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sábado, 28 de janeiro de 2012




Como a vida é delicada, frágil!... os segundos que se substituem não se repetem e o instante que vem pode transformar toda uma história em pedaços de lágrimas, onde o chão parece desaparecer sob os pés e o coração fica tão dolorido que parece que nunca vai encontrar remédio para curar-se.
Ninguém gosta de falar sobre perdas, alguns evitam até  pensar, mas todos temos que, um dia ou outro, enfrentar.
Quando pensamos na vida, não queremos pensar nas possibilidades das perdas, que nos fazem sofrer antecipada e inutilmente. Lidamos com a morte como se fosse o contrário da vida, como se fossem duas coisas distintas. Na verdade a morte faz parte da vida, mas é difícil aceitar isso!
Viver o luto é vivenciar a dor e a partida e aprender a continuar a viver. Talvez seja justamente isso o mais difícil: viver depois, reencontrar a alegria, o gosto, reaprender a olhar o belo e desejá-lo.
Algumas pessoas desenvolvem um sentimento de culpabilidade em aceitar novamente o presente da vida, o sorriso e o recomeçar. Elas sentem como se estivessem traindo quem se foi, porque devem continuar.
Ora, o amor não diminui ou não fica diferente porque aprendemos a viver sem os que se foram. O espaço conquistado no nosso coração pelos que nos amaram e os que amamos ficará definitivamente marcado. Porém, isso não pode e não deve impedir ninguém de viver.
É preciso aprender a viver com e apesar de. É preciso aprender a viver com a dor, com a falta, com a saudade e apesar do adeus. E é preciso se reconstruir!
Completar o luto é aceitar que a última página de uma história tenha sido definitivamente virada, que aquele livro se encerrou, mas que você poderá sempre que quiser ter contato com esse livro, onde nele estará registrada as suas lembranças, o que de mais rico ficou dessa relação. E que nada nem ninguém poderá tirar de você!

fonte: http://institutodolutobompastor.blogspot.com/

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O SENTIMENTO DE LUTO. "DEPRESSÃO É O ÓDIO À PERDA".

Perdas.
 O luto é uma reação normal, fisiológica, psicológica, com começo, meio e fim. Quando perdemos alguém que se ama, passamos por um estado de muita dor psíquica: revolta natural, raiva, ódio e dizemos: porque fizeram isto conosco, porque Deus tirou a vida da pessoa, enfim, interpretamos a perda como um fato contra nós.
Essa atitude é de negação, de recusa a não reconhecer que a morte se impõe como realidade, não é contra ninguém. Do mesmo modo reagimos com indignação quando vemos que alguns dos nossos desejos, projetos, sonhos, não se realizam. Viver nossos lutos é ter humildade para perder, para sobreviver essa dolorosa experiência: daí o luto ter um tempo adequado para nos refazermos do trauma. Como isso pode ser possível?
Chorando, entristecendo e lembrando das situações boas que passamos com a pessoa que se foi, assim como nos acostumando que uma saída para fazer o luto é ter a pessoa dentro de nós. Só se consegue atravessar o luto aquele que pode carregar em seu interior, dentro de si, a pessoa amada e ter saudade dela. A saudade é uma palavra que só existe na língua portuguesa, é um sentimento triste mas integrado para se preencher a falta de alguém ou de alguma coisa. É na saudade que lembramos, que recordamos o bom que alguém nos foi, e paulatinamente vamos retendo na memória a imagem de uma pessoa viva. Aquele que perdemos se mantém vivo dentro de nós, caso o amor tenha predominado nessa relação. Com isso, quero frisar que podemos atravessar essa turbulência sem transformar o luto em depressão ou melancolia.
A depressão é o ódio à perda. A depressão é a impossibilidade de saber perder, ainda que isso seja doloroso. Existem pessoas que se revoltam, que não admitem a falta, que reagem com furor e raiva. E desenvolvem uma atitude de recusa à realidade. Perdem o sentido de viver, não encontram mais força para refazerem sua vida e terminam por pautarem sua existência com queixas, lamentos, revolta e um sentimento de apatia permanente – estamos diante de uma depressão grave ou melancolia. Necessitam de uma psicoterapia e não muito infrequentemente, de um tratamento com antidepressivo. Em resumo: depressão é realmente ódio à perda.


