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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Um Natal de luz e amor pra você


Neste Natal o meu maior desejo é que os nossos corações estejam plenos de esperança e que as nossas almas nos movam sempre em direção ao bem comum.
Que o amor nos ilumine e que cada gesto, cada uma das nossas palavras tenham o dom de nos trazer paz e felicidade.
Que o Natal nos inspire na busca da harmonia e da paz. Que este espírito prevaleça e nos ajude a promover a concordância e a aceitação entre todos os seres humanos.
Desejo-te um Natal muito feliz, e sei que este meu desejo, esta minha proposta, será muito bem acolhida pelo generoso coração que tens.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

CORAGEM, UMA BOA DECISÃO PARA O ANO QUE SE INICIA!


por Elizabeth Zamerul Ally

O fim do ano chegou e naturalmente, muitos refletem sobre a própria vida. Como foi o ano que passou? Cumpriu os seus planos? A minha pergunta é: Quanto você se cuidou? Quanto se esforçou para atingir seus planos? Talvez você responda... "Ah, eu fiz o que pude..." ou "Mas também, você não sabe o que aconteceu... não deu..." Bem, é possível que a sua vida tenha melhorado e eu lhe parabenizo por isto, mas se você está se justificando para não se sentir culpado... Que pena! Só quero lembrar-lhe de uma coisa.

Ninguém vai cuidar de você. E não adianta chorar. É a vida.

Talvez você não me ache simpática, ou encorajadora, mas este é o ponto principal. Você está esperando que alguém lhe dê coragem? Então vou lhe contar um segredo. Aí fora, tem mais um monte de gente esperando que alguém lhes dê uma forcinha e eles estão frustrados e bravos porque nada aconteceu... ou até piorou.

Até quando você vai esperar? Você é forte, sabia? Você não precisa de forcinha de ninguém para chegar onde quer. Você precisa é tomar boas decisões. E coragem é uma delas. Como? Você não entendeu? Vou lhe explicar o que é coragem: é a disposição de enfrentar o medo. É só isto. Então você decide se dispor a superar as barreiras. Mas estas lhe parecem uma parede enorme pra atravessar? Bobagem... o medo tem o tamanho da importância que a gente dá a ele. Não dê tanta bola... Você pode! Eu sei disto porque todos podem. Não se deixe dominar pelos receios ou idéias desestimuladoras dos outros que só vão lhe dificultar mais o caminho. Seja firme e não se permita desanimar. Receios são naturais, todos têm, mas alguns não se deixam interromper por eles e olhe só para os seus resultados! Eles vencem porque nunca desistem. Então, faça o mesmo. A decisão é individual, só sua. Vá em frente. Faça este próximo ano um pouco melhor do que o que passou. Decida que no fim do próximo ano você vai comemorar mais alguns passos em direção ao seu sonho, aconteça o que acontecer. Você pode! 


Autora: Dra. Elizabeth Zamerul Ally, médica psiquiatra, psicoterapeuta especialista em Dependência Química e Codependência www.dependenciaecodependencia.com.br

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

CAio Fernando Abreu

Tenho trabalhado tanto, mas sempre penso em você. Mais de tardezinha que de manhã, mais naqueles dias que parecem poeira assenta e com mais força quando a noite avança. Não são pensamentos escuros, embora noturnos… Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você. Eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu. Mas se você tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais — por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido. Tinha terminado, então. Porque a gente, alguma coisa dentro da gente, sempre sabe exatamente quando termina. Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas. Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo. Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você, para mim. Te escrevo, enfim, me ocorre agora, porque nem você nem eu somos descartáveis. … E eu acho que é por isso que te escrevo, para cuidar de ti, para cuidar de mim – para não querer, violentamente não querer de maneira alguma ficar na sua memória, seu coração, sua cabeça, como uma sombra escura.
fonte: Pensador UOL

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

UM DIA A MENOS



Nem todas as pessoas têm 365 dias ao ano. Algumas têm 364. Quem perdeu alguém ao longo do caminho em uma morte prematura sacrifica uma data para sempre. O filho de uma amiga morreu em 13 de julho. Faz cinco anos e é como se fosse ontem. É um antianiversário. A ferida não consulta o calendário, a ferida é o calendário. O 13/7 não existe mais para ela. Ou existe em demasia. E não consegue, por mais que tente, esconder o luto, fingir compromissos, abafar a tristeza. Entre a manhã e a noite, o pavor de receber a notícia se repete. A impotência. A injustiça. Qualquer passante se parecerá com o médico que baixou definitivamente a cabeça. O azul do céu se revelará o avental do pronto-socorro. Morde-se os dentes para não morder a língua. Uma mãe grava o dia da morte do filho com a nitidez de uma unha encravada. Um filho encravado não se cura. Nem botando o próprio corpo fora. 

Filho falecido é uma dor de inverno. Mexer nos casacos do armário e encontrar bilhetes e papéis no forro. As golas com o cheiro do pescoço. As golas como os pêlos loiros do pescoço, somente reconhecíveis pela respiração. As roupas não deixam nunca ninguém morrer integralmente. Um rastro, uma mecha de vento, uma loção permanecem. Cheira-se a lã e reinventa-se a memória. 

