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segunda-feira, 19 de março de 2012

A DOR DOS PAIS POR UM FILHO NATIMORTO (NASCIMENTO DE UM BEBÊ MORTO)


 A devastação
Você se encontra tendo que lidar com a dor de dar à luz a uma criança morta? Você já teve que escutar as palavras devastadoras: "sinto muito, mas seu bebê está morto"? Como pai ou mãe, a sua angústia é indescritível. Você sabe que o que aconteceu é pior do que um aborto espontâneo durante o primeiro trimestre, mas ao mesmo tempo é algo menos do que sofrer com a morte de um bebê depois de uma gestação completa. Você não sabe por certo como se sentir.

Sua mágoa piorou quando você foi forçada a fazer uma indução do trabalho de parto e dar à luz ao seu filho - uma criança à qual nunca poderá dar carinho ou levar para casa. Você ainda teve que cuidar da certidão de óbito de um filho que nunca viveu e fazer decisões sobre como cuidar do seu corpo. Você olhou para a forma tão pequena de seu pequeno corpo e chegou até a vê-lo perfeitamente formado com ouvidos, olhos, mãos e pés. Você sentiu uma dor muito imensa por saber que essa criança nunca poderá ouvir, ver, andar ou sentir a vida em suas mãos.

Os fatos
Quando a morte do feto ocorre após a 20 ª semana de gravidez, ela é chamada de natimorto. Isso acontece com uma em cada duzentas gestações nos Estados Unidos a cada ano.1 A maioria ocorre sem muito tempo para se preparar. Os pais muitas vezes entram no consultório médico achando que vão escutar notícias do desenvolvimento de seu filho e em vez disso acabam escutando a triste notícia sobre o natimorto; dor e sofrimento seguem a notícia.

Mesmo o direito de poder sofrer às vezes é retido por uma sociedade que acredita que um feto ainda não é um bebê e que o ventre da mãe não está carregando uma vida preciosa. Enquanto mães que sofrem aborto espontâneo frequentemente não recebem o apoio necessário, elas podem pelo menos sofrer abertamente pela perda do sonho e pelo fim de uma gravidez que teria dado vida a um bebê muito esperado. Mães e pais que perdem um bebê recém-nascido recebem o apoio de uma comunidade que reconhece e legitima a perda de um filho. Mas quando um feto morre no útero, até a comunidade médica pode minimizar a imensa tristeza que acompanha tal perda por deixar de reconhecê-la como a perda de um bebê.

 A HISTÓRIA DE MARCOS E CRYSTAL
Crystal e Marcos tinham sido casados por seis anos quando decidiram que queriam começar a sua família. Cinco meses depois, o jovem casal estava radiante ao saber que dentro de poucos meses iriam compartilhar seus corações e lar com seu primeiro filho. No quarto mês de gravidez, quando souberam que Crystal estava esperando uma menina, eles comemoraram na seção de bebês de uma loja de crianças perto de sua casa. 

Eles leram todos os livros e estudaram o máximo possível sobre o desenvolvimento de sua filha. A primeira vez que Crystal sentiu seu bebê mexer, ela mal pôde conter sua alegria e correu para ligar para Marcos para compartilhar sua maravilhosa experiência. Naquela noite, enquanto falando com sua filha ainda no útero, Marcos pôde sentir a agitação de sua pequena vida. Aos cinco meses de gestação, tudo apontava para uma menina saudável e linda. 

Faltando apenas poucos dias para o chá de bebê, Crystal e Marcos foram juntos à sua consulta pré-natal do sexto mês. Infelizmente, o que acharam que ia ser mais uma boa notícia sobre o desenvolvimento do bebê terminou em tristeza indescritível no momento em que ouviram estas palavras: 

"Sinto muito, Crystal e Marcos, mas eu não posso ouvir os batimentos cardíacos do bebê e não posso detectar movimento." 

