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sexta-feira, 30 de março de 2012





Enquanto eu viver, você viverá comigo.
Enquanto eu viver, caminharei por onde estivemos e por onde não pudemos ir.
Enquanto eu viver seguirei meu rumo.
E depois te contarei por onde andei.

http://www.4estacoes.com/

segunda-feira, 26 de março de 2012

LUTO É DOENÇA?

Quando passa de duas semanas, a tristeza causada pela perda de um ente querido deve ser tratada com remédio e terapia, segundo psiquiatras dos EUA.

 Foto de Olinda Soares Fernandes de Jesus tirada por Antônio Costa/Gazeta do Povo.

Condição da existência ou caso de saúde pública? A sensação de impotência, tristeza e até desespero que caracteriza o luto está prestes a ser reconhecida como uma patologia clínica, passível de tratamento com remédios e terapia. Ainda este ano, o mal-estar provocado pela perda de um ente querido passará a figurar no ISM-5, a quinta edição de uma espécie de manual que cataloga os transtornos mentais, elaborado pela Associação Americana de Psiquiatria. Também entrará no rol de doenças da Organização Mundial da Saúde (OMS), chamado de ICD, que está em sua 11.ª edição.
A medida, como tudo que envolve o conceito do que é normal na área da saúde mental, é polêmica. O comitê que organiza o ISM-5 entende que se após 14 dias a pessoa ainda estiver de luto, ela pode ser diagnosticada com transtorno mental por um psiquiatra ou psicólogo e, sendo assim, medicada, encaminhada para terapia e até internada, dependendo do caso.
Para o professor de Psicologia da Morte da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Cloves Amorim, essa mudança é temerária. “Aquilo que é tão comum entre nós não pode ser considerado uma patologia”, afirma. Ele explica que o luto é necessário – “um tempo para nos darmos conta da perda que sofremos e para que possamos nos reorganizar e seguir com a vida, apesar da saudade”.
Por isso, os riscos por trás da medida devem ficar claros, segundo o professor. Como quase todo ser humano costuma sofrer por mais de duas semanas pela morte de alguém querido, isso significaria que a maioria da população está doente? “Uma parte dos profissionais está com um olho na caixa registradora e outro na indústria dos medicamentos”, critica.
Amorim lembra que a noção de luto é variável nos EUA, no Brasil e no resto do mundo. “A ideia de que não podemos ser frágeis, ter problemas ou ser tristes é muito forte lá fora, mais do que aqui. A cultura tem uma influência muito grande na forma como percebemos o luto”, analisa.

Definição frágil

Uma das maiores especialistas em luto do país, a professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP) Maria Helena Pereira Franco faz uma série de críticas aos parâmetros que definirão o luto como uma doença. Fundadora do Laboratório de Estudos e Intervenções sobre o Luto (Lelu) na instituição, ela afirma que não faz sentido usar como único critério para o diagnóstico o tempo de luto.
A professora afirma que há questões muito particulares que influenciam nesse processo e que cada pessoa responde de uma forma. Um dos aspectos mais importantes é a relação entre o enlutado e a pessoa que morreu. “No caso de uma mãe que perde o filho jovem, que é um processo antinatural, o luto é diferente do de alguém que perde um pai idoso ou um parente mais distante. É mais intenso, e ainda assim, não se pode dizer que seja patológico.”
Outros aspectos apontados por Maria Helena são a natureza da morte – por doença, violência, acidente ou suicídio, por exemplo –, se foi repentina ou não, e se houve sofrimento, além da idade da pessoa enlutada, já que crianças, adolescentes e adultos respondem de formas diferentes à perda. “Isso precisa ser levado em conta, sob o risco de causarmos um desserviço grande sobre um assunto muito complexo e que não pode ser visto de forma simples.”

Sociedade ignora e até teme o enlutado

Como tudo que envolve a morte, o luto é cercado de tabus e ainda pouco aceito socialmente, apesar de ser vivido cada vez mais publicamente por meio da mídia. Exemplos não faltam: grandes tragédias naturais; mães que perdem os filhos para a violência urbana; e personalidades públicas cuja morte cause comoção.
Estar em luto, hoje, significa escancarar a dor, numa época em que a frustração, a perda e os sentimentos negativos não são aceitáveis, quando tudo deve ser rotulado e então curado – de preferência com medicamentos. “Não há mais espaço para a tristeza. Ficar triste é sinônimo de fracasso, afeta a produtividade. Não se pode perder nunca”, avalia o psicólogo Cloves Amorim, da PUCPR.

Risco

Nesse sentido, classificar o luto, já mal compreendido, como uma doença mental, pode ser arriscado, de acordo com a psicóloga especialista em Saúde Mental Joyce Fischer. Há dois cenários possíveis, ambos perigosos, e que tendem a tornar ainda mais obscuro o assunto, ao invés de lançar-lhe luz.
O primeiro é que, ao demonstrar sinais de luto, uma pessoa já seja considerada mentalmente doente. “Como esse processo não é bem aceito e visto como normal, a tendência é que as pessoas sejam rotuladas como doidas”, afirma. Nesse caso, estariam expostas desnecessariamente a tratamentos e medicamentos, o que poderia, então, de fato, prejudicar sua saúde.
Outra possibilidade é de que, numa tentativa de evitar a rotulação, o enlutado tente esconder sua situação, fingindo que não houve luto, adiando um processo importante para a reorganização da vida. “Isso, sim, pode gerar problemas de saúde, pois quem não vive o luto não consegue dar um tempo a si mesmo para se recompor e seguir adiante. Evita um processo natural, que não podemos negar.”

