou errado de se sentir. 


Tenha em mente, contudo, algumas coisas: 


• Aceite seus sentimentos. Você poderá se surpreender por sentir raiva ou ressentimento em relação a amigas ou parentes que tenham gestações bem-sucedidas ou bebês em casa. Ou você poderá se achar um fracasso como mulher, acreditar que seu corpo a traiu ou até que você não esteve à altura do bebê e decepcionou seu parceiro ou as outras pessoas. 


Outro sentimento comum é se responsabilizar pela perda, como se ela pudesse ter sido evitada por algum gesto seu. 


A melhor maneira de lidar com esse tipo de culpa ou julgamento tão duro contra si mesma é falar abertamente com seu companheiro e pessoas próximas sobre o que aconteceu, e sobre como isso está afetando você. Uma conversa com o médico sobre os motivos que levaram ao abortamento também ajuda certas mulheres a compreender melhor as circunstâncias e aceitá-las como externas à sua vontade. 


• Permita-se sentir tristeza. Não tente impor um fim à tristeza. Muitas pessoas vão tentar ajudá-la dizendo que "o próximo vem logo" ou que o melhor é "tocar a vida", mas a verdade é que você precisa lidar com a dor à medida que ela lhe toca. Pode ser que demore mais até que você tenha vontade de retomar uma vida normal, e, mesmo quando isso ocorrer, lembranças difíceis continuarão vindo à tona. Alguns pais e mães voltam a sentir a perda mais fortemente na época em que o bebê estava programado para nascer ou em alguma comemoração familiar. 


• Peça uma licença do trabalho. Mesmo que esteja fisicamente recuperada, passar algum tempo afastada do trabalho poderá lhe fazer bem. É preciso ter um momento para processar com o que aconteceu. A mulher tem direito a 15 dias de licença remunerada pelo INSS em caso de aborto até a 23a semana de gravidez. Se a perda tiver acontecido a partir da 23a semana, o direito ao afastamento é equivalente ao da licença-maternidade, ou seja, de no mínimo 120 dias remunerados (6 meses no caso de funcionárias públicas). 


• Tente entender que a perda pode afetar seu parceiro de uma forma diferente. Se seu companheiro não parece tocado pela perda da mesma maneira que você, talvez ajude saber que homens e mulheres geralmente expressam tristeza e dor de maneiras bem diferentes. Enquanto as mulheres tendem a se abrir e buscar apoio, os homens costumam interiorizar seus sentimentos. 


Além disso, muitos homens acreditam estão "zelando" pelas parceiras ao permanecer durões. Caso seu companheiro não demonstre tanta tristeza, tente não achar que se trata de descaso por você ou pelo bebê. 


• Esteja preparada para uma certa tensão sexual no relacionamento. Alguns casais consideram que a relação sexual os conforta e confirma o amor de um pelo outro. Outros, por outro lado, ficam tristes, um tanto "anestesiados", temerosos por uma futura gestação ou simplesmente assustados. Às vezes, depois de alguns meses (converse com seu médico sobre isso), um dos parceiros quer voltar a tentar engravidar, enquanto o outro ainda não está pronto. O melhor é tentar manter um diálogo sincero sobre o assunto e respeitar o tempo de cada um. 


• Converse com outras pessoas. A dor de uma perda costuma ser um assunto extremamente íntimo e solitário. Mas, embora seja difícil, conversar sobre o que aconteceu pode ajudar a diminuir a solidão. Sem falar em o quanto você se surpreenderá de ouvir inúmeras histórias semelhantes de amigas, familiares, colegas de trabalho e vizinhas. Só tenha em mente que, mesmo dentro de sua própria família, as reações à perda serão diferentes e nem sempre no tom que você considera adequado e na intensidade de que precisa. 