Crystal foi enviada imediatamente ao hospital para uma ultra-sonografia. O exame mostrou que algo estava tragicamente errado e que a filha de Crystal e Marcos tinha morrido no útero. Crystal foi admitida no hospital e colocada em um quarto no final do corredor da seção de maternidade. Um adesivo preto e discreto na porta advertiu qualquer visitante que a mulher daquele quarto não estava celebrando o nascimento de uma criança, mas, em vez disso, o luto de um natimorto. O hospital enviou uma assistente social para falar com o jovem casal privadamente. Ela encorajou-os a falar sobre sua perda e a se permitirem chorar abertamente. Ela também sugeriu que dessem um nome à menina. Cinco horas após a admissão ao hospital, Crystal deu à luz a Michelle Renee. A dor emocional que acompanhou este parto tornou a situação quase mais do que podiam aguentar. 

De primeira, o jovem casal não queria ver sua filhinha. Já esgotados fisicamente e emocionalmente por tudo que tinha acontecido naquele dia, eles se sentiram incapazes de olhar para o corpo sem vida. Marcos se lembrou das palavras de encorajamento da assistente social, juntamente com as palavras de amigos e familiares íntimos, os quais os incentivaram a dizer adeus. Então, mais tarde naquela noite, o casal foi dizer adeus à Michelle. Eles sabiam que precisavam validar a realidade de sua perda e serem os pais daquele bebê, nem que fosse por um breve momento. 

A mãe e pai de Marcos, os quais moravam na mesma cidade, vieram ao hospital para ter uma vigília de oração por seu filho e nora e para oferecer amor e apoio. Na sala de espera, o Sr. e a Sra. Carter se viram rodeados por outros avôs e avós que estavam aguardando ansiosamente o nascimento de seus netos. 

Naquela noite, Marcos deixou o lado de sua esposa para dar aos seus pais tempo suficiente para dizer adeus à sua primeira neta. A pequena Michelle, pesando pouco mais de um quilograma, estava deitada sobre um travesseiro de cetim branco em um quarto reservado para o seu velório. Quando a Sra. Carter entrou no quarto, ela não pôde conter a emoção de ver o corpinho perfeitamente formado de sua neta. Ela se curvou para tocar nos seus dedinhos e se maravilhou com a beleza de seus pezinhos. A sra. Carter finalmente começou a entender a realidade da morte dessa criança e a sofrer pela perda de sua primeira neta. 

Naquela noite, Marcos pediu para ver sua filha novamente. Uma enfermeira muito simpática trouxe a pequena Michelle ao quarto do casal enrolada em um cobertor branco. Marcos segurou em seus braços a sua pequena filha e, à medida que a balançava, lágrimas caíram livremente. 

Porque Crystal já estava no sexto mês, Marcos e Crystal tiveram que lidar com as formalidades de um atestado de óbito e opções para o enterro do corpo de sua pequena filha. Eles tiveram a opção de cuidar do enterro ou de deixar o hospital fazer isso. Eles escolheram que Michelle fosse cremada e que suas cinzas fossem colocadas em um medalhão como um lembrança de sua vida não vivida. Nos meses que se seguiram, o jovem casal recebeu muito amor de sua igreja local e encontrou o apoio de que precisavam para enfrentar o período de luto. 

Dois anos depois, Marcos e Crystal agora têm um belo filhinho de seis meses de idade. Eles vieram a compreender a importância de sofrer abertamente por uma perda tão grande como a perda de um filho. Devido à sua experiência, eles agora podem oferecer empatia e orientação para outros casais que estão passando pela mesma coisa. As palavras de Marcos à sua mãe, na manhã em que seu filho ia ser levado para casa, estão gravadas em sua memória como um exemplo da profundidade da melancolia que acompanha a perda de um filho, assim como da imensa alegria de vida depois de uma perda. 

"Estamos deixando o hospital agora, mãe. Desta vez, posso levar meu bebê para casa".

(Extraido do site: www.allaboutlifechallenges.org)



2 comentários:

  1. Sem dúvida é uma dor profunda, parece que não terminará nunca.
    Perdi meu bebê com quase 7 meses e meio de gestação, nunca imaginei que poderia acontecer comigo, sendo que, a gestação inteira transcorreu normalmente.
    Um dia espero dizer o mesmo que Marcos!

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