Lya Luft, poetisa, contista e romancista, em seu belo livro "Para não dizer adeus", Editora Record, Rio de Janeiro, nos brinda com esse profundo poema:


"Perder, Ganhar
Com as perdas, só há um jeito:
Perdê-las.
Com os ganhos,
O proveito é saborear cada um
Como uma fruta de boa estação.


A vida, como um pensamento,
Corre à frente dos relógios.
O ritmo das águas indica o roteiro
E me oferece um papel:
Abrir o coração como uma vela
Ao vento, ou pagar sempre a conta
Já vencida.”


(Texto de: Carlos A.Vieira) Médico, psicanalista da Soc. de Psicanálise de Brasilia e membro da FEBRAPSI-IPA-London.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

MINIMAMENTE FELIZ


A felicidade é a soma das pequenas felicidades. Li essa frase num outdoor em Paris e soube, naquele momento, que meu conceito de felicidade tinha acabado de mudar.
Na vida real, o que existe é uma feli...cidade homeopática, distribuída em conta-gotas. 
Um pôr-de-sol aqui, um beijo ali, uma xícara de café recém-coado, um livro que a gente não consegue fechar, uma pessoa que nos faz sonhar, uma amiga que nos faz rir... 
São situações e momentos que vamos empilhando com o cuidado e a delicadeza que merecem alegrias de pequeno e médio porte e até grandes (ainda que fugazes) alegrias. 
'Eu contabilizo tudo de bom que me aparece', sou adepta da felicidade homeopática.
'Se o zíper daquele vestido que eu adoro volta a fechar (ufa!) ou se pego um congestionamento muito menor do que eu esperava, tenho consciência de que são momentos de felicidade e vivo cada segundo. 
Alguns crescem esperando a felicidade com letras maiúsculas e na primeira pessoa do plural, mas caros amigos, dá pra ser feliz no singular:
 'Quando estou na estrada dirigindo e ouvindo as músicas que eu amo, é um momento de pura felicidade. Olho a paisagem, canto, sinto um bem-estar indescritível'. 
Esperar para ser feliz, aliás, é um esporte que abandonei há tempos.E faz parte da minha 'dieta de felicidade' o uso moderadíssimo da palavra 'quando'. 
Aquela história de 'quando eu ganhar na Mega Sena', 'quando eu me casar', 'quando tiver filhos', 'quando meus filhos crescerem', 'quando eu tiver um emprego fabuloso' ou 'quando encontrar um homem que me mereça', tudo isso serve apenas para nos distrair e nos fazer esquecer da felicidade de hoje.
Como tantos já disseram tantas vezes, aproveitem o momento, amigos. E quem for ruim de contas recorra à calculadora para ir somando as pequenas felicidades. 
Podem até dizer que nos falta ambição, que essa soma de pequenas alegrias é uma operação matemática muito modesta para os nossos tempos. Que digam. 
Melhor ser minimamente feliz várias vezes por dia do que viver eternamente em compasso de espera.


(Leila Ferreira, jornalista)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

COMPREENDER A MORTE


Compreender a morte é um processo contínuo. Considerar o assunto pode ser um grande passo para quem deseja fazer as pazes com a vida. Enclausurados em nossa forma de contar o tempo e de perceber o espaço, ficamos limitados às nossas percepções – por vezes tão limitadas – das verdades com as quais convivemos.

Nossa atitude em relação ao assunto baseia-se em nossas crenças mais profundas. Para alguns, ela representa uma passagem; para outros, um destino final. A continuação versus o fim.

Com tantas interpretações e crenças sobre o mesmo fato, muitos acabam tateando em meio à confusão em seus momentos mais difíceis. Decidi abordar o tema por acreditar que pessoas sensatas podem se beneficiar dialogando sobre qualquer assunto – inclusive sobre a morte.

Considero-me como o viajante que se orienta pela lua enquanto aguarda o amanhecer. Acredito que mesmo na noite mais escura a jornada é mais agradável quando se viaja em boa companhia.