Depois de cuidar de toda a vida do filho, uma mãe não se contenta: cuida toda sua vida da morte do filho. Adota a morte como uma criança no orfanato. Não que a morte seja seu filho, é o que mais se assemelha ao seu filho naquela hora. Depois de ver a vida do filho se ir, não pode deixar a morte do filho morrer. 

Mesmo ele não estando ali, uma vez ao ano, ela dá de comer a sua ausência, conversa baixinho, na cartilagem da ausência, com os garfos dos cílios. Um filho não é assunto de Deus, é assunto privado da carne. A chaleira dos ouvidos passa da hora e não se encontra forma de findar o zumbido. Não ter contado com a chance de acenar e abençoar, de dizer boa sorte, volte logo, tchau e até breve consomem a boca. 

A morte deveria ser educada e permitir despedidas. Entretanto, é grosseira, não admite ser menos importante do que o amor. Se o sofrimento traz pontadas no resto dos dias, neste dia é avassalador. Perder um filho é não perder ainda a esperança do filho. O gosto do filho. A alegria do filho. O suspiro do filho. Tudo é observado com zelo de uma reza. Reconhece-se na sola o quanto se caminhou. Os ouvidos são círios boiando na água. Flutuam em vozes conhecidas para manter a calma. 

Minha amiga diz que não pode me abraçar nesse dia com sua fisionomia triste. Diante da perda, há o costume de se isolar, de não querer incomodar os outros com sua dor. A dor não incomoda. O que incomoda é quem não sente a dor. Peço a ela a chance de abraçá-la. Não para abafar o fogo, mas deixar que se alastre. Não para confortar, mas para não apagar essa dependência, essa fidelidade ao nascimento. 

Fabricio Carpinejar

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Não chore mais


Texto enviado por uma leitora 

A morte não é nada. Apenas passei ao outro mundo. Eu sou eu, tu és tu. O que fomos um para o outro ainda o somos. Dá-me o nome que sempre me deste Fala-me como sempre falaste. Não mude o tom a um triste ou solene. Continua rindo com aquilo que nos fazia rir juntos. Reza, sorri, pensa em mim, reza comigo. Que o meu nome se pronuncie em casa como sempre se pronunciou, sem nenhuma ênfase, sem rosto de sombra. 

A vida continua significando o que significou: continua sendo o que era. 
O cordão da união não se quebrou porque estou fora dos teus pensamentos, apenas porque estou fora da tua vista? 

Não estou longe, somente estou do outro lado do caminho. Já verás que tudo está bem. 
Redescobrirás o meu coração, e nele redescobrirás a ternura mais pura. Seca tuas lágrimas, e se amas, não chore mais 

fonte: grupo casulo

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

ADEUS



Meu filho João cometeu suicídio. Então tudo fica muito estranho e a vida meio que perde um pouco o sentido.Um vácuo, um vazio. São dias difíceis que precisam ser administrados com coragem e, principalmente, humildade, para poder aceitar os desígnios da natureza sem se deixar levar pelo desespero.
Os amigos nessa hora são um esteio, uma proteção contra a aflição. Nos momentos limítrofes, pensei e chorei baixinho por todos os que se foram como ele e em todos os que ficaram, como eu fiquei. Unidos na dor de outros seres, serenei o que me foi possível serenar. Nada a fazer. A grande nau segue viagem e eu terei que viver o que me resta, conversando comigo mesmo, tentando consolar meu coração. Quando Jorge (Kather) me abraçou me deu uma vontade imensa de voltar a ser criança, de estar de novo na Juca Esteves chutando bola na porta de aço da garagem do doutor Euclides. Queria poder voltar e fazer tudo de novo, igualzinho… teria assim uma outra chance de rever meu filho, lá no futuro… São pensamentos malucos, mas a cabeça da gente delira… Tenho mais três filhos e tenho seis netos pequenos. Somos muito unidos e o que levou João foi uma doença que existe e que leva a isso.

Saberemos estar unidos e confiantes daqui pra frente encontrando o jeito de viver que existe e que saberemos encontrar. A presença de meus amigosde infância no sepultamento confortou meu coração e eu senti um imenso amor por Taubaté… tudo que estava ali, meus amigos, meus parentes, tudo, de alguma maneira, veio de Taubaté comigo. Daqui pra frente eu serei visto também como aquele que perdeu um filho tragicamente. Tentarei ser melhor, tentarei ser mais amigo, mais irmão e mais fiel à minha terra que, na verdade, é tudo que eu tenho. Teria que ir cumprir minha missão de embaixador do Esporte bem no dia em que tudo aconteceu. Não deu. Sugiro com meu coração partido e visivelmente sob o domínio dessa emoção indesejável, que cada um de vocês que me leem, perdoe seus inimigos, se os tiver e se proponha a ser mais generoso com a vida. Divirtam-se mais, amem mais, deixem-se estar expostos as brisas frescas, saboreiem as frutas da terra, sintam o gosto da água matando sua sede. Ouçam música! Não se deixem sofrer pelas coisas que não são vitais em suas vidas. E que Nossa Senhora Aparecida ilumine nossos corações e acaricie nossas almas; as nossas e a de João, meu filho!

fonte: Almanaque Urupês

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Aceitar a morte não significa desistir da vida

fonte:somostodosum
:: Bel Cesar :: 
Semana passada fui surpreendida com um comentário de uma paciente com câncer ao me dizer: Você está me fazendo sentir vontade de viver, mas eu não devia sentir mais apego pela vida, devia aceitar a morte! Seu desabafo nos levou a uma longa conversa sobre a importância de compreender que para aceitar a morte não precisamos desistir da vida.