Ajuda a quem precisa

Mudança dará suporte a quem precisa de tratamento

Classificar o luto como uma doença pode, por outro lado, auxiliar quem realmente precisa encontrar ajuda especializada para superar um sentimento que não passa, gera depressão e afeta o enlutado na vida pessoal e profissional. Além disso, pode preparar melhor os profissionais da área de saúde e educação a ter mais sensibilidade frente ao problema.

A professora da rede pública estadual Olinda Soares Fernandes de Jesus, de 32 anos, é alguém que sofre com a falta de compreensão da sociedade sobre o luto. Em agosto de 2011, ela perdeu a filha Juliana, de pouco mais de um ano, vítima de um tumor no cérebro, diagnosticado dois dias antes da morte. Não se recuperou até agora e sente que ninguém entende o tamanho da dor que vive.
Logo após a morte do bebê, Olinda conta que ficou em choque e não se deu totalmente conta do que ocorrera. Foi durante as festas de fim de ano que “a ficha caiu” e ela se deu conta de que Juliana não voltaria. Quando as aulas recomeçaram, a pressão se tornou insuportável. Ganhou alguns dias de licença, não melhorou, e foi novamente submetida à perícia médica.
“Na segunda vez, o médico me olhou e disse: ‘Sua filha morreu. A morte é irreversível. Aprenda a lidar com isso’. Saí dali chorando. Foi desumano”, diz Olinda, que teve de voltar ao trabalho na semana passada, já que lhe foi negada a licença médica. “As pessoas dizem que é preciso retomar a vida, mas como? A vida não é mais a mesma.”
Hoje, ela tenta se recuperar frequentando um grupo de apoio, o ‘Amigos Solidários na Dor do Luto’, mas gostaria de ter ajuda médica profissional. “Deveria haver maior conhecimento do problema, mais humanidade, maior suporte. Tenho chefes compreensivos, as pessoas tentam me ajudar, mas não é a mesma coisa”, afirma.


Atendimento 

A psicóloga especialista em luto Maria Helena Pereira Franco acredita que classificar o luto como doença pode, em casos específicos como esse, ser importante para a captação de recursos para pesquisa e tratamento do problema. Nessas situações, haveria mais suporte para que o enlutado tivesse seu tratamento custeado por planos de saúde ou pelo SUS e pudesse se ausentar de suas atividades profissionais durante esse atendimento. (VP)

Dor eterna
Episódios que expõem situações em que o luto parece não ter fim:

Desaparecidos da Ditadura Militar (Brasil, 1964 a 1985)O período de exceção que reinou no país por 21 anos deixou, oficialmente, 144 pessoas desaparecidas. São pessoas que sumiram após ser presas ou abordadas pela política de repressão do regime. Provavelmente, foram enterradas em valas comuns, o que impossibilitou que suas famílias as velassem e enterrassem. O fato de o país não ter condenado nenhum militar pelo sumiço e não ter autorizado a abertura de arquivos que dessem pistas sobre onde estão os restos mortais aumenta a angústia das famílias.
World Trade Center (EUA, 2001)O atentado às Torres Gêmeas em Nova Iorque causou 2.749 mortes, dos quais apenas 1.626 tiveram algum resto mortal identificado por meio de exames de DNA. No caso dos outros 1.123, as famílias não receberam qualquer vestígio de tecidos, ossos ou pele que pudessem ser enterrados, simbolizando que aquela pessoa finalmente repousou em um local escolhido por seus entes queridos.
Edifício Liberdade (Rio de Janeiro, 2012)O desabamento deste e de outros dois edifícios no centro da cidade carioca, no dia 25 de janeiro, deixou 17 mortos e cinco pessoas desaparecidas. O entulho já foi retirado do local, e agora, as cinco famílias que ainda não enterraram seus parentes aguardam a análise de DNA dos restos mortais que foram retirados dos detritos. Para essas pessoas, o luto não se encerra até que os mortos sejam identificados.
DesaparecidosMães cujos filhos desapareceram sem deixar vestígio costumam viver uma espécie de luto eterno. Passados vários anos do sumiço, muitas passam a ter certeza de que o filho morreu, mas a ausência de um corpo e a impossibilidade de enterrá-lo fazem com que elas passem repetidamente por um processo semelhante às mães que viram seus filhos morrerem.
Influência
Existem vários aspectos que impactam o luto das pessoas e, por isso, elas agem de formas diferentes. A natureza da morte, por exemplo, exerce influência determinante. A sensação causada pela perda de um jovem morto em um acidente de trânsito repentino é muito diferente da de uma pessoa idosa em fase terminal.

