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sábado, 29 de outubro de 2011

Não sabemos mais amar



Neste texto , vou resumir alguns trechos muito interessantes de uma matéria da jornalista Talita Cícero sobre relacionamentos, entitulada "Não sabemos mais amar?", publicada na revista "Filosofia - Ciência e Vida".


Em meio a tantas crises existenciais, o homem contemporâneo esqueceu de sua maior virtude: o amor.

Existem várias definições nos dicionários para a palavra amor: sentimento que impele as pessoas para o que lhes afigura belo, digno ou grandioso / Afeição, grande amizade, ligação espiritual / Carinho / Desejo sexual...etc. Mas o que significa este sentimento no mundo das idéias filosóficas? O que é amor para o filósofo e qual o verdadeiro significado deste sentimento para a nossa vida?

Amar está além das aparências, do corpo e da beleza exterior. Amar, para alguns filósofos, é buscar o que nos falta. Acabar com a carência da alma, procurar inquietar o que tanto alardeia: o vazio do espírito humano. É um sentimento evoluído, que somente pessoas evoluídas conseguem senti-lo. Longe da visão romãntica que conhecemos, amar não é precisar do outro porque simplesmente aprecia a companhia. Amar é necessitar da presença do outro, pois as almas se completam e sozinho o mundo não tem sentido.

Professor da Universidade Católica de Santos e do Centro Universitário Monte Serrat e mestre em Lógica e Filosofia da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Fábio Cardoso Maimone, explica que, dentro dos temas da Filosofia, o amor é um dos mais importantes sentimentos. "Até mesmo na palavra Filosofia há relação com este sentimento: amor pela sabedoria. Sofia é sabedoria e Filia é um tipo de amor, que não é carnal, mas o amor da busca, do desejo; é o amor da inquietação". O amor de amigo.

Então, o filósofo, enquanto praticante da Filosofia, é aquele que inquietamente busca por algo, que não se conforma e procura saber sempre mais. Assim nasce a Filosofia. É o amor pela sabedoria entendido como um desejo equilibrado por procurar conhecer mais, citando Platão, em "O banquete". O pensador diz que o amor é a tônica do filósofo, que busca pelo conhecimento de uma maneira sensata, sem cair no desequilíbrio. "Pitágoras, que muito influenciou a obra de Platão, dizia que o perigo do amor está justamente na desmedida e no desequilíbrio", conta Maimone, acrescentando que a falta de harmonia em relação ao amor acontece quando a pessoa gosta mais do objeto de desejo do que o próprio desejar. "O que mata qualquer relação é quando a pessoa se dedica ao relacionamento em busca de uma posse. É o ciúme possessivo nos dias de hoje". dessa forma, o indivíduo não ama amar o outro, ele ama a "coisa outro". Isso não é amor, pois amor não é posse.

... o verdadeiro amor para os seres humanos também é um sentimento de busca pelo que nos falta, sendo que esta lacuna pode ser preenchida por diversos tipos de objeto. Emocionalmente, amar é buscar no outro um alguém que supra nossas carências afetivas e espirituais. O diretor da escola de Filosofia Nova Acrópole de Santos (SP), Marcelo Augusto de Oliveira ressalta que, no ponto de vista dos filósofos, o amor legítimo busca por uma complementação. "Expresso por Platão, é um sentimento da alma quando ela sente que perdeu sua condição divina.", explica.

Mas se o amor em si é um sentimento muitas vezes compreendido de maneira errônea pela sociedade, ainda mais mal interpretado é o ponto de vista da Platão a esse respeito. Para muito, amor platônico é aquele não alcançado, que fica apenas na vontade, longo do objeto de desejo, uma quimera. Oliveira explica que "na visão de Platão o verdadeiro é o amor da alma pelo conhecimento e pelo lado espiritual da vida, relacionado a uma lembrança. Segundo o pensador, o verdadeiro amor é um impulso de vida para a sabedoria e não necessariamente para uma pessoa".