• Compreenda por que algumas pessoas preferem manter distância. Muitas pessoas ficam absolutamente aterrorizadas diante de emoções fortes e da tristeza, e não sabem como se portar ou o que dizer para alguém que acabou de perder um bebê. Para elas, é mais fácil evitar contato ou tentar ignorar ou minimizar o que ocorreu. Esse tipo de atitude pode gerar mágoas profundas. Tente, no entanto, pensar que esse tipo de atitude não é fruto de nada que você tenha feito, nem falta de carinho. 


Se com o passar dos meses você ainda sentir muita dificuldade em ir retomando a rotina, ou se considerar que seu estado emocional piorou, converse com seu médico ou peça recomendação a conhecidos sobre um terapeuta. Uma ajuda especializada poderá muni-la das ferramentas emocionais necessárias para enfrentar melhor a perda.



Texto: Escrito para o BabyCenter Brasil e  Aprovado pelo Conselho Médico do BabyCenter Brasil

quinta-feira, 19 de abril de 2012






"Me senti abandonada, descartada como mulher"

A empresária Cristina Daher Migueis, 37 anos, perdeu o marido, Gilson, que se suicidou em 1994



Eu e Gilson vivemos juntos durante cinco anos. Em janeiro de 1994 nos casamos no papel e um mês e dez dias depois ele se trancou no banheiro da nossa suíte e deu um tiro na cabeça.
Entrei em parafuso. A casa foi invadida por policiais, bombeiros, jornalistas. Eu o vi caído no chão, vi o sangue, mas não acreditava. Fui para o hospital sedada, só caí em mim quando meu irmão foi me buscar para ir ao velório, e disse: 'O Gilson morreu!'.
Meu marido era um executivo aposentado. A empresa inteira em que ele tinha trabalhado foi ao velório. Eu estava dopada, mas me lembro muito bem da expressão das pessoas. Alguns me cumprimentavam, outros me lançavam olhares de ódio, como se eu fosse culpada. Existia uma grande diferença de idade entre nós (26 anos). Imagine, sem saber como era nosso dia a dia...
Na verdade, Gilson teve um problema de perdas. Aposentado, perdeu os privilégios de executivo de multinacional, começou a beber e a se deprimir. Mas jamais imaginei que isso pudesse acontecer. Eu dizia que quando chegasse nossa hora, queria ir primeiro, porque não agüentaria viver sem ele. Nos amávamos muito, muito mesmo.
Permaneci ao lado do caixão. Me levantava de vez em quando para olhá-lo e era como se ele estivesse dormindo. Eu me perguntava: 'E, agora? Como vou comer, acordar, dormir?...'. Eu tinha perdido meu pai havia dois anos, e foi diferente. Meu pai deixou um vazio, uma saudade. Ao ver meu homem, meu amor, ali, morto, um pedaço de mim também morreu. Durante horas não consegui derramar uma lágrima. Mas quando fecharam o caixão, chorei muito. Caí na realidade de que nunca mais iria vê-lo. Esse é o pior momento: a pessoa se torna intocável.
Surgiram várias perguntas: 'Por que ele não conversou comigo? Por que eu não percebi seu problema? Não me senti culpada, como pivô, mas fiquei me perguntando porque Deus não me deu essa percepção.
Ele não deixou nada escrito e isso me perturbou por muito tempo. Chamei até um técnico para vasculhar o computador. Ele deixou só o testamento. Me senti abandonada, descartada como mulher e companheira.
No mesmo dia fui para a casa da minha mãe. Passei três dias deitada, só chorando. Eu não tinha nem pensamento. Uma semana depois, fui à nossa casa para desfazê-la. Foi terrível, tudo ali tinha uma história, da xícara de café ao lençol. Vendi tudo, menos as coisas do Gilson. Aos poucos, fui dando para pessoas que gostavam dele.
Eu tinha uma agência de viagens, parei com tudo. O mundo não tinha sentido mais. Eu sentia o cheiro do Gilson, sonhava com ele e não queria acordar, porque o sonho era muito real. Chegava a tomar quatro calmantes por dia, para dormir e sonhar.
Depois de seis meses comecei uma terapia, mas a depressão durou um ano. Até que um amigo de uma agência propôs que eu levasse um grupo à Disney. Fui, mas estava tão afastada que minha tragédia era o único assunto que eu tinha. Em plena Disney, via um lugar em que estive com Gilson e começava a contar, como que pedindo que as pessoas tivessem pena de mim. E elas não estavam nem aí... Na volta, peguei um cruzeiro, sozinha, e comecei a me sentir dona da minha vida, pela primeira vez. Em um jantar, me comportei bem, sem ficar falando do Gilson. No Brasil, voltei a trabalhar. Mas, de repente, vinha todo o filme e eu me trancava dias e dias. A família dava apoio, mas chega uma hora em que todo mundo cansa.
Até que uma conhecida da minha mãe me indicou um padre. Contei a ele todo meu sofrimento, e ele me ungiu. Esse ritual me libertou. Comecei a orar pela paz da alma do Gilson. O suicídio para a alma é algo muito ruim. Eu rezava, de cansar Deus. E os sonhos com ele foram desaparecendo.
Também passei a praticar esportes, isso me ajudou na auto-estima. E a vida foi se remontando. Só me curei quando entendi que tive um homem que me amou. Mas esse homem teve tristezas com ele mesmo e não quis mais viver. Aquela tristeza não era comigo. Não tivemos filhos, e ele me beneficiou com pensão, me colocou como testamenteira. Só podia me amar, confiar em mim.
Esse processo durou três anos. Só então me senti descasada. As pessoas dizem que eu renasci. Eu era muito socialite. Hoje vejo a vida com menos expectativas, estou pronta para namorar alguém e sei que ainda v
ou ser feliz. Mas quero uma vida mais apurada."