Interesses 

O que está por trás da definição do luto como doença? Para alguns especialistas, não se pode negar o interesse da indústria farmacêutica e de uma classe médica ávida por mais pacientes. A inclusão do luto no rol de doenças psiquiátricas trará consigo uma série de novos remédios e serviços terapêuticos.


Publicado em 25/03/2012 por VANESSA PRATEANO - Comportamento - Vida e Cidadania - Gazeta do Povo 

Interatividade 

Além dos comentários em nosso Blog você também poderá deixar a sua opinião no endereço eletrônico da Gazeta do Povo abaixo citado:
Você concorda com a tese de que o luto é uma doença? Por quê?
Escreva para leitor@gazetadopovo.com.br .As cartas selecionadas serão publicadas na Coluna do Leitor.

sexta-feira, 23 de março de 2012





Guimarães Rosa (1908-1967) tratou a morte como "encanto". Rosiano, "encantou-se". Da vida, uma única certeza: esse tal encantamento. O fim de tudo para muitos é apenas pedaço do viver para alguns. Se a maioria das pessoas prefere não tocar no assunto, há histórias fortes de gente que busca aprender a lidar com o início e o meio, sem se desesperar com o final.


Jefferson da Fonseca Coutinho - Estado de Minas

Publicação: 11/03/2012 07:40 

Em 21 de abril de 1998, numa curva, na volta de um churrasco entre amigos em Santa Luzia, Região Metropolitana de Belo Horizonte, Camile, aos 18 anos, “se encantou”. Estava de carona, com outros três ocupantes. Lançada para fora do veículo, ela a única sem vida. O mundo em desencanto nos corações do pediatra Eduardo Carlos Tavares e da psicóloga Gláucia Rezende Tavares, pais de Camile. “Somente a certeza de sermos amados e de que nossa filha também o foi é capaz de nos dar forças para transformar a imensa dor da perda em energia criativa, em vez de depressão”, escreveu o médico em Do luto à luta, lançado em 2001, com duas tiragens esgotadas.

 Ao lado da mulher, além do livro, Eduardo deu início à Rede de Apoio a Perdas Irreparáveis (API), que em mais de 10 anos já conta com 4 mil pessoas cadastradas em Minas Gerais, no Espírito Santo e na Bahia. Muito unido desde os tempos de namoro, o casal entendeu precisar de ajuda na dor desmedida da falta de Camile. “Na nossa primeira reunião, eram apenas amigos e parentes. Todos com uma história de perda”, revela. Eduardo e Gláucia foram pioneiros na criação de uma espécie de clube do luto no Brasil, com o objetivo de unir forças e compartilhar vivências, desvinculados de qualquer crença religiosa.

 “Nossa força é muito maior que o nosso gesto. Nós não avançamos sozinhos”, diz o médico. Gláucia, a mulher companheira, estudiosa e profissional da psicologia, tem bem mais que opinião técnica sobre o luto. Mãe apaixonada, fala em “serenidade para poder lidar com os fenômenos da vida e fazer o melhor possível sempre”. A fundadora da API diz que o trabalho é também pela preservação da memória de quem partiu. Na saudade de Camile, a psicóloga buscou se fortalecer pelo bem e futuro da filha mais velha, Ivana. “Além de perder a irmã, ainda ter que conviver com os pais em pedaços… Não seria justo.”

 No apartamento do Bairro de Lourdes, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, há uma parede com retratos da bela Camile. Um cantinho externo especial em memória da menina “encantada”. Há também a “reedição da família”, personificada numa mocinha linda de olhos brilhantes, com 1 ano e oito meses de doçura. Bárbara, a netinha, filha de Ivana, que também faz reviver Guimarães Rosa, com o desafio de ter alegria, ainda mais no meio da tristeza. Gláucia, avó coruja, ressalta a força e o significado da palavra “prosseguir”: “Seguir em prol de alguma coisa”.

segunda-feira, 19 de março de 2012

A DOR DOS PAIS POR UM FILHO NATIMORTO (NASCIMENTO DE UM BEBÊ MORTO)


 A devastação
Você se encontra tendo que lidar com a dor de dar à luz a uma criança morta? Você já teve que escutar as palavras devastadoras: "sinto muito, mas seu bebê está morto"? Como pai ou mãe, a sua angústia é indescritível. Você sabe que o que aconteceu é pior do que um aborto espontâneo durante o primeiro trimestre, mas ao mesmo tempo é algo menos do que sofrer com a morte de um bebê depois de uma gestação completa. Você não sabe por certo como se sentir.

Sua mágoa piorou quando você foi forçada a fazer uma indução do trabalho de parto e dar à luz ao seu filho - uma criança à qual nunca poderá dar carinho ou levar para casa. Você ainda teve que cuidar da certidão de óbito de um filho que nunca viveu e fazer decisões sobre como cuidar do seu corpo. Você olhou para a forma tão pequena de seu pequeno corpo e chegou até a vê-lo perfeitamente formado com ouvidos, olhos, mãos e pés. Você sentiu uma dor muito imensa por saber que essa criança nunca poderá ouvir, ver, andar ou sentir a vida em suas mãos.

