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domingo, 27 de março de 2016

O verdadeiro significado da Páscoa


É importante  lembrarmos  o  verdadeiro significado desta data, para ensinarmos às nossas crianças.  
Independente da religião que seguimos, a páscoa cristã nos leva a refletir sobre o amor, a vida e a capacidade de recomeçar, tornando esse dia, além de muito doce, especial !
O domingo de Páscoa marca a passagem da morte para a vida, das trevas para a luz. Hoje, domingo de Páscoa, representa uma oportunidade de fazermos uma retrospectiva em nossas vidas, e estabelecermos um ponto de recomeço e de sermos melhores.


segunda-feira, 21 de março de 2016

Lutos e perdas: Como você reage?



“Falar de morte em nossa sociedade atual é quase um tabu, pois a nossa cultura gratifica e reforça a vida e isto é positivo. No entanto, a morte, nao faz parte da vida? A felicidade constante é o projeto de vida de todos nós, mas infelizmente a morte/perda faz parte da vida e precisamos estar preparados para ela. Neste caso, quais as estratégias de enfrentamento que você se utiliza para lidar com a finitude? Saiba como lidar com suas perdas.”

Como você reage às perdas? 
Quais as estratégias de enfrentamento que você se utiliza para lidar com a finitude? 
Quais os recursos internos que são mobilizados diante dos processos de finalizações, de morte simbólica ou morte física?
Você tem sentimentos de posse por seus vínculo afetivos? 
Tenta ter controle de situações que chegam ao fim?
 
Falar de morte em nossa sociedade atual é quase um tabu, pois a nossa cultura gratifica e reforça a vida e isto é positivo. Mas a morte, nao faz parte da vida?
 
Quando falo de luto e morte, nao me refiro somente à morte fisica, mas de qualquer perda ou algo que finaliza. Apesar de que, na nossa trajetória existencial, vivenciamos toda sorte de perdas, dores e términos, ter uma educação preventiva para trabalhar estas questões não parece ser uma preocupação de primeira ordem em nossa sociedade imediatista, pois de fato não existe lugar para a dor, nem para trabalhar o sofrimento proveniente das perdas. 
 
A felicidade constante é o projeto de vida de todos nós, mas infelizmente a morte/perda faz parte da vida e precisamos estar preparados para ela.
 
Por este motivo, quando perdemos algo ou alguém a quem temos um vínculo afetivo, a dor é imensa, e então, o processo de luto “bate à nossa porta” trazendo consigo aquele conjunto de reações e sentimentos que se manifestam e que precisam ser elaborados, digeridos, trabalhados.
 
O processo é delicado, difícil e doloroso, mas necessário. Negamos, nos revoltamos e tentamos negociar de toda maneira possível para termos de volta o que se foi. Por fim, internalizamos que algo mudou e que precisamos nos apropriar agora de uma nova realidade.
 
No processo de aceitação entram em jogo o conjunto de crenças e de percepções do enlutado. O apoio familiar bem como a rede de apoio social são de fundamental relevância durante o percurso.
 
 
Para ilustrar o processo de luto, é muito interessante a estória do Buda e da semente de Mostarda (Autor Desconhecido), pois aborda o tema com propriedade onde podemos encontrar muitos aspectos inerentes às fases do luto bem como o despreparo e resistência para processos de perda.
 
A estória relata que Krisha Gotami teve um filho e este morreu. Transida de dor ia com o filho morto de casa em casa, pedindo um remédio e as pessoas diziam: Esta criança està morta!
 
Krisha Gotami, enfim, encontrou um camponês que respondeu à sua súplica dizendo: – Não posso dar um remédio para a criança, porém sei de um médico capaz de dar: O Buda!
 
Krisha Gotami, então, correu até o Iluminado e exclamou, chorando: – Senhor meu e Mestre: meu filho estava brincando entre as flores e tropeçou numa serpente que se enroscou em sua perna. Ficou logo pálido e silencioso. Não posso aceitar que ele deixe de brincar ou que deixe o meu colo (fase da negação). Senhor meu Mestre, suplico-lhe, dá-me um remédio que cure meu filho!
 
O Iluminado respondeu: – Sim irmãzinha, há uma coisa que pode curar teu filho e a ti: procura um simples grão de mostarda, porém só deves recebê-lo de uma casa onde nunca tenha entrado a morte.
Aflita, Krisha Gotami foi de casa em casa pedindo o grão de mostarda (fase da negociação). As pessoas se compadeciam dela e lhe davam os grãos, porém, quando ela perguntava se já havia morrido alguém naquela casa, lhe respondiam: – Ah! Poucos são os vivos e muitos os mortos. Não despertes nossa dor! Agradecida, ela lhes devolvia os grãos e dirigia-se a outros que lhes diziam: – Aqui está a semente, porém já morreu nosso pai. – Aqui está a semente, porém o semeador morreu entre a estação chuvosa e a colheita. Mas ela não desistia.
 