fonte: marieclaire

terça-feira, 17 de abril de 2012

O SOFRIDO CORAÇÃO DE QUEM FICA


"Estudo revela como o risco de sofrer um infarto sobe 20 vezes no dia em que uma pessoa amada morre. Chances de complicações cardíacas permanecem altíssimas por pelo menos um mês depois da perda."



Coração apertado, dor no peito e garganta travada, como se estivesse obstruída por algum tipo de obstáculo invisível. Só quem já passou pela experiência de ver alguém querido morrer pode dizer o quando dói a ausência daquele que se ama. Segundo um artigo feito por cardiologistas da Universidade de Harvard e publicado no Journal of the American Heart Association, a dor não é apenas emocional. De acordo com o trabalho, aqueles que perderam entes queridos estão mais propensos a sofrer ataques cardíacos. No dia em que a pessoa amada morre, os riscos de quem fica enfartar é 20 vezes maior do que em situações corriqueiras. A ameaça diminui ao longo do tempo. Uma semana após o trauma, contudo, a probabilidade de desenvolver problemas cardíacos continua seis vezes maior que a normal. A boa notícia é que as chances reduzem progressivamente durante o primeiro mês. Em outras palavras, os estudiosos provaram cientificamente o que já faz parte da sabedoria popular: só o tempo é capaz de curar um coração partido.


Elizabeth Mostofsky, principal autora do estudo, explica que a equipe analisou os prontuários de cerca de 2 mil adultos que haviam sofrido ataques cardíacos entre 1989 e 1994. Os pacientes responderam a um questionário em que os médicos perguntavam as circunstâncias do infarto e se haviam perdido pessoas importantes no ano anterior ao ataque cardíaco. Se a resposta fosse positiva, os participantes deveriam ainda explicar a data exata da morte, bem como a importância que aquele relacionamento tinha em suas vidas. Por meio de um cruzamento de dados em que comparavam o número de pessoas que tiveram mortes próximas a eles e a reincidência de ataques cardíacos, chegaram à conclusão de que um em cada 320 indivíduos do "grupo de risco" para complicações cardíacas e uma em cerca de 1,4 mil pessoas de baixo risco (sem histórico de infarto) sofrerão problemas no coração ocasionados pelo luto.


