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quinta-feira, 30 de junho de 2011

É preciso expressar os sentimentos


O psiquiatra inglês Colin Murray Parkes se dedica a estudar as questões que envolvem o luto desde os anos 50. Para ele, a morte e o luto são eventos que mudam a vida, e a perda faz parte desse processo. Não há dúvida de que o luto é a experiência psicológica mais dolorosa que qualquer pessoa irá viver. O luto é um preço que temos de pagar. Algumas pessoas acham seu luto tão doloroso que ficam com medo de amar novamente. Mas o preço vale a pena, disse o psiquiatra em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo. 
Penso que o importante é ajudar as pessoas a saber que realmente não podem se preparar para um desastre. Os maiores problemas aparecem após os desastres porque ninguém está preparado para eles. Embora todo hospital tenha um plano para acidentes, muito poucos incluem serviços psicológicos ou apