Seguidores

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O Luto na vida atual: um adeus ao silêncio.



Luto na vida atual: um adeus ao silêncio.


          Quando eu tinha uns 12 anos meu vizinho faleceu, era um senhor que eu não simpatizava muito porque cortara a ameixeira que eu amara e dera frutos que pendiam até a minha janela. Contudo, quando ele ficou doente e faleceu percebi pelos choros dos parentes e uivos do cachorro – dele – que a família dele o amava muito.
            Eu me lembro que minha mãe não nos deixou ligar rádio e nem a TV em altura abaixo do  razoável por dias, além disso,  pedia para rirmos, brincarmos e falarmos baixo. Ela dizia que precisávamos respeitar a dor dos parentes. Também sentia medo que o espírito dele viesse atrás de mim por já ter sentido raiva dele quando ele cortara a árvore e ainda mais se não respeitasse a dor dos parentes. Não sei o motivo do meu irmão obedecer à minha mãe, o meu era essa somatória: medo do defunto e respeito aos parentes.
           Ontem, no enterro da minha avó, durante esta dor que todos tentávamos esquecer, ainda mais depois de  muitas lágrimas noturnas, guardando a serenidade para o momento (fora minha filha, prima, tia e uma tia avó que não conseguiam parar de chorar), meu sobrinho quis brincar no meu celular e este fazia barulho. Meu irmão o proibiu por fazer barulho.
           Passado alguns minutos eu estava sentada com minha filha na escada da Igreja e o meu sobrinho (5 anos) tentava entender por que ele não podia brincar com um celular que fazia barulho, já que meu irmão não explicou. Tentei explicar e ele não entendeu, até que ele perguntou: “ Ela (a bisa) não vai gostar?”. Quando me lembrei do tipo de bisa e avó que fazia tudo pelos  bisnetos e netos, que achava graça em todas as artes e gostava de jogar Wii com minha filha, principalmente aquele do ciclismo, respondi: “Não, a bisa nem ligaria”. “Então, por que?”, ele me perguntou. E eu me lembrei da minha mãe ensinando e respondi alguma coisa assim: “Para respeitar a dor:  é preciso mais silêncio. A bisa está bem, num lugar melhor, ela não ligaria, mas muitos estão tristes e precisam do silêncio”.
           Acho que ele não entendeu, mas meu outro irmão acabou emprestando um celular que tinha jogo e era silencioso, jogo que logo ele se cansou.
            Na verdade, agora entendo como é preciso o silêncio para respeitar a dor, como o barulho, a agitação, machucam ainda mais na hora da despedida. O silêncio permite a reflexão, minha cunhada disse que o enterro é um ritual de celebração da vida e na hora não entendi… Respondi que não estava em condições de entender… Era verdade. Estas serão as primeiras férias da minha vida sem minha avó, quando cresci e virei mãe nunca mais fui ao sítio dela, então ela sempre ficava pelo menos uma semana comigo e íamos ao cinema, passeávamos, até no jogo de vôlei da Liga, no Mineirinho eu a levei! Também será a primeira vez que minha filha não fará “artes” (bordar, pintar…) com ela nas férias, um ritual de 15 anos. Muita dor para refletir.
         Agora entendo, no enterro pensamos sobre a vida, a nossa, a dos outros, a humana. No luto idem.
          Arendt diz sobre a “banalização do mal” e nisso ela discute a banalização da morte, que na verdade é a banalização da vida humana. Nesta vida atual não existe respeito ao silêncio, à morte e nem à vida. Corremos contra o tempo, viramos uma máquina de produzir e máquinas param e pronto. Se máquinas param e pronto: sua avó “gastou”, parou, nem viva o luto, vá ao enterro hoje e trabalhe amanhã.
          Nesta vida atual que somos máquinas (e máquinas não param para refletir, sentir e menos ainda chorar) o luto é alguma coisa que não existe, que é luxo e não é compreendido.
            Respeitar a vida significa respeitar o corpo que um dia teve vida, quem não se lembra do menosprezo que as ditaduras dão sobre corpos “inimigos”? E as invasões militares até hoje em comunidades, quando a TV nos mostra corpos sendo carregados em carrinhos de mão? Menosprezo à morte que significa menosprezo à vida.
          Se quisermos uma sociedade mais humana temos que começar a resgatar alguns rituais como o luto, o respeito à dor, ao silêncio, ao parar. A vida do outro não pode ser menosprezada, não deve ser esquecida, e a dor dos que ficam deve ser respeitada, sempre. O choro alheio neste momento não deve incomodar, deve ser respeitado, afinal, esta perda e dor ficarão para sempre dentro de nós, apenas a intensidade que nos machuca diminuirá. Não entendo esta lei que não dá direito ao luto pelos avós e sim pelas madrastas e sogras, afinal: avós nos ensinam, nos dão amor, são os pais mais pacientes, são os pais num outro ritmo, um ritmo fora do trabalho que o capitalismo exige.
             Durante alguns anos o Brasil resistiu no respeito ao luto, ao silêncio, mesmo numa industrialização já corrente. Todavia, devagar esta mentalidade de homem-máquina dominou as relações humanas e influenciou as leis, que endureceram como ferro os corações, não sei como, mas é preciso ir na contra mão desta história: humanizando os relacionamentos, trazendo o luto, dando um breque no ritmo frenético da vida, pela vida, quando for preciso. Mesmo que em algumas culturas, como vemos no filme Sonhos, de Akira Kurosawa, quando um ancião morre comemora-se com festas, dança e música, na nossa é preciso o silêncio que contrasta com o barulho das máquinas, que querem nos transformar.

