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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A ARTE DE SER AVÓ

No último dia do mês dos Avós, não podíamos deixar de lembrar e homenagear uma avó e seus netos muito especiais...
Marina abraçando André e Thaís

Saulo

Vó Zelinda e os netos Thaís e Saulo



Netos são como heranças: você os ganha sem merecer. Sem ter feito nada para isso, de repente lhe caem do céu. É, como dizem os ingleses, um ato de Deus. Sem se passarem as penas do amor, sem os compromissos do matrimônio, sem as dores da maternidade. E não se trata de um filho apenas suposto, como o filho adotado: o neto é realmente o sangue do seu sangue, filho de filho, mais filho que o filho mesmo...


Cinquenta anos, cinquenta e cinco... Você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava. Não lhe incomoda envelhecer, é claro. A velhice tem as suas alegrias, as suas compensações — todos dizem isto embora você pessoalmente, ainda não as tenha descoberto — mas acredita.
Todavia, também obscuramente, também sentida nos seus ossos, às vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade. Não de amores nem de paixões: a doçura da meia-idade não lhe exige essas efervescências. A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. Bracinhos de criança no seu pescoço. Choro de criança. 

O tumulto da presença infantil ao seu redor. Meus Deus, para onde foram as suas crianças? Naqueles adultos que hoje são seus filhos, que têm sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento a prestações, você não encontra de modo nenhum as suas crianças perdidas. São homens e mulheres - não são mais aquelas crianças que você recorda.
E então um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe põe nos braços um menino. Completamente grátis — aquela criancinha da sua raça, da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida. Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino que lhe é "devolvido". E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito de o amar com extravagância; ao contrário causaria escândalo e decepção se você não o acolhesse imediatamente com todo aquele amor recalcado que há anos se acumulava, desdenhado, no seu coração.

Sim, tenho certeza que a vida nos dá os netos para nos compensar de todas as mutilações trazidas pela velhice. São amores novos, profundos e felizes que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis. Aliás, desconfio muito de que os netos são melhores que namorados, pois que as violências da mocidade produzem mais lágrimas do que enlevos.

No entanto — no entanto! — nem tudo são flores no caminho da avó. Há, acima de tudo, a rival: a mãe. Não importa que ela seja sua filha. Não deixa por isso de ser mãe do seu neto. Não importa que ela ensine o menino a lhe dar beijos e a lhe chamar de "vovozinha", e lhe conte que de noite, às vezes, ele de repente acorda e pergunta por você. São lisonjas, nada mais.

Rigorosamente, nas suas posições respectivas, a mãe e a avó representam, em relação ao neto, papéis muito semelhantes ao da esposa e da amante dos triângulos conjugais.

A mãe tem todas as vantagens da domesticidade e da presença constante. Dorme com ele, dá-lhe de comer, dá-lhe banho, veste-o. Embala-o de noite. Contra si tem a fadiga da rotina, a obrigação de educar e o ônus de castigar.

Já a avô, não tem direitos legais, mas oferece a sedução do romance e do imprevisto.
Mora em outra casa. Traz presentes. Faz coisas não programadas. Leva a passear, "não ralha nunca". Deixa lambuzar de pirulitos. Não tem a menor pretensão pedagógica. É a confidente das horas de ressentimento, o último recurso nos momentos de opressão, a secreta aliada nas crises de rebeldia.

Uma noite passada em sua casa é uma deliciosa fuga à rotina, tem todos os encantos de uma aventura. Lá não há linha divisória entre o proibido e o permitido. Dormir sem lavar as mãos, recusar a sopa e comer croquetes, tomar café — café! — mexer no armário da louça, fazer trem com as cadeiras da sala, destruir revistas, derramar a água do gato, acender e apagar a luz elétrica mil vezes se quiser e até fingir que está discando o telefone.

Riscar a parede com o lápis dizendo que foi sem querer — e ser acreditado! Fazer má-criação aos gritos e, em vez de apanhar, ir para os braços da avó e de lá escutar os debates sobre os perigos e os erros da educação moderna.

