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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Lobos Internos!



Um velho Avô disse a seu neto, que veio a ele com raiva de um amigo que lhe havia feito uma injustiça: "deixe-me contar-lhe uma história.
Eu mesmo, algumas vezes, senti grande ódio àqueles que "aprontaram" tanto, sem qualquer arrependimento daquilo que fizeram. Todavia, o ódio corrói você, mas não fere seu inimigo. É o mesmo que tomar veneno, desejando que seu inimigo morra. Lutei muitas vezes contra estes sentimentos".

E ele continuou: É como se existissem dois lobos dentro de mim. Um deles é bom e não magoa. Ele vive em harmonia com todos ao redor dele e não se ofende quando não se teve intenção de ofender. Ele só lutará quando for certo fazer isto, e da maneira correta. Mas, o outro lobo, ah!, este é cheio de raiva.

Mesmo as pequeninas coisas o lançam num ataque de ira! Ele briga com todos, o tempo todo, sem qualquer motivo. Ele não pode pensar porque sua raiva e seu ódio e seu medo são muito grandes. É uma raiva inútil, pois sua raiva não irá mudar coisa alguma! Algumas vezes é difícil de conviver com estes dois lobos dentro de mim, pois ambos tentam dominar meu espírito".

O garoto olhou intensamente nos olhos de seu Avô e perguntou: "qual deles vence, Vovô?" O Avô sorriu e respondeu baixinho: "aquele que eu alimento mais freqüentemente". 

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

3 maneiras de lidar com a dor da perda que não aconteceu



Submetido em Desafios da Vida por  Nancy L. B. Lundgreen em 2 março 2013 

Ao longo de muitos anos, o meu pai teve uma série de crises de saúde que o deixou em coma. Como um gato com nove vidas, todas às vezes ele sobreviveu milagrosamente. Embora gratos por cada resultado, um temido sentimento sombrio antecipado fixou-se em meu coração. Eu comecei a experimentar sentimentos de montanha-russa em cada crise, de desespero para a pura alegria, acompanhada por quantidades esmagadoras de emoção cada vez que eu o visitava. Sem que eu soubesse, eu estava sofrendo de dor antecipatória.

Dor antecipatória é estar reagindo a uma perda que ainda não aconteceu, como uma eventual saída de uma criança para a faculdade ou morte inevitável de um pai. É essencialmente pré-luto. Ela pode manifestar-se quando um ente querido é diagnosticado com uma doença fatal, ou durante períodos felizes de "lua de mel" quando tudo parece estar indo maravilhosamente bem, e você quer que nunca acabe.

Os sintomas mais comuns da dor antecipatória são momentos de profunda emoção, medo do futuro, aumento da ansiedade como a aproximação "do fim", e, ocasionalmente, culpa. As fases habituais de dor podem estar presentes, bem como - negação, barganha, raiva, desespero e aceitação, conforme estabelecido por Elizabeth Kubler-Ross Em, A Morte e o Moribundo, 1973 (1973, On Death and Dying). Os sintomas podem, no entanto, ocorrer repetidamente ou em ordem diferente, ou durar mais tempo, devido à natureza das circunstâncias.

Os membros da família que estão apoiando um ente querido com uma doença terminal muitas vezes experimentam a dor antecipatória e às vezes são envolvidos por sentimentos de culpa "antecipada" ou ansiedade por causa do fim, como um meio inconsciente de ser capaz de suportar os desafios por ser o cuidador. Da mesma forma, os pacientes diagnosticados com doenças terminais pode experimentar a dor antecipatória enquanto se preparam mentalmente e espiritualmente para o resultado previsto.

Aqui estão três dicas úteis para lidar com a dor antecipatória:


1. Encontre o apoio de que necessita. A dor antecipatória é em grande parte desconhecida ou mal compreendida. Portanto, você terá que atentamente reunir a família e os amigos em sua volta para que entendam, tenham paciência para ouvir e ofereçam apoio.


2. Espere a tristeza vir de formas inesperadas. Depois de uma das situações de coma de meu pai, eu desenvolvi um impulso imediato para dormir. Isso continuou por semanas após a crise e nunca aconteceu desde então. Esteja ciente de como seu corpo está reagindo à mistura de emoções que vêm com a dor e valide seus sentimentos.


3. Seja gentil com você mesmo. É preciso tempo e esforço para resolver o problema da dor. Entregando-se a vícios, como o álcool ou drogas, só vai adiar o progresso. Procure ajuda profissional se seu sofrimento é debilitante. Gentilmente se esforce para permanecer ativo socialmente e encontre oportunidades de sair e fazer exercício.

A verdade é que nenhum de nós pode prever como vamos reagir a uma perda. Nossa dor pode ser tão individual como as cores em uma caixa de lápis de cor.
 Quanto mais nos familiarizamos com o sofrimento antecipado, mais estamos preparados para lidar com qualquer perda que vier a caminho. Como um autor desconhecido escreveu: "O sofrimento não é um sinal de fraqueza, nem uma perda de fé, é o preço do amor." E devo acrescentar... Um preço que vale a pena pagar.

