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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Um Natal de luz e amor pra você


Neste Natal o meu maior desejo é que os nossos corações estejam plenos de esperança e que as nossas almas nos movam sempre em direção ao bem comum.
Que o amor nos ilumine e que cada gesto, cada uma das nossas palavras tenham o dom de nos trazer paz e felicidade.
Que o Natal nos inspire na busca da harmonia e da paz. Que este espírito prevaleça e nos ajude a promover a concordância e a aceitação entre todos os seres humanos.
Desejo-te um Natal muito feliz, e sei que este meu desejo, esta minha proposta, será muito bem acolhida pelo generoso coração que tens.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

CORAGEM, UMA BOA DECISÃO PARA O ANO QUE SE INICIA!


por Elizabeth Zamerul Ally

O fim do ano chegou e naturalmente, muitos refletem sobre a própria vida. Como foi o ano que passou? Cumpriu os seus planos? A minha pergunta é: Quanto você se cuidou? Quanto se esforçou para atingir seus planos? Talvez você responda... "Ah, eu fiz o que pude..." ou "Mas também, você não sabe o que aconteceu... não deu..." Bem, é possível que a sua vida tenha melhorado e eu lhe parabenizo por isto, mas se você está se justificando para não se sentir culpado... Que pena! Só quero lembrar-lhe de uma coisa.

Ninguém vai cuidar de você. E não adianta chorar. É a vida.

Talvez você não me ache simpática, ou encorajadora, mas este é o ponto principal. Você está esperando que alguém lhe dê coragem? Então vou lhe contar um segredo. Aí fora, tem mais um monte de gente esperando que alguém lhes dê uma forcinha e eles estão frustrados e bravos porque nada aconteceu... ou até piorou.

Até quando você vai esperar? Você é forte, sabia? Você não precisa de forcinha de ninguém para chegar onde quer. Você precisa é tomar boas decisões. E coragem é uma delas. Como? Você não entendeu? Vou lhe explicar o que é coragem: é a disposição de enfrentar o medo. É só isto. Então você decide se dispor a superar as barreiras. Mas estas lhe parecem uma parede enorme pra atravessar? Bobagem... o medo tem o tamanho da importância que a gente dá a ele. Não dê tanta bola... Você pode! Eu sei disto porque todos podem. Não se deixe dominar pelos receios ou idéias desestimuladoras dos outros que só vão lhe dificultar mais o caminho. Seja firme e não se permita desanimar. Receios são naturais, todos têm, mas alguns não se deixam interromper por eles e olhe só para os seus resultados! Eles vencem porque nunca desistem. Então, faça o mesmo. A decisão é individual, só sua. Vá em frente. Faça este próximo ano um pouco melhor do que o que passou. Decida que no fim do próximo ano você vai comemorar mais alguns passos em direção ao seu sonho, aconteça o que acontecer. Você pode! 


Autora: Dra. Elizabeth Zamerul Ally, médica psiquiatra, psicoterapeuta especialista em Dependência Química e Codependência www.dependenciaecodependencia.com.br

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

CAio Fernando Abreu

Tenho trabalhado tanto, mas sempre penso em você. Mais de tardezinha que de manhã, mais naqueles dias que parecem poeira assenta e com mais força quando a noite avança. Não são pensamentos escuros, embora noturnos… Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você. Eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu. Mas se você tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais — por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido. Tinha terminado, então. Porque a gente, alguma coisa dentro da gente, sempre sabe exatamente quando termina. Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas. Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo. Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você, para mim. Te escrevo, enfim, me ocorre agora, porque nem você nem eu somos descartáveis. … E eu acho que é por isso que te escrevo, para cuidar de ti, para cuidar de mim – para não querer, violentamente não querer de maneira alguma ficar na sua memória, seu coração, sua cabeça, como uma sombra escura.
fonte: Pensador UOL

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

UM DIA A MENOS



Nem todas as pessoas têm 365 dias ao ano. Algumas têm 364. Quem perdeu alguém ao longo do caminho em uma morte prematura sacrifica uma data para sempre. O filho de uma amiga morreu em 13 de julho. Faz cinco anos e é como se fosse ontem. É um antianiversário. A ferida não consulta o calendário, a ferida é o calendário. O 13/7 não existe mais para ela. Ou existe em demasia. E não consegue, por mais que tente, esconder o luto, fingir compromissos, abafar a tristeza. Entre a manhã e a noite, o pavor de receber a notícia se repete. A impotência. A injustiça. Qualquer passante se parecerá com o médico que baixou definitivamente a cabeça. O azul do céu se revelará o avental do pronto-socorro. Morde-se os dentes para não morder a língua. Uma mãe grava o dia da morte do filho com a nitidez de uma unha encravada. Um filho encravado não se cura. Nem botando o próprio corpo fora. 

Filho falecido é uma dor de inverno. Mexer nos casacos do armário e encontrar bilhetes e papéis no forro. As golas com o cheiro do pescoço. As golas como os pêlos loiros do pescoço, somente reconhecíveis pela respiração. As roupas não deixam nunca ninguém morrer integralmente. Um rastro, uma mecha de vento, uma loção permanecem. Cheira-se a lã e reinventa-se a memória. 

Depois de cuidar de toda a vida do filho, uma mãe não se contenta: cuida toda sua vida da morte do filho. Adota a morte como uma criança no orfanato. Não que a morte seja seu filho, é o que mais se assemelha ao seu filho naquela hora. Depois de ver a vida do filho se ir, não pode deixar a morte do filho morrer. 

Mesmo ele não estando ali, uma vez ao ano, ela dá de comer a sua ausência, conversa baixinho, na cartilagem da ausência, com os garfos dos cílios. Um filho não é assunto de Deus, é assunto privado da carne. A chaleira dos ouvidos passa da hora e não se encontra forma de findar o zumbido. Não ter contado com a chance de acenar e abençoar, de dizer boa sorte, volte logo, tchau e até breve consomem a boca. 

A morte deveria ser educada e permitir despedidas. Entretanto, é grosseira, não admite ser menos importante do que o amor. Se o sofrimento traz pontadas no resto dos dias, neste dia é avassalador. Perder um filho é não perder ainda a esperança do filho. O gosto do filho. A alegria do filho. O suspiro do filho. Tudo é observado com zelo de uma reza. Reconhece-se na sola o quanto se caminhou. Os ouvidos são círios boiando na água. Flutuam em vozes conhecidas para manter a calma. 

Minha amiga diz que não pode me abraçar nesse dia com sua fisionomia triste. Diante da perda, há o costume de se isolar, de não querer incomodar os outros com sua dor. A dor não incomoda. O que incomoda é quem não sente a dor. Peço a ela a chance de abraçá-la. Não para abafar o fogo, mas deixar que se alastre. Não para confortar, mas para não apagar essa dependência, essa fidelidade ao nascimento. 

Fabricio Carpinejar