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sexta-feira, 26 de abril de 2013

VIDA E MORTE:



LIDANDO COM O LUTO

Superar não é esquecer. Significa aceitar e continuar a viver
A morte está presente na vida de todos nós, para alguns mais cedo, para outros, de modo mais trágico, e para os privilegiados, de forma a corresponder com os grandes ciclos naturais da vida. Embora parte da vida, a morte é vista em nossa sociedade como algo a ser evitado, postergado, como se morrer fosse adversário do processo de viver.
Essa visão se baseia em três princípios. Primeiramente, quando se está na vida, é preciso encontrar forças para lutar por ela e a morte elimina qualquer possibilidade de continuidade dentro da mesma perspectiva de antes. Pode-se falar, é claro, da continuidade espiritual, da prevalência das memórias que mantêm viva uma pessoa que se foi. Mas o fato é que a morte interrompe um processo, modificando as possibilidades e os rumos dos envolvidos. Por isso, a batalha entre pulsão de vida e pulsão de morte, coloca muitas vezes as duas em extremidades opostas, apesar da morte estar contida na vida e esta naquela.
O segundo ponto que nos faz temer a morte é o que vem depois dela. De todas as transformações, a morte é a mais definitiva e profunda, arrebatando nosso ser para uma realidade completamente desconhecida. Se há vida depois da morte... eis uma questão de foro íntimo, uma questão de fé e de percepção de vida. Da perspectiva da Terra, pura e simples, o que há na morte é a saudade e o encerramento de uma história. Se esse encerramento é uma passagem para um mundo diferente do nosso, nem todos conseguem se agarrar a essa esperança.
E finalmente, o último elemento que nos faz ter repulsa à ideia da morte é a dor. Em qualquer língua, em qualquer época, em qualquer história, dor é dor, e requer muito treino, paciência e aceitação para se tornar construtiva em nossa trajetória. A dor é uma violência para a alma e nos tira do patamar de compreensão que tínhamos até então para nos lançar ao estado do limbo, no qual não se pertence a mundo nenhum, pois a conexão com a realidade fica frágil.

PROCESSO DE LUTO

Quando se perde alguém violentamente, de modo repentino ou inesperado, quem fica permanece nesse limbo por um tempo indeterminado. É comum pessoas em processo de luto por morte abrupta serem tomadas por um estado de catatonia, semelhante a um morto-vivo, ou a um robô, que passa a agir no "piloto-automático", sem domínio ou vontade de controlar suas ações. Uma parte continua vivendo, pois entende ser necessário, mas a outra não está lá. A alma fica dividida e constantemente, o enlutado sente que morreu também e que sua história nunca mais será a mesma.
De fato, nunca mais será, pois a morte marca a alma. Entretanto, estamos na vida para sermos transformados a partir das experiência que o acaso (será?) nos propõe. A superação só se dá a partir de um longo processo e ela não significa esquecer, fingir que não aconteceu ou ainda não sentir dor quando lembrar. Superar significa apenas aceitar e continuar.
Mas como aceitar algo que não faz sentido? Algo que não vem com avisos, que não parece ter um por quê dentro da lógica do merecimento? Como aceitar a morte de alguém bom, que tinha uma vida enorme pela frente? E que o destino levou em segundos, sem nos ter orientado para aquele momento? Como continuar sem ter mais vontade de viver, sem ter um sentido que nos norteie?