Somados ao risco de ataques cardíacos, os derrames cerebrais foram apontados como a causa de 53% das mortes de cônjuges enlutados. "A dor faz com que sentimentos de raiva, depressão e ansiedade apareçam", explica Elizabeth. "Essas emoções podem aumentar a frequência cardíaca, a pressão arterial e a coagulação do sangue e esses fatores, por sua vez, aumentam as chances de um ataque cardíaco." A médica destaca ainda que estudos sobre como os sentimentos afetam a saúde física de um indivíduo não são novidade. "O que é inédito no levantamento é que esse é o primeiro estudo a examinar a curva acentuada do risco de ataque cardíaco logo após a perda de alguém importante na vida de uma pessoa." Dor avassaladora Francisco Malaquias é um dos exemplos de como o coração pode não resistir à dor da perda de alguém querido. No último domingo, o tio da jovem Ingrid Anne Carvalho de Freitas, 15 anos - morta em um acidente de carro que tirou a vida de seis pessoas na madrugada de sábado - sofreu uma parada cardiorrespiratória durante o enterro da sobrinha. Ele precisou ser reanimado pelos bombeiros no cemitério e foi levado em estado grave, mas consciente, para o Hospital Regional de Taguatinga (HRT). No sepultamento dos outros jovens mortos no acidente, vários parentes e amigos passaram mal e precisaram ser socorridos.


Além do estresse emocional, a pesquisadora diz que outros comportamentos típicos de pessoas que acabaram de perder alguém especial ajudam a aumentar o perigo de infarto, como dormir pouco, comer menos e ter níveis elevados de cortisol, hormônio relacionado à resposta do organismo ao estresse. Para o cardiologista Jefferson Mattos Junior, o principal impacto do estudo feito por Elizabeth Mostofsky e sua equipe será nos próprios consultórios cardiológicos. Segundo ele, "é comum que o médico fique muito preocupado com os níveis de colesterol e da pressão arterial sistêmica e não preste atenção nos possíveis efeitos psicológicos e comportamentais que um evento desta magnitude possa causar na vida de um paciente, podendo ser um importante gatilho para um infarto".


ACOMPANHAMENTO: Guilherme Filomeno, cardiologista, frisa que o estudo também chama atenção para um fator importantíssimo no tratamento de quem passa pelo delicado momento de superação da morte de pessoas próximas: a atenção de quem ficou. "O cuidado que se tem com esse indivíduo tem que ser pessoal, precisa envolver família, amigos e até mesmo os médicos", reforça. De acordo com Filomeno, o período normal de luto varia de três a seis meses. Nesse meio tempo, quem está ao redor do enlutado deve esperar mudanças de humor e de comportamento. Por isso, ele diz que, em casos nos quais o sofrimento aparenta ser mais agudo que o usual, os próprios médicos devem aconselhar acompanhamento psicológico e até mesmo medicamentos para amenizar os sintomas precedentes ao infarto que o paciente possa vir a apresentar.


Diretor da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Nabil Gorayeb explica que existem mais de 100 categorias de ocasiões emocionais que podem desencadear problemas cardiovasculares - como o luto, o término de um relacionamento amoroso e o desemprego. Para o cardiologista, o estudo de Harvard "confirmou o que já se desconfiava" no meio médico: quando sofrem fortes traumas psicológicos, pessoas com complicações cardíacas prévias têm mais chances de enfartar, mas isso não quer dizer que indivíduos sem histórico estejam livres do risco de passar por maus bocados - inclusive relacionados a outras partes do corpo que não o coração. "As emoções podem causar problemas de toda ordem, sejam cardíacos, pulmonares ou gástricos, por exemplo", enumera. "Os efeitos ocorrerão onde a pessoa é mais sensível, ou seja, depois de uma emoção muito intensa, as áreas em que o paciente tem mais predisposição sofrem."