Sabe-se que, no reino dos céus, o cristão desfruta os mais requintados prazeres da alma. Porém esses prazeres não estarão muito acima da alegria de sair de mãos dadas com o seu neto, numa manhã de sol. E olhe que aqui embaixo você ainda tem o direito de sentir orgulho, que aos bem-aventurados será defeso. Meu Deus, o olhar das outras avós, com os seus filhotes magricelas ou obesos, a morrerem de inveja do seu maravilhoso neto.

E quando você vai embalar o menino e ele, tonto de sono, abre um olho, lhe reconhece, sorri e diz: "Vó!", seu coração estala de felicidade, como pão ao forno.

E o misterioso entendimento que há entre avó e neto, na hora em que a mãe o castiga, e ele olha para você, sabendo que, se você não ousa intervir abertamente, pelo menos lhe dá sua incondicional cumplicidade e apoio... Além é claro das compensações....

Até as coisas negativas se viram em alegrias quando se intrometem entre avó e neto: o bibelô de estimação que se quebrou porque o menininho — involuntariamente! — bateu com a bola nele. Está quebrado e remendado, mas enriquecido com preciosas recordações: os cacos na mãozinha, os olhos arregalados, o beiço pronto para o choro; e depois, o sorriso malandro e aliviado porque "ninguém" se zangou, o culpado foi a bola mesma, não foi, Vó?

Era um simples boneco que custou caro. Hoje é relíquia: não tem dinheiro que pague.

Texto de Raquel de Queiroz

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Convite do Dr Evaldo D'Assumpção para lançamento de seu livro


DR.EVALDO A. D’ASSUMPÇÃO  =  CRM-ES – 10.118    
CRM-MG  3.781
Médico. Escritor. Tanatólogo, Biotanatólogo. Bioeticista - Fundador , Membro e Conselheiro da SOTAMIG – Sociedade de Tanatologia de MG, Departamento de Tanatologia da Associação Médica de MG; Senior-Member of ADEC – Association for Death Education and Counseling (EUA);  Membro Emérito e Presidente (2006-2008) da Academia Mineira de Medicina; Membro Emérito da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, do  Instituto Mineiro de História da Medicina; Sociedade Brasileira de Médicos Escritores e Academia Campo-belense de Letras; Ex-Professor de Ética, por concurso, da PUC-MG; Professor-Convidado de Bioética e Biotanatologia da Faculdade de Ciências Médicas de MG.

FÊNIX/OIKIA-NHYRÕ = Rua Guaraci Gomes 915 – Bairro Praia dos Castelhanos – C.P.Comunitária  31
29.230-000 = ANCHIETA, ES           Fone-Fax: (28)3536-1826
e-mailsbiotanatos@yahoo.com.br ou evaldo.edite@gmail.com 
 
Conheça a Biotanatologia, no sitewww.nucleofenix.com

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Anchieta – Praia dos Castelhanos, 27 de agosto de 2011


Tenho o prazer de convidá-los e às suas famílias para o lançamento do meu mais recente livro: DE PLANTÃO NO HPS – 1º volume de Memórias. Esse lançamento será realizado em três ocasiões. Tendo sua inspiração no meu tempo de plantonista do Hospital de Pronto Socorro, a primeira será às 19:30 horas do dia 12 de setembro, 2ª feira, no auditório do Hospital João XXIII, à Av. Prof. Alfredo Balena nº 400. Com isso, presto especial homenagem ao HPS e aos meus colegas do saudoso Pronto Socorro da rua dos Otoni, o Hospital Maria Amélia Lins, que em 1973 começou a ser transferido para o moderno Hospital João XXIII.
A segunda será às 20:00 horas do dia seguinte, 13 de setembro, 3ª feira, na Associação Médica de MG, à Av. João Pinheiro 161, promovida pela Academia Mineira de Medicina, pela Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (Sobrames-MG) e pelo Instituto Mineiro de História da Medicina.
A terceira será na Biblioteca Municipal José de Anchieta Pompermayer, na cidade de Anchieta,ES no dia 29 de setembro, 5ª feira, às 19:00 horas.
Em todas estarei conversando com os presentes sobre aqueles bons tempos, contando como entrevistador na primeira, com o do Dr. Carlos Eduardo Leão, chefe da Clínica de Cirurgia Plástica e Queimaduras do Hospital João XXIII; na segunda, com o Presidente da Academia Mineira de Medicina, Dr. Geraldo Caldeira; e na terceira, com médicos da cidade.

