Seguidores

sexta-feira, 30 de setembro de 2011


Não sepultamos o espírito
Alguns dias após a tragédia ocorrida em Nova Iorque, que abalou o mundo inteiro e, de forma especial, os norte-americanos, o número de mortos já somava milhares.

As pessoas, inconformadas pela separação brusca dos entes queridos que foram arrebatados do corpo de forma violenta, eram tomadas pelo desespero.

Após uma cerimônia simples, dezenas de bombeiros foram sepultados.

Aqueles homens morreram no cumprimento do dever. Morreram tentando apagar as labaredas que devoravam os dois edifícios e também socorrendo os feridos mais graves.

Agora eles também se despediam do palco terreno, encerrando definitivamente o expediente no corpo físico.

O Capelão, encarregado da capela do corpo de bombeiros, proferia algumas palavras de consolo aos familiares dos falecidos.

De forma serena, expressava profunda fé na vida eterna.

Dizia ele aos seus ouvintes:

- Logo mais estes corpos serão enterrados...

- Nós vamos enterrar os corpos, mas não sepultaremos os espíritos, pois o espírito continua vivo, após a morte.

- Vamos enterrar as mãos, mas não sepultaremos suas obras.

- Vamos enterrar os pés, mas não sepultaremos seus passos.

- Vamos enterrar as bocas, mas não sepultaremos as palavras que foram ditas.

- Vamos enterrar os cérebros, mas suas idéias não podem ser sepultadas.

- Vamos enterrar os corações, mas seus sentimentos ninguém conseguirá sepultar.

- Assim sendo, este não é um momento de dizer um adeus definitivo, mas de dizer "até breve", pois iremos encontra-los na outra vida.

O capelão, como todo cristão, sabe que não se pode sepultar o Espírito, pois o Espírito é imortal.

Todo cristão sabe que só corpos podem ser destruídos, porque o Espírito é indestrutível.

Todo cristão tem certeza de que a vida não acaba com a morte, pois é eterna, conforme ensinou e demonstrou o Mestre de Nazaré.

Vitor Hugo, poeta e romancista francês que viveu no século passado, falou da imortalidade da alma dizendo: de cada vez que morremos ganhamos mais vida.

As almas passam de uma esfera para a outra sem perda da personalidade, tornando-se cada vez mais brilhantes. Eu sou uma alma. Sei bem que vou entregar à sepultura aquilo que não sou.

Quando eu descer à sepultura, poderei dizer, como tantos: meu dia de trabalho acabou. Mas não posso dizer: minha vida acabou. Meu dia de trabalho se iniciará de novo na manhã seguinte.

O túmulo não é um beco sem saída, é uma passagem. Fecha-se ao crepúsculo e a aurora vem abri-lo novamente.

As palavras do capelão e o depoimento de Victor Hugo, demonstram que a imortalidade e a individualidade da alma, bem como sua conseqüente evolução infinita, é uma necessidade lógica para todos aqueles que acreditam num Deus sábio e justo.

Pense nisso!

É natural que você lamente o sofrimento daqueles familiares que choram a morte dos seus e que rogue a Deus para que os fortaleça nessa hora amarga.

Todavia, pense um pouco naqueles que promovem o terrorismo e com ele tanta desgraça.

Lembre-se que esses são merecedores da nossa mais profunda compaixão, pois são loucos que não sabem o que fazem.

Aqueles que perderam o corpo no desastre, resgataram algum débito pendente com as leis divinas e se libertaram, mas os terroristas estão se endividando desastrosamente.

Quem, nesse caso, é mais necessitado de piedade e preces?