"Do ponto de vista da Filosofia, o amor é uma força, uma energia, que se manifesta na alma como um sentimento de lembrança. De algo que a alma já teve, mas perdeu", destaca Oliveira, completando que o amor é uma espécie de carência nesse ponto de vista. Carência que não é representada por alguém chorando, mas sim pelo impulso de alguém que busca.

O professor Maimone também concorda que o amor platônico é mal interpretado atualmente. Contrariando o senso comum, que enxerga esse sentimento como algo sensível e intocável, "o amor platônico é aquele que não se fixa no transitório, no corpo, na matéria. Mas sim o que supera tudo isso". Assim que se fixa no corpo, confundimos o amor com paixão. Só que a paixão acaba, enquanto o amor é eterno.

Uma paixão acaba com a morte do corpo, já aquilo que você realmente aspira e deseja, que é a beleza na alma, sempre vai existir. Dessa forma, a idéia de que o amor platônico é o irrealizável não está certa; ele apenas pensa em alguma coisa que supera o mundo terreno. "É o impulso da alma rumo a algo que transcende esse plano, a coisa física, que é somente a paixão - um dos estágios do amor, mas não o amar em si mesmo", esclarece Maimone.

Outro julgamento errado é encarar o amor como um sentimento que fragiliza(...) Oliveira explica que, na realidade, "o verdadeiro amor é desenvolvido para que as pessoas vivam de uma maneira melhor, com justiça e amizades verdadeiras. É um sentimento possível somente para os fortes. Somente indivíduos com caráter formado, equilibrados, são os que realmente amam no sentido filosófico".

Muitas vezes o amor é interpretado como uma espécie de desejo, quando na Filosofia este anseio está mais relacionado à paixão. "Esse apego não nos leva à virtude" justifica Oliveira. Confundimos o desejo com a vontade. O desejo tem a ver com os apegos, um desejo passional pelas coisas. A vontade é uma força da alma, que nos impulsiona a agir de uma forma boa.

Na Filosofia o amor nunca é o objeto, como explica Maimone. O amor é a busca, e somente ama quem carece. Citando Platão, o filósofo diz que "o amor é um pulso ascencional da alma rumo à sabedoria". O amor é uma vontade de saber mais e não de ser mais.

O amor é um sentimento em relação à vida, de enxergar valores nas coisas além das aparências. É um sentimento idealístico, como uma visão espiritual da vida.

Amar no sentido filosófico do verbo não é impossível de se alcançar, mas sim um longo processo de aprendizado e evolução humana. "O grande problema é que vivemos num mundo que nos cria necessidades superficiais, as quais nos confundem diariamente" explica Oliveira. "Por isso os relacionamentos são tão difíceis; as pessoas não compartilham ideais, sonhos, pensamentos. É algo preso ao corpo, e não na alma", ressalta o filósofo, completando que nesses casos as diferenças de personalidades ficam muito grandes. Quando existem ideais comuns, as diferenças de personalidade continuam existindo, mas você tem algo mais forte que ajuda a superar.

Nesse sentido, nunca um relacionamento foi tão marcante quanto o casamento de Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir. Ele, filósofo e literato, ela, literata e filósofa; os dois franceses. durante quarenta anos, o casal viveu um incompreendido casamento aberto, visto por ambos como um amor necessário. Conforme as palavras de Simone: "Entre nós, trata-se de um amor necessário: convém que conheçamos também amores contingentes". Inspirados por Aristóteles, Sartre e Simone seguiam à risca as teses das diferentes formas de amar, e seu relacionamento permanece até hoje como único. Acusado por marxistas e cristãos, de manipulador da população e ateu, respectivamente, Sartre responde às críticas em seu livro "O Existencialismo é um Humanismo", dizendo que o existencialista não crê na força da paixão e nem acedita que o amor é uma bela torrente devastadora. Maimone explica que de acordo com o filósofo nenhum sentimento pode ser uma desculpa para uma ação. Assim, não é tolerável matar por amor ou por ódio. Sartre acreditava que qualquer compromisso não estava em determinada religião, mas sim entre as pessoas. "O amor pra ele é o impulso que leva a agir, mas nunca desculpa para uma ação. Tudo o que o homem faz é resultado da escolha dele" esclarece Maimone. É impossível tentar fugir de uma escolha. E depois de escolhido, impossível de desfazer a ação. "Todo ato humano tem duas características: a imprevisibilidade e as irreversibilidades", sendo assim, Sartre optou pelo relacionamento aberto, pois acreditava que se houvesse uma aliança não seria com Deus, mas sim com os homens.

