Força em dobro
fonte: gazeta do povo
Perder um filho de forma violenta, outro ainda bebê e enfrentar um câncer. A enfermeira Cleonice Goudart (foto acima), 48 anos, passou por essas situações e conseguiu manter-se otimista para poder criar suas outras duas filhas:
“Há oito anos perdi meu filho, Dario Luís, assassinado por um amigo
que tinha ciúmes da namorada. Ele tinha 21 anos e deixou uma filha que
hoje tem 11 anos. Era carinhoso, popular entre os amigos, nunca tinha se
envolvido em brigas. Antes disso, meu primeiro filho faleceu, aos cinco
meses, no Mato Grosso. Foi uma reação a uma vacina, outras crianças
morreram. Lembro que sofri muito, mas eu era uma criança. Tinha 15 anos e
nenhuma noção do que estava perdendo. Dario foi meu terceiro filho e
nos dávamos muito bem, pois eu o criava sozinha. Ele trabalhava de
cozinheiro em um restaurante de comida mineira. Não era de estudar, mas
queria cursar Gastronomia. Não deu tempo.
No dia em que ele foi morto, passei mal no serviço; parece que mãe pressente. À noite, antes de ele sair para buscar a filha nos avós, estava garoando e perguntei se não seria melhor ir no dia seguinte. Pedi um beijo e ele deu, brincando que eu estava carente. Quando vieram me falar que haviam atirado no Dario na frente de casa, corri e vi o agasalho clarinho que ele estava usando empapado de sangue. Ele disse “mãe…”. Foi a última coisa que falou. Senti uma dor de cabeça grande, me levaram ao hospital e quando voltei para casa, de manhã cedo, o corpo tinha chegado para o velório. Não lembro do enterro, estava um zumbi por causa dos calmantes. Cheguei em casa, dormi e quando acordei, perguntei à minha filha se era verdade. Ela disse que infelizmente era.
O rapaz que matou o meu filho não ficou preso mais do que alguns meses, por ser réu primário. Mas não consigo pensar em destino pior do que ser um assassino e sua família e vizinhos saberem disso. Fui ao júri e cheguei a questionar o juiz sobre o que faria se um colega desse uma sentença parecida sobre a morte de um filho dele e ele apenas sacudiu a cabeça. Foi quando percebi que teria que achar um jeito de superar essa dor, que nada traria meu filho de volta. Acho que nunca tive depressão porque não me fechei, procurei as pessoas. Comecei a frequentar lugares beneficentes, como o Pequeno Cotolengo e o Lar Luz Nascente, em Fazenda Rio Grande. Sinto-me bem com isso. Ameniza a dor e a falta que Dario sempre fará. Não só eu perdi um filho, muitas perdem todos os dias.
O meu filho morreu em maio de 2007 e em agosto tive uma hemorragia. Meu útero se rompeu do nada. Uma psicóloga me disse que o corpo reage ao sentimento que guardamos. O câncer de mama, descobri em 2012. Tive um abscesso, foi como se o organismo o rejeitasse. Fiz cirurgia para tirar parte do seio e radioterapia por um ano. Está tudo bem. Acredito na psicóloga, mas penso que se eu tivesse gritado e chorado muito, dependeria até hoje de antidepressivos. Preferi do meu jeito. Quem conversa comigo ou com minhas filhas não nota que tivemos essa perda. Não deixamos que destruísse o que nós tínhamos”.
Perder um filho de forma violenta, outro ainda bebê e enfrentar um câncer. A enfermeira Cleonice Goudart (foto acima), 48 anos, passou por essas situações e conseguiu manter-se otimista para poder criar suas outras duas filhas:

“Acho
que nunca tive depressão porque não me fechei, procurei as pessoas.
Comecei a frequentar lugares beneficentes, como o Pequeno Cotolengo e o
Lar Luz Nascente”. Cleonice Goudart, 48 anos, que perdeu dois filhos e
venceu um câncer, mas conseguiu se manter otimista. Foto: Letícia Akemi /
Gazeta do Povo
No dia em que ele foi morto, passei mal no serviço; parece que mãe pressente. À noite, antes de ele sair para buscar a filha nos avós, estava garoando e perguntei se não seria melhor ir no dia seguinte. Pedi um beijo e ele deu, brincando que eu estava carente. Quando vieram me falar que haviam atirado no Dario na frente de casa, corri e vi o agasalho clarinho que ele estava usando empapado de sangue. Ele disse “mãe…”. Foi a última coisa que falou. Senti uma dor de cabeça grande, me levaram ao hospital e quando voltei para casa, de manhã cedo, o corpo tinha chegado para o velório. Não lembro do enterro, estava um zumbi por causa dos calmantes. Cheguei em casa, dormi e quando acordei, perguntei à minha filha se era verdade. Ela disse que infelizmente era.
O rapaz que matou o meu filho não ficou preso mais do que alguns meses, por ser réu primário. Mas não consigo pensar em destino pior do que ser um assassino e sua família e vizinhos saberem disso. Fui ao júri e cheguei a questionar o juiz sobre o que faria se um colega desse uma sentença parecida sobre a morte de um filho dele e ele apenas sacudiu a cabeça. Foi quando percebi que teria que achar um jeito de superar essa dor, que nada traria meu filho de volta. Acho que nunca tive depressão porque não me fechei, procurei as pessoas. Comecei a frequentar lugares beneficentes, como o Pequeno Cotolengo e o Lar Luz Nascente, em Fazenda Rio Grande. Sinto-me bem com isso. Ameniza a dor e a falta que Dario sempre fará. Não só eu perdi um filho, muitas perdem todos os dias.
O meu filho morreu em maio de 2007 e em agosto tive uma hemorragia. Meu útero se rompeu do nada. Uma psicóloga me disse que o corpo reage ao sentimento que guardamos. O câncer de mama, descobri em 2012. Tive um abscesso, foi como se o organismo o rejeitasse. Fiz cirurgia para tirar parte do seio e radioterapia por um ano. Está tudo bem. Acredito na psicóloga, mas penso que se eu tivesse gritado e chorado muito, dependeria até hoje de antidepressivos. Preferi do meu jeito. Quem conversa comigo ou com minhas filhas não nota que tivemos essa perda. Não deixamos que destruísse o que nós tínhamos”.
Minha querida amiga, chorei ao ler seu post... impossível não se emocionar com esse depoimento tocante desta mãe guerreira, exemplo de força e coragem para tantas mães que "perderam" também seus filhos. É certo que cada pessoa reage de forma diferente frente à perda de um filho amado, mas acho que não devemos nos fechar na nossa dor, eu acredito que exteriorizar esse sentimento nos ajuda muito a superar. E este mês de maio é sempre bem mais dolorido para mim, no dia 30 fará 5 anos que minha Thais se foi, mal posso acreditar, é uma saudade que vai ser eterna e só o tempo mesmo para acalmar o nosso coração. A vida segue... Que Deus nos dê forças para continuar nossa jornada aqui na Terra. Um grande abraço, amiga.
ResponderExcluirFiz um post especial para os nossos amores que partiram. Passe lá no blog, se puder.
Obrigada amiga..Só hoje li o seu comentário passeimal co pressão alta e labirinto, ainda estou na casa dela .reze por mim amiga bjs
ResponderExcluirVi e li hoje e me emocionei com essa maezinha BJss.. Te amo..