Pense nisso, e não se esqueça de rogar a Deus por eles também!
Autor: Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita 

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Zelinda de Bona e o GRupo ASDL: Falar das dores da alma alivia o sofrimento.
Experiência de vida ajuda na hora de aceitar a morte
Idosos têm mais facilidade para superar o inevitável e muitas vezes ajudam os mais jovens a enfrentar os momentos difíceis
Publicado em 29/05/2008 NA GAZETA DEO POVO | ANNA PAULA FRANCO

O neto de Zelinda De Bona, 71 anos, morreu há 13 anos, vítima de um acidente. A dor de ser privada da convivência de alguém tão querido só não foi maior do que o amor por si mesma e a necessidade de dar suporte à filha, mãe do menino. “Precisava ser mais forte do que parecia para ajudá-la”, explica. Ela conseguiu superar o luto sozinha, apoiada na fé e na própria experiência de vida. E é com essas ferramentas que Zenilda coordena, há cinco anos, os Amigos Solidários no Luto. O grupo de apoio se reúne uma vez por semana – sempre com audiência flutuante – para falar de um assunto tão natural quanto a própria vida, mas que hoje tem status de tabu: a morte.
Parece mórbido manter uma reunião periódica, com dia e hora marcados, para falar de saudade, memória e dores da alma. Mas a prática de compartilhar o luto mostra-se eficiente para amenizar o trauma, já que falar sobre o problema é uma forma de superá-lo. As reuniões são recheadas de histórias de vida, de alegrias compartilhadas, de saudade, de sentimentos que não foram expressos e ganham espaço para serem finalmente expostos. “Esquecer você nunca esquece. Você não perde ninguém. A pessoa continua sua, dentro do seu coração. Ela não vai estar mais por perto, mas ainda é sua. O que buscamos é recuperar a alegria de viver e cuidar de quem ficou”, ensina.
O fim da existência é encarado de maneira diferente dependendo da pessoa. Cultura, fé e idade são determinantes na hora de se recuperar do choque que é a morte de um familiar ou amigo querido. “Para os mais jovens, a morte é um arrombo, um desamparo. A pessoa que morreu te abandonou e pronto. Para os idosos, envolvidos pela espiritualidade, morrer é uma transição. A vida continua, só que em outro plano”, explica a psicóloga Rosicler Schmitz, que acompanhou o grupo por três anos. O caráter quase transitório que a morte assume neste contexto de passagem é o que fortalece a sabedoria dos velhos diante do luto.
Luto solitário imposto pela sociedade individualista
e urbanizada demora mais para ser superado

Rituais
Outro aspecto que ajuda os mais velhos a encarar a morte é a naturalidade com que o evento era tratado desde a infância. Os rituais fúnebres – velório, cortejo, enterro e celebrações posteriores, no caso dos católicos – começavam dentro de casa e envolviam toda a comunidade do falecido e da família. A partir das décadas de 50 e 60, com a mudança de hábitos e costumes da sociedade, mais urbanizada e individualista, o luto ganhou outros contornos. É o que mostra a socióloga Marisete Hoffmann, na tese de doutorado Memórias de Morte e Outras Lembranças, que defendeu na Universidade Federal do Paraná, em abril passado. Sua pesquisa envolveu 16 idosos, de 70 a 99 anos, que relataram suas memórias sobre os ritos de passagem e os dias de hoje.
As mudanças no modo de tratar a morte e a família enlutada também se refletem em como as pessoas se recuperam de uma situação de perda. “Antes, o envolvimento social era maior. O apoio era público e o enlutado podia vivenciar sua dor. Hoje, há pouco espaço para manifestações sentimentais. A morte precisa ser rapidamente superada”, observa Marisete.
Em rituais de morte do passado – justamente esses com os quais os idosos foram criados e conviveram a maior parte da vida – parentes próximos eram reverenciados com luto fechado por até um ano. Nos seis meses seguintes, admitia-se o meio luto, com roupas brancas e pretas, e o fumo, a tarja preta na manga da camisa usada pelos homens. O velório era feito em casa e o cortejo até o cemitério tinha o acompanhamento de vizinhos e amigos. Hoje a morte tem contornos técnicos, além da questão higiênica de ser restrita a ambientes próprios para as despedidas. Não há tempo para grandes manifestações de sentimentos. A dor é compartilhada em situações específicas, como missas de 7º dia. As visitas ao cemitério são ainda mais esporádicas, resumindo-se ao Dia de Finados.
A discrição das emoções na sociedade atual provoca situações paradoxais. Os períodos de luto são mais breves, porém mais intensos e difíceis. “O enlutado demora mais tempo para assimilar sua perda, porque o faz sozinho. Antes, com a participação de todos e a exposição pública do luto e da tristeza, a família interiorizava mais rapidamente a morte de um parente. Os laços de solidariedade ajudavam no processo”, explica.
Pacientes terminais têm apoio
A consciência da proximidade da própria morte parece ainda mais assustadora para quem sofre de doenças em estágios avançados ou irreversíveis. No Hospital Erasto Gaertner, especializado no tratamento de câncer, pacientes terminais têm uma rede de apoio que também alcança a família. O suporte psicológico é feito pela equipe médica e pelo serviço de capelania hospitalar. Em muitos casos, os cuidados diários e os momentos de despedida promovem a união dos envolvidos com o doente.
“O paciente idoso tem reações idênticas ao jovem diante de um diagnóstico perverso como o de câncer. Mas tem elementos que o tornam mais vulnerável, como o aspecto social”, explica a médica oncologista Rosane do Rocio Johnson.