Na época, em uma sociedade cristã e com valores presos aos mandamentos da Igreja Católica Apostólica Romana, como era a sociedade francesa e européia, foi como uma bomba basear um relacionamento sério em duas pessoas e não na Igreja Católica.

"As pessoas, ainda hoje, mais talvez do que no século XX, confundem liberdade com libertinagem. O existencialista carrega a liberdade humana, mas responde por tudo aquilo que faz", critica Maimone, ressaltando ainda que "Na minha visão, o ser humano está muito preso à visão libertina. Quer fazer, mas não quer responder". Hoje, as pessoas falam em ficar, morar junto sem casar, mas, na opinião do professor, talvez o relacionamento não seja levado tão a sério em termos de responsabilidade quanto foi com Sartre. "Creio que atualmente as pessoas estão assumindo esse relacionamento aberto no sentido de libertinagem e não com a mesma seriedade e consciência de que esta é uma escolha que influencia na vida do outro".

Devido à complexidade deste sentimento, amar não é inato, ninguém nasce com a capacidade intensa e total de amar. É um processo gradativo. Dentro de sua crença realista e aristotélica, Fabio Marmone diz: "Se em cada momento da vida desejo coisas diferentes, então o amor é um processo gradual que pode ser evolutivo, ou que, de repente, você desaprende", conclui o professor, e ainda ressalta "não acredito que a pessoa já nasça acabada, pronta para amar. Acho que é um processo, que vamos aprender por esforço, exercício e repetição".

fonte:REvista Filosofia ciência & vida
http://fbbraun.blogspot.com/2009/07/o-amor-do-ponto-de-vista-filosofico.html