Camila Tenório Cunha
16/06/2011
fonte: http://profacamilatc.wordpress.com/2011/06/16/o-luto-na-vida-atual-um-adeus-ao-silencio/

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Conquiste sua alegria de viver



Não há nada de errado em ser jovial, bem-humorado, risonho e festivo.
Talvez  esse não seja o seu jeito de ser... Um pouco tímido, sério e recatado?
Consideremos a “alegria” como sendo o estado emocional de contentamento, de bemestar, de prazer.
Muitas pessoas entendem que só podem usufruir da alegria num estado eufórico de intensa sensação, de risos exagerados, de festas.
Todos nós possuímos o dom da alegria no fundo de nossa alma, e só precisamos de um estímulo para que ela se manifeste.
Esse estímulo pode vir de uma lembrança agradável, de uma ideia promissora, de um pensamento feliz, de uma coisa engraçada.
A capacidade de lidar com o cotidiano pode muito bem constituir um estímulo para desabrochar a alegria.
Devemos alimentar a confiança em nossa capacidade de superar a dor e a desilusão, pois isso afasta de nós a preocupação e a tristeza que bloqueiam a alegria. Em cada um de nós existe um admirável espírito suficientemente forte em que devemos confiar.
Ninguém é obrigado a ser alegre, embora se saiba que: a alegria pode ser conquistada; que ela expressa um estado de paz e felicidade; que ela colabora com a saúde integral...
Em sendo alegre você deve expressar a sua verdadeira alegria por ser ela contagiante, e para alegrar o seu mundo.
Luiz Gonzaga Seraphim Ferreira

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Sogyal Rinpoche – O mestre que nos ensina a viver e a morrer

Sogyal Rinpoche

 por Revista Bodisatva 9/01/2013

Bodisatva:

Por que temos tanto medo da morte?
Sogyal Rinpoche:

Porque por trás do medo da morte está o medo de encarar a si mesmo. O instante da morte é o momento da verdade. Ela é como um espelho, no qual o verdadeiro sentido da vida está refletido. Na tradição monástica cristã há uma expressão em latim, memento mori, que significa lembre-se da morte, ou mais especificamente, lembre-se de que vai morrer. Se você se lembrar da morte, vai entender o que é a vida. A morte é a fundação e o verdadeiro coração do caminho espiritual. Se você se recordar de que vai morrer, vai se lembrar da preciosidade da vida – e essa verdade está presente em todas as grandes tradições: budismo, cristianismo, hinduísmo… Pensar na morte é o cerne do caminho espiritual. Milarepa, o grande santo e poeta que inspirou milhões de seres, disse: Aterrorizado pela morte, refugiei-me nas montanhas, meditei muitas e muitas vezes sobre a incerteza da hora da morte. Mas ao conquistar a fortaleza da natureza da mente infinita e imortal, todo o medo acabou para sempre. É por isso que o meu livro fala tanto dessa contemplação da hora da morte. Existe também uma citação de Maomé. Quando perguntaram a ele como você faz para polir o coração, como você se livra da ferrugem, das aparas do coração? Maomé respondeu: Pela lembrança de Deus e por muito pensar na morte. De fato, pensar na morte é muito próximo de se pensar em Deus, porque a morte traz para você o que Deus é. Mas infelizmente, na vida contemporânea as pessoas não veem a vida e a morte como um todo. Com isso ficam muito apegadas à vida e rejeitam e renegam a morte. Hoje em dia as pessoas também pensam na morte como um tipo de derrota ou de perda. Mas do ponto de vista espiritual, a morte não é uma tragédia a ser temida, mas uma oportunidade preciosa para a transformação.

Bodisatva:
Só que nos esquecemos de lembrar da morte durante a vida, estamos ocupados demais para isso.
Sogyal Rinpoche:

Sim, nos mantemos muito atarefados o tempo todo: é uma preguiça ativa (risos). A morte, por sua vez, nos diz que é preciso parar de nos enganar – quando você acertar as contas com a morte você acerta as contas com sua vida. A morte é o sinônimo da vida, o seu prolongamento; na verdade, ela é a parte mais importante da existência, por isso é que ela acontece no final! (risos). É a morte que vai nos apresentar a conta. Tem uma expressão em francês que diz: Agora, a dolorosa, por favor! (risos). Mas com frequência, só começamos a pensar na morte quando estamos para morrer. Não é um pouco tarde demais? Os ensinamentos nos mostram que deveríamos nos preparar para morrer agora, quando estamos bem, com estado mental feliz, principalmente nos momentos em que você está inspirado, predisposto à introspecção, quando começamos a ver a vida e a morte de uma maneira mais profunda.