Serviço
Amigos Solidários: Reuniões às segundas-feiras, das 14 às 17 horas, na sala 118 do setor de Psicologia da UFPR, na Santos Andrade, 1º andar. Informações pelos tefones: 3252-5016 e 9113-4262.


domingo, 25 de setembro de 2011


Lágrimas

Minhas lágrimas não têm destino
Não as encaminho a ninguém
Tenho-as aqui e solto-as...
Que vaguem por aí...
Encontrarão motivos para sua existência
Há sempre alguém que as merece

Minhas lágrimas não têm destino
Podem ser por você
Podem ser por mim
Podem ser por todos aqueles
Cujas lágrimas secaram no rosto

Minhas lágrimas não têm destino
Nem passado, nem futuro
Minhas lágrimas pertencem
A quem as compreenda, talvez...

Ou a todos que não as alcançam
Por olhos fechados, coração duro,
Ou ignorância, ou não saber chorar...

18/11/07

Minhas lágrimas têm hoje o destino
Que meu coração de mãe determinou...

18/06/08

Ana Maria Traub

sábado, 24 de setembro de 2011

Onde estão seus móveis?




Conta-se que no século passado, um turista americano foi à cidade do Cairo, no Egito, com o objetivo de visitar um famoso sábio.


O turista ficou surpreso ao ver que o sábio morava num quartinho muito simples e cheio de livros.

As únicas peças de mobília eram uma cama, uma mesa e um banco.

-Onde estão seus móveis? - perguntou o turista.
E o sábio, bem depressa, perguntou também:

-E onde estão os seus...?

-Os meus? Surpreendeu-se o turista
 - Estão em casa, pois estou aqui só a passeio!

-Eu também... Concluiu o sábio.


"A vida na Terra é somente uma Passagem... no entanto, alguns vivem como se fossem ficar aqui eternamente, e se esquecem de ser felizes.”






quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Psiquiatras fazem alerta para riscos do luto prolongado