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Uma etiqueta para o luto


Fonte : Revista Seleções
Data : Agosto de 1998
Autora : Crystal Gromer

Ajudar pessoas que sofreram uma perda não é fácil. Eis o que você precisa saber.
Em uma quente noite de julho, há vinte anos, meu marido Mark, com 24 anos, morreu. Inteligente e espirituoso, tinha cabelos castanhos que vivia puxando da testa. Ele me amava, disso não tenho a menor dúvida. Em todas as fotos que possuo de Mark, ele olha como se tivesse acabado de dizer algo engraçado. Estávamos casados havia nove meses e meio.
Num instante, registrado no atestado de óbito, eu perdera meu mundo. Não estava preparada, como ninguém pode estar. O luto não é uma viagem para a qual nos preparamos. É um momento extremamente solitário.
“Que posso fazer?”, perguntavam-se as pessoas. “Obrigada”, replicava eu, sem saber o que dizer e tentando tranqüiliza-las. A verdade é que não podemos fazer o que desejaríamos: trazer a pessoa de volta à vida.
“O que posso fazer?”, perguntei recentemente quando, de repente, o telefone tocou e eu soube da morte de um amigo. Telefono ou escrevo? Faço uma visita? Envio flores? Alimentos? O que eu digo?
Como essas perguntas me vieram logo à mente, passei bom tempo pensando nelas. Descobri que há uma etiqueta para o luto. Não é tanto série de regras quanto maneira de ser; requer que se dê espaço para a tristeza, para algo que não tem remédio. Em conseqüência, vai de encontro a suposições culturais que devemos esquecer.
Tendemos a pensar que sempre podemos recomeçar. Consideramos o luto como condição, algo a ser tratado tranqüilamente, nos bastidores, no consultório de alguém, 50 minutos por semana, com remédios. É como se nosso modelo para o luto fosse um tratamento de canal. Primeiro é terrível, depois melhora, finalmente acaba. Ultrapassados os estágios necessários, todos podem respirar aliviados. Quando o cônjuge se casa novamente, ou o casal tem outro filho, sabemos que a tristeza passou. Isso pode ser resolvido em um filme de TV.
Essa necessidade paliativa é difícil de reprimir. Quaremos ajudar. “Você precisa sair”, dizemos. “Ir ao cinema, almoçar com um amigo, comprar algumas roupas novas.” Seria mais útil oferecer solidariedade. “Você gostaria de...?”, em vez de: “Você deveria...”
No contexto do luto, o lugar-comum é simplesmente de mau gosto. “O tempo cura todas as feridas”, um amigo repetia para mim recentemente no funeral de outro amigo. Mas se realmente pensássemos a respeito da palavra curar, saberíamos como é terrível esse processo, como é doloroso e incerto. Se dois anos após um acidente com patins meu polegar esquerdo ainda não recuperou sua mobilidade, o que dizer do estado de minha alma depois da morte de um amigo, de meu marido?
Tentamos minimizar o pesar. “Pelo menos ele não sofreu”, dizem as pessoas. “Pelo menos ele não se tornou um vegetal.” A toda a hora você ouve um “pelo menos” sair da boca de um conhecido. Pare! Criar uma possibilidade imaginária pior não torna a realidade melhor. Isso a banaliza. “Pelo menos você é jovem”, as pessoas me dizem. “Pelo menos você tem a vida pela frente.” Como? Então isso não conta? Ouvir que tenho a vida pela frente só serve para lembrar que vou ter de me esgotar talvez durante 50 anos sem Mark. Os outros precisam tomar consciência da importância do luto e deixa-lo seguir seu curso, e não tentar faze-lo desaparecer.
O tom é importante. Devemos evitar a depreciação, mas também a reverência. Depois da morte de Mark, tinha a impressão de que as pessoas me olhavam como se eu fosse uma trágica heroína. Elas tendiam a olhar para as mãos quando conversavam comigo, as vozes se tornavam suaves para mostrar que compreendiam. No entanto, pareciam estar falando apenas para a imagem que tinham de mim. Eu me sentia solitária, um ser que ninguém queria conhecer.
Uma etiqueta para o luto deveria nos dizer o que fazer. Deveríamos ir a um funeral para engrossar as fileiras, para nos tornarmos membros de uma comunidade que lastima a perda de uma pessoa insubstituível. Podemos proteger as chamadas telefônicas de modo que as pessoas não tenham desculpa – “Eu não queria perturba-la” – para não ligar. Podemos aceitar flores, alimentos. Podemos dirigir, procurar carta, criar e apresentar uma estrutura da qual o dia ou a noite possa emergir.
Você deve escrever mensagem e não simplesmente assinar um cartão de saudações. Jamais comece “As palavras não podem expressar...” Você está se servindo de palavras, portanto não as use para expressar um vago sentimento de tristeza. Escreva sobre uma lembrança da pessoa que morreu, tão clara e exatamente quanto possa. Você pode dar isso como presente, uma foto de palavras. Nunca é tarde demais, portanto não se desculpe dizendo que já se passou um mês ou mais. Escreva de qualquer modo.
Numa reunião de minha faculdade, certa mulher que conheceu Mark na escola se aproximou para conversar – apenas um minuto ou dois – sobre suas recordações a respeito dele. Ouvir as lembranças de 17 anos antes foi maravilhoso, pois às vezes penso que Mark é apenas uma fantasia. Pergunto-me se ele realmente existiu. Não consigo mais me lembrar do som de sua voz ou do contato de sua mão.
Muitas vezes evitamos dizer algo significativo porque tememos que isso possa magoar. É claro que magoa! Mas a dor não é pior. Constrangimento também não, e isso deve servir de lição para os que gostariam de ajudar. A fuga é pior. O esquecimento é pior.
Dar e receber consolo são as atividades mais profundamente humanas. Uma etiqueta para o luto deve ajudar-nos a viver com o que é difícil – e compartilhar o que é sincero.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