Além disso, amigos que participaram do funeral de nossa filha – falecida aos nove anos – disseram que sua perspectiva sobre o assunto foi ampliada. Um deles comentou: 


“Não sei se vou conseguir expressar com as palavras certas, mas quero te dizer uma coisa... Minha perspectiva mudou. Antes, eu tinha verdadeiro pavor só de pensar em morrer. Hoje eu não tenho mais.
Ao ver sua filha no caixão, e a atitude de vocês ali, tranqüilos, eu percebi que ela – a essência dela – não estava mais ali. Aquele era apenas o corpo. Senti que ela já estava num outro lugar. E com certeza, mais feliz do que aqui.”

Assim, compartilho algumas idéias e experiências que representam minha percepção sobre a morte. Vamos juntos nessa pequena viagem. É bom estar em sua companhia...

Crescendo e Aprendendo com a Morte

Durante a maior parte da infância, morei perto do cemitério. ‘Perto’ é força de expressão. De nossa casa avistávamos o caixão sendo velado. Em dias de velório, minha mãe fechava a porta da cozinha, e precisava manter a lâmpada acesa.

Além da própria rua, o cemitério era nosso playground. Ali, podíamos brincar de pique-esconde, nadar num riacho, passear pelos morros, caçar passarinhos, e como suprema prova de coragem, visitar uma casinha de ossos. Ela era enterrada pela metade no chão, e tinha apenas uma janela. Nosso desafio era abrir a janela, prender a respiração, olhar aquele amontoado de ossos por alguns segundos, e passar a vez para o próximo garoto. Moleque tem cada mania...

Mas a empreitada que nos amedrontava mesmo era roubar pombinhos à noite. Confesso que só entrei nessa uma vez, mas alguém quebrou uma telha e fez o maior barulho. Saímos em disparada morro abaixo.

Dito isso, talvez se explique um pouco porque me sinto em casa quando visito cemitérios.

Experiências com a Morte

Aos doze anos, eu morava com meu pai. Como ele era churrasqueiro, saíamos pela manhã para comprar a carne, ele preparava os churrascos à tarde, e vendíamos juntos à noite.

Naquela manhã, o sono me venceu e ele foi sozinho. Eu havia acordado tarde e estava ajudando uns colegas a reformar nosso campinho. Foi aí que chegou um parente me procurando, afobado, dizendo que precisava levar uns documentos do pai para o hospital, pois ele havia “passado mal na rua” e estava no hospital.

Busquei os documentos, e fui para a casa de minha mãe. Eles estavam separados há dois meses. Em poucos dias, chegou a notícia: minha mãe estava viúva aos trinta e dois anos.

É claro que fiquei triste, mas levei uns três meses até me dar conta que não veria mais meu pai nessa vida.

Depois de dezoito anos – quando eu já tinha trinta – minha mãe veio a falecer. Entrei em casa procurando suavizar a notícia para nossos quatro filhos pequenos: “Galera, eu tenho uma notícia pra vocês: a vovó Cacilda foi para o céu.” Nossa filha mais velha – na época com cinco anos, me repreendeu: “Pai, isso não tem graça nenhuma...”

Mas o maior de todos os desafios ainda estava por vir...

Para nossa família, o ano de 2010 foi o mais difícil que já passamos. Foi quando nossa filha caçula teve leucemia. Sem conseguirmos um diagnóstico preciso, peregrinamos por quatro hospitais, e o resultado foi uma fatalidade. 

Fizemos o que estava ao nosso alcance, segundo os recursos e o conhecimento que tínhamos na época. Tivemos o apoio irrestrito de centenas de amigos. Estou escrevendo um livro em sua homenagem, o que tem me ajudado bastante a encontrar o equilíbrio... 

Um Evento, Muitas Dores

Muitos são os sentimentos de quem perde um ente querido. Alguns sentem remorso por não terem feito o que estava ao seu alcance. No meu caso, o maior desafio é saber que teremos que esperar mais do que gostaríamos para revê-la novamente.

Se por um lado o sentimento de perda nos faz sentir vontade de trocar absolutamente TUDO pela vida de quem tanto amamos, por outro a esperança bem fundamentada e o apoio dos amigos nos dão força para atravessar nosso deserto pessoal.

Criando Novas Referências

Por que fazemos com tanta freqüência um juízo equivocado de pessoas, fatos e situações? Porque nossa percepção da realidade nem sempre corresponde à realidade em si.