Publicado em 10/04/2006 na Gazeta do Povo

Sofrer com a perda de alguém querido é natural, sobretudo se a morte ocorre de maneira inesperada. No entanto, se a melancolia, o desânimo e a incapacidade de retomar as atividades normais persistirem durante muito tempo, pode ser sinal do que os especialistas chamam de luto patológico. Quem já não se impressionou com a eterna devoção do cantor Roberto Carlos à sua esposa falecida, Maria Rita. Em sinal de luto, o ídolo deixou de se apresentar em público por mais de um ano e dedicou inúmeras músicas à memória da amada.
De acordo com o psiquiatra Cristiano Alvarez, do Ambulatório de Transtornos do Humor e Ansiedade do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o luto é um processo necessário e natural, em que a pessoa vive o sentimento de perda. É um sentimento cuja intensidade é mais forte no momento da morte e tende a ir diminuindo com o passar do tempo, até que se torne só uma lembrança dolorosa. Quando esse período se prolonga por mais de seis meses, sem que a pessoa se sinta capaz de retomar sua vida, já se pode falar em luto patológico.
Segundo o psiquiatra, esse estado envolve uma série de sintomas como alterações de sono, de apetite, sentimento de culpa e depressão, sendo esse último o mais comum. Ele conta que cerca de um quarto das pessoas que passa pelo luto patológico sofre de depressão. “É preciso entender que a depressão é apenas um dos sintomas. Outras manifestações como a culpa pela morte da pessoa querida e por outros fatores não relacionados a ela, retardo psicomotor ou ainda um sentimento de inferioridade também são indicativos.”
O chefe do Serviço de Psicologia da UFPR, José Roberto Gioppo, esclarece que o período de luto pode variar de acordo com a intensidade afetiva existente em relação à pessoa morta e a circunstância em que aconteceu a morte. “Quanto mais inesperada (a morte), mais difícil é a superação”, afirma. Isso talvez ajude a explicar a quantidade de pais que participam do grupo de ajuda Amigos Solidários na Dor do Luto, que oferece ajuda a pessoas que estão sofrendo pela perda de alguém. “A morte de um filho quebra a ordem natural à qual estamos acostumados e por isso é ainda mais difícil de ser aceita”, afirma a coordenadora do grupo, Zelinda De Bona, que chegou às reuniões após perder o neto de 14 anos. Ela conta que casos de morte por acidentes, erros médicos e suicídios são comuns no grupo.
A maior dificuldade, no entanto, está na identificação do problema. A maioria das pessoas não reconhece o luto prolongado como uma condição psiquiátrica. Segundo Alvarez, grande parte dos que procuram ajuda chega ao consultório se queixando de problemas físicos. “Eles reclamam da falta de sono ou apetite, que são manifestações do quadro. Depois de uma avaliação é que descobrimos a causa do problema.”
Serviço: O grupo Amigos Solidários na Dor do Luto oferece apoio gratuito para quem perdeu entes queridos, em especial aos pais que perderam filhos. As reuniões ocorrem toda segunda feira na ala de psicologia da UFPR sala 118.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

'Eu não tenho como ir contra a minha dor', diz Cissa Guimarães

A atriz Cissa Guimarães ontem à noite concedeu entrevista ao fantástico falando mais uma vez sobre a sua dor e seu crescimento... Para ver e ouvir a entrevista clique aqui
 

Todos nós agradecemos a Cissa Guimarães por toda a força! Valeu Cissaaaa!!!!

domingo, 18 de setembro de 2011

Morte de filho exige novo significado para a vida


Marcelo Elias/Gazeta do Povo
Marília Iasi Keller, autora do livro Divisor de Águas – a Perda de um Filho, da editora Edições Inteligentes
Ponta Grossa - A mulher que perde o esposo é chamada de viúva e o filho que perde os pais vira órfão, mas não há no dicionário um termo que designe o pai ou a mãe que perdeu um filho. A crença de que a lei da natureza determina que os mais velhos morram antes dos mais jovens dificulta ainda mais a compreensão do que é enterrar o corpo do próprio fi­­lho. No livro Divisor de Águas – a Perda de um Filho, a escritora Marília Iasi Keller retrata sua experiência ao perder o filho Rafael, de 23 anos, morto num acidente de carro em 2003.
O livro é voltado a todos os públicos porque discute a preparação para a morte. “A gente sempre acha que vai acontecer com o outro, não encaramos a morte”, afirma a paulistana, que hoje mora na Lapa, onde coordena um spa. Além das enfermidades, a violência mata milhares de jovens todos os anos. Em 2009, os pais de Osíris Del Corso, 22 anos, assassinado no caso conhecido como crime do Morro do Boi, e dos colegas Gilmar Rafael Yared, 26 anos, e Carlos Murilo de Almeida, 20 anos, vítimas de um acidente de carro causado pelo ex-deputado estadual Fernando Carli Filho, vivenciaram essa realidade, como muitos outros pais.


