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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Meu filho mostra-me o caminho


  Se pudéssemos aceitar a morte do nosso filho...Se conseguíssemos entendê-la sem enlouquecer de angústia... Vamos para sempre ser vulneráveis a esta perda. A nossa vida passa correndo mas com a dor torna-se espessa e vagarosa até ao dia em que percebemos que o tempo não tem tempo.
 
        Passam os anos e quando paramos para lembrar parece que foi ontem. Reparem: Ao olharmos para trás já nem nos lembramos de como éramos em crianças...Da nossa adolescência ficaram só pequenos pontos na nossa memória. Tudo é lembrado, por vezes, por fotos guardadas pelos nossos pais ou por nós. É angustiante ficar para sempre interrogando como seria se... Não há retorno...não podemos resolver nada do passado...é como um copo partido, nunca mais nele podemos saciar a nossa sede, mas, a água continua a dar-se através de outros copos ou mesmo com as nossas mãos em concha. É tudo uma questão de vontade.
 
        Sinto, por vezes, uma dor muito fina quando lembro e sinto viva a ausência desse filho que tanto amei e  então simplesmente fujo... Quero que ele esteja em mim como uma criança que constantemente me mostra o caminho mais simples para continuar:.a serenidade, o amor, a amizade.
 
        Tudo é efémero... É preciso acreditar que a tranquilidade virá. Venceremos um dia a distância...é preciso dar tempo.
 
         Eu estou aqui esperando por todos vós para dar o meu apoio. É preciso acreditar num futuro cheio de vontade de melhor fazer, de melhor estar com todos. Com o ausente e pelo ausente sejamos solidários com o mundo.
 
 
Aida Nuno

Um comentário:

  1. Nossa, como me identifiquei com esse texto! Abençoada a autora, que traduziu tão bem o que se passa no meu coração!
    Beijos, e fique com Deus!

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