Por exemplo, se durante uma cerimônia de casamento você presenciar a mãe da noiva chorando, qual será sua conclusão? O que representam as lágrimas: realização ou remorso, felicidade ou tristeza?

Construímos algumas de nossas crenças – e fazemos algumas escolhas – com base em referências, sejam elas herdadas por nossos pais ou por influência da sociedade na qual vivemos. Hábitos comuns numa região podem causar estranheza num outro extremo do país. Com o tempo e o convívio, nos acostumamos aos poucos com culturas e valores alternativos.

Existe uma outra classe de valores bastante específica: os dogmas. São verdades que têm como referência uma fonte – a nosso modo de ver – irrefutável. Podem chegar a nós por revelação divina ou por uma interpretação particular das Escrituras. De qualquer modo, não admitem contestação. Ao menos, pública.

Mas no íntimo de cada um, naqueles momentos de sobriedade em que fazemos a nós mesmos as perguntas mais profundas sobre a existência humana, existe sempre espaço para uma nova inserção.

Nessa busca, descobri perspectivas que orientam e fortalecem minha fé. Que nutrem minha esperança e trazem de volta o desejo de viver à altura de reencontrar aqueles entes queridos que se foram. Eis algumas delas:

1. Se a morte é o oposto da vida, uma será sempre a negação da outra. Se essa representa a beleza, aquela, a feiúra. Essa, a alegria, aquela, a tristeza. Mas ao considerar a morte como parte integrante da vida, torna-se possível que as duas coexistam num mesmo plano.

2. Mesmo sem conhecer todos os detalhes, tenho motivos para crer que o estado de quem deixa essa vida pode ser de paz, harmonia e felicidade. Em especial quando se trata de uma criança que parte dessa vida num estado de inocência.

3. Jesus Cristo fez muito mais por nossa felicidade – no presente e no porvir – do que somos capazes de compreender nessa vida. Seja lá qual for nossa crença, num determinado momento teremos a capacidade de ver com transparência suficiente a fim de compreendermos a plenitude da verdade. Ele compreende nossa atual cegueira. 

Minha conclusão sobre a esperança da vida após a morte faz eco às palavras de Cora Coralina, renomada escritora que publicou seu primeiro livro aos 76 anos de idade:

“Creio na solidariedade humana, na superação dos erros e angústias do presente. Aprendi que mais vale lutar do que recolher tudo fácil. Antes acreditar do que duvidar."

Texto de: Charlles Nunes (Angra dos Reis, RJ, Brasil)



sábado, 7 de janeiro de 2012

AFLIÇÕES



No íntimo de todas as criaturas existe o desejo de ser feliz e de afastar os sofrimentos.


Ninguém gosta de sofrer.
No entanto, Jesus cristo nos disse: “no mundo só tereis aflições.”
São variadas as causas das aflições. Podemos, para melhor compreensão, separá-las entre as que têm origem em nossa intimidade e aquelas próprias da natureza em que vivemos.
Assim temos várias dores que somente têm a ver com o mundo em que nos encontramos.
Por exemplo, a dor causada pelo nascimento do siso, o último dos molares, é um impositivo da biologia humana. A dor pela picada de um mosquito ou de uma agulha, da mesma forma.
São dores próprias de um mundo material. São dores comuns a que estão sujeitos os seres que habitam o planeta.
O sofrimento faz parte de nossa vida, uma vez que em tudo existe a necessidade de ação.
Nossa mente pensa, nossa vontade almeja. Mas o corpo precisa executar.
Toda vez que desejamos alguma coisa, quando aspiramos algo, a necessidade de trabalhar para realizar nossos sonhos gera um certo sofrimento.
Quem deseja bater recordes, vive aflições. São horas intermináveis de exercícios, disciplina rígida, com intuito de superar as próprias limitações físicas.
Dores físicas, preocupação com a classificação, um revés de última hora. Aflições de toda sorte.
Quem deseja passar no vestibular, apesar do grande esforço aplicado no estudo, se aflige ante a perspectiva de não conseguir a vaga pretendida.
E se esquecer tudo na hora da prova? E se não conseguir a vaga? E se precisar fazer outro vestibular?
Quem deseja ser cantor, ator, engenheiro, médico passa pelas aflições das horas estafantes de estudo, estágio, aprendizagem, esforço,testes.
Reveses. Inquietudes. Aflições.
Em tudo há sofrimento pois em tudo existe a necessidade do esforço material, de conformidade com o nível evolutivo do mundo em que vivemos.
No mundo só teremos aflições!
São os sofrimentos desse mundo, os empeços materiais que se apresentam.
Também existem os sofrimentos causados por nós mesmos. É o resultado originado de nossas intenções, de nossas atitudes, do estado geral da nossa mente e do nosso coração.
Quando tomamos decisões desequilibradas, sofremos.
Quando agimos de forma negativa, teremos que recolher adiante o resultado dessas ações infelizes.
Quando pensamos somente em nós, num egocentrismo doentio, sofremos.
Quando desejamos que as coisas não passem, não mudem ou não terminem, sofremos novamente.
Tudo passa. As paisagens mudam. Os momentos bons terminam, e os maus também.
Procurando entender a mensagem de Jesus poderemos vencer os sofrimentos do mundo, vendo-os como realmente se apresentam.
Ou seja, como empeços materiais numa realidade relativa. Alargando nosso ponto de vista poderemos vencer a melancolia e a aflição.
Sem visão pessimista, venceremos os obstáculos próprios ao meio em que nos encontramos.
E se optarmos por seguir Jesus, não haverá aflição que resista ao bendito remédio da fé.
***