Marília Iasi Keller, autora do livro Divisor de Águas – a Perda de um Filho, da editora Edições Inteligentes

Depois de perder o filho com 23 anos num acidente de carro, você pesquisou o tema. Quais os tipos de reações mais comuns que são verificados após a perda de um filho?
Pelo que eu pesquisei e pelas conversas que eu tive, é muito comum, quando os pais são casados, se separarem porque eles não conseguem lidar com isso. Outra situação é a da negação, você faz de conta que o filho foi embora para a Austrália e não se toca mais no assunto. Muitos homens adquirem o vício da bebida alcoólica. As mulheres também, mas os homens principalmente. Enfim, existem essas tendências. Mas muitas pessoas têm o apoio da família e dos amigos e tudo pode ser diferente. Outros ainda podem frequentar um terapeuta. É claro, você fica triste sim, mas por amor ao seu filho você o homenageia com a vida ao invés de ficar prostrado numa cama, tentar se matar...
E qual é o comportamento menos doloroso para os pais?
Eu não sou ninguém para dar receita, mas poderia ajudar com minha experiência. Eu não neguei a dor, conversava com algumas pessoas, mas também não queria falar com ninguém em alguns momentos. Chorava também. Você não planeja que o seu filho vai sair e morrer às duas e meia da tarde. Então, você tem que reorganizar sua vida, apesar da dor. Depois do que eu vivi, tenho um olhar de compaixão para os problemas das outras pessoas. A gente tem que procurar ajuda, se precisar de um terapeuta, de um padre ou de pessoas que passaram pelo mesmo problema, deve procurar. É como no Alcoólicos Anônimos, onde você encontra uma pessoa que passou pelo mesmo problema e está conseguindo se superar, é um incentivo para você. Seu filho não gostaria de ver você toda largada. Tem que passar batom, ir ao cabeleireiro sim.
Como lidar com as lembranças? Há muitos pais que deixam o quarto do filho intacto após a morte.
Tem várias pessoas que guardam tudo e fica com cheiro de naftalina, pode ficar até patológico. No meu caso, eu guardei uma camiseta que tinha a cara dele e uma jaqueta, que às vezes uso, mas está lavada. O restante das coisas dele eu doei. Algumas coisas pessoais, como a última agenda dele e os óculos eu guardei. É claro que o pai e a mãe têm direito de guardar o que quiserem, mas as lembranças são mais importantes. O primeiro passo, os abraços, as broncas... Porque não é todo dia que está tudo bem, tem dias em que você precisa ser firme com seu filho. Antes eu via todos os dias os objetos do meu filho, hoje em dia eu vejo mais ocasionalmente. Você acaba aprendendo a conviver com isso. Eu costumo dizer que é uma cicatriz que às vezes sangra, tem dias que você está melhor, mas tem dias que você está mais frágil.
Há um recomeço após a perda de um filho? De que maneira?
Eu chamo de ressignificar a vida. Na verdade, aquela vida que você sempre sonhou não existe mais daquele jeito. A Marília, mãe do Rafael, não existe mais. Não é recomeçar a vida, porque não dá para voltar para o começo, mas é ressignificar a vida, pensar que vou usar a vida para homenagear o meu filho, voltar a ir ao cinema, me arrumar... Eu me lembro que um tempo depois que meu filho morreu, eu dei uma risada de alguma coisa que alguém me contou e eu fiquei assim meio esquisita, parece que você se culpa por voltar a rir, mas depois você percebe que o mundo continua. Você acorda todos os dias, seu coração bate, a vida se impõe.
A violência e os acidentes de trânsito fazem milhares de vítimas jovens todos os anos. De que maneira os pais podem enfrentar esse problema?
Existem algumas mortes mais difíceis do que outras, mas todas são muito dolorosas porque existe uma ruptura. Depende muito de como a pessoa é antes da tragédia. Se é uma pessoa pessimista e agressiva, vai olhar a situação de uma forma. Mas, se amou e cuidou do filho, não se sentirá culpada. Os pais que se separaram e nunca deram atenção ao filho que se foi, vão sentir remorso. Por isso eu acho que você tem de amar e corrigir o seu filho todos os dias como se fosse o último. Avisar ao filho que quando ele for sair e ficar um pouco alto, que pegue um táxi ou ligue para os pais irem buscar, independentemente da idade. Os jovens hoje acham que podem fazer tudo, não há mais parâmetros. O jovem acha que pode pegar o carro e andar a 200 quilômetros por hora que não vai morrer. Mas é preciso tratar isso em casa e na escola, educar a nossa sociedade. Se não houver uma lei mais eficaz, os jovens vão continuar saindo e bebendo e batendo os carros ou puxando uma arma numa discussão. A regra é: amor e educação aos nossos filhos nunca é demais.
Como surgiu a ideia de escrever um livro sobre a sua experiência?
Eu fui viajar para Santiago de Compostela, na Espanha, e na volta resolvi escrever sobre tudo o que aconteceu. Percebi que nas livrarias havia poucos livros sobre isso. Existiam alguns espíritas e de crianças que morriam prematuras, mas não um livro de um menino lindo, de 23 anos, que morreu às duas e meia da tarde num acidente. Resolvi escrever como tudo aconteceu, infelizmente, preferia nunca ter escrito este livro, mas foi importante porque o material que temos é muito escasso. Este livro está ajudando muitas pessoas no Brasil e em Portugal. Recebo muitos e-mails. As pessoas conseguem ter forças novamente e ganham fôlego.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Pontes


