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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015


A morte pode ser vista como um mistério 

incompreensível. Ou como um absurdo inaceitável. A 
morte pode até ser tratada como um tabu, assunto do 
qual a maioria das pessoas não gosta de falar. Mas, 
seja como for, aceitemos isso ou não, a morte é um 
fato, uma realidade inexorável. E que vem para todos 
nós. Por mais que queiramos nos esconder dela, deixar 
de existir é uma coisa tão natural quanto existir. Na 
verdade, a morte é provavelmente a única coisa certa 
na sua existência ou na minha - e também na de nossos 
pais, nossos filhos, nossos ídolos e inimigos, de 
todas as pessoas que amamos e mesmo daquelas que 
jamais chegaremos a conhecer: é certo que todos nós 
vamos morrer um dia. Pessoas boas, pessoas ruins, 
gente em Xanxerê, Santa Catarina, ou em Nagano, no 
Japão. E esse dia pode acontecer amanhã ou daqui a 60 
anos. 

A morte faz parte da vida. Todos começamos a morrer 
exatamente no dia em que nascemos. A morte, portanto, 
é um etapa da nossa existência com a qual temos que 
conviver. Pode-se conviver melhor ou pior com ela. Mas 
não se pode evitá-la. Pode-se aceitar a sua 
inevitabilidade e olhá-la de frente. Ou pode-se 
negá-la, fugir dela, imaginar que não pensar na morte 
possa fazer com que ela deixe de acontecer com você ou 
com a sua família. Mas o fato é que todos nós estamos 
programados para nascer, crescer e morrer - uma 
obviedade esquecida por boa parte da sociedade 
ocidental contemporânea, que teima em ver a morte como 
um evento artificial, inesperado e injusto. Sobretudo, 
costumamos vê-la como um evento exclusivo, pessoal, 
que isola quem sofre uma perda, por meio da dor, do 
resto do mundo. Quando, ao contrário, não há nada 
menos exclusivo do que morrer. Nem nada que perpasse 
mais a humanidade do que o sofrimento de uma perda. 
Como está expresso na fábula tibetana, a morte não é 
privilégio nem desgraça particular de ninguém. Ela 
chega para todos, sem exceção. 

Como não podemos evitar a morte, só nos resta conviver 
bem com ela.
 
(trecho do artigo de M. Fernanda Vomero) 

fonte: grupo casulo

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