domingo, 23 de outubro de 2011

UMA PALAVRA DE CONFORTO



Quando o ser humano perde um ente querido, ele sofre. A dor, o sofrimento, a tristeza, são alguns companheiros que ficaram presentes após a perda de uma pessoa amada e querida, e por muito e muito tempo ficarão conosco.
Mas o tempo cura a dor, a saudade vai chegando devagar, e somente o que resta é a lembrança boa e agradável daquele jantar, natal, páscoa, de uma viagem, ou mesmo das coisas comuns do cotidiano. Enfim qualquer tipo de festa, ou momento de descontração e alegria, que passamos juntos, será lembrado.
O consolo, está em confiarmos que um dia vamos nos reencontrar, matar as saudades, rir, chorar de alegria, e ver que aquele sofrimento passado era passado.
É bom lembrar de coisas boas, mas temos também que olhar para nós e para as pessoas que ficaram conosco, e estão sofrendo. Vamos fazer com que esta lição seja uma lição positiva para que possamos levar a vida adiante, sem dor e sem ressentimentos e saiba que tudo passa, e o tempo é o melhor amigo nestas horas.
Texto do Bispo auxiliar de Curitiba, Dom Sérgio Arthur Braschi, publicado no jornal Café Prestígio em setembro de 2003  

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

VELHAS ARVORES




Olha estas velhas árvores, — mais belas,

Do que as árvores mais moças, mais amigas,

Tanto mais belas quanto mais antigas,

Vencedoras da idade e das procelas . . .

O homem, a fera e o inseto à sombra delas

Vivem livres de fomes e fadigas;

E em seus galhos abrigam-se as cantigas

E alegria das aves tagarelas . . .

Não choremos jamais a mocidade!

Envelheçamos rindo! envelheçamos

Como as árvores fortes envelhecem,

Na glória da alegria e da bondade

Agasalhando os pássaros nos ramos,

Dando sombra e consolo aos que padecem!


OLAVO BILAC

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Se temos de esperar,
que seja para colher a semente boa
que lançamos hoje no solo da vida.
Se for para semear,
então que seja para produzir
milhões de sorrisos,
de solidariedade e amizade.

sábado, 15 de outubro de 2011

15 de outubro – Dia de Lembrança à Perda Gravídica e Infantil



O dia 15 de outubro é associado, em vários países do mundo, à lembrança das perdas de crianças ou bebês, seja qual for a causa da morte. Assim, convidamos aos nossos leitores para apreciarem os artigos relativos à morte na Infância publicados neste domínio virtual. Como ilustração a esse dia marcante para muitas mães e pais, irmãos e avós, tios e sobrinhos, terminamos esse memorando com as palavras da inesquecível Elisabeth Kübler-Ross (1978):


Não faça do quarto do seu filho um santuário. Mas, por outro lado, não esconda as fotos e as recordações. Se você não pode decidir o que fazer com os brinquedos, a bicicleta ou, até mesmo, as roupas, não faça nada. Não há pressa alguma. O tempo é uma invenção humana; na verdade, isso não existe. Concentre-se na vida, no seu companheiro, nos seus pais, que não somente sofrem pela sua aflição, mas também pela perda de um neto. Faça coisas com seus outros filhos, e então você poderá se concentrar nos seres vivos e parar de ficar conjecturando sobre realidades que não podem ser mudadas. Aprenda a aceitar lentamente as coisas que você não pode mudar, e a se concentrar nos seus filhos vivos e naqueles que fazem parte da sua vida. Se você estiver solitário, pense nos milhares de pessoas solitárias da sua vizinhança. Compartilhe o seu tempo e o seu amor com elas, pois isso irá ajudá-lo a resistir à autopiedade e a cair no fundo do poço. Existem tantos orfanatos para crianças e adolescentes não desejados onde você pode, literalmente, salvar uma vida, caso você ouse se envolver com um deles. A taxa de suicídio entre eles é assustadora, e se você precisa de amor, dedique-se e isso o amor retornará cem vezes mais. [...] Fale com o seu filho que morreu, se isso lhe ajuda. Compartilhe com ele o seu progresso e mostre que você pode lidar com as tempestades da vida, porque a morte de um filho, geralmente, é um aprendizado de amor incondicional, e o amor incondicional não possui reivindicações, expectativas e nem exige a necessidade da presença física.

Tradução Livre para a Língua Portuguesa.