Portanto vocês poderão escolher o dia que melhor lhes convier para estarem comigo neste momento tão importante de minhas atividades literárias. Mais detalhes no convite abaixo.
                                      Aguardo vocês. Abraços, 
                                        Evaldo D´Assumpção


Apresentação do livro:
O HPS – Hospital de Pronto Socorro Policial de Belo Horizonte, funcionava no prédio da Rua dos Otoni 772. Com todas as suas limitações, foi a melhor escola de medicina e cirurgia de urgência do Estado, e de onde saiu a maioria dos grandes médicos das décadas de 50 em diante.
Lá foram forjados profissionais seguros, arrojados, perspicazes, extremamente hábeis e ágeis. Mas, sobretudo, sensíveis e compassivos.
Lidando com todos os tipos de doenças agudas e traumas, com dramas terríveis e comédias hilariantes, chamados a decisões rápidas e quase sempre sem retorno, superavam as deficiências materiais – que eram muitas – com suas qualidades individuais, mas especialmente com sólido espírito de equipe e solidariedade.

Este livro conta uma parte da vida do autor, que viveu trinta e dois anos dentro do HPS, como era carinhosamente chamado. Sua história pessoal se confunde, muitas vezes, com a própria história daquela instituição. Iniciando como porteiro do hospital, quando ainda estudante colegial, passou seu curso médico – que também narra com bastante humor – intercalando suas aulas com o trabalho no HPS. Tanto na Faculdade de Medicina como no HPS, exerceu diversas funções, tendo sido o criador e organizador do Serviço de Cirurgia Plástica e Queimados desse hospital de emergência, que hoje é referência em todo o Brasil.
Com memória prodigiosa, relembra casos tristes, dramáticos, hilariantes e chocantes, narrando tudo com muito bom humor e de forma agradabilíssima de ler.

Por tudo isso, é uma leitura essencial para médicos, enfermeiros, e demais profissionais da saúde, bem como para os estudantes dessas áreas.
Narrando também uma boa parte da vida social e estudantil de Belo Horizonte, este livro é de leitura indispensável para quem quer conhecer a história da Capital mineira nas décadas de 50 e 60, tanto quanto a odisseia que era o curso médico e a vida num hospital de emergência.


domingo, 28 de agosto de 2011



Os ventos que as vezes tiram algo que amamos, são os mesmos que trazem algo que aprendemos a amar....
Por isso não devemos chorar pelo que nos foi tirado e sim, aprender a amar o que nos foi dado.
Pois tudo que é realmente nosso, nunca se vai para sempre.

                                              ( Bob Marley)

sábado, 27 de agosto de 2011

Voluntariado na terceira idade




Voluntariado contra a solidão

Além de novas companhias, estudo revela que ajuda ao próximo afasta idosos da depressão. Trabalho voluntário é indicado pela OMS como política pública