Os fatos
Quando a morte do feto ocorre após a 20 ª semana de gravidez, ela é chamada de natimorto. Isso acontece com uma em cada duzentas gestações nos Estados Unidos a cada ano.1 A maioria ocorre sem muito tempo para se preparar. Os pais muitas vezes entram no consultório médico achando que vão escutar notícias do desenvolvimento de seu filho e em vez disso acabam escutando a triste notícia sobre o natimorto; dor e sofrimento seguem a notícia.

Mesmo o direito de poder sofrer às vezes é retido por uma sociedade que acredita que um feto ainda não é um bebê e que o ventre da mãe não está carregando uma vida preciosa. Enquanto mães que sofrem aborto espontâneo frequentemente não recebem o apoio necessário, elas podem pelo menos sofrer abertamente pela perda do sonho e pelo fim de uma gravidez que teria dado vida a um bebê muito esperado. Mães e pais que perdem um bebê recém-nascido recebem o apoio de uma comunidade que reconhece e legitima a perda de um filho. Mas quando um feto morre no útero, até a comunidade médica pode minimizar a imensa tristeza que acompanha tal perda por deixar de reconhecê-la como a perda de um bebê.

 A HISTÓRIA DE MARCOS E CRYSTAL
Crystal e Marcos tinham sido casados por seis anos quando decidiram que queriam começar a sua família. Cinco meses depois, o jovem casal estava radiante ao saber que dentro de poucos meses iriam compartilhar seus corações e lar com seu primeiro filho. No quarto mês de gravidez, quando souberam que Crystal estava esperando uma menina, eles comemoraram na seção de bebês de uma loja de crianças perto de sua casa. 

Eles leram todos os livros e estudaram o máximo possível sobre o desenvolvimento de sua filha. A primeira vez que Crystal sentiu seu bebê mexer, ela mal pôde conter sua alegria e correu para ligar para Marcos para compartilhar sua maravilhosa experiência. Naquela noite, enquanto falando com sua filha ainda no útero, Marcos pôde sentir a agitação de sua pequena vida. Aos cinco meses de gestação, tudo apontava para uma menina saudável e linda. 

Faltando apenas poucos dias para o chá de bebê, Crystal e Marcos foram juntos à sua consulta pré-natal do sexto mês. Infelizmente, o que acharam que ia ser mais uma boa notícia sobre o desenvolvimento do bebê terminou em tristeza indescritível no momento em que ouviram estas palavras: 

"Sinto muito, Crystal e Marcos, mas eu não posso ouvir os batimentos cardíacos do bebê e não posso detectar movimento." 

Crystal foi enviada imediatamente ao hospital para uma ultra-sonografia. O exame mostrou que algo estava tragicamente errado e que a filha de Crystal e Marcos tinha morrido no útero. Crystal foi admitida no hospital e colocada em um quarto no final do corredor da seção de maternidade. Um adesivo preto e discreto na porta advertiu qualquer visitante que a mulher daquele quarto não estava celebrando o nascimento de uma criança, mas, em vez disso, o luto de um natimorto. O hospital enviou uma assistente social para falar com o jovem casal privadamente. Ela encorajou-os a falar sobre sua perda e a se permitirem chorar abertamente. Ela também sugeriu que dessem um nome à menina. Cinco horas após a admissão ao hospital, Crystal deu à luz a Michelle Renee. A dor emocional que acompanhou este parto tornou a situação quase mais do que podiam aguentar. 

De primeira, o jovem casal não queria ver sua filhinha. Já esgotados fisicamente e emocionalmente por tudo que tinha acontecido naquele dia, eles se sentiram incapazes de olhar para o corpo sem vida. Marcos se lembrou das palavras de encorajamento da assistente social, juntamente com as palavras de amigos e familiares íntimos, os quais os incentivaram a dizer adeus. Então, mais tarde naquela noite, o casal foi dizer adeus à Michelle. Eles sabiam que precisavam validar a realidade de sua perda e serem os pais daquele bebê, nem que fosse por um breve momento. 

A mãe e pai de Marcos, os quais moravam na mesma cidade, vieram ao hospital para ter uma vigília de oração por seu filho e nora e para oferecer amor e apoio. Na sala de espera, o Sr. e a Sra. Carter se viram rodeados por outros avôs e avós que estavam aguardando ansiosamente o nascimento de seus netos. 

Naquela noite, Marcos deixou o lado de sua esposa para dar aos seus pais tempo suficiente para dizer adeus à sua primeira neta. A pequena Michelle, pesando pouco mais de um quilograma, estava deitada sobre um travesseiro de cetim branco em um quarto reservado para o seu velório. Quando a Sra. Carter entrou no quarto, ela não pôde conter a emoção de ver o corpinho perfeitamente formado de sua neta. Ela se curvou para tocar nos seus dedinhos e se maravilhou com a beleza de seus pezinhos. A sra. Carter finalmente começou a entender a realidade da morte dessa criança e a sofrer pela perda de sua primeira neta. 

Naquela noite, Marcos pediu para ver sua filha novamente. Uma enfermeira muito simpática trouxe a pequena Michelle ao quarto do casal enrolada em um cobertor branco. Marcos segurou em seus braços a sua pequena filha e, à medida que a balançava, lágrimas caíram livremente. 