Esse texto foi retirado do blog do Rodrigo Luz : http://www.quandoavidadizadeus.com/

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A LIÇÃO E A MENSAGEM DA SEQUOIA.




Todas as segundas-feiras à tarde nos reunimos na sala 118 da UFPR, ala de Psicologia,  para o costumeiro  encontro do Grupo Amigos Solidários na Dor do Luto. Certo dia, eis quem aparece de repente, minha amiga de longa data,  Dra. Isabel, uma mulher maravilhosa, daquelas pessoas que quando está do seu lado o aprendizado é muito grande e sempre marcado com histórias que ela conta com prazer e alegria.

Naquela tarde ela chegou trazendo uma revista, e depois dos cumprimentos perguntou se  conhecíamos as Sequóias, mostrando as imagens incríveis e maravilhosas de uma reportagem. Eu realmente não conhecia e a maioria das pessoas que estava na reunião também não. Ela então explicou que eram árvores gigantes – as maiores do globo terrestre - cresciam na estreita faixa costeira entre  o Sul do Oregon e da Califórnia central, a terra dos superlativos. Nascem de uma semente muito pequena e chegam a altura de um prédio de 30 andares. Duram séculos e séculos – chegam a viver até 2 mil anos -  e são tão fortes que resistem a quase tudo. Possuem uma casca muito grossa, que as protege de grandes incêndios, ou quando atingidas por tempestades e furacões, comuns naquela região.

O nome “Sequoia  sempervirens” foi dado   em homenagem a um  líder indígena e aos superpoderes da gigante que resiste ao fogo e se adapta a condições climáticas diferentes: frescor e umidade na  base, vento e secura no topo. Quando o vento sopra a 160 Km/h e balança sem dó suas copas, é nas companheiras que as Sequóias se apoiam. As raízes e os galhos de umas se entrelaçam nas das suas semelhantes e formam um verdadeiro muro de proteção, uma  floresta constituída de um só abraço.

Por que estou  contando a história das Sequóias? O que têm elas conosco? Com o grupo ali reunido? Qual era a mensagem trazida pela Dra. Isabel? Ela justificou: na dor do luto, por mais fortes que sejamos, só poderemos vencer o incendio  destruidor de vidas, as tempestades e os furacões, se tivermos apoio. Na dor do luto, precisamos  estar  entrelaçados, uns se  apoiando em outro para que cada um esteja  fortalecido.

E ela continuou contando que, numa floresta de Sequóias, havia uma que tinha  mais de 600 anos e estava morrendo. Os biólogos,  os pesquisadores  preocupados ,  realizaram todos os estudos possíveis para descobrir o que está acontecendo com aquela árvore que sempre foi sadia, cuja história mostrava que  ela era tão resistente que já havia superado incêndios, tempestades, terremotos e furacões. Nada descobriram,  fizeram tudo para salvá-la, mas não conseguiram. E a grande Sequóia tombou mortalmente, e então os cientistas  descobriram que minúsculos insetos haviam se infiltrado lentamente em suas raízes e  foram  minando o seu interior até que provocaram sua morte.

A grande e poderosa árvore, que  havia resistido a grandes desafios durante toda sua vida, não conseguiu resistir a insignificantes bichinhos que, dia a dia, roubavam uma pequena parcela da seiva de sua vida.

 Na nossa vida não é diferente. Sobrevivemos, não poucas vezes, às tempestades e furacões que a vida nos oferece: uniões desfeitas, perda de emprego, de bens, desilusões, traições e tantas outras tempestades, mas a tudo vencemos  com FÉ e AMOR, pensando nas pessoas que nos cercam e nos rodeiam, principalmente os nossos familiares. Mas se permitirmos que os bichinhos minúsculos,  que nunca conseguimos  ver, como a Depressão, Mágoa, Tristeza, Solidão e muitos mais que só nós sabemos, invadam nosso ser – nossa alma –, eles vão acabar por destruir e depois tirar a nossa vida.
Em especial se a dor do luto nos atinge, precisamos lutar contra as pequenas e perigosas dores da perda. Realmente é um terremoto de grande intensidade cujos efeitos têm que ser vencidos com o que restou, mas não podemos permitir que os “nada”, os pequenos insetos da solidão, da perda, nos atinjam. Nesse momento é preciso, é necessária a união, o apoio em outras pessoas. O entrelaçamento, o abraço amigo, a palavra de quem já sofreu perda semelhante são imprescindíveis. É vida que volta a se refazer.

