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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

JANAINA FIDALGO

Trecho da matéria da Folha Online


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A morte é a única coisa certa na nossa vida, no entanto ninguém está preparado para ela", diz a professora Juliana Araújo, 25, num misto de mágoa e revolta pela morte da mãe, ocorrida há quatro meses. Mas é possível preparar-se para a morte dos outros ou para a própria morte? Para Bel Cesar, psicóloga e estudiosa do processo da morte segundo o budismo tibetano e que faz atendimento de pacientes que enfrentam o processo da morte, "não se separa o preparo da vida do preparo da morte. 

Viver as mudanças de uma maneira positiva, com auto-responsabilidade, automoralidade, já é o seu preparo para lidar com a sua morte e com a dos outros",diz. A psicóloga e coordenadora do Lelu (Laboratório de Estudos e Intervenções sobre o Luto), Maria Helena Pereira Franco, também defende o entendimento e a assimilação de pequenas "mortes" vividas diariamente por todos como uma forma de preparação. Um projeto que não deu certo, o emprego perdido, o casamento que acabou ou a reprovação no vestibular são exemplos de mortes simbólicas. "Trabalhar com essa experiência negativa, que causa dor, traz crescimento e é uma maneira de entender o cotidiano, de tocar a vida e avaliar o que é e como enfrentar a morte", diz Maria Helena. As crenças religiosas ou filosofias de vida podem ajudar e muito na preparação e no enfrentamento mais tranquilo de uma perda. 

Em "Morrer não se Improvisa" (ed. Gaia), de Bel Cesar, sustenta que a certeza de uma continuidade após a morte, defendida pelo budismo, ajuda as pessoas a lidarem com o "niilismo de nossa cultura materialista, em que o abstrato e o invisível não são reconhecidos". Mas ela também alerta para o risco de cair no extremo e passar a entender a morte de uma forma leve demais. Dessa forma, "também estaremos escondendo nosso medo de encará-la". "O melhor preparo para a morte é viver bem a vida. Para a antroposofia, quando uma pessoa termina o que tinha que fazer na terra, ela vai embora. "Acredito que, a cada relacionamento, trocamos também algo de nossa alma com a outra pessoa -e vice-versa. 

Damos e recebemos constantemente. Quando a morte chega a um de nós, é porque já fizemos todas as trocas anímicas que tínhamos para fazer nesta vida. Quando temos essa compreensão, já não sentimos mais "perder" uma pessoa quando ela morre. Porque o que essa pessoa tinha para nos dar já é nosso. Então ela estará sempre conosco e jamais irá deixar-nos realmente. Só no dia da nossa morte", escreveu o clínico-geral e pediatra antroposófico Luiz Fernando de Barros 
Carvalho no livro "Morrer Não se Improvisa". 

JANAINA FIDALGO - DA FOLHA ONLINE 

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