Porque Crystal já estava no sexto mês, Marcos e Crystal tiveram que lidar com as formalidades de um atestado de óbito e opções para o enterro do corpo de sua pequena filha. Eles tiveram a opção de cuidar do enterro ou de deixar o hospital fazer isso. Eles escolheram que Michelle fosse cremada e que suas cinzas fossem colocadas em um medalhão como um lembrança de sua vida não vivida. Nos meses que se seguiram, o jovem casal recebeu muito amor de sua igreja local e encontrou o apoio de que precisavam para enfrentar o período de luto. 

Dois anos depois, Marcos e Crystal agora têm um belo filhinho de seis meses de idade. Eles vieram a compreender a importância de sofrer abertamente por uma perda tão grande como a perda de um filho. Devido à sua experiência, eles agora podem oferecer empatia e orientação para outros casais que estão passando pela mesma coisa. As palavras de Marcos à sua mãe, na manhã em que seu filho ia ser levado para casa, estão gravadas em sua memória como um exemplo da profundidade da melancolia que acompanha a perda de um filho, assim como da imensa alegria de vida depois de uma perda. 

"Estamos deixando o hospital agora, mãe. Desta vez, posso levar meu bebê para casa".

(Extraido do site: www.allaboutlifechallenges.org)



sexta-feira, 16 de março de 2012

Que significa morrer



            O ataúde parecia guardar impassível aquilo que era o significado de boa parte de sua vida.
Ao mirar o corpo inerte, não conseguia conceber como poderia jazer ali a razão de suas alegrias, a fonte de suas mais nobres inspirações, o reduto dos seus sentimentos mais profundos.
A morte roubara-lhe de maneira infame quem lhe fora tesouro dos mais valiosos, ao longo de boa parte de sua vida. O amor de sua vida jazia ali.
Percebendo-lhe os tormentos que lhe vinham na alma, refletidos no olhar aprofundado pela dor, velho amigo acercou-se-lhe, indagando:
Admirando a estupidez da morte, meu amigo? A pergunta foi de tal forma inesperada, inusitada mesmo, que ele teve que refletir um tanto.
De fato, se fosse resumir seus sentimentos, era isso mesmo que ele pensava... A morte não é nada mais do que o momento mais estúpido da vida.
Mas, antes que pudesse concatenar algo para responder ao amigo, esse de imediato retomou a fala.
A morte pode nos parecer estúpida ou pode nos parecer lógica e racional, meu amigo. Depende de como você entende a vida.
Se vendo esse corpo inerte à sua frente, você conclui que aqui também está toda a fonte de seu afeto, o motivo de suas alegrias, a inteligência que você admira, ou o coração afetuoso que você aprendeu a amar, a vida é realmente uma tolice.
Se pensar assim, pode concluir que na vida aprendeu a amar células, a admirar secreções glandulares, a se apaixonar por sinapses cerebrais.
E como tudo que é feito de matéria, um dia perece e se transforma. É o que está acontecendo com o corpo que ora você enxerga.
Porém, se você consegue ver além do que seus olhos podem, e conseguir chegar onde sua razão melhor entende, verá que tudo aquilo que você aprendeu a amar teve morada neste corpo, mas não lhe pertencia, nem era fruto de suas atividades corporais.
Como o verdadeiro amor não se atém na forma, mas mergulha além daquilo que conseguimos ver, é essa a verdadeira fonte de nosso amor.
E a fonte desse amor continua vivendo, somente que agora apartado de um corpo que o acompanhou ao longo dessa existência. Chama-se Espírito imortal.
Quer dizer que voltaremos a nos encontrar? Redarguiu titubeante, entre a esperança e a incerteza.
Mas é claro, respondeu o amigo. Afinal, o amor desconhece o tempo e a distância.
Se alguns são chamados antes para o retorno ao lar, os que nos amam, justamente por nos amarem, estarão a aguardar o dia do reencontro, quando nós mesmos iremos aportar do lado de lá da vida.
E as dificuldades, doenças ou limitações daqui, lá já não mais se farão presentes, permitindo que as relações de afeto e carinho se façam mais amplas e plenas.
Assim meu caro, concluiu o amigo solícito, derrame suas lágrimas apenas pelas saudades naturais que irá sentir. Mas não dê a elas o peso da revolta ou da incompreensão para com os desígnios da vida, que são sempre sábios e acertados.
Aguarde, na paciência do coração daqueles que verdadeiramente amam, o dia em que novamente poderá estar estreitando o carinho e o amor com os que compartilhou tais expressões, ao longo de toda esta existência.
Lembre que além do corpo está o Espírito imortal.

Redação do Momento Espírita.Em 10.03.2012

segunda-feira, 12 de março de 2012

A DEPRESSÃO



Quando se olha o mundo de fora é muito fácil dizer o que se deve fazer, como e até quando. Achamos soluções para todo mundo, desde que não estejamos envolvidos. É fácil falar da dor que não sentimos, do amor que não perdemos, dos problemas que não temos e da vida que não vivemos. Somos assim muito sábios quando o espinho não está em nós!... 


Os altos e baixos são comuns a todo mundo. Ninguém vive em linha reta. E há pessoas que suportam mais facilmente as subidas e descidas da vida que outras, como umas pegam certas doenças e outras não. Há coisas que não se controla, pois se tivéssemos escolha, optaríamos sempre por uma vida sã. 


A depressão é uma doença como uma outra, não um capricho de quem deseja mais do que a vida pode oferecer. Só quem passou ou passa por isso sabe entender o que é. E como toda doença, deve ser reconhecida, entendida e tratada como tal. Infelizmente todo mundo não está preparado para ajudar em casos assim e tentam resolver os problemas mostrando que há pessoas mais infelizes. Contudo, não é possível minimizar a dor de ninguém, fazendo-o comparar sua infelicidade com as misérias do mundo. Ninguém pode se sentir melhor porque do lado de fora há mais sofrimento. Se fosse assim, seria fácil ir dormir feliz a cada dia, bastando assistir ou ler jornais. 


É claro que muitas vezes vemos uma coisa triste e pensamos no quanto somos abençoados por não vivermos aquilo. Isso é normal para todo mundo, nos faz refletir sobre a realidade da vida. Mas se passamos nossa vida com comparações não vamos a lugar nenhum, pois sempre haverá parâmetros diferentes e acabaremos nos sentindo perdidos. 


Precisamos respeitar a dor e sentimento do outro, como respeitamos os limites do seu jardim. Cada vida é única, é própria. Podemos ajudar uma pessoa depressiva mostrando-lhe o lado belo da vida, dando-lhe razões para olhar além do horizonte, criar objetivos e acreditar neles. Podemos tirá-la do isolamento em que se encontra dando-lhe palavras de reconforto e amizade, fazendo-a sentir-se amada e útil. Dizer a um depressivo que seus problemas são mínimos porque há coisas piores na vida não o fará sentir-se melhor. 


Quando Jesus se referiu à pessoas com problemas e ansiedades, mandou que olhassem os lírios dos campos e as aves no céu e se repousassem, apontou para coisas bonitas e alegres, nunca disse para olharem os necessitados. E Ele teve, também, Seu momento de dor, tristeza e lágrima, como todo ser humano. 


As soluções para os problemas começam com o reconhecimento deles. Ter amigos que possam compreender já é um passo na direção da cura. A compreensão da dor do outro leva-lhe segurança. E, segura, uma pessoa poderá se levantar e recomeçar seu caminho, com toda ajuda que ela deve ter. 


Depressão? Uma doença sim. E médicos são úteis. Amigos são preciosos. Orações são imprescindíveis. 


Texto de: Letícia Thompson 

segunda-feira, 5 de março de 2012

SE VOCÊ CONHECE ALGUÉM QUE ESTÁ SOFRENDO POR UMA PERDA.





Quando estamos perto de uma pessoa querida que sofreu uma perda, às vezes ficamos com medo de provocar mais dor e sofrimento, ficamos cheios de dúvidas e sem saber que caminho escolher.


Sua presença é importante. Estar junto de uma pessoa enlutada, sem cobranças e sem expectativas pode ser muito valioso.


Se você quer ajudar, forneça uma lista escrita das coisas que pode fazer e os horários disponíveis; lembre-se que há coisa simples que são difíceis de realizar quando se está muito abalado, como transporte, compras, cozinhar, limpeza e outras atividades rotineiras. Lembre-se de cuidar de coisas práticas que ficam esquecidas.


Se você é próximo o suficiente, ofereça-se para ficar com as crianças, conversar e brincar com elas. Ter um adulto conhecido e calmo junto delas já é uma grande contribuição e pode ser um descanso para os pais enlutados.


Não evite falar do(a) falecido(a) e não tente evitar que as pessoas enlutadas falem dele(a). Seja um bom ouvinte, sem forçar a conversa; apenas deixe que saibam que você vai ouvir. Em caso de dúvida, pergunte.


Tolere as variações de humor e até algumas crises de raiva; não são contra você. O luto também significa sentir raiva pela perda sofrida.


Lembre-se que certas datas são marcantes e especialmente sofridas: aniversário de nascimento, de morte, de casamento, feriados e dias festivos. Mantenha o contato nessas datas: um telefonema para dizer que você também se lembrou pode ser acolhedor.


Luto é um processo que leva mais tempo do que em geral supomos; você pode observar períodos melhores e piores, mudanças nas pessoas enlutadas, uma aparente regressão "quando tudo ia tão bem". Não espere um processo contínuo e linear, as oscilações vão ocorrer.


O luto é uma reconstrução; a pessoa enlutada não vai "voltar a ser o que era". Ela estará construindo uma nova identidade, novas crenças, novos sonhos. O luto é o caminho para uma nova etapa de vida.