DA DOR À ACEITAÇÃO

Podemos tomar como exemplo o caso recente do filho de Cissa Guimarães, de 18 anos, levado pelas circunstâncias de modo violento. Uma reação bastante comum inicial seria a de procurar culpados, alguém em quem se possa descarregar a dor. O fato é que isso, além de gerar novas dores, não traz a pessoa de volta. Alguns dizem que buscar justiça traz alívio. Entretanto, no caso de acidentes e não de crimes intencionais, culpabilizar alguém só agrava a situação.
Há fases no processo de aceitação de morte. A estudiosa Elizabeth Kluber-Ross, autora de vários livros sobre o tema, alerta que em geral, diante da morte qualquer ser humano passa por cinco estágios: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Esses estágios não necessariamente são subsequentes, podendo estar misturados e serem vividos ao mesmo tempo.
Negar é não poder ver e usar recursos para afastar a realidade que dói. Entre esses recursos temos uma infinidade de ações: acreditar que o morto ainda voltará, manter todos os objetos dele intactos, como se estivessem à espera do falecido, ou ainda negar a dor da situação, indo se divertir de modo desproporcional ao que o momento pediria, ou entregando-se a algum vício...
Ter raiva é querer culpar alguém. É procurar um responsável pela dor. Ter raiva é pensar que poderia ter sido diferente se o fulano não tivesse errado nisso, se o médico tivesse tentado aquilo, se a pessoa que ficou tivesse chegado minutos antes... A raiva não permite encarar o processo como algo que fugiu do controle, querendo devolver aos mortais o domínio do destino. A raiva é necessária para descarregar, mas é um esforço quase vão que nos liga ao passado.
Barganhar é tentar negociar com o destino. Fazer magia, fazer promessa, buscar psicografia. Esses recursos são importantes, mas ainda demonstram uma ligação com um passado que não se quer deixar ir. Ouvir uma palavra psicografada nãodeve ser um recurso proveniente de uma busca desesperada por contato, mas sim, algo que espontaneamente surge, se for essa a crença de quem fica.
A depressão é o último estágio antes da aceitação e não é por acaso. Quem se deprime está mais perto de ver as coisas como elas são e ver a devastação que a morte causou. O perigo desse estágio é o tempo de permanência. A depressão é a maior ladra da vida e por isso deve ser combatida quando o tempo é superior a seis meses e a intensidade tira o enlutado das atividades que o ligam à vida (trabalho, convívio familiar, convívio social, saúde, fé no futuro).
Finalmente, a aceitação é o processo que nos torna capazes de ver, tocar, falar sobre a morte e ao mesmo tempo, deixá-la ir para onde tiver que ir, longe de nossos domínios, de nosso controle racional. Deixar ir não significa esquecer, tampouco não sofrer nunca mais. Deixar ir é fazer as pazes com o tempo, com novas chances para quem ficou, com a única certeza de que absolutamente tudo muda e que é preciso se transformar junto com a vida e com a morte.
Clarissa de Franco: Psicóloga, astróloga, mestre em Ciências da Religião. Atua com pessoas em processo de luto, depressão e ansiedade. É professora universitária e possui artigos e livros publicados.
fonte: aqui

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Fraqueza ou Força?



Um garoto de 10 anos de idade decidiu praticar judô, apesar de só ter o braço direito. Disposto a enfrentar as dificuldades e sua limitações, começou as lições com um velho mestre japonês. O menino ia muito bem. Mas, sem entender o porquê, após três meses de treinamento, o mestre tinha-lhe ensinado somente um movimento. O garoto então disse: 

- Mestre, não devo aprender mais movimentos? O mestre respondeu ao menino, calmamente e com convicção: 

- Este é realmente o único movimento que você sabe, mas este é o único movimento que você precisará saber. Sem entender completamente, mas acreditando em seu mestre, o menino manteve-se treinando. Meses mais tarde, o mestre inscreveu o menino em seu primeiro torneio. Surpreendendo-se, o menino ganhou facilmente seus primeiros dois combates. O terceiro combate revelou ser o mais difícil, mas depois de algum tempo seu adversário tornou-se impaciente e agitado. Foi então que o menino usou o seu único movimento para ganhar a luta. Espantado ainda por seu sucesso, o menino estava agora nas finais do torneio. Desta vez, seu oponente era bem maior, mais forte, e mais experiente. Preocupado com a possibilidade do garoto se machucar, cogitaram em cancelar a luta, quando o mestre interveio: 

- De forma alguma! Deixe-o continuar. Desta forma, o garoto, usando os ensinamentos do mestre, entrou pra luta e, quando teve oportunidade, usou seu movimento para prender o adversário. Foi assim que o menino ganhou a luta e o torneio. Era o campeão. Mais tarde, em casa, o menino e o mestre reviram cada movimento em cada luta. Então, o menino criou coragem para perguntar o que estava realmente em sua mente: 

- Mestre, como eu consegui ganhar o torneio com somente um movimento? Você ganhou por duas razões - respondeu o mestre. Em primeiro lugar, você dominou um dos golpes mais difíceis do judô. E em segundo lugar, a única defesa conhecida para esse movimento é o seu oponente agarrar seu braço esquerdo... 