 Sempre falo que nós, mulheres, somos um pouco de Maria, e hoje digo que somos como as Sequóias, testemunhas das inúmeras transformações do nosso planeta e das civilizações e como elas, no momento da dor, precisamos estar unidas.
Zelinda de Bona. (coordenadora do Grupo ASDL.)

domingo, 9 de outubro de 2011

PELA PRESENÇA E MAIS





O que aqui estou escrevendo vem de dentro do meu coração. Agradeço a você ZELINDA e a todas as MÃES que foram me dar apoio na audiência no Tribunal ontem e agradeço as MÃES que não foram, porque entendo perfeitamente, mas sei que estavam naquele momento o tempo todo pensando como estava o andamento da audiência.
Meus olhos se encheram de lágrimas e meu coração bateu muito forte quando entrei na sala de audiência e alí as MÃES estavam sentadas com tanta dignidade e serenidade, porque todas sabem da DOR.
Agradeço a DEUS por ter conhecido o GRUPO AMIGOS SOLIDÁRIOS NA DOR DO LUTO e em especial a ZELINDA por me reservar uma cadeira lá, juntinho com vocês.
A todas as MÃES e suas FAMíLIAS, eu posso falar também pelo meu filho MÁRCIO que tenham PAZ e continuem ajudando ao próximo, é o que eu também vou fazer.
O MAL que alí estava, tentando de todas as formas denegrir a imagem do meu filho, fazendo do bandido uma vítima, não conseguiu me atingir, porque cada MÃE sabe o filho que cria.
Meu filho teve uma passagem rápida aqui na terra, amou a JESUS e hoje está ao lado DELE.
Obrigada Senhor Deus.
 

Sueli do Rocio.
mãe do Marcio

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

ASDL completa 13 anos de existência

Olá meus amigos e amigas:

Hoje dia 06 de Outubro estamos completando o nosso 13º no Aniversário, perdemos a conta de quantas pessoas passaram pelo grupo.
Amigos muitos... Contruimos uma familia, fizemos a nossa história.
Agradecemos muito a Deus e ao Divino Espirito Santo por tantas benções nesta caminhada.
Obrigada Rosana mãe do Carlos que plantou essa sementinha, estamos cuidando, regando com uma água cristalina, afofando e adubando com muito amor essa terra
abençoada, a planta que nós foi confiada....
Hoje já estamos distribuindo mudinhas...

Com carinho Zelinda e aos parceiros do Grupo ASDL 

TUDO COMEÇOU EM 1998 COM NOSSA QUERIDA ROSANA, VOCÊS PODEM LER A NOSSA HISTÓRIA AQUI





Fotos by Thaís Malucelli


AMIGOS SOLIDÁRIOS NA DOR DO LUTO


Anjos coloridos da maior estrela guia.
Mediadores da tristeza, suplicantes da alegria.
Instrutores do bem, mestres da realidade.
Gigantes condutores da bondade.
Ordeiros vencedores da dor
Seres imutáveis, criadores do amor.

Sol que ilumina a triste noite da saudade.
Onde as lágrimas se transformam em esperança.
Levando o desespero, deixando a vida como herança.
Infatigáveis mestres, combatentes da maldade.
Divindades que consolam a dor da morte.
Amantes de Deus sejam qual for a sorte.
Relíquias sagradas que fazem das lágrimas um sorriso.
Inspiração mortal construtora da verdade.
Ostentação de sábios que ensinam a igualdade.
Solidários beneficentes curando a dor do luto.

Navegadores das ilusões dos que padecem.
Astros brilhantes na vida dos que renascem.

Dádiva de Deus que conforta o ser perene.
Oráculo que ameniza a vida em sofrimento.
Realeza que luta para aplacar todo tormento.