(Texto do  Apoio Mãe - Grupo de Apoio a mães que perderam seus filhos - 03/01/2006)

sexta-feira, 2 de março de 2012



O que “dizer” ou “não dizer” para os pais que perderam filhos


São poucas as situações que causam tanto desconforto quanto a morte. Ainda que se saiba que ela é inevitável e faz parte do curso natural da vida, ao acontecer na sua casa ou no seu grupo de amigos, não há quem fique indiferente.
Quando a morte inverte o curso da vida, e um filho morre antes dos seus pais, é muito comum que as pessoas não saibam o que dizer, como lidar com a situação e muitas vezes confundem-se entre seus próprios sentimentos e temores, sem saber como agir para ajudar as pessoas que sofrem.
No acompanhamento ao Grupo de Apoio para pais que perderam filhos da Fundação Thiago Gonzaga, escutamos muitos relatos de pais e mães sobre o que os ajuda na hora em que seus filhos se vão. São inúmeras as questões que surgem diante desta situação.


Primeiro por que qualquer mãe ou pai trocaria um filho iluminado, por um filho vivo. Quando a frase invoca Deus, até os que têm mais fé se perguntam “cadê Deus que não cuidou do meu filho”, “que Deus é esse que permite que os filhos se vão antes dos pais”. Que a vida continua todos sabem, e na mais dolorosa das dores, pensar nisso aumenta ainda mais o vazio de continuar sem a presença da pessoa amada. Comparar a perda de um filho, com qualquer outra é injusta, pois como foi falado no inicio do texto, é contra a ordem natural. Os filhos são a continuidade dos pais, que agora se encontram impossibilitados de se projetarem neles, e sem a chance de recuperá-los. Em hipótese alguma queremos dizer que qualquer outra perda seja fácil ou não tenha valor. Apenas que dor não deve ser comparada, nem medida.

01 - O que dizer para os pais que perderam um filho?


02 - Quando falar?
Sempre que houver oportunidade.


03 - Quem deve falar?
Todas as pessoas que estiverem solidárias naquele momento, mas principalmente os amigos e familiares.


04 - O que fazer com o quarto e com os pertences do filho?
Num primeiro momento nada. Deixar a família decidir no tempo em que eles acharem adequado. Muitas vezes os amigos querem ficar com alguma lembrança, e na maioria delas os pais não se importam em dar. Desde que se tenha intimidade suficiente com os amigos para isso. Outras vezes são os irmãos que pegam as roupas para usar isto é notado, por muitos pais, como uma homenagem, uma forma de demonstrar carinho e permite que se fale sobre a pessoa que se foi de forma natural e real.


05 - É possível consolar? De que forma?
Uma família que perde um jovem é muito assediada, num primeiro momento, são os amigos, familiares, vizinhos, colegas, etc. A medida em que o tempo vai passando e as pessoas vão retomando sua rotina, “pois a vida continua” para todos, é que para os pais e familiares mais diretos, a realidade começa a se impor. As pessoas já não querem mais falar sobre o que aconteceu, como se não falando ajudasse a esquecer ou a não doer.
Ao contrário de outras perdas, o tempo, no caso dos pais, no começo não é um bom aliado, e quanto mais os dias vão passando, mais aguda fica a dor da realidade. O tempo cronológico de perda não é o mesmo da assimilação. Dói ver a rotina sem o filho. A vida não é mais a mesma, ela não continua, ela recomeçou sem aquela pessoa, e com uma história interrompida. Nada é igual a família modifica, falta um prato na mesa, tem alguém que não entra mais pela porta dizendo “família cheguei”, ou “mãe, pai sou eu”, ou ainda “o que tem para comer”. Não se escuta mais o mesmo barulho na casa, a chave abrindo a porta de madrugada, nem o mesmo entra sai de amigos, não há mais musica alta, nem folia, computador e telefone ocupados o tempo todo, festa todo o final de semana ou porta de quarto fechada cheirando a segredo.
É esta a realidade que machuca. É essa realidade que só se instala na casa e na vida de quem perdeu. Para os pais dói ir ao supermercado e não comprar aquilo que estavam acostumados a fazer automaticamente, as coisas preferidas do filho. Dói colocar na mesa a comida que ele amava comer, fazer o caminho do colégio, chegar à hora do almoço. Anoitecer. Sim são estes os detalhes mais delicados de se lidar, e que passam despercebidos por quem não compartilha a rotina. Consolar talvez não seja o mais adequado, sugiro agüentar a dor do amigo, deixá-lo falar, respeitar seu silêncio, seu tempo. Não há consolo para esta situação. È necessário disponibilidade para estar perto sem ser invasivo, sem exigir uma reação imediata.


06 - Dá para falar do filho?
Sempre que as pessoas da família se mostrarem dispostas a isso. Pois nem todos têm facilidade para tocar no assunto a qualquer momento. Outros gostam de falar no filho como se ele estivesse presente, e está, no seu coração. Outros não gostam ou naquele momento não querem falar. É preciso sensibilidade e sutileza diante desta situação.


Os pais não esquecem. Talvez seja complicado para as pessoas que estão de fora tocar no assunto. Por isso deve se respeitar o momento de cada um. E até mesmo perguntar se quer falar no assunto ou não, o que não pode é fazer que nada aconteceu, como se a pessoa não tivesse existido ou que esta tudo bem.