Quando o corpo já passou dos 60 e a disposição continua a mesma de um jovem, uma alternativa encontrada por centenas de idosos paranaenses para descarregar as energias tem sido participar de trabalhos voluntários promovidos por associações beneficentes ou organizações não governamentais. Além da distração, foi comprovado que o envolvimento com atividades desse tipo reduz quadros de depressão e solidão.
Eulécia Martins de Rezende tem 71 anos e se considera elétrica demais para ficar parada. Professora aposentada, ela exerce o voluntariado há quatro décadas em instituições espíritas de Ponta Grossa. Já foi responsável pela Cidade dos Meninos, que abriga garotos de rua, e distribuiu cestas básicas e cobertores aos pobres.
Hoje, Eulécia ajuda na confecção de peças artesanais na Casa Irmã Scheila e as vende para reunir fundos para a entidade, que distribui sopas e faz serviços assistenciais a pessoas carentes. Ela não reclama de cansaço. “Eu tenho pressão alta e problemas na tireoide, mas está sob controle, graças a Deus, estou muito bem”, completa.
Bem-estar semelhante ao vivido por Eulécia foi comprovado por uma pesquisa desenvolvida na Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), no Rio Grande do Sul, entre 2006 e 2007. O professor de Enfermagem Luccas Melo de Souza entrevistou idosos voluntários e descobriu que a maioria deles se livrou da depressão e da solidão ajudando a terceiros. “Levantamos que os idosos que faziam trabalho voluntário tinham níveis mais altos de qualidade de vida do que aqueles que não faziam”, aponta. A Organização Mundial da Saúde (OMS), acrescenta Souza, recomenda que programas de voluntariado na terceira idade sejam desenvolvidos como uma política pública.
Seriedade
A assistente social aposentada Ruth Noernemberg, 70 anos, de Ponta Grossa, lembra que o trabalho à frente de uma instituição não é passatempo. “Quando você pega um trabalho voluntário precisa acreditar que vale a pena e levar a sério”, diz. Por 27 anos, ela coordenou com o marido a seccional da Escola de Pais do Brasil no município, uma entidade que auxilia famílias na educação dos filhos. Para­­lela­­mente, por alguns anos, coordenou uma comissão de ética na cidade e atuou nas pastorais da diocese. Agora, ela está um pouco afastada, mas faz planos de montar uma entidade assistencial com a igreja católica em Guaratuba, no litoral, onde passa boa parte do ano. “Não dá para ficar de braços cruzados”, brinca.
Aos 79 anos, a boliviana Alzira Maldonado Flores tem alunas na faixa dos 60 anos nas aulas de pintura que desenvolve no asilo São Vicente de Paulo, em Curitiba. Uma vez por semana, há pouco mais de um ano, ela cumpre a tarefa de ensinar as senhoras do asilo a pintar as telas que são vendidas em uma feira interna. Muitas vezes, o trajeto de casa ao asilo é feito a pé. “Dá meia hora de caminhada, é muito bom caminhar por Curitiba”, justifica.
Há cerca de cinco anos, uma cirurgia para retirada de um tumor na tireóide a afastou de um trabalho voluntário no setor de hemodiálise da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba. “O médico me recomendou que eu continuasse o trabalho voluntário, mas em outro local, por causa da baixa de imunidade no hospital”, disse, lembrando que os pacientes chamavam-na de “enfermeira importada” por causa do sotaque castelhano.

Recuperação

Grupo auxilia pessoas enlutadas
A morte de um neto de 14 anos num acidente de carro impulsionou Zelinda de Bona, 74 anos, a fazer um trabalho voluntário. Ela coordena, há oito anos, um grupo de apoio a pessoas enlutadas que se reúne todas as segundas-feiras na sala 118 do câmpus Santos Andrade da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba.
“Todas as segundas-feiras eu vou à faculdade com a esperança de que aquela sala esteja vazia, mas é muito grande o número de pessoas que precisam de ajuda porque perderam alguém querido”, diz a aposentada, lembrando que a cada reunião, cerca de 15 pessoas se encontram para ouvir uma palavra de consolo.
O grupo foi criado há 13 anos por uma amiga de Zelinda que havia perdido um filho para o câncer. “Meu neto, que era o brilho da nossa casa, morreu e eu pude ver o sofrimento dos pais. Quando alguém querido se vai, a nossa vida não fica mais igual, mas a pessoa tem que reagir. Eu costumo dizer que o grupo não é uma solução, mas é um facilitador”, comenta Zelinda, que, para aliviar as tensões, faz todo final do ano cestas de doces com os integrantes do grupo para entregar aos catadores de materiais recicláveis de Curitiba.
Aliado
O tempo livre, segundo ela, é um grande aliado. “Eu sou uma pessoa comum, que gosta muito de fazer doces e geleias, então encontrei no trabalho voluntário uma forma de aproveitar bem o tempo que Deus me deu e ajudar as pessoas”, ressalta. As histórias tristes a abalavam quando entrou no grupo de apoio, mas agora Zelinda diz que aprendeu a lidar com o sentimento. “Eu chego em casa e ponho uma música relaxante”, acrescenta. Ela acredita que todas as pessoas têm um potencial e basta “abrir a caixinha”, segundo ela, para descobrir a melhor forma de estender a mão a alguém que precisa.