OUTROS GATILHOS: Na medicina, problemas fisiológicos causados por emoções recebem diversos nomes, que variam de acordo com os eventos que serviram como estopim para as complicações. Sergio Timerman, cardiologista e um dos diretores da SBC, conta que há vários estudos que apontam que catástrofes naturais ou ataques terroristas, por exemplo, também são fatores que desencadeiam infartos súbitos. Há três anos, o médico fez um estudo em que avaliava o aumento dos casos de ataques do coração em sobreviventes de enchentes em Santa Catarina. Ele conta que a chamada síndrome de estresse pós-traumático causa impacto forte o suficiente para desencadear um infarto. "Em todo lugar acometido por desastre natural ou atentados, há um aumento significativo de morte por problemas cardíacos relacionados diretamente ao problema", comenta o médico.


Isso acontece porque, assim como na síndrome do coração partido, o estresse desencadeia respostas emocionais que, literalmente, mexem com as estruturas do indivíduo. Embora a origem das duas síndromes seja a mesma, Timerman explica que as causas específicas são diferentes. "Em uma catástrofe, a pessoa é socialmente afetada, pois perde casa, objetos", diferencia. "Ela entra em um estresse agudo e tem liberação excessiva de adrenalina, que eleva a pressão arterial." No momento em que a pessoa começar a apresentar os sintomas, como dor no peito e alteração transitória no ritmo dos batimentos cardíacos, Timerman diz que o tratamento deve ser medicamentoso. "Os remédios reverterão o quadro, para evitar que o paciente tenha parada ou arritmia cardíaca."


(Texto de Gláucia Chaves) - Correio Brasiliense - 25/01/2012

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Luto Antecipatório




“O Luto Antecipatório trata-se de uma fase onde se fica no fio da navalha, pois, por um lado, temos que nos preparar para a morte que se avizinha e, por outro, precisamos dedicar todo o nosso amor, atenção e carinho ao paciente em fase terminal”. (Fonseca 2004, p.97)


 Luto Antecipatório: é a vivência do luto ANTES da perda real, da morte propriamente dita.
     Esse tipo de luto ocorre, por exemplo, quando recebemos o diagnóstico de que alguém que amamos muito está com uma grave doença e que não tem chances de cura e sobrevivência. É muito difícil ver quem amamos se definhando com o tempo e ficando cada vez mais frágil por causa de uma enfermidade brutal.
     Essa situação pode causar uma desorganização e sofrimento tanto no indivíduo quanto em sua família além do grupo social que pertence.
    O Luto Antecipatório - É um fenômeno adaptativo, no sentido de que é possível, tanto o paciente quanto os familiares se prepararem cognitivamente, emocionalmente e espiritualmente para o acontecimento seguinte que é a morte.
     A maneira como cada indivíduo irá reagir frente a esse sofrimento é algo único. Não existe um roteiro a ser seguido que nos ensine a evitar essa dor. Porém algumas orientações podem contribuir para amenizar esse sofrimento que se aproxima:
- criar um espaço que possam conversar e expressar o que estão sentindo;
- falar sobre o sofrimento;
- falar sobre os medos;
- tomar decisões em conjunto;
- se despedir, dizer o que tem vontade para o paciente enquanto ainda é tempo;
- enfrentar essa situação de forma unida.
     Esses comportamentos ajudam na aceitação e adaptação a essa nova realidade. Facilitam a compreender que uma perda esta prestes a acontecer, ajudam a finalizar situações que ainda não foram resolvidas, promovem maior comunicação entre os indivíduos que estão envolvidos e acolhem as emoções e os sentimentos eminentes nesse período.
    Para quem ainda tiver dificuldades em expressar essa dor, esse sofrimento, o recomendável é procurar algum tipo de ajuda.
     O filme “Uma Prova de Amor”, do diretor Nick Cassavetes, fala justamente sobre este difícil momento de aceitação de que o fim está próximo.