“Deve haver alguma casa onde a morte não seja conhecida.”, pensou. Ao entardecer, exausta de tanto caminhar e bater nas portas, então compreendeu: “A morte é parte da vida. Não é uma calamidade pessoal que só tenha acontecido comigo!” (fase da aceitação). Com esse entendimento, voltou a Buda.
 
– Ah Senhor, não pude encontrar sequer um grão de mostarda em casa onde não tenha ocorrido a morte. Então, entre as flores silvestres, na margem do rio, deixei meu filho que não queria mamar nem sorrir, e volto para ver teu rosto e beijar teus pés suplicando-te que me digas o que fazer.
O Mestre respondeu-lhe: – Minha irmã, procurando o que não podes encontrar achaste o amargo bálsamo que eu queria dar-te. Sobre teu seio, o ser que amas dormiu hoje o sono da morte. Agora já sabes que todo mundo chora uma dor semelhante à tua. O sofrimento que aflige todos os corações pesa menos do que se concentrado num só.
 
Nenhum nascido pode evitar a morte. Assim como os frutos maduros caem da árvore, assim os mortais estão expostos à morte desde que nascem. A vida corporal do homem acaba partindo-se como a vasilha de barro do oleiro. Jovens e adultos, néscios e sábios, todos estão sujeitos à morte.
Porém, o sábio que conhece a Lei não se perturba, porque nem pelo pranto nem pelo desânimo obtém-se a paz, mas pelo contrário, isso tudo aviva as dores e os sofrimentos do corpo. Embora viva dez ou cem anos, acaba o homem por separar-se de seus parentes ao sair deste mundo.
 
Quem deseja a paz da alma, deve arrancar de sua ferida a flecha do desgosto, da queixa e da lamentação. Feliz será aquele que consegue vencer a dor. Assim, sepulta tu mesma o teu filho.
Extenuada pela dor, Krisha Gotami sentou-se à beira do caminho, pôs-se a meditar no silêncio do entardecer e disse consigo: “Quão egoísta sou eu em minha dor! A morte é o destino comum de tudo quando vive. Porém, neste vale desolado há um caminho que conduz à imortalidade: aquele que elimina de si todo egoísmo!”
 
Para refletir:
 
Precisamos ter uma cultura que proporcione o trabalho do luto. Dor não elaborada é o substrato de sentimentos e sintomas que não conseguimos compreender de onde veio e porque existem. Ignorá-los não farà com que desapareçam, eles continuarão mais presentes e vivos que nunca.


Soraya Rodrigues de Aragao

sexta-feira, 11 de março de 2016

Como lidar com o luto pela morte de uma pessoa próxima?

por Raquel Baldio Vidigal


A forma de lidar com a perda varia de pessoa para pessoa e precisa ser respeitada e compreendida

luto é um processo de angustia resultado de uma perda significativa em nossa vida e tende a fazer parte de todo fim que vivenciamos. Ao contrario do que muitos pensam e dizem, o luto não é um transtorno ou uma doença, logo não é algo a ser curado ou evitado, mas sim compreendido, acolhido e elaborado (no contexto daquela pessoa, daquele momento de vida e conforme grau da relação e impacto da perda) e às vezes um auxílio profissional, como psicológico, pode ser necessário.
É comum as pessoas se referirem ao luto como uma situação que precisa ser resolvida, deixada para trás e normalmente com tempo breve. Isso acontece devido à falta de compreensão que se possui sobre o tema e sobre a pessoa envolvida no luto. E esta falta de compreensão tende a ser uma geradora da falta de tolerância, que tende a prejudicar diretamente a superação ou a readequação da vida da pessoa. A não habilidade, ou a falta de manejo com o assunto morte e luto, acaba sendo, na maioria das vezes, a maior causa de sofrimento, pois a pessoa enlutada acaba sendo pressionada pelo meio, às vezes por ela mesma, a sair desta situação o mais breve possível, assumindo atitudes e movimentos contrários ao que se sente e vive naquele momento. 
Existem dores e sofrimentos de perdas mais ou menos intensos. E quanto mais próximo afetivamente formos da pessoa que morreu, maior o luto. Assim, quando falamos de lutos mais sofridos ou mais longos, normalmente falamos de perdas de filhos, pais e cônjuges. Pessoas estas que normalmente ocupam lugar de base (passada ou futura) em nossa vida e por isso a sensação de desnorteamento é intensa. A tristeza faz parte dos sentimentos que compõem o luto e tende a trazer consigo o choro, o desanimo, sensação de dor. Alguns pacientes comparam com uma sensação de dormência, do corpo, dos movimentos, das sensações e até dos pensamentos. 