Voluntárias têm histórias em comum
Eulécia Martins de Rezende, 71 anos, Alzira Maldonado Flores, 79 anos, e Zelinda de Bona, 74 anos, têm outras coisas em comum além do trabalho voluntário. As três moram sozinhas e apostam que o voluntariado afasta a solidão.
O marido de Eulécia faleceu há um ano e três meses e os quatro filhos moram em outras cidades. “Não dá tempo de ter solidão, às vezes dá saudade dos filhos e dos netos”, explica. A boliviana Alzira, que veio para o Brasil há 28 anos, também é viúva e tem quatro filhos. “Fiz muitas amizades aqui, não me sinto sozinha”, reforça.
Zelinda tem um companheiro que mora no litoral e a visita aos finais de semana, mas a maior parte do tempo é preenchida pelos telefonemas dos filhos, netos e dos amigos. “É isso que as pessoas querem. Ter alguém para ouvi-las.”
Perfil
Segundo o professor de Enfer magem Luccas Melo de Souza, que pesquisou o trabalho voluntário na terceira idade, boa parte dos idosos que estão nesse segmento tem esse perfil. São mulheres viúvas, normalmente ligadas a alguma religião, que ofertam seu tempo para ajudar outras pessoas. “Vemos que muitos estavam quase em depressão antes de iniciar um trabalho voluntário”, completa.
fonte: Gazeta do povo de 25.08.11 no caderno Vida e Cidadania
Veja a matéria aqui

sexta-feira, 26 de agosto de 2011


"Hoje, de algum lugar longe dessas terras
Há um doce olhar só pra você
Um olhar especial
De alguém especial, de distantes origens
Um olhar de um justo coração que pulsa só a vida
Que sorri porque ama plenamente
Sem julgamentos, preconceitos nem prisões

Hoje, como ontem, longe desses céus
Há um encantado olhar só pra você
Nesse olhar vai para você a magia da luz
A simplicidade do perdão
A força para comungar com a vida
A esperança de dias mais radiantes de paz

Hoje, de algum lugar dentro de você,
Alguém que já o amou muito e ainda o ama
Diz para você que valeu a pena ter estado nessas terras...
Sob estes céus...
Falando de união, paz, amor e perdão
Poder sentir a força que faz você sorrir
E continuar o caminho
Que um dia aquele doce olhar iniciou pra você
Tudo isso, só para você saber que
A VIDA CONTINUA...
E A MORTE É UMA VIAGEM!"


fonte

quinta-feira, 25 de agosto de 2011






"A razão por que a despedida nos dói tanto é que nossas almas estão ligadas.Talvez sempre tenham sido e sempre serão.Talvez nós tenhamos vivido mil vidas antes desta e em cada uma delas nós nos encontramos.E talvez a cada vez tenhamos sido forçados a nos separar pelos mesmos motivos.Isso significa que este adeus é ao mesmo tempo um adeus pelos últimos dez mil anos e um prelúdio do que virá."
(Diário de uma paixão)
Nicholas Sparksfonte

terça-feira, 23 de agosto de 2011

HOMENAGEM A ANA CLAUDIA


O vídeo postado acima é uma homenagem de 
Liane, a mãe e Paulo, o pai e Ana Paula, a irmã,
para Ana Cláudia
que deixou muitas saudades...