Todos desejamos ser feliz. Sejamos ricos ou pobres, instruídos ou não, todos desejamos evitar os sofrimentos.

Assim, procuremos vencer as tribulações de cada dia e encontrar razões para felicidade em coisas pequenas.
Ser grato pelo que temos, pelo que usufruímos.
Aprender com os pássaros a saudar o dia com um cântico de esperança.
Eis uma boa fórmula para superar as aflições e começar a ser feliz, desde hoje.


Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no cap. 10 do livro O despertar da alma, de Cristian Macedo, Sociedade Espírita Esperança.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

RECOMEÇAR





Se não tivessemos emoções ou sentimentos todos seríamos livres da dor... não teriamos ilusões, ansiedades, medos e mágoas, só existiria em nós a lógica... Seria isso bom? Não sei se seria... Acredito que devemo-nos empenhar em viver com qualidade de Vida e dar, na medida das nossas possibilidades, o que de bom temos.


       Para muitos dos pais o tempo é de sofrimento e o processo de reconciliação com a Vida é ainda longo e doloroso. Há que alcançar a esperança para que a alegria saudável volte ao seu interior e brilhe nos seus olhos. Recomeçar!


        O meu pensamento não é uma lei, não é uma certeza, é o meu sentir, a minha experiência perante a minha vivência de muitos anos de luto. Perdura em mim o ausente e isso, de certa maneira, conforta-me porque permanentemente esse filho me acompanha.


       Agarro-me a todos os bens que ele me deixou: a sua bondade, alegria e força. A beleza que irradiava, as suas palavras inocentes mas tão sábias, a despedida feita, sem que a morte fosse ainda anunciada, foram bênçãos para a minha vida e um grande e são orgulho me invade de ter tido este filho e de ter partilhado com ele onze lindas Primaveras. Digo Primaveras porque ele foi e será sempre a minha Primavera, o meu renascer...


        E o tempo corre, os anos passam e começamos a perder a nitidez da Vida passada, da voz do nosso filho, dos seus gestos e com angústia interrogamo-nos: Como é isso possível? Mas é assim...a sua Vida que foi palpável desapareceu e ficaram as suas palavras sem som e o seu espírito recolhe-se em nós mais vivo do que nunca. 


Neste fim de tarde quase vermelho
Um pouco alegre dentro do triste
Passeiam os pensamentos, os anseios
Vãos e irrealizáveis transbordando... 
  
E a flor cresce na terra quente
E o mar em ondas ruge e se espraia
Os anos não matam os momentos
Crescem, urram transbordando... 
  
Quem me dera falar-te, dizer-te
Em fim, amar-te vivo, criar-te em mim
Mas, meu amor, como era a tua voz?
Riso apagado, tristeza transbordando...


 (Texto de Aida Nuno)