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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A LIÇÃO E A MENSAGEM DA SEQUOIA.




Todas as segundas-feiras à tarde nos reunimos na sala 118 da UFPR, ala de Psicologia,  para o costumeiro  encontro do Grupo Amigos Solidários na Dor do Luto. Certo dia, eis quem aparece de repente, minha amiga de longa data,  Dra. Isabel, uma mulher maravilhosa, daquelas pessoas que quando está do seu lado o aprendizado é muito grande e sempre marcado com histórias que ela conta com prazer e alegria.

Naquela tarde ela chegou trazendo uma revista, e depois dos cumprimentos perguntou se  conhecíamos as Sequóias, mostrando as imagens incríveis e maravilhosas de uma reportagem. Eu realmente não conhecia e a maioria das pessoas que estava na reunião também não. Ela então explicou que eram árvores gigantes – as maiores do globo terrestre - cresciam na estreita faixa costeira entre  o Sul do Oregon e da Califórnia central, a terra dos superlativos. Nascem de uma semente muito pequena e chegam a altura de um prédio de 30 andares. Duram séculos e séculos – chegam a viver até 2 mil anos -  e são tão fortes que resistem a quase tudo. Possuem uma casca muito grossa, que as protege de grandes incêndios, ou quando atingidas por tempestades e furacões, comuns naquela região.

O nome “Sequoia  sempervirens” foi dado   em homenagem a um  líder indígena e aos superpoderes da gigante que resiste ao fogo e se adapta a condições climáticas diferentes: frescor e umidade na  base, vento e secura no topo. Quando o vento sopra a 160 Km/h e balança sem dó suas copas, é nas companheiras que as Sequóias se apoiam. As raízes e os galhos de umas se entrelaçam nas das suas semelhantes e formam um verdadeiro muro de proteção, uma  floresta constituída de um só abraço.

Por que estou  contando a história das Sequóias? O que têm elas conosco? Com o grupo ali reunido? Qual era a mensagem trazida pela Dra. Isabel? Ela justificou: na dor do luto, por mais fortes que sejamos, só poderemos vencer o incendio  destruidor de vidas, as tempestades e os furacões, se tivermos apoio. Na dor do luto, precisamos  estar  entrelaçados, uns se  apoiando em outro para que cada um esteja  fortalecido.

E ela continuou contando que, numa floresta de Sequóias, havia uma que tinha  mais de 600 anos e estava morrendo. Os biólogos,  os pesquisadores  preocupados ,  realizaram todos os estudos possíveis para descobrir o que está acontecendo com aquela árvore que sempre foi sadia, cuja história mostrava que  ela era tão resistente que já havia superado incêndios, tempestades, terremotos e furacões. Nada descobriram,  fizeram tudo para salvá-la, mas não conseguiram. E a grande Sequóia tombou mortalmente, e então os cientistas  descobriram que minúsculos insetos haviam se infiltrado lentamente em suas raízes e  foram  minando o seu interior até que provocaram sua morte.

A grande e poderosa árvore, que  havia resistido a grandes desafios durante toda sua vida, não conseguiu resistir a insignificantes bichinhos que, dia a dia, roubavam uma pequena parcela da seiva de sua vida.

 Na nossa vida não é diferente. Sobrevivemos, não poucas vezes, às tempestades e furacões que a vida nos oferece: uniões desfeitas, perda de emprego, de bens, desilusões, traições e tantas outras tempestades, mas a tudo vencemos  com FÉ e AMOR, pensando nas pessoas que nos cercam e nos rodeiam, principalmente os nossos familiares. Mas se permitirmos que os bichinhos minúsculos,  que nunca conseguimos  ver, como a Depressão, Mágoa, Tristeza, Solidão e muitos mais que só nós sabemos, invadam nosso ser – nossa alma –, eles vão acabar por destruir e depois tirar a nossa vida.
Em especial se a dor do luto nos atinge, precisamos lutar contra as pequenas e perigosas dores da perda. Realmente é um terremoto de grande intensidade cujos efeitos têm que ser vencidos com o que restou, mas não podemos permitir que os “nada”, os pequenos insetos da solidão, da perda, nos atinjam. Nesse momento é preciso, é necessária a união, o apoio em outras pessoas. O entrelaçamento, o abraço amigo, a palavra de quem já sofreu perda semelhante são imprescindíveis. É vida que volta a se refazer.

 Sempre falo que nós, mulheres, somos um pouco de Maria, e hoje digo que somos como as Sequóias, testemunhas das inúmeras transformações do nosso planeta e das civilizações e como elas, no momento da dor, precisamos estar unidas.
Zelinda de Bona. (coordenadora do Grupo ASDL.)

3 comentários:

  1. Amiga ZeLINDA...qta emoção ao ler a lição das sequóias..Parabéns DR. Isabel!
    De FATO amiga,precisamos estar diariamente entrelaçadas como verdadeiras sequóias humanas para nos fortalecer e fortalecer a quem DEUS nos envia.
    Amo e aprendo a cada dia com todos vcs!
    bj fraternal.

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  2. Realmente não poderia haver exemplo mais justo e certo,como o das sequóias,pois não suportaríamos tamanha dor de perder pessoas que são mais importantes pra nos do que nossa própria vida se não fosse o apoio e a compreensão de pessoas como as que formam o grupo e a Dr Isabel.Agradeço a Deus a presença de vocês na minha vida,não sei como estaria se a copa da minha fragil arvore não tivesse entrelacada com a de vocês.abraços no coração.

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  3. Olá Zelinda. Hoje me sinto como uma dessas sequóias, sendo amparada e amparando. Fico feliz pela sua visita no meu Blog deixando seus recados.
    Também lhe amamos. Um grande beijo.

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