Devoção que resigna ente querido.
Obstinado no refazer do ser vencido.

Luto festa da razão, tristeza do coração.
União singela no clamor da oração.
Tertúlia sagrada que defende a existência.
Orador exultante que engrandece a vida.

do poeta e escritor: Ivanildo Bezerra Damasceno

domingo, 2 de outubro de 2011

"Culpada é a educação que demos"

Gazeta do Povo
Paraná - 27/09/2002

Pai de um dos garotos mortos em acidente lamenta versões sobre o fato - O contador César Bordin é pai de Jacques, um dos quatro adolescentes mortos no acidente de carro que chocou Curitiba, na madrugada do último domingo. Na ocasião, o Renault Megane dirigido por G.R.M.C., de 16 anos, descontrolou-se e bateu em um poste. G. foi o único sobrevivente. Morreram Jacques Eduardo Bordin, 18 anos; Rodrigo Castro Arruda, 16; Thiago Augusto da Silva Magalhães, 17; e Rafael Martins Ferrari, 17. 
Em depoimento exclusivo à Gazeta do Povo e ao Portal TudoParaná, Bordin reflete sobre a tragédia que vitimou seu filho, conta que gostaria de ter conhecido melhor os pais dos amigos do jovem e fala sobre os diferentes comportamentos que um filho pode ter conforme a situação – diante dos pais, de um amigo e quando está em grupo, por exemplo. Bordin vê o acidente como uma fatalidade e lamenta que os fatos estejam sendo alterados. 

"Avaliei o que houve e questionei: como isso pôde acontecer comigo, que levava e pegava meu filho no local, determinava que tomasse táxi, por segurança pedia que ligasse avisando quando estava voltando, para que eu o esperasse no portão de casa. 

Jacques saía em grupo, ia à casa dos amigos, a barzinhos, ao clube. Todos eram do colégio e há cerca de três semanas viajaram para Bonito (MS) numa excursão do Santa Maria. 
Ainda ontem assisti à fita da viagem e vi como estavam alegres, brincando, sem maldade. Com isso descobri uma falha na vida que levamos: os filhos convivem e os pais não se conhecem, no máximo se cumprimentam. Hoje eu diria: se meu filho tinha uma festa na casa de alguém, naturalmente deveria ir lá ver se os pais estavam em casa ou saber quem era o responsável pela festa. 

Os pais precisam conviver mais, porque não podemos simplesmente dizer para um filho de 18 anos : você não vai sair à noite . Mas não se pode permitir que um filho saia com carro sem estar habilitado, aliás era um trato que eu tinha com o meu e ele recebeu a carteira de habilitação temporária uma semana antes do acidente.
 Os pais não deveriam liberar o carro para os filhos à noite e, ao viajarem, tinham que tomar o cuidado de esconder as chaves, pois há coisas que um filho faz e o pai não descobre. O filho perante os pais é uma pessoa, com os amigos é outra e, em grupo, uma terceira. Mudam completamente e às vezes não medem os riscos. Eles cometeram um erro como tantos jovens, como eu cometi no passado, uma imprudência que foi fatal.
Não acredito que o erro que levou meu filho à morte tenha sido um passeio de carro a 60 km/h.  
Um passeio não faz um estrago daquele num poste e num carro, não leva todos à morte. Mas isso cabe a um órgão competente provar, não a um pai ou a um advogado. 

Sei que nenhum dos jovens saiu para cometer crime ou suicídio. Eles foram irresponsáveis: os dois que dirigiam, porque eram inabilitados, e os outros por aceitarem sair junto, quando não deveriam. Entendo que, num grupo de oito, um ou dois não ficariam na casa. Não há culpado entre eles, culpada é a vida que temos, a educação que demos. Por outro lado, facilidades permitiram o que aconteceu – por exemplo, a liberdade de um filho decidir que os carros poderiam ser usados para passear. Existem erros de todas as partes. O que me deixa mais triste, e aos pais dos outros jovens que morreram, é que talvez por interesses não muito dignos estejam tentando mudar a história, que não tem nada para ser escondido."
por Patrícia Kunzel, do TUDO PARANÁ