Para ver a entrevista completa clique aqui

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

COISAS QUE A MORTE ENSINA por Meiry Kamia


26.01.2012

Miako Kamia 
  
     Vivemos pequenos momentos de morte todos os dias: a conclusão de um trabalho, o término de um namoro, o final de um ano, etc. Mas quando ela aparece de forma concreta, como a morte de minha mãe, ela realmente nos sacode.
     Na madrugada do dia 24 de dezembro de 2011, minha mãe, Miyako Kamia, mais conhecida como HELENA KAMIA, 66 anos, faleceu fazendo o que mais amava na vida: shows de mágicas. No camarim, entre um número e outro, teve um AVC. Foi tudo muito rápido. Entre o mal estar, socorro e morte, foram cerca de 4 horas.
    Quando alguém tão amado, que ocupa um espaço tão especial em nossos corações morre, a sensação que temos é que um pedaço de nós foi embora junto.  E como preencher esse grande vazio que fica em nosso peito? É sobre isso que quero falar.
     Nenhum de nós passará imune pela morte. Todos nós iremos morrer e todos nós, em algum momento de nossas vidas, iremos perder alguém muito especial, seja um pai, uma mãe, um filho, um amigo querido. Portanto, se temos que passar por isso, talvez seja porque existe um grande aprendizado por detrás desta experiência. Na verdade, a morte nos ajuda a repensar a vida.
   Minha mãe era uma figura muito alegre, alto astral, sempre disposta a oferecer palavras de apoio e ânimo àqueles que necessitavam, o que deixou uma marca muito positiva na vida de muitas pessoas.  Isso nos faz pensar “que marca estou deixando nesse mundo?”, “como gostaria de ser lembrado?”. Mesmo sem saber, o tempo todo estamos deixando nossa marca nesse mundo, estamos entregando algo para as pessoas. Algumas pessoas entregam sorrisos, alegria, palavras de suporte, outras entregam reclamações, mau humor e tristeza. Mas a pergunta é “o que você está entregando diariamente para o mundo à sua volta?
     A morte também nos faz refletir sobre a qualidade dos relacionamentos que mantemos em nossas vidas. Para muitas pessoas, a morte de alguém querido traz angústia. A angústia é um sentimento de pesar por algo que não se pode mais realizar. São palavras que o morto não poderá ouvir, questões que não poderão ser resolvidas, e momentos bons que não poderão ser vividos, porque agora fazem parte do passado e o passado não muda.
     Isso nos faz pensar sobre o quanto “empurramos com a barriga” questões importantes que devem ser resolvidas no momento presente. Esquecemos que somos finitos. Também nos faz pensar sobre o quão importante é viver o momento presente, pois é nele que vivenciamos os verdadeiros momentos de felicidade. 
   Sendo assim, a morte nos ensina que devemos aprender a valorizar pequenos momentos, palavras e gestos em situações do cotidiano. Pude “curtir” muito a minha mãe cozinhando e lavando louça junto com ela, conversando sobre coisas da vida. Era um prazer tomar nosso chá após o almoço, sair para cantar no karaokê, e ver os olhos dela brilharem! Compartilhar de sua alegria e companhia era sempre um prazer! E agora, com sua ida, aquela parte do meu coração que se foi junto com ela, agora é preenchido por essas boas recordações de alegria e troca de amor.
    Relembrar os momentos bons faz com que nosso coração se encha de amor, e isso acalenta e cura qualquer dor. Mas é preciso ter tido esses bons momentos, para que eles possam ser relembrados. Portanto, outro ensinamento que a morte nos traz é “viva cada dia como se fosse o último. Viva conscientemente e intensamente. Agradeça o privilégio de estar vivo e valorize cada momento com cada pessoa que passar pelo seu dia. Olhe nos olhos, abrace, toque, sinta que está vivo e passe essa vida para as pessoas!”
   Muitas pessoas sofrem mais do que o necessário com a morte do outro porque, de alguma forma, sentiam-se dependentes, financeiramente ou psicologicamente. É comum sentir raiva do morto porque vem a sensação de desamparo que parece dizer “como você pôde fazer isso comigo? Por que me abandonou? Por que me deixou aqui sozinho?”. Lidar com isso é a outra lição que a morte nos traz.
     A morte nos relembra que somos seres únicos. Por mais que convivamos em sociedade, somos seres individuais. E amadurecer significa aprender a carregar o próprio peso. A pessoa que se foi sempre deixa um “buraco” em nossas vidas e ele precisa ser preenchido. Ao preenchermos esses espaços nós crescemos! Portanto, para você que é pai e mãe, cumpra o seu papel de educador, prepare seus filhos para serem independentes, de forma que eles não sofram tanto na sua falta.
   Sempre digo que, para aqueles que ficam, é como se Deus desse uma oportunidade para revisar suas próprias vidas e mudar, caso seja necessário. Aprender coisas novas, portar-se diferente, relacionar-se diferente. Aproveite a oportunidade!
   A morte nos ensina a sabedoria. Sabedoria só vem com a experiência. É preciso passar por ela para saber como é. É por isso que nenhum de nós está isento disso. Grandes lições da vida vêm com os momentos mais difíceis. Saber passar pelas experiências retirando o melhor delas, isso é sabedoria. Isso vale para qualquer coisa na vida. Se a situação é ruim, pense “o que estou aprendendo com isso?”, pois de alguma forma você está sendo fortalecido.
    Para finalizar, em nome de toda família Kamia, gostaria de agradecer a minha mãe, à ela dedico esse texto. Agradecemos pelo privilégio de ter tido uma pessoa tão iluminada em nossas vidas e que cumpriu magnificamente sua própria missão de vida. Com sua conduta e palavras nos ensinou a ter esperança nos momentos mais difíceis, mais tarde descobrimos que isso significava Fé. Fé é a capacidade de “Crer Sem Ter que Ver”, é ter a confiança de que tudo dará certo no final. Nos ensinou que o Amor liberta, que todas as pessoas com as quais nos relacionamos cumprem um papel em nossas vidas e quando terminam sua função, precisam ir.  
    Amar significa permitir que as pessoas entrem e saiam de nossas vidas quando necessário. O amor se torna egoísta quando teimamos em aprisionar as pessoas mesmo quando isso não é mais positivo nem para nós nem para elas. Bem viver é viver intensamente nossas vidas, sabendo retirar o melhor que as pessoas têm a nos oferecer e, com muita gratidão, guardar esses bons momentos em um lugar especial em nossos corações, de modo que não precisamos ter as pessoas fisicamente o tempo todo ao nosso lado, e sim, em nossos corações.