Reações ao luto

Não há atitude padrão para estar de luto. Algumas pessoas se calam, se fecham em seus mundos, se afastam, enquanto outras se tornam ativas, querem falar, chorar abertamente, estar acompanhadas. Não devemos nos prender ou avaliar uma reação, por si só, afinal cada ser humano tem o direito de sentir e vivenciar em sua particularidade. Podemos notar que independente a reação, ambos os casos possuem em comum a necessidade de ter sua dor de perda acolhida e respeitada. 
Os primeiros dias tendem a ser terríveis, sendo mais comum os choros descontrolados, atitudes agressivas ou intensas, falta de apetite e de sono... Com o passar do tempo, (e este tempo é particular para cada ser humano), estas reações tendem a ganhar uma estabilidade, não falo ainda em desaparecer, mas sim devem ocorrer de forma mais organizada. E assim a tendência é que o luto se encaixe na vida da pessoa e fique presente por algum tempo, podendo ser meses ou anos, oscilando as intensidades e as formas de expressões. 
Geralmente, só devemos nos alertar para uma preocupação, quando o quadro de luto gerar sintomas que sugerem exagero no sofrimento e prejuízo na vida como: abandonar emprego, escola, namoro ou casamento, não conseguir se preocupar com seus filhos ou com suas contas, emagrecer ou engordar significativamente, assim como reações sintomáticas frequentes e intensas, como desmaios, taquicardias, dores diversas. 
O sinal do exagero e da intensidade desestruturada sugere o não saudável e portanto é merecedora de atenção e talvez de acompanhamento psicológico. E o acompanhamento de um profissional pode ser muito bem vindo, por propiciar a pessoa uma possibilidade de reconhecer seus sintomas de sofrimento, de entender suas reações e para expressar sua dor e assim ir aliviando sua angustia
Uma angustia não negada e bem acolhida tende a gerar a possibilidade de se refazer na vida, com a pessoa saindo mais fortalecida para continuar sua história. 

Como agir diante de um enlutado?

Vale um alerta para aquelas pessoas que costumam dizer, e normalmente por não saberem o que dizer nestas situações de perdas, as seguintes frases: ?Não chore, não sofra, ele(a) não quer te ver triste?... Sabemos ou imaginamos que na maioria dos casos estas falas possuem boas intenções, é realmente muito difícil ver alguém sofrer e não poder gerar este alívio. Mas chamo aqui a atenção para que compreendam que estes dizeres sugerem um grande disfarce ou até mesmo uma proposta de negação do luto, logo da perda. E neste momento delicado e fragilizado isto é tudo que não deve acontecer. Pois o fim já está instalado e ele dói. 
O luto não é algo ruim, na verdade ele é necessário. É uma etapa que precisamos encarar, compreender, vivenciar para continuarmos vivendo de forma equilibrada e saudável. Assim nestas situações talvez tudo que nos caiba seja de fato um bom abraço, uma oferta de colo, de ajuda com questões burocráticas ou mesmo a nossa presença ao lado. Mostrando que a tristeza atinge a todos, mas que estão ali unidos para chorarem e se ajudarem nesta fase difícil de vida.

O luto varia de acordo com o contexto da morte?

Culturalmente tendemos a acreditar que certas mortes são melhores ou piores que outras. Por exemplo, as mortes de crianças são praticamente inaceitáveis, assim como de adolescentes, jovens adultos, das mães e cônjuges. Estas perdas costumam gerar muita tristeza e reações intensas e normalmente são as que mais precisam de tempo e de ajuda. 
As mortes inesperadas, como as geradas por acidentes, também costumam desestruturar uma pessoa ou até mesmo uma família, pois a tristeza vem acompanhada de raiva, revoltas, questionamentos e fantasias de respostas que acalentem ou que justifique esta interrupção e intromissão nos projetos de vida. 
Já os quadros de doenças, em geral os quadros terminais costumam trabalhar, muitas vezes inconscientemente, a preparação da perda e assim é muito comum vivenciarem o luto ainda enquanto o paciente está vivo. Logo quando a morte ocorre, apesar da tristeza é muito comum que o pior momento de dor já tenha sido vivenciado anteriormente durante o tratamento. Talvez porque a pessoa ou a família enlutada tenham tido tempo para lembrar que a morte existe e faz parte da vida e que é preciso haver espaço para lidar com ela. Normalmente os familiares, assim como os doentes, buscam se redimir de suas ofensas e falhas, tentam realizar sonhos e desejos e criam assim um espaço de despedida, aliviando a culpa e fantasiando uma permissão para a morte se aproximar. 
O que podemos dizer, é que todas estas situações são verdades, mesmo que mais ou menos intensas. Não acham? E estas verdades merecem a chance de serem entendidas como únicas e respeitadas em seu tempo e forma de expressão, independente padrões de diagnósticos. Talvez não haja melhor remédio que um olhar sincero de outra pessoa sugerindo compreensão e parceria, enquanto se encara a dor a da realidade. 
fonte: Minha vida