A maior fraqueza do menino tinha-se transformado em sua maior força... Assim, também nós podemos usar nossa fraqueza para que ela se transforme em nossa força.. O que realmente importa é o poder da determinação. 

fonte: metaforas

terça-feira, 16 de abril de 2013

Homenagem de Terezinha Araújo de Almeida ao seu Filho Jonatha Paulo de Almeida que nesta data completa 01 ano de sua partida para junto de Deus. Um anjo de paz e de luz.



UM ANO SEM VOCÊ MEU QUERIDO FILHO JONATHA


Em 24 de agosto de 1987 nascia aquele que seria a maior alegria da minha vida. A pessoinha mais preciosa, mais valiosa que teria na vida. A razão de tantas alegrias, tantas festas, aniversários felizes e festas de finais de ano com tantas emoções.
Mas o que eu jamais poderia esperar é que essa joia tão preciosa teria sua vida tão curta devido à uma síndrome terrível e sem cura chamada de: “Distrofia Muscular Progressiva” conhecida como “Duchenne”.
Jonatha nasceu de parto normal, no dia exato em que o médico disse que nasceria. Pesando 3.900 Kg. Foi amamentado no peito até os 07 meses. Saiu das fraldas no seu primeiro ano de vida. Jonatha não engatinhava, mas brincava sentado no chão e sempre cantarolando e sorrindo, aliás, seu sorriso sempre foi sua marca registrada.
Garoto lindo, gordinho. Quando nenê tinha até as curvinhas nas perninhas, lindão demais e bem coradinho. Participou do concurso da capa da “Revista Pais & Filhos” ficando em 4º lugar da criança mais bonita, mas para mim sempre foi o mais lindo. Era careca, tinha uma mechinha de cabelo em cima da cabeça, o qual eu fazia um cachinho quando lhe dava banho.
O tempo foi passando e Jonatha não andava. Já com 01 aninho não ficava em pé sozinho. De repente com muita dificuldade levantou e andou, mas já estava com 03 aninhos. Suas quedas eram constantes, então o levei ao pediatra. Foi então que começou nossa batalha. No Hospital de Clínicas através de uma biópsia foi diagnosticado que ele era portador da “Síndrome de Duchenne”.
Aos 04 anos começou a fazer fisioterapia e hidroterapia e Jonatha seguiu caminhando até os 13 anos.
Quando da descoberta da doença o médico nos chamou e nos comunicou que Jonatha andaria somente até os 09 anos e entraria em óbito aos 15 anos. Foi quando meu chão desmoronou. Fiquei flutuando, não podia acreditar naquilo, não poderia ser verdade, meu menino tão forte, tão corado, tão alegre. Aquele sorriso estampado em seu rosto, seus dentes tão brancos, nem sonhava que sua vida seria tão curta segundo o diagnóstico médico.
Mas continuamos nossa batalha sem nunca mais tocarmos naquele triste assunto.
Jonatha passou dos 09 anos andando com dificuldades, mas andava. Ia fazer suas terapias andando de ônibus, sempre sorrindo. Corria, andava de bicicleta e nunca perguntou por que tinha que fazer aquelas terapias.
Aos 13 anos foi para uma cadeira de rodas e também não fez nenhuma pergunta, e assim fomos batalhando sempre.
Aos 15 anos Jonatha continuava ali sorrindo, brincando e fazendo terapias e assim foram se passando seus aniversários de 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23 e 24 anos. Todos com festa e era tudo alegria, até o dia 27 de fevereiro de 2012, quando meu menino reclamou pela 1ª vez quando adoeceu. Então, foi internado dia 29 de fevereiro, ficando entubado por 48 dias. E as 21:15 hrs do dia 16 de abril de 2012 minha joia preciosa foi para não mais voltar. Deus o levou e me deixando sem nunca mais poder tocá-lo e nem mais ver aquele sorriso tão lindo que me encantava. Naquela cama de UTI ele sorria não sabendo da gravidade de seu problema.
Hoje sou triste, apagada, sem gosto por nada, saio de casa, pois o vejo o tempo todo no quarto em seu computador. Quando entro em seu quarto é como se ele estivesse em sua cama, e até seu cachorro vai atrás de mim no quarto procurando-o. É como eu fazia todas as manhãs para levantá-lo e trazê-lo para a cozinha para o café da manhã.
Então minha vida se transformou em nada, pois tudo o que tinha era o meu filhinho, tão querido, tão amoroso.
Sei que um dia vamos nos encontrar.  Hoje fico só na saudade de poder novamente pentear seus longos cabelos como todas as manhãs eu fazia. Saudade em lhe dar o banho, trocar suas roupas e seu tênis. Era eu quem fazia tudo por ele.
Só Deus sabe o quanto está sendo difícil ficar sem ele. Eu cuidaria dele por mais 24 anos sem reclamar e Deus sabe disso também.
Essa é a história de amor entre mãe e filho, Terezinha e Jonatha, real e sincera de todo o meu coração.
Encerro com uma pequena declaração a você meu filho:
- A mamãe te ama demais, do tamanho do infinito. Fica com Deus meu filhinho querido. Anjo de Paz e de Luz. 