08 - Quanto tempo leva para que as coisas voltem ao “normal”?
A normalidade almejada ou esperada e que se tinha antes, não existe mais. Um pai esquecer seu filho, é improvável. O que acontece é um aprender lento a viver sem a presença do filho. É um aprender a lidar com a saudade, com os dias sem ele, com a datas comemorativas, num tempo que é singular. É necessário que se respeite a nova configuração familiar, o tempo de cada um, e as modificações que vão ocorrendo nas pessoas.


09 - O que fazer nas datas comemorativas?
Os pais que perdem um filho perdem também a motivação e a empolgação para comemorar qualquer data. O seu conceito sobre comemorações, felicitações, bem como o seu ânimo para festas fica alterado. O conceito de felicidade modifica. Passa-se a reconhecer os momentos felizes, e estes são muito diferentes do que já foi um dia. Não é mais a mesma coisa comemorar um ano novo, dia das mães, dos pais, aniversário, natal, etc. É claro que se comemora, que se sente alegria, mas falta um pedaço, nada mais é completo e por mais que se tente, falta uma pessoa importante, amada e que não é esquecida.
O convite dos amigos e familiares é sempre bem vindo, desde que não seja uma imposição, que não se exija felicidade plena, alegria transbordante ou o mesmo comportamento de antes. Desde que não se negue que o amigo convidado perdeu um filho e se possa lidar com isso de forma natural.


10 - Como ajudar, então?
Colocando-se a disposição. Dando o tempo necessário para que as pessoas retomem suas vidas. Ligando às vezes para saber como estão, se precisam de alguma coisa, se querem conversar, receber visita ou visitar. Respeitando seus altos e baixos. Não exigindo que reajam como se o que aconteceu fosse um evento banal “já passaram três meses, a vida continua, tem que reagir”. A memória é atemporal. Quando a lembrança volta, não importa o tempo que passou, parece que foi hoje. Falando quando se permitir falar e ouvindo sempre que for necessário. Não passando a mão pela cabeça como se o sofrimento fosse a única coisa que lhes resta. Mas apontando saídas, não duvidando da dor, mas dizendo que é sim possível se reconstruir a vida, diferente daquela que existiu, mas nem por isso pior. Exercendo a capacidade de acolhimento e não de pena. Tratando as pessoas não como doentes, elas não estão doentes, estão aprendendo a viver sem o filho. Colocando-se no lugar dessas pessoas, por mais difícil e assustador que possa parecer, e se perguntado o que me ajudaria nesta situação?!
Cada pessoa reage diante de uma situação traumatizante, de acordo com a sua estrutura psíquica. Contar com uma rede de apoio saudável é muito importante. Ter espaço para expor seus sentimentos é fundamental para que se estabeleçam as mudanças que são inerentes à perda. Mudança de valores, de hábitos, de conceitos, de interesses, etc.


11 - Onde procurar ajuda?
Muitos pais são levados a psiquiatras, padres, centro espíritas, psicólogos, etc. No intuito de que algo seja feito de imediato. É claro que alguns cuidados são necessários e imediatos, cuidados com a alimentação, com o sono, com a tristeza que pode evoluir para depressão. Porém é necessário que se respeite o jeito de cada um de lidar com a situação, pois nem todas gostam de utilizar medicamentos e estes devem ser usados com orientação médica e com cautela. Luto não é doença e a dor que ele traz não cura com analgésico. À vontade de morrer é diferente do risco de se matar, e um profissional capacitado deverá saber diferenciar estes sentimentos. A procura por um padre ou centro espírita, pode ser sugerida, jamais imposta. Deve se respeitar à fé de cada um e até mesmo a falta dela.
Os psicólogos e médicos que irão trabalhar com pais, devem saber que estão diante de um tipo de luto muito particular, e que pode não responder da mesma forma que os outros tipos, em hipótese alguma, dizemos que será pior, porém com outras características e tempo de reação.


12 - O que não falar?
Não importa a forma como o filho partiu, se foi em acidente, em um assalto, por doença, etc. Falar sobre o assunto é muito delicado. Relatar fatos e detalhes só para satisfazer a curiosidade de quem pergunta é muito dolorido. Os questionamentos sobre os detalhes do que aconteceu, talvez sejam os mais inconvenientes e os que mais machucam os pais, principalmente quando parte de pessoas com as quais não se tem intimidade, nem amizade e muitas vezes nem contato. Essa situação só pode ser pior, nos momentos em que estas mesmas pessoas vem querer contar algum detalhe desconhecido, ou algum fato chocante relacionado ao ocorrido. Duvida-se até das intenções dessas pessoas. Será que estão mesmo a fim de ajudar? Será que querem apenas saber qual a reação, o grau de comoção, ou será que lhes faz bem a tristeza do outro?
Então, antes de perguntar aos pais algum detalhe sobre o acontecido, sugerimos que se pense para que vai lhe servir esta informação, se for simplesmente para satisfazer a sua curiosidade, talvez seja melhor conter-se e não perguntar; se for para ajudar a esclarecer alguma duvida ou para contribuir com alguma colocação coerente para clarear algum fato, que se faça com sutileza e respeito.

Texto extraído do site: http://www.vidaurgente.com.br