 


Um cinema para distrair a cabeça no final de semana, penso cai bem.
Estou caminhando para a bilheteria e meu olhar, meu coração, minha 
alma focam em um rapaz.
Tudo ao redor sumiu e nesse momento só penso em me aproximar do tal rapaz.
Sua pele clara, seus cabelos fortes, pretos, lisos me puxam como um imã. 
Chego mais perto sabendo que não é ele, mas insisto em ver de perto.
Pronto, volto a respirar e percebo não, não é meu filho.
E me ponho a pensar no meu reencontro com o meu filho.
Como será ?
Quando será ?
Assim acontece, em um dos vários momentos, que penso no meu Rafael.
Faz oito anos que ele subiu aos céus aos 23 anos de idade e tenho 
inumeras vezes lembranças e procura de semelhanças.
Para o amor, não importam os anos, nem o que aconteceu.
Para o amor, o que fica é o amor imortal e a saudade.
Ah....a saudade.
Ela caminha comigo, mesmo que de carona, mesmo que escondida e em dado 
momento se agiganta bem na minha frente.
Faço o melhor com a vida que tenho a viver, mas dizer que é fácil não é.
Quando algum amigo dele casa, quando alguma amiga ganha um neto...
Também quando o time dele joga, um restaurante que ele gostava, um 
jeito de vestir, um corte de cabelo.
No dia do meu aniversário, no dia do aniversário dele, na Páscoa, no 
Natal, no Reveillon.
Enfim viver com a presença da ausência.
Difícil, ás vezes sofrido, mas possivel, pelo amor e pela fé 
incondicional, de que um dia o terei de novo em meu colo, em meu braços.

Marilia Iasi Keller,
do livro Divisor de  Águas, a perda de um filho

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Quando vier a Primavera


Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma
Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