                                                                 Te amo Jonatha.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Doação de Órgãos: Um ato de amor

Em setembro do ano passado perdi a minha mãe, ainda estou me acostumando a idéia de não mais vê-la por aqui... Na ocasião de sua morte, meu irmão tomou uma decisão muito sábia, da qual eu estava completamente alheia: ele autorizou a doação das córneas de minha mãe.
Seis meses depois, recebi uma carta da Central de Transplantes do Paraná com os seguintes dizeres:
"A perda traduz-se em dor, lágrimas, desespero e muitas saudades. E em meio a todos estes sentimentos fica a nobreza do grandioso gesto de amor e solidariedade para com o próximo, ao autorizar a doação de seu ente querido."
Nunca havia pensado no assunto com muita profundidade, mas fiquei realmente feliz em saber que, mesmo no fim de sua existência, uma parte de minha mãe pôde ajudar alguém e que meu irmão em sua infinita sabedoria pôde tornar uma família feliz, mesmo num momento tão doloroso para nós.
Esse ato foi um verdadeiro consolo.
Um abraço a todos,
Verônica


Doação de órgãos: um ato de amor

Somos tão ricos e nem percebemos o quanto. Nossa riqueza está tão perfeitamente distribuída, que, às vezes, não nos damos conta de que Deus nos proporcionou a maior de todas as graças: a oportunidade de viver. As faculdades de ver, respirar, trocar ideias e intenções com nossos pares nos completam como seres humanos, dando possibilidades de desenvolvimento. Entretanto, assim como Ele nos deu tal oportunidade, um dia teremos que deixá-la.

Quando partirmos, deixaremos uma riqueza incalculável: além das nossas ações e contribuições para o próximo, para a comunidade e para a humanidade, deixamos também nosso corpo material. Este, sim, de valor inestimável. Nosso coração, córneas, pulmões, rins, fígado, pâncreas, entre outros órgãos, não têm preço. Eles deixam de nos pertencer. Porém, o Criador também nos deu a oportunidade de avalizar todo este tesouro e proporcionar àquelas pessoas que estão na fila dos transplantes a possibilidade de uma vida melhor. Depende de nós direcionarmos o que nos ajudou a bombear nosso sangue, a enxergar, a respirar, de contribuir para o bem-estar dos outros, por meio de um ato de amor e de caridade: a doação de órgãos.

Em um bate-papo com meu irmão pela internet, perguntei-lhe se era a favor ou contra a doação de órgão. Sua resposta foi a seguinte: “Pode pegar tudo, velho. Está aí para ajudar alguém. Não vou mais usar mesmo”.

A maior riqueza da doação de órgãos está na oportunidade de fazer feliz aquele que sofre, além da sua família, pois todos sofrem com a angústia e a impossibilidade direta de ajudar. Quantos corações “mal batidos”? Quantos olhos sem enxergar? Quantas horas de diálise podem ser suplantadas com a doação? Qual a alegria de saber que o outro terá, a partir da sua doação, uma vida saudável?

Depende de nós. É por meio do simples desejo e da enorme vontade de amar o próximo, que podemos fazê-lo, avisando nossos familiares que, após a nossa “partida física”, continuaremos ajudando aqueles que necessitam. A felicidade do receptor é incalculável só em saber que há possibilidade de receber um órgão salvador. Mais do que uma vida, é o seu próprio milagre.