“Mãe, minha querida, fique com Deus! Nosso coração está repleto de amor para você! Obrigada por tudo! 
Esteja em Paz porque estamos em Paz! Amém!

Para conhecer o trabalho de Meiry Kamia clique aqui


A mágica de transformar pessoas!




sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Vida à sombra da tragédia



1. Não tenha medo de não fazer nada.
Quando as más notícias chegam, a reação inicial será turvada pelo choque e pela negação. Esse não é um bom momento para tomar grandes decisões como mudar de casa, terminar um relacionamento ou largar o emprego. Se possível, tente deixar o primeiro ano passar, sem se comprometer com uma grande decisão.
 
2. Entenda o processo do luto.
Depois do choque e da negação, vêm a raiva e a negociação, depois a depressão. São reações normais e não são causadas apenas pela perda de um ente querido. Todo tipo de perda, como divórcio, demissão ou diagnóstico de uma doença que leve à perda dos sonhos no futuro, provoca esses sentimentos.
 
3. Peça socorro. Não sei por que alguém pensaria que é capaz de superar os eventos avassaladores da vida sem o apoio de auxiliares qualificados e compassivos. Passei por muito aconselhamento e terapia, e digo honestamente: não chegaria aonde cheguei sem isso. Se o dinheiro for pouco, é possível se candidatar a um grupo de aconselhamento ou de apoio em instituições de caridade ou no sistema público de saúde. Ou talvez você encontre um amigo que entenda a situação para lhe dar suporte; mas é melhor que seja alguém fora do seu círculo mais íntimo. A família e os amigos talvez não aguentem caso você tenha uma explosão de raiva ou se afunde na depressão.
 
4. Lembre-se do que funciona há séculos. Se você acha insuportável fazer terapia, pense nas construções que existem em todos os lugares do mundo, projetadas com o propósito de ajudar as pessoas a lidar com algum terrível sofrimento. São igrejas, sinagogas e templos, que trazem consolo desde tempos imemoriais. Se você foi criado numa religião, pense em voltar a ela. E mesmo que não tenha sido, procure uma igreja, entre e sente-se: só isso já pode dar algum alívio.
 
5. Seja bondoso consigo mesmo. Os aniversários são datas delicadas. Depois de alguns quase acidentes, não me permito sequer dirigir nessas datas. Certa vez, consegui tropeçar no meu próprio pé no aniversário da morte de Ellie e quebrar o nariz. Hope e Mark dizem que precisam me enrolar em algodão nessas épocas.
6. Aguarde o Novo Normal. Você não terá a vida antiga de volta; e, se perdeu alguém que amava, também não vai querer viver sem essa pessoa. Não dá para esquecer simplesmente. Mas, por maior que seja a dor, a situação vai acabar se normalizando, e você terá de aceitá-la como é, em vez de pensar no que era. Mas dê um tempo. Um tempo de anos, não de semanas ou meses. Depois da morte natural de alguém, os terapeutas dizem que o luto dura até quatro anos. No caso de uma morte trágica ou não natural, pode se preparar para sete anos ou mais.
 
7. Mantenha a esperança. Tudo pode melhorar. Talvez os fatos não sejam como você gostaria, mas ainda assim pode haver prazer e alegrias inesperadas. O nome que dei ao meu bebê sem pai foi mais visionário do que percebi na época. Durante as minhas horas mais difíceis, o fato de, por motivos puramente práticos, eu ter de dizer o nome de minha filha várias vezes por dia me recordava que havia a possibilidade tanto do bem quanto do mal, tanto da luz quanto das trevas, da vida e da morte. E, no fim, essa crença é tudo o que nós, sortudos ou azarados, temos.

Para ver a matéria na íntegra clique aqui

- See more at: http://www.selecoes.com.br/vida_à_sombra_da_tragédia_3295#sthash.3MEHl7mX.dpuf