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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

A IMPORTÂNCIA DO OUVIR


(Texto extraído do livro: Histórias que curam. Conversas sábias ao pé do fogão de Rachel Naomi Remen)

Sejam quais forem os conhecimentos especializados que tenhamos adquirido, a maior dádiva que concedemos a alguém que sofre é a nossa integridade.  
Ouvir é o mais antigo e talvez o mais poderoso instrumento de cura. Com frequência, é pela qualidade do modo como ouvimos e não pela sabedoria de nossas palavras que conseguimos efetuar as mudanças mais profundas nas pessoas que nos cercam. Quando ouvimos, oferecemos com nossa atenção uma oportunidade para a integridade. Nossa atenção cria um santuário para as partes sem lar que existem dentro da outra pessoa. As que foram negadas desprezadas, desvalorizadas por ela mesma e pelos outros. As que são ocultas.
Nesta cultura, a alma e o coração com frequência ficam sem lar.
Ouvir cria um silencio sagrado. Quando você escuta generosamente as pessoas, elas podem ouvir a verdade em si mesmas, mesmo que pela primeira vez. E no silêncio de ouvir você pode conhecer a si mesmo em toda pessoa. Por fim você pode acabar sendo capaz de ouvir, em todas as pessoas e além de cada uma, o oculto cantando baixinho para si mesmo e para você.

Pouco tempo atrás, eu estava andando debaixo da chuva na cidade onde nasci, Nova York, pensando no lugar cheio de verde onde eu moro agora, grata pela facilidade com que as coisas crescem ali. Nem tudo tem espaço para crescer e realizar-se plenamente. A chuva deixou-me intensamente consciente do quanto é duro e cinzento aquele muro de concreto e tijolos e da espantosa capacidade dos seres humanos para prevalecer sobre o que é natural e curvá-lo a sua vontade. Por muitos e muitos quilômetros não parecia existir coisa alguma viva que pudesse reagir à chuva. Mas o importante é que a chuva cai. A possibilidade de crescimento está ali, mesmo nas épocas mais difíceis. Ouvir é como a chuva.

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