Infelizmente, alguns ainda acreditam que, ao prestar contas após esta vida, devemos nos apresentar completos. Tal pensamento deve ser mais bem ordenado. A ação da natureza se encarrega da decomposição do corpo.

Quanto à minha posição, creio que ficou bem clara. É a mesma do meu brother: “Pode pegar tudo. Está aí para ajudar alguém. Não vou mais usar”. Afinal, sempre dei o meu melhor em tudo. O que não consegui, tentarei mais adiante consertar.
ALFREDO LEONARDO PENZ, PROFESSOR E MESTRE EM EDUCAÇÃO E CULTURA
fonte: Notícia





“Há muitos anos, antes de ter esse problema, eu renovei minha carteira de identidade e coloquei lá que sou doadora de órgãos, e agora vou defender essa causa ainda mais. Só quem faz hemodiálise sabe o sofrimento que é o tratamento. Eu saía de lá com a sensação de estar oca por dentro, é horrível. Agradeço muito àquela equipe que fez minha cirurgia porque hoje posso comemorar com minha família a minha nova vida”, anima-se Sirlene.
“Quando eu soube que tinha um doador eu chorava e ria ao mesmo tempo. Estava feliz, mas triste por saber que uma vida se fora. É um ato de amor da família que permite a doação do órgão de um parente. Eu falo sempre sobre a doação porque muda a vida da gente, você ganha uma chance nova de viver, por isso espero poder fazer mais pelo próximo e ser uma pessoa cada vez melhor”, diz, emocionada.



Para saber mais sobre o assunto: http://www.doevida.org.br/
fonte: depoimentos

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Transforme a dor da saudade em sentimento de bem-estar



por Carlos Hilsdorf


Saudade, uma das mais belas palavras da língua portuguesa e um dos mais intensos sentimentos que podemos experimentar na existência.
A saudade está diretamente ligada ao amor e à paixão, independente de pelo que ou por quem nos apaixonamos, o que, ou quem amamos: um ser, uma situação, uma fase de nossas vidas...
A saudade, quando associada a uma pessoa é um tipo de dor, um tipo de ausência, um vazio imenso. Chega a ser tão intensa que pode ser sentida fisicamente como uma dor diferente de todas as outras, uma dor que ironicamente nos faz bem, porque de alguma maneira nos faz sentir conectados a quem amamos. É como se a pessoa estivesse muito próxima, mas não pudéssemos tocá-la...

Por isso, costumo definir a saudade como a presença intensa e constante de alguém ausente!

Saudade é um profundo sentimento de conexão, um elo invisível de ligação que nos mantêm, onde quer que estejamos, sempre “próximos” de quem lhe deu origem.
Quando observarmos a saudade no âmbito das pessoas, somos convidados a perceber que a unicidade de cada ser humano, sua energia, seu carisma, suas particularidades, expostos na sua maneira de pensar e agir, impregnam o ambiente e as nossas percepções. A saudade é uma espécie de fome e sede do magnetismo dessa personalidade que nos faz tanta falta.
Sentimos falta do tom de voz, da maneira de falar, de suas atitudes mais simples e, no caso do amor, de tudo, absolutamente tudo que atinge os nossos cinco sentidos. Sentimos falta do cheiro da pele da pessoa amada, da sua respiração, da expressão dos seus olhos, de seu sorriso, do seu toque... Sentimos falta até do que ultrapassa os cinco sentidos: da presença espiritual dessa pessoa, do contato com sua alma. Preferimos ter a pessoa perto de nós, mesmo na ausência de contato direto com ela. O simples fato dessa pessoa existir e estar a nosso lado nos basta.

A saudade é a maior expressão do amor verdadeiro no âmbito das relações afetivas.