Intelectualmente pode não ser tão difícil compreender que para aceitarmos a vida temos de aceitar a morte. Mas, por que emocionalmente rejeitamos essa premissa? Porque não nos sentimos preparados para deixar algo se ainda nos sentimos carentes dele! Ou seja, exatamente porque sentimos falta de vida em nossa vida é que não nos sentimos preparados para deixá-la!

Pode parecer um paradoxo, mas são justamente as pessoas que estão cheias de vida que demonstram paz quando estão enfrentando sua própria morte. Estar ao lado delas é em si uma experiência gratificante, pois, até mesmo quando não podem mais falar, nos transmitem mensagens de fé e serenidade. As pessoas à sua volta passam a falar por elas, lembrando de como souberam valorizar a vida!

Podemos não querer falar sobre a morte e, muito menos, sentir sua presença em nossas vidas. No entanto, catástrofes como das ondas Tsunamis no Oriente nos despertam um sentimento de urgência em compreender a morte para não perdemos a fé na vida: intuitivamente sabemos que enquanto separarmos a vida da morte estaremos presos ao medo de viver ambas experiências.

O que significa aceitar? A aceitação é o resultado de um acordo, no qual nos tornamos receptivos a algo. Isto é, aceitamos algo quando amadurece em nosso interior a confiança: não há mais luta, apenas abertura, pois todas as nossas resistências foram abandonadas.

Segundo a psicologia budista, aceitamos nos desapegar de algo quando estamos realmente satisfeitos. Por isso, quando amamos ou nos sentimos profundamente amados por alguém, aceitamos até mesmo nos desapegar desta pessoa ou situação: pois estamos bem estocados deste amor dentro de nós. As pessoas que aceitam morrer são aquelas que estão satisfeitas com suas vidas!

Desapego, neste sentido, significa estar nutrido de amor espiritual.
Todos nós já sentimos essa forma elevada de amor quando desejamos que a pessoa amada seja realmente feliz: com ou sem a nossa presença. No entanto, em geral, nosso amor é mais emocional que espiritual: amamos na carência, isto é, nos alimentamos do sentimento de que amar é sentir necessidade de receber o amor do outro. Neste sentido, damos excessivo valor a algo ou alguém só porque nos faz falta. Isto é, nos comunicamos melhor com o outro quando estamos longe dele!

Mas também é verdade que quanto mais soubermos reconhecer nossa capacidade de amar, menos dependentes estaremos da presença física da pessoa amada. A prova que esta premissa é verdadeira está no fato de que continuamos a amar alguém mesmo após sua morte. A dinâmica do amor continua em nosso interior: continuamos a nos dedicar à pessoa amada mesmo depois que ela já se foi. Rezamos por ela, e muitas vezes passamos a nos dedicar a finalizar seus projetos e realizar seus desejos.

Assim como explica Robert Sardello em seu livro Liberte sua Alma do Medo: No amor espiritual, o bem da outra pessoa vive dentro de cada pensamento que me vem, quer o pensamento tenha ou não a ver com ela. O termo espiritual para essa qualidade é intento, que carrega um significado muito mais sutil do que quando dizemos que temos a intenção de fazer algo. Intento carrega o sentido de que alguma coisa mantida no pensamento se tornou tão real como se estivesse literalmente presente – não presente à minha frente, mas em todos os lugares dentro de mim. No amor espiritual, aquilo que se torna tão absolutamente real é a qualidade espiritual da outra pessoa, sentida no intento de ser orientada unicamente para o bem da outra pessoa. Na vida diária, o aperfeiçoamento do amor espiritual se concentra nos pensamentos que temos em relação à outra pessoa. Esses pensamentos não são iguais àqueles que surgem da saudade de alguém, da lembrança de algo que fizeram juntos no passado ou de pensar sobre o que a pessoa possa estar fazendo no momento. No amor espiritual, não necessariamente pensamos na outra pessoa, ao contrário, a outra pessoa, como espírito, tornou-se completamente entrelaçada à minha existência de modo que, mesmo sem perceber, ela está comigo a cada momento, de uma maneira que acentua a minha própria liberdade individual em vez de impedi-la

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Cinco dicas para mudar algo em sua vida

Pierre Schürmann
Filho mais velho da primeira família brasileira a dar uma volta ao mundo de veleiro, é amante da vida simples

O processo não tem fórmula, mas junte sua coragem, planeje um pouco e se dedique de coração à sua mudança