A PERDA DE UM FILHO


Daqui escutei
Quando eles
chegaram rindo
e correndo
entraram
na sala
e logo
invadiram também
o escritório
(onde eu trabalhava)
num alvoroço e rindo correndo
se foram
com sua alegria
Ferreira Gullar -   (trecho de Poema Filhos do livro “Muitas Vozes”, de 1999)
“A perda de um filho é algo que você nunca mais se recupera.” Em entrevista dada à revista Bravo de outubro de 2010.
Na entrevista Ferreira Gullar relata que perdeu um de seus filhos nos anos 90 com cirrose aos 34 anos de idade.
Sente que não deu a devida atenção aos filhos.
Esse sentimento, a culpa é recorrente no caso da perda de um filho. Os pais esperam sempre que irão embora antes dos filhos e quando o contrário acontece o sentimento  de culpa e a impotência são muito grandes. O sentimento de amputação é relativo a uma parte arrancada da própria identidade vivida no filho. Como na música de Chico Buarque:
Pedaço de Mim
Chico Buarque

Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus
Na letra da música de Chico é descrito o sentimento de melancolia em que a saudade é uma presença, a única presença possível do filho que já morreu. Arrumar o quarto ainda é sentir a presença.  Continuar a navegar sem permitir que o barco da consciência atraque no cais e traga em sua concretude a ausência é a alternativa que pode ser viabilizada. A lembrança  de quem se foi é ainda uma forma de  presença e de adiar a perda.
 A saudade é o revés do parto porque eterniza a fusão com o filho  que não pode se desgarrar para seguir o próprio destino.  Aceitar que o destino do filho é dele e sobre o qual não podemos arbitrar é deixar ir como no parto e elaborar o luto.
Mas esse “delivery” , “deixar ir”, “entregar”é um processo penoso pelo qual  passa  o enlutado na elaboração de sua perda. Certamente , no exercício do desapego se dará um crescimento espiritual se a perda puder ser transformada em uma ação de amor, de um amor renascido  em direção ao outro e à própria vida.
Na melancolia carrega-se eternamente a mortalha do amor perdido como diz Chico em seus versos: “Eu não quero levar comigo a mortalha do amor, adeus.”
Em um grupo de psicoterapia, um casal se culpava por ter cometido um aborto. Nesse caso tinham optado por não ter o filho. O sentimento de culpa e o de responsabilidade eram terríveis. Embora soubessem as circunstâncias em que haviam feito essa escolha nada os acalmava. Foi necessário encenar a possibilidade do perdão do filho para que algum alívio ocorresse.  Essa é uma situação extremada de culpa , mas quando a morte ocorre sem qualquer arbítrio dos pais, ainda o sentimento de culpa e impotência ocorrem por não terem podido salvar o filho. Esse mesmo sentimento ocorre em abortos espontâneos.
Na elaboração criativa da perda é preciso sair do sentimento de culpa para o de comunhão com o todo em que nos sentimos parte de uma existência  da qual não temos controle absoluto. Essa constatação pode ser um alívio na dor, mesmo que de uma dor que nunca passa, como disse Ferreira Gullar.

domingo, 21 de agosto de 2011


A dor do luto 


O luto carrega em si a dor, viver é estar em constante luto e elaboração do mesmo. Essa elaboração é a ponte que nos leva da dor ao prazer. 
Luto é aprendizagem, é experiência. O luto nos torna humanos, que sabemos, somos mortais. Portanto, a morte é nossa fiel amiga e não podemos fugir dessa fidelidade. Ela pode ser ludibriada, ser postergada, atrasada, mas nunca deixará de vir ao nosso encontro, como disse ela é fiel e cumpre o que promete, cedo ou tarde. 

