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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

PRECE DA MATURIDADE



Pai, agora que não estou mais no tempo de alimentar ilusões,
aguça meus sentidos para que eu perceba a beleza das realizações.

Agora que as opções foram feitas e tantas portas se fecharam em
definitivo, dá-me aceitação para que as renúncias não sejam um
fardo pesado demais.

Agora que a soma dos erros derrubou os jovens da onipotência, não me tires a pretensão de continuar tentando acertar.

Agora que tantos desenganos, tantas incompreensões, repetiram
lições de ceticismo, conserva minha boa fé e minha disponibilidade frente às criaturas.

Agora que as forças de meu corpo começam a falhar, alerta meu
espírito; livra-me do comodismo, redobra minha vontade.

Agora que já aprendi a precariedade de todas as coisas, as
limitações de todas as lutas, as proporções de nossa pequenez,
afasta-me do desânimo.

Agora que já alcancei o ponto de perspectiva que me dá a exata
visão do pouco que sei, livra-me da defesa fácil de colocar
viseiras e ajuda-me a envelhecer com a abertura dos corajosos, dos que suportam revisões até a hora da morte.

Agora que aumenta o círculo das crianças que me amam e esperam alguma coisa de mim, dá-me um pouco de sabedoria, ensina-me a palavra certa, inspira-me o gesto exato, norteia minha atitude.

Agora que perdi a abençoada cegueira da juventude e só posso amar de olhos abertos, redobra minha compreensão, ajuda-me a superar as mágoas, protege-me da amargura.

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