 Traduzido e adaptado por Jaguaraci N. Santos do original 3 ways to cope with anticipatory grief - the loss that hasn't happened, de Nancy L. B. Lundgreen.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Tudo tem seu sentido



Por Elisabeth S. Lukas

“Até que ponto sou livre?”

pergunta o homem ao seu Criador.
“Não posso despojar-me 
do meu corpo,

não posso renegar
 minhas origens,

não posso fugir
 do meu ambiente,

não posso escapar
 do meu tempo.”
“Tu não és livre 
de tuas condições,
 responde Ele,

porém, tu és livre 
para te posicionares

diante de teus condicionamentos.

E isto é muito além 
do que jamais concedi.”
“Quando giro em torno de mim
 mesmo,
percorro um caminho infinito,

que não leva a lugar algum.

Porém, ao distanciar-me de mim
 mesmo,
percebo o caminho 
para a pessoa que gostaria de ser.”
“Há uma responsabilidade
 diante de meus atos:

sou responsável
 pelo que faço, digo, decido…

Mas há também uma 
responsabilidade
 pela maneira como os faço:

sou responsável pelo modo
 como vivo, amo e sofro…”
“O corpo 
não pode ser construído,

mas o mal-estar físico 
pode ser mitigado.

A alma 
não pode ser consertada,
 mas o distúrbio psíquico 
pode ser curado.

O espírito
 não pode ser produzido,

mas a dimensão espiritual 
pode ser despertada.”
“O que é genuino 
não pode ser desmoralizado,

o que não é mascarado 
não pode ser desmascarado, 
o que tem sentido

não pode ser questionado.”
“Um corpo estranho penetra 
na concha,
 ferindo-a.

A areia áspera 
machuca sua carne.

A concha sofre.
 A concha tenta expelir
 o intruso
 e fracassa.

O grão de areia fixou-se.
 A dor não pode
 ser eliminada.

Então o animal,
 a partir do âmago
 da sua natureza,

busca a força
 para transformar o sofrimento 
em triunfo.

Do sofrimento e da aflição,
 da seiva de suas lágrimas,
 
surge,
 em longos processos 
de crescimento interior,
 a pérola.”

Poema retirado do livro “Tudo tem seu sentido”, Coleção Logoterapia, de Elisabeth S. Lukas.
fonte: http://quandoavidadizadeus.org/

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

A terapia do Luto de mães que perderam filhos



Por  Adriana Thomaz

Porque a forma mais natural é que a morte dos pais preceda a de seu filho, a mãe tem muita dificuldade para se readaptar a uma nova e aparentemente ilógica realidade, uma vez que sua identidade pessoal esta amarrada ao seu filho, além de sentir-se impotente e perguntar-se, quase sempre, se não poderia ter protegido o seu filho da morte.
A base do trabalho terapêutico do luto com mães que perderam filhos, principalmente de forma trágica, está nas seguintes premissas: a “autorização para sofrer”, o “livrar-se da culpa” e o “você pode ser feliz de novo”.
A terapia do luto é a expressão livre dos pensamentos e sentimentos a respeito da morte e tal expressão é parte essencial da cura.

Muitas vezes é preciso verbalizar, dizer frases concretas, do tipo ”Permita-se sofrer: Seu filho morreu. É permitido chorar”, “Chorar não vai fazer seu filho ficar triste nem atrapalhar o caminho dele”, “Expresse a sua dor abertamente”, “Quando você compartilha seu sofrimento fora de si mesmo, a cura ocorre. Ignorar a sua dor não irá fazê-la ir embora e falar sobre isso pode fazer você se sentir melhor”, “Permita-se falar de seu coração, e não apenas de sua cabeça. Isso não significa que você está perdendo o controle ou vai ficar “louca” e sim uma fase normal do processo de luto”, “Fale com seus outros filhos sobre a morte do irmão  e, se tiver vontade, chore com eles”.

Com a morte de um filho, as esperanças, sonhos e planos para o futuro são desmontados, virados de cabeça para baixo,  começando uma jornada que é muitas vezes assustadora, dolorosa e avassaladora. Na verdade, às vezes os sentimentos de dor pela morte de um filho  vem de forma tão intensa que a mãe não entende bem o que está acontecendo. Faz parte do processo terapêutico, sugestões práticas para o dia-a-dia após a morte, ajudando o movimento em direção ao bem estar, respeitando sua experiência única de sofrimento, validando, descobrindo e reconhecendo a maneira particular daquela pessoa viver seu luto com a máxima coerência íntima.

Na terapia, procura-se enfatizar que o sofrimento é único e que ninguém, incluindo os outros filhos e parentes, sofrerá exatamente da mesma maneira. Cada um tem seu rítmo, reage de forma diferente e não existe certo e errado.

Publicado em 

Para ler a íntegra clique aqui