sexta-feira, 4 de março de 2016

QUANDO A SAUDADE É SINAL DE APEGO


Foco excessivo no passado deixa a vida sem movimento
Por Marianna Romão
Ao tentar entender a saudade e a nostalgia, alguns podem se precipitar em dizer que é "coisa de quem só olha para trás, ao invés de olhar adiante". Não podemos negar que boa parte do que esses sentimentos nos remetem está, sim, vinculada ao passado. Mas se por um lado o apego excessivo ao passado, às pessoas e coisas pode ser um entrave na vida de alguém, será que a saudade e a nostalgia não contém também uma indicação de futuro, de caminho a seguir?
Vamos então desvendar esses conceitos, para compreender melhor o que acontece conosco nessas situações e saber lidar melhor com elas. A saudade está no coração de quem quer viver no aqui e agora um ideal (de pessoa, de lugar, de situação) e sente essa ausência. Mas isso não é o mesmo que estar apegado. A nostalgia pode aparecer às vezes como um sentimento de melancolia pelo afastamento de algo, embora tampouco indique estar paralisado. Já o apego é, sim, a paralisia psíquica, emocional e consequentemente comportamental.
Só para dar alguns exemplos, imagine se você não consegue deixar de pensar sobre o quanto seria bom se tivesse agido de outra forma, em uma situação do passado. Nesses casos, você está fazendo um movimento reflexivo, já que é saudável pensar: "ah, se eu pudesse voltar no tempo mudaria isso...". Por outro lado, pensar: "sinto tanta saudade do que não posso ter aqui e agora e, por isso, não consigo viver outros aspectos da minha vida", deixa de ser positivo. Nesses casos, o apego deixa a pessoa sem movimento, ou seja, fixada em uma determinada história.

VALORIZE O PASSADO

É saudável termos em conta nosso histórico de vida e tudo que vivemos no passado. Nossas raízes e sentimentos mais profundos não devem ser menosprezados diante da "novidade" que é a experiência do dia-a-dia. No entanto, convém lembrar que preservar um espaço da nossa história não é sinônimo de "fixação" nestes pontos. Afinal, não devemos nos petrificar como estátuas dentro de certos espaços, momentos e histórias. Isso é como ficar numa poça de água parada, onde os elementos que antes tinham vida já apodreceram.
O músico Raul Seixas nos deixou como herança obras de valor inestimável. A música "Metamorfose Ambulante" é uma delas, pois fala de como somos "vários" em um só, e do quanto é preferível buscar conexão com o nosso bem-estar, ao invés de viver em um estado de conservadorismo que não leva a lado nenhum. "Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo. Sobre o que é o amor, sobre o que eu nem sei quem sou", disse o cantor. Isso não significa não ter
um eixo ou ser sempre distante do que fomos antes. Mas significa que mesmo sem fugir do passado ou da nossa essência, estamos em constante processo de transformação. Afinal, o passado se atualiza a cada dia nas nossas novas experiências.
O psiquiatra suíço Carl Gustav Jung deixou claro que podemos dar vida a vários aspectos da nossa personalidade, que a nossa busca deve ser sempre por ampliar quem somos hoje. A ideia é nos integrar em uma personalidade mais rica, vivendo experiências não só do "novo", mas também do "mais antigo" que há em nós. Jung dizia que é preciso "nascer e morrer" dentro de uma mesma existência para que haja a transformação. Teoricamente é fácil entender, mas como viver isso na prática?
Essas "mortes" simbólicas a que Jung se referia são as nossas experiências de vida, de rompimento de padrões, de relacionamentos e de laços para uma renovação. O objetivo é que a água não fique parada e apodrecida, mas sim que corra pelo rio. E é dessa forma que sentimos ter vida!

DIGA NÃO AO APEGO, REINVENTE-SE

Deixe morrer mágoas, ressentimentos, dores, medos, inseguranças, fraquezas e apegos, para renascer cada dia mais forte e inteiro. Experimente a vida e tente se abrir para o novo e para a riqueza do que ainda não conhecemos - isso não irá apagar o passado, mas ele renascerá integrado na nossa própria história.
Precisamos acolher e conviver com a nossa própria realidade interior, sem ser dominados por ela. Em resumo, lembre-se que toda conquista tem suas perdas, toda nova etapa deixa outras para trás e a nossa plenitude é formada dessa totalidade, sempre se dirigindo ao alcance de mais - sem apegos e em movimento constante e autêntico.
fonte: Personare