Parafraseando o poeta Coelho Rangel, podemos dizer que saudade é o anseio do rio que chega ao mar; e sem saber de onde veio, tem vontade de voltar.
Esse pensamento de Coelho Rangel deixa claro que saudade é o desejo intenso de reunir o que já esteve unido e, mesmo tendo se separado não perdeu a unidade. É o desejo de unir fisicamente o que nunca esteve separado em espírito. A saudade, sem dúvida é a memória do coração.
A saudade amorosa é bem definida nestes versos de Vinícius de Moraes:



Como dizia o poeta  

"Quem já passou por essa vida e não viveu  
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu  
Porque a vida só se dá pra quem se deu 
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu  
Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não  
Não há mal pior do que a descrença 
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão  
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair 
Pra que somar se a gente pode dividir  
Eu francamente já não quero nem saber  
De quem não vai porque tem medo de sofrer  
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão  
Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não”

Mas a saudade não está presente apenas no amor e na paixão dos amantes, ela é também uma ponte entre o presente e o passado.
Saudade de nós

Não sentimos saudade apenas das outras pessoas, muitas vezes sentimos saudades de nós mesmos, da pessoa que fomos antes que algum acontecimento, decepção ou frustração nos transformasse em alguém diferente, às vezes irreconhecível. A saudade é um caminho onde as lembranças buscam encontrar as marcas do que fomos.
Quando sofremos uma dor intensa, seja de que origem for, na tentativa de fugir da dor, usamos nossa criatividade para elaborar um outro “eu”, um “eu” que teoricamente, por ser diferente, por ser outro, não precise carregar aquela dor. Passamos a agir como se fossemos uma outra pessoa, mas na verdade, na intimidade do ser, sabemos que não somos e, passamos a sentir saudades de quem verdadeiramente somos. Mas voltar a ser quem fomos implica enfrentar nossas dores deixadas para trás na velocidade de nossas fugas. Esta saudade dói e dói muito, corresponde à vontade de fazer um caminho de volta para um lugar (nós mesmos) especial e desejado, mas o caminho não é prazeroso, a estrada não é plana e a viagem não é confortável.

A saudade de si mesmo é talvez a mais dolorosa de todas, porque estar na praia sem poder entrar no mar é sem dúvida o lugar mais distante que podemos estar do próprio mar.

Acontecimentos marcantes, alegrias intensas, fases e idades anteriores, tudo isso possui magia e poesia observadas da ponte da saudade. O tempo e a distância evidenciam e valorizam as coisas mais simples. Assim como a fome é um excelente tempero, a saudade tempera nossas vidas.
Do presente, olhamos o passado com saudade, saudade que não sentíamos àquela época, ou porque não percebíamos o seu valor, ou porque agora estamos superestimando este valor comparado a um momento atual de menor significado.

A saudade é a ponte entre o presente e o passado. Ela nos permite visitar o passado, reviver cenas e emoções, mas não nos permite permanecer no passado. Sempre que cruzarmos a ponte teremos que voltar. Tentar permanecer vivendo no passado causa uma ruptura grave e de sérias consequências no presente. No futuro teremos muitas saudades do presente, então, é melhor vivê-lo plena e intensamente, porque pior do que a saudade do que vivemos é o arrependimento do que poderíamos ter vivido e não vivemos.

Podemos medir nossa vida pela natureza e intensidade das nossas saudades. E para estarmos seguros de que a vida está valendo a pena, devemos observar se o momento presente será digno de saudades no próximo segundo.

Lembrando os versos clássicos e maduros de Francisco Octaviano em “Ilusões da Vida”:


“Quem passou pela vida em brancas nuvens
E em plácido repouso adormeceu
[...]
Quem passou pela vida e não sofreu
Foi espectro do homem, não foi homem. 
Só passou pela vida, não viveu.”

Recordar é viver, mas viver é melhor! Viva intensamente o momento presente e deixe que a saudade seja “apenas uma foto” de um filme onde você é o protagonista. Um filme que ainda lhe reserva as melhores cenas da história, esta mesma história cuja saudade conta os capítulos anteriores!
Que o making of de sua vida seja tão interessante quanto o filme pronto e que as lágrimas da saudade não borrem porque você escolheu viver sem maquiagem. A personagem é você, o resto são detalhes, detalhes difíceis de esquecer porque pertencem a você!

A saudade não deve ser uma algema a te aprisionar ao que já passou, mas uma janela de onde você pode observar que, da mesma forma em que as dificuldades passaram e a beleza de cada momento permaneceu, a vida continuará valendo a pena de agora em diante e oferecendo oportunidades de sentir novas e melhores saudades a cada instante.

fonte: vya estelar