     Esse filme foi lançado em 2009 e conta a história de uma família, cuja, a filha do meio foi diagnosticada com um tipo raro de leucemia.
     O filme mostra as lutas dessa família contra a doença e a forma como cada integrante desta história vivencia seu luto atencipatório.
     

fonte: instituto do luto bom pastor

sábado, 7 de abril de 2012

Pascoa dos Amigos Solidarios

Foi com muito amor que o Grupo ASDL se reuniu para visitar as crianças da escola Canhembora, em Morretes.
Os Amigos foram recebidos pela professora Anecy Oncken na quarta passada. Os alunos da escola recepcionaram o grupo com muito carinho e felicidade, tornando a tarde inesquecível.
Os Amigos, com a ajuda de todos e a coordenação primorosa de Zelinda, puderam distribuir cestas com alimentos para que os alunos e sua família tivessem uma ceia de Páscoa.
A maior gratificação nesta Páscoa foi a alegria dessas crianças, que, unidas com suas famílias, celebraram esta data comemorativa.
















terça-feira, 3 de abril de 2012

TRABALHANDO COM PERDAS NA ESCOLA





I. Introdução
Sendo a preocupação primordial da escola formar indivíduos saudáveis e autônomos, capazes de produzir e de se relacionar, apresentamos uma proposta de trabalho que foca aspectos importantes presentes no desenvolvimento de todo ser humano, mas que muitas vezes não são abordados.
Desde o nascimento até o fim da vida passamos por várias perdas próprias de cada fase do desenvolvimento. Além destas, passamos por outras situações nas quais algo  é perdido e uma outra situação passa a prevalecer: nascimento de um irmão, separação dos pais, mudança de escola, mudança de casa, mudança de cidade.Também as perdas por morte na família ou mesmo na equipe escolar podem trazer novos desafios tanto ao desenvolvimento do aluno como à equipe escolar.
Todas estas situações podem gerar uma crise em que os envolvidos precisam de tempo e do apoio de pessoas orientadas para enfrentar e resolver melhor este desafio.


II. Justificativa
 Nem sempre os profissionais estão preparados para lidar com perdas e mortes. Isso acontece pois há uma idéia de que só podem lidar com a vida, e também, porque nem sempre estão seguros a respeito dos tabus que rodeiam as perdas e mortes.
A própria escola acaba exigindo que seus alunos vivenciem algumas perdas como, por exemplo, mudança de série e reprovação. Além disso muito do desenvolvimento físico  e emocional das pessoas estão acontecendo também na escola e não somente em suas casas.
Portanto é essencial trabalhar com perdas na escola.
A violência que estamos vivendo atualmente (brigas com mortes dentro ou nos portões da escola) também indica a necessidade de um trabalho com todos as pessoas que trabalham para a escola.
A preparação para situações de crise auxilia as pessoas a perceberem melhor seus recursos e, com isso, diante uma situação crítica podem lidar melhor com os aspectos que nela estão envolvidos.
Auxiliar na vivência de um processo de luto saudável (diante perdas e mortes) provoca um aumento na qualidade de vida.
 Se os alunos se sentirem acolhidos e puderem compartilhar as suas dores, a escola acaba se tornando um ponto de referência seguro, o que faz com que a relação aluno/ escola se solidifique.
Se o aluno se sente seguro, com espaço para compartilhar sua idéias e medos é provável que seu rendimento escolar melhore.


III. Objetivo
Instrumentalizar a escola a lidar com seus alunos e funcionários em situações de crise e perda, contribuindo para a formação de um local seguro e acolhedor.
Capacitar os educadores a promover dinâmicas de grupo com seus alunos e com funcionários que estejam vivenciando uma situação de crise, envolvendo mudanças profundas e perdas. Ser uma referência segura para que todos possam procurar quando precisarem.
- promoção de suporte comunitário - referência de apoio


IV. Execução
treinamento com coordenadores, professores e funcionários
- instrumentalização teórica (teoria do luto; perdas nas diferentes fases do desenvolvimento)
- instrumentalização prática (como ajudar o enlutado; dinâmicas de grupo de alunos)
- vivências


(Texto de Maria Inês Imperatriz Fonseca e Valéria Tinoco - Psicólogas)