Ela nunca deixa de estar presente, para nos mostrar como num espelho, nosso corpo a todo tempo desnudado pelo real. O real é a própria morte, são as perdas, os fracassos, as decepções, as frustrações, as amputações do desejo. Entretanto, o real nos pega mesmo a contra gosto, e por vezes nos mostra exatamente o contrário, que tudo tem um fim, que tudo isso não passa de um conto de fadas. O castelo de cartas cai por terra. Dor, sofrimento, luto. 

A elaboração do luto é a aceitação da realidade tal como ela é, nua e crua. É aprender a viver com a ausência, com uma perda, buscando algo novo que nos vá preencher. Nunca é claro, o mesmo preenchimento, apenas um novo. O luto é da morte, não da vida. O que morre são partes de nós, o todo continua vivo. Assim como, a cada dia milhares de células morrem em nosso corpo, porém, milhares nascem para manter o todo nas melhores condições possíveis, e pelo maior tempo possível. 
Por Odair José Comin 
Artigo publicado na Revista Psicologia Brasil
Nº 15 - Novembro de 2004.
Leia a matéria na íntegra clicando aqui.

sábado, 20 de agosto de 2011

O AMOR DOS AVÓS


Agosto é o mês dos avós. Nós do grupo, não podemos deixar de homenageá-los!


O amor do avós pelos netos tem um pouco de santo e a força da fé.
Talvez por que Deus tenha sido o primeiro avô do mundo!...
Os avós parecem ter menos responsabilidade do que os pais.
Os avós, geralmente, estão longe quando os netos choram.
Nem sempre estão por perto quando as crianças brigam.
Quase nunca saem correndo pelos parques, ou pelas ruas;
Pelas águas rasas dos rios ou pelas ondas mansas das praias.
Mas os avós são protetores, se os netos adoecem, eles sofrem;
Se os pais gritam com os filhos, eles protestam e acodem;
Os avós são como os poetas: tiram da vida sonhos e esperanças.
Compartilham dos segundos, dos minutos e das horas dos netos.
Quando a criança está para nascer avó se aflige.
A mulher, por ser mulher, é toda sentimentos;
Quer auxiliar a filha na hora do parto. 
Fica próxima a cama, anda de um lado para outro.
Arruma o berço, estica cobertores, olha as fraldas e roupinhas.
A avó, nesse momento, é duas vezes mãe. 
Mistura `a lágrima da filha que vai ser mãe,
 o sorriso de quem jamais deixará de ser mãe!
Como é bela a vida que é vida e a vida que vai chegar!
As avós são assim: ternas vigias que só dão carinho e proteção.
Os seus braços parecem asas de anjos emprestados do Céu. Nosso Neto!
O avô chega de leve. Orgulhoso, pergunta: é parecido comigo?
Depois a criança cresce e se torna adulta. 
Parece que os avós crescem com elos.
Mas um dia... e chega um dia em que todos se separam.
O casamento dos netos irão gerar novas vidas.
E mais tarde quando a morte dos avós chegar só restarão  lembranças.
Muitos netos hão de sentar-se na calçada do tempo.
E ouvirão por certo, a canção que não foi cantada.
E tentarão ver nas estrelas os protetores de sua infância.
Quando os avós não estiverem mais na terra. 
Lembrem-se de que eles continuarão a viver.
Recordem-se dos momentos em que eles brincavam para ver os Netos sorrirem.
E que faziam caretas e engatinhavam. 
Mas que, também, pulavam e até choravam.
Que os pais e netos olhem o carrinho antigo , 
aquela bola de meia de um natal distante;
Os óculos de lentes vencidas, a caneta já sem tinta.
Os sapatos sem brilho e as ranzices inocentes dos velhos.
Felizes são os netos quando possam engrandecer os avós.
Os avós nada querem, nada pedem, nada falam.
A ternura dos olhos dos avós é como o sorriso de Deus.
A chamar, a abrigar e a Amar.