Alberto Caeiro, um dos heterônimos de 
Fernando Pessoa
(1888-1935)
Mais sobre Fernando Pessoa em

sábado, 10 de setembro de 2011

Carta da Avó Zelinda a seu neto Saulo



Querido neto Saulo,

Hoje dia 10 de Setembro você  está completando 31 anos.
Passa um filme na minha mente, uma mistura de emoções... saudades do amor que fica.
Gostaria de expressar  melhor os sentimentos de uma Avó mas não consigo, não sei, fico pensando nas palavras que não chegam até a minha mente.
Agradeço muito a Deus pelos 14 anos que esteve conosco e por ele ter escolhido a nossa família para te enviar, Anjo de Luz que foi muito amado por seus pais Karin e Narciso e sua irmã Tháis  e todos os familiares e amigos.
Saulo tenho tanta coisa para te contar, tanta coisa para te dizer, sinto você do meu lado me dizendo: - Vó estou  com vcs  no meu coração, já sei tudo o que vai me dizer.
Meu querido, todos  temos dentro de nós uma caixinha bem escondidinha que só nós temos essa chave, relutamos muito em abrir porque o desconhecido muitas vezes nos assusta e nos dá um certo temor.
Consegui  abrir a minha caixinha... e vi o meu potencial,  podia trabalhar com pessoas que estavam  vivenciando o que eu vivi, sem a tua presença física, mas a espiritual carrego comigo no meu coração.
“Deus não te prometeu dias sem dor, riso sem tristeza, sol sem chuva, porém ele prometeu forças para cada dia, consolo para as lagrimas e luz para o caminho”.

Sei que a festa ai vai ser muito especial  com todos que partiram antes de nós, com todas as guloseimas de que tanto gostava...
Obrigada pela força e energia que vem como raios de luz que me fortalecem e me dirigem  no meu trabalho com o Grupo.
Saulo, cada dia que passa é um dia a menos para o nosso reencontro, ainda tenho muito trabalho por aqui, sei que sou útil para muitas pessoas, mesmo assim estou pronta  para...   
Aquele  Abraço!!!!!!
Amor de Vó dói muitoooooooooo, te amo.
        Beijos muitos beijos ....
               Vó  Zelinda.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011


“Somos ordenados: a amar uns aos outros, a orar uns pelos outros, a incentivar uns aos outros, a admoestar uns aos outros, a saudar uns aos outros, a servir uns aos outros, a honrar uns aos outros, a carregar os fardos uns dos outros, a perdoar uns aos outros, a ser dedicados uns aos outros (...), é isso que Deus espera que você cumpra. Com quem você tem agido dessa forma?” (Rick Warren).


sábado, 3 de setembro de 2011

ADSL NO METROCURITIBA


“O grupo é como
as sequoias, que
resistem a
terremotos e
vendavais porque
se entrelaçam.”
ZELINDA DE BONA, ORGANIZADORA

Ajudar quem passa por um momento de dor profunda porque perdeu uma pessoa querida. Esta é a proposta do grupo Amigos Solidários na Dor do Luto, que se reú- ne semanalmente para con- versar e dar apoio àqueles que vivem este momento.
O grupo foi criado há quase 14 anos e se reúne to- da segunda-feira na Univer- sidade Federal do Paraná (UFPR). Durante cerca de três horas, os participantes conversam, contam suas histórias e trocam expe- riências. “As pessoas precisam falar da sua dor para sentirem-se aliviadas da- quela tristeza e amargura.
Não importa quantas ve- zes”, afirma Zelinda De Bo- na, uma das organizadoras do grupo, que conta com o apoio de professores e alu- nos da universidade.
O grupo é composto, na sua maioria, por mães que perderam os filhos. Mas há filhos que perderam os pais, viúvas e avós que, além de terem apoio, criam um novo círculo de amiza- de e sentem-se mais fortale- cidos até para ajudar as ou- tras pessoas. “Para traba- lhar com o luto temos que estar com o seu próprio lu-
to resolvido, o que leva muito tempo, até cinco anos às vezes. Se você não estiver bem, como vai aju- dar as pessoas que passam por essa dor tão grande?”, alerta Zelinda.
A participação no en- contro é gratuita. Eles acontecem todas as segun- das-feiras, às 14h30, na sa- la 118 no Núcleo de Psico- logia da UFPR. Informa- ções podem ser obtidas no 
http://amigossolidariosnoluto.blogspot.com ou pelo telefone 41 3252-5016.
METRO CURITIBA TERÇA-FEIRA, 30 DE AGOSTO DE 2011