Quando meus pais saíram para dar sua primeira volta ao mundo de veleiro, em 1984, eu tinha 15 anos. Lembro-me claramente das fases pelas quais passamos como família.
Primeiro, as pessoas riram. Achavam tudo aquilo uma grande piada. Em um segundo momento, quando viram que a partida era inevitável, duvidavam que conseguiríamos. Dez anos depois, quando voltamos ao Brasil, notei que havia um misto de admiração e, principalmente, inveja.
Em abril faz um ano e meio que decidi me mudar para a Bahia, na busca de equilíbrio e qualidade de vida. Havia me mudado para São Paulo em 1996 por causa da minha EMPRESA DE INTERNET (Zeek!), que acabei vendendo para a StarMedia em 1998. Como as oportunidades na cidade eram boas, acabei ficando dez anos por lá.
Na semana passada, fiquei duas semanas direto em São Paulo. Como consequência, tive a oportunidade de rever amigos, fazer reuniões de negócios e aproveitar um pouco do que a cidade tem de melhor.
Invariavelmente, em todas as conversas com amigos e clientes, em algum momento me perguntavam: “E aí, quando volta a São Paulo?”. Ou: “Quando vai largar a vida boa em Salvador?”.
Mas o que quase ninguém se deu conta é que não me mudei de cidade, mas de estilo de vida.
Se você já fez uma mudança importante em sua vida, sabe que mudar não é fácil. Mudar de cidade, de emprego, de estilo de vida e até de relacionamento, demanda um misto de coragem, planejamento e desprendimento.
Não sou nem me considero um especialista em mudanças, mas gostaria de compartilhar com você algumas dicas que me ajudaram muito. Espero que aproveite:
1) Toda escolha tem embutida em si uma perda. Não dá para querer estar no centro dos negócios e morar em uma ilha. Nem conseguimos PERDER PESO ou melhorar nossa forma física sem exercício ou se continuarmos comendo as guloseimas que tanto gostamos sem limite. Por isso, tente entender quais são as perdas que sua mudança lhe trará. Se acha que consegue viver com elas, vá em frente.
2) O melhor momento é o momento que você decidir mudar. Conheço uma pessoa que largou o emprego para montar sua empresa no meio da crise econômica. Todos achavam que estava louco e que não era o momento. Hoje ele me disse que, não fosse a crise, jamais teria conseguido crescer seu negócio tão rapidamente devido aos investimentos que seus concorrentes fariam.
3) Algo sempre vai dar errado. Sou uma das pessoas mais otimistas que conheço. Mas uma das coisas que mais me liberaram emocionalmente foi ter a certeza de que quase nada na vida funciona do jeito que planejamos. Sempre acontece algo inesperado que altera nosso plano e nos desvia um pouco de onde queremos chegar. Ter consciência disso lhe permitirá aceitar essas "curvas" na estrada como parte do caminho e deixar a vida fluir na direção certa.
4) O processo de mudança às vezes é mais importante que a mudança em si. Toda mudança importante requer uma revisão de nossos valores, regras e momento atual de vida. Por isso, quase sempre nos oferece um momento raro de podermos olhar para dentro de nós mesmos e crescermos no processo.
5) Voltar atrás não é sinal de fraqueza.  Alguns dos maiores erros que cometi foram resultado de eu não querer voltar atrás em mudanças que fiz em minha vida. Achei que poderia passar um sinal de "fraqueza" ou "fracasso" para familiares, amigos e pessoas do meu relacionamento profissional. Deixei que meu ego me convencesse que perderia prestígio. Não hesite em desfazer a mudança se achar que cometeu um erro e que será mais feliz do jeito que as coisas eram antes.
Poderia compartilhar muitas dicas adicionais, mas tem outra que desfaria tudo isso. E essa dica é: mudança não tem fórmula! O que funcionou para mim pode não dar certo para você.
Por isso, se preferir esqueça as dicas acima. Junte sua coragem, planeje um pouco e se dedique de coração à sua mudança.
Decidir mudar, por si só, pode ser a maior e melhor mudança que fará em sua vida.
fonte:http://www.istoe.com.br/colunas-e-blogs/coluna/60742_CINCO+DICAS+PARA+MUDAR+ALGO+EM+SUA+VIDA

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O adeus que ainda não dei

por Leticia Maria-jornalista em Taubaté


Amanhã espero ir ao cemitério fazer uma visitinha, levar flores e cantar baixinho
Revertere ad Locum Tuum”, “Hodie mihi, cras tibi!”, “Fuimos quod estis, sumus quod eritis”. Quem nunca foi pego algum dia lendo atentamente essas e outras tantas frases esquisitas em latim escritas às portas dos nossos cemitérios?
Eu, pelo menos, quando criança, ficava intrigada com elas sempre que acompanhava algum adulto num enterro qualquer. Acho que, como toda criança, me distraía com as peculiaridades daquele lugar diferente e cercado de mistérios, desde as fotografias dos túmulos até pelas histórias curiosas que eu ouvia.
Quanto às frases, só me dava por satisfeita quando alguém, além de traduzi-las, me fazia refletir sobre o sentido da morte. E eu ficava lá, pensando… “Voltarás para o teu lugar”. “Hoje eu, amanhã tu.” “Fomos o que sois, somos o que sereis.” Finalmente, quando entendi o que era a morte de fato (lá pela adolescência, provavelmente, por começar a perder amigos e parentes), passei um longo período evitando entrar em cemitérios. Quando o enterro era de alguém conhecido, ia até a porta para me despedir e só! Mas tem coisa que não dá para evitar. Trabalhando como repórter, tive de enfrentar alguns desafios desse tipo para tentar entrevistar famílias ou acompanhar exumações. Além disso, tive algumas vezes a incumbência de fazer as tradicionais matérias sobre Finados (movimento nos cemitérios, venda de flores, piriri, pororó…).
Como a vida (ou a morte?) não perdoa ninguém, passei a acompanhar minha tia Norma (tia como se fosse mãe, sabe?) em datas especiais (aniversário de nascimento ou de morte, Dia das Mães e Dia dos Pais) e no Dia de Finados ao cemitério onde estão enterrados meus avós. Confesso que fazia somente por amor.
Enfeitávamos o túmulo com flores, acendíamos velas. Eu, pacientemente, a aguardava fazer suas orações e lamentar sua imensa saudade.
Por vê-la triste (e até por não encontrar sentido naquele ritual todo), eu sempre dizia: “Tia, eles não estão aqui, isso era só matéria. A senhora é uma pessoa com tanta fé, sabe que a vida não termina aqui. Eles estão bem, em outro lugar, perto de Deus”. Ela parecia nem dar bola ao que eu falava. Era o momento dela com eles, seus pais. Não tardou muito (para ser exata, dois anos após a morte de minha avó), para que ela fosse fazer companhia a eles e, curiosamente, me vi repetindo o mesmo ritual, naquele mesmo túmulo.
Nos primeiros tempos após a sua morte, o cemitério era visita obrigatória quando eu ia a Aparecida. Hoje, vou bem menos (no Dia das Mães, e em Finados, geralmente) mas, em todas as vezes, levo flores e fico sentada ali por horas, rezando, conversando em pensamento, contando coisas sobre a minha vida. É o meu momento com ela, com minha querida tia. Não é ela quem está ali? É só matéria? Papo furado! É claro que é ela, a única referência que resta (mesmo porque não sabemos o que tem do outro lado) de alguém que teve uma presença tão forte na minha vida.
Era a tia Norma quem segurava a minha mão quando eu sentia medo do escuro; era ela quem trocava (sem reclamar!) minhas roupas quando eu fazia xixi na cama; foi ela que pagou grande parte dos meus estudos (inclusive, as aulas de piano) sem nunca me contar; era ela quem escrevia cartas para mim toda semana quando fui estudar fora; sempre foi ela quem me ouviu e me socorreu nos momentos de dor e de angústia e que, claro, também vibrou com cada uma das minhas vitórias.
Amanhã, espero ir até lá fazer uma visitinha. Faz tempo que não vou.
Devo levar flores também e cantar baixinho aquela balada do Tim Maia, que poucas vezes consigo ouvir sem chorar: “Não sei porque você se foi…
fonte: UP!

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Meu amigo Bóris - Veronica Fukuda

Tem horas em que a tristeza chega com tudo
E parece mandar a alegria pra bem longe da gente...
Será que um dia ela pode voltar?



Meu amigo Bóris é um livro infantil, mas que também pode ser recomendado para todas as idades.
O livro conta a história de uma menina que diante de um fato trágico, perde a alegria e a espontaneidade de viver. Bóris, o outro personagem deste livro é uma figura muito estranha que se aproxima da garota e conquista a sua amizade.
As ilustrações  de Rosangela Grafetti são belíssimas e em detalhes sutis "contam" fatos não apresentados na história.
Um livro que fala de amadurecimento, amizade e superação. 
Vc pode encontrá-lo Aqui

locais de venda:

Livrarias Curitiba:
Rua das flores, shoppings Barigui, Palladium, Curitiba e Estação

Livraria Arte e Letra
R. Pres. Taunay, 130 - Batel, Curitiba - PR, 80420-180
Telefone:(41) 3223-5302

Livraria Navegadores
R. Cel. Dulcídio, 540 - Batel, Curitiba - PR, 80420-170
Telefone:(41) 3222-4797


sexta-feira, 17 de outubro de 2014


Coordeno no grupo Amigos Solidários na Dor do Luto, e hoje na nossa reunião, uma das colaboradoras me trouxe a gazeta com o texto, "depois do adeus a vida continua"' estou parabenizando pelo depoimento desta senhora sobre os duas dores e sentimento, da dor do luto e a dor da alma, e como lidar com a ausência, daquele ente querido...

Com carinho....
        Zelinda De Bona (coordenadora do grupo ASDL)

Depois do adeus, a vida continua


Mauricio tinha 15 quando morreu, durante as férias escolares. Nós, seus amigos, não pudemos vê-lo devido às circunstâncias da morte, em um acidente violento. Isso gerou em nós a sensação de que houve um desaparecimento, um sumiço. Nosso colega esvaneceu e quando as aulas recomeçaram, não estava mais lá. Durante anos lembrei dele como de alguém que está em algum lugar que desconheço e não de um falecido. Via seu melhor amigo, Mario, sozinho no colégio ou junto a outros garotos e me parecia que ele estava sempre deslocado. Talvez fosse só a minha impressão porque meus olhos estavam acostumados a ver os dois juntos juntos. Depois da realidade bruta, agora a morte se apresentava a nós, adolescentes, em sua face sútil: o vácuo deixado por quem se foi no mundo que nossos olhos veem, como um espaço vazio, e a dificuldade para aceitar que aquela pessoa não existe mais. Para os muito próximos, como era Mario em relação a Mauricio, ficou também a falta de jeito para tocar a vida, a vida que segue como se nada tivesse acontecido mesmo depois de um golpe violento.
Quase 20 anos depois, foi Denise, a colega de faculdade, que pouco eu via mas muito estimava. Também morreu em um acidente e em um lugar distante. Desta vez, sequer fui avisada. Um dia, liguei para o hotel em que ela trabalhava e a telefonista, sem cerimonia, me disse que ela tinha morrido. Caí no choro. Minutos mais tarde, outra pessoa da empresa ligou e conversou comigo. Denise também desapareceu do meu mundo material, como Mauricio, mas não da minha mente. Quantas vezes a vi caminhando pelas ruas de Curitiba em vislumbres que duraram segundos para em seguida me revelarem que se tratava de outra pessoa, que nem parecida com Denise era! Minha mente me enganou várias vezes e sei que não sou a única a ter esses delírios visuais com os conhecidos que se foram.
Foi-se agora a Bela, em um domingo de eleições, após uma breve doença. Não somos mais tão jovens, nem ela nem eu. Mas ainda assim é uma perda que acontece antes da Grande Temporada de Perdas, vivida por todos que chegam à velhice. Antes da hora em que nossa cabeça acharia mais aceitável, suponho. Só suponho, porque não cheguei lá e duvido que o impacto dessas perdas diminua de fato.
Mais uma vez, não fui ao velório, porque Bela vivia em Porto Alegre. Por mais que tenha acompanhado sua doença, por mais que tenha visitado-a um dia em que estava abalada por uma noite passada em branco, enfrentando dores excruciantes, ainda assim me resta aquela incompletude dos que têm que aceitar a morte mesmo quando ela chega como uma notícia, um recado no telefone.
Por horrível que seja a morte nas faces dos nossos amigos, a mensagem é tão concreta que para alguma coisa serve. Serve para nos confirmar a péssima notícia.
Mas Bela se foi – esse é o fato. E abre-se uma fenda no meu entorno. A vida, a realidade, a nossa humanidade – sei lá como nominar – está visível como nunca nesta fenda e quando tiro os olhos dela e me volto para o dia a dia, me sinto como uma traidora. Diante da perda de um amigo, ouvir as notícias sobre pesquisas eleitorais parece completamente fora de propósito. E comprar pão, e ler uma bobagem qualquer que alguém postou na internet, e ligar o computador... Tudo o que é comezinho está fora de proporção com o que a vida nos deu agora. O recolhimento, as cerimônias de despedida nos poupam por algumas horas ou por alguns dias de enfrentar esse paradoxo: uma pessoa que você ama desapareceu, mas tudo em volta continua o mesmo. Só você é que mudou, que está mais triste, mais pobre, mais só. Não há tempo nem espaço para se recompor, para fazer o luto da perda. É preciso ir votar, comprar pão, atender alguém que bate à porta, mesmo se sentindo um pouco traidor da memória de quem acabou de morrer.




sexta-feira, 10 de outubro de 2014

De mãos dadas

Cultivar a união entre as pessoas e a confiança no outro pode ser a chave para um amanhã melhor para todos.



PORLucas Tauil Freitas

Edição 139 Vida Simples

Desde que aportamos na Nova Zelândia, há um ano, não consigo desviar minha atenção das diferenças que separam essa ilha no Pacífico Sul do nosso Brasil. Durante a primeira semana aqui, depois de dois anos velejando por ilhas remotas e sem disponibilidade de peças de reposição, entrei em uma loja náutica com uma lista de equipamentos quebrados do Santa Paz, nosso veleiro.

Tirei a carteira para pagar a conta salgada, mas o vendedor me explicou que os pagamentos eram faturados apenas no fim do mês. Perguntei quais documentos ele precisava para o cadastro. Então ele me acompanhou até a porta e disse: "seu nome é Lucas, não? A gente confia em você".

Inabitada até o século 13, Aotearoa, como a chamam os nativos Maori, é uma nação mais jovem do que a nossa. A população polinésia rechaçou o primeiro europeu que esteve por aqui em 1642, o holandês Abel Tasman, e floresceu até a chegada de James Cook, em 1769. Apenas uma centena de nativos sobreviveu à colonização inglesa no século 19, mas a cultura polinésia reacendeu, e hoje 14% da população é Maori.

O fato é que não apenas os Maori, mas a grande maioria da população vive com dignidade. As instituições funcionam e o salário mínimo é de cerca de R$ 4 mil e a remuneração média, da ordem de R$ 6 mil.

Diversos fatores apontam a origem da diferença, como seu tamanho pouco maior que o Estado de São Paulo e menos populoso. A Nova Zelândia também se beneficia do vínculo com a coroa britânica e se insere no mercado de países de língua inglesa que comandam a economia mundial. Não há dúvida de que todas essas questões são determinantes, mas há dois traços culturais que me saltam aos olhos no país: a confiança e a proatividade da comunidade.

Desde que chegamos, a escola das crianças organizou quatro mutirões. Cada um com mais de cem pessoas de pá e enxada na mão. Há dois meses, achamos uma carta carinhosa em nossa caixa de correio. Nossos vizinhos nos convidavam a participar de um piquenique em um terreno desapropriado para virar uma praça. Os moradores se organizavam para plantar árvores. Ninguém esperava que o governo realizasse a obra. Esse tecido social sadio é uma inspiração e me faz pensar sobre o mote no Brasil: a esperança é a última que morre!

Sonho com a confiança e a ação dando as mãos à esperança, com nossa gente tomando para si a responsabilidade de florescer esta nossa terra. Brasil que guarda minha raízes.

Lucas Tauil de Freitas veleja com a família desde 2013 e está na Nova Zelândia reformando o barco.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O exercício da paciência


por Frei Beto
O noviço indagou do mestre como exercitar a virtude da paciência. O mestre submeteu-o ao primeiro dos três exercícios: caminhar todas as manhãs pela floresta vizinha ao mosteiro.
Disposto a conquistar a paciência e livrar-se da ansiedade que o escravizava – a ponto de ingerir alimentos quase sem mastigá-los, tratar os subalternos com aspereza, falar mais do que devia -, durante nove meses o noviço caminhou por escarpas íngremes, estreitas fendas entre árvores e cipós, pântanos perigosos, enfrentando toda sorte de insetos peçonhentos e bichos venenosos.
Nove meses depois o mestre o chamou. Deu-lhe o segundo exercício: encher um tonel de água e carregá-lo nos braços todas as manhãs, ao longo dos cinco quilômetros que separavam o rio da fonte que abastecia o mosteiro. O noviço tampouco compreendeu o segundo exercício mas, julgando a sua desconfiança sintoma de impaciência, resignadamente aplicou-se à tarefa ao longo de nove meses.
Chegou o dia do terceiro e último exercício: atravessar, de olhos vendados, a corda que servia de ponte entre o abismo em se encravava o mosteiro e a montanha que se erguia defronte. Com muita reverência, por temer estar ainda tomado pela impaciência, o noviço indagou ao mestre se lhe era permitido fazer uma pergunta. O velho monge aquiesceu. “Mestre, qual a relação entre os três exercícios?”
O mestre sorriu e seu rosto adquiriu uma expressão luminescente: “Ao caminhar pela floresta, você aprendeu a perder o medo da paciência. Soube vencer meticulosamente cada um dos obstáculos e não se deixou intimidar pelas ameaças. Agora sabe que, na vida, o importante não é disputar na pressa quem chega primeiro. O que vale é chegar, ainda que demore mil anos. Observou também a diversidade da natureza e dela tirou a lição de que nem todas as coisas são do jeito que preferimos.”
“Ao trazer água do rio, você fortaleceu os músculos do corpo e aprendeu a servir. A impaciência é a matéria-prima da intolerância, do fundamentalismo, do desrespeito, da segregação. A paciência exige humildade, generosidade, solidariedade.”
O noviço compreendeu, mas ainda uma dúvida pairava em sua mente. O mestre o percebeu. “Agora você quer saber por que atravessar olhos vendados a corda que nos serve de ponte de, não é?”, indagou o velho monge. E acrescentou: “Com a paciência impregnada em seus pés que trilharam a floresta inóspita; a força impregnada em seus braços, que aprenderam a servir; agora você fará o exercício da fé. Não poderá enxergar, mas confiará que a corda permanecerá sob seus pés. Não poderá apoiar-se, mas se entregará à certeza de que seu corpo é como a água que você trazia: movimenta-se, mas não cai. Não poderá fugir ao abismo que se abre abaixo, mas andará convicto de que, do outro lado, há a montanha sólida a esperá-lo e acolhê-lo. Assim é o Pai de Amor quando nos dispomos, na escuridão da fé, a ir ao encontro Dele.”
trecho adaptado:site Frei Beto

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Os olhos de quem vê


Parábolas

 
Um dia, um pai de família rica, grande empresário, levou seu filho para viajar até um lugarejo com o firme propósito de mostrar-lhe o quanto as pessoas podem ser pobres. Seu objetivo era convencer o filho da necessidade de valorizar os bens materiais que possuía, seu status e prestígio social. O pai queria desde cedo passar esses valores para seu herdeiro.
 
Eles ficaram um dia e uma noite numa pequena casa de taipa, de um morador da fazenda de seu primo.
 
Quando retornavam da viagem, o pai perguntou ao filho:

 E aí filhão, como foi a viagem para você?
 Muito boa, papai.
 Você viu a diferença entre viver na riqueza e viver na pobreza? 
 Sim pai... - Retrucou o filho, pensativamente. 
 E o que você aprendeu com tudo o que viu naquele lugar tão pobre? 
 
O menino respondeu: 

 É pai, pude ver muitas coisas...
 
Vi que nós temos só um cachorro em casa, enquanto eles têm quatro. Nós temos uma piscina que alcança metade do jardim, e eles têm um riacho sem fim. 
 
Nós temos uma varanda coberta e iluminada com lâmpadas fluorescentes e eles têm as estrelas e a lua no céu. 
 
Nosso quintal vai até o portão de entrada e eles têm uma floresta inteirinha. Nós temos alguns canários numa gaiola e eles têm todas as aves que a natureza pode oferecer-lhes, soltas!
 
O filho suspirou e continuou: 

 E além do mais, papai, observei que eles oram antes de qualquer refeição, enquanto nós sentamos à mesa e falamos de negócios e eventos sociais. Então comemos, empurramos o prato e pronto!
 
No quarto onde fui dormir com o Tonho, passei vergonha, pois não sabia sequer orar, enquanto ele se ajoelhou e agradeceu a Deus por tudo, inclusive por nossa visita. Lá em casa, vamos para o quarto, deitamos, assistimos TV e dormimos. 

Outra coisa papai, eu dormi na rede do Tonho e ele dormiu no chão, pois não havia rede para cada um de nós. Na nossa casa, colocamos nossa empregada para dormir naquele quarto onde guardamos entulho, apesar de termos camas macias e cheirosas sobrando.
 
Conforme o garoto falava, o pai ficava constrangido, enrubescido e envergonhado. O filho, em sua sábia ingenuidade e brilhante desabafo, abraçou o pai e ainda acrescentou: 

 Obrigado papai, por ter me mostrado o quanto somos pobres!

 
Não é o que você tem, o que faz ou onde está, que irá determinar sua felicidade, mas o que você pensa sobre isto. 
 
Tudo o que você tem depende da maneira como enxerga e valoriza. Se você tem amor e sobrevive nesta vida com dignidade, tem atitudes positivas e partilha com benevolência suas coisas, então você tem tudo!

fonte: Tom Coelho

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Renovando Vidas


Por Marcos Meier

A vida vale muito mais a pena quando amamos
Minha avó tinha uma planta muito esquisita. Ficava numa tigela , sem absolutamente mais nada, sem terra, areia ou água. Era seca, “esturricada” como ela me dizia. E no fim do ano, perto do Natal, ela colocava a tigela no centro da mesa e adicionava água. No outro dia, como uma espécie de milagre, ela não estava mais seca e sem vida, mas aberta e verde. Eu achava que ela tinha algum truque, que `a noite, longe dos meus olhos, trocava a planta por outra. Mas tudo indicava que não, que aquela bola de folhas secas realmente voltavam `a vida. Era a “Rosa de Jericó”.
Todo aquele pequeno “milagre” me encantava muito, mas o que mais me marcou não foi a planta em si, mas o que eu ouvia: “Marcos, `as vezes o que parece seco e morto, pode ser transformado quando recebe água na hora certa e na quantidade certa. A vida também é assim. Talvez um dia, sua vida possa parecer seca, então acrescente a água certa e tudo vai ser renovado.”
Nos últimos anos de sua vida, ela morava numa casa aos fundos da casa da minha mãe. Numa manhã, ela bateu `a porta dizendo: “Filha, acho que tive um derrame. “Seu rosto estava contorcido e sua fala arrastada e tudo indicava realmente que o caso era sério. Voltou do hospital com algumas sequelas e eu sonhava com um “milagre”, uma transformação que a fizesse estar “verdejante” novamente. Nunca aconteceu. E a “Rosa de Jericó” me pareceu uma falsa promessa.
Só mais tarde, anos após a morte de minha “vovó” que eu pude perceber que ela estava renovada em mim, pois eu sempre lembrava de suas palavras de incentivo para que eu continuasse a estudar e a crescer profissionalmente. Conheci pessoas que me davam conselhos e me motivavam como ela o fazia. E foi então que pude aceitar que a vida vale muito mais a pena quando amamos, quando somos amados, quando podemos fazer a diferença na vida de alguém e que nossas ações podem renovar vidas. Talvez sua vida não esteja verdejante e você a sente seca, sem esperança. Não é hora de desistir , nem de lamentar, nem de queimar tudo, mas de acrescentar amor verdadeiro, de buscar amizades reais, de investir no afeto e ter paciência de ver a transformação que virá. E nosso amor, materializado em ações práticas, será a “água” renovando vidas secas e resgatando “Rosas de Jericó”.

Marcos Meier é psicólogo, escritor e palestrante

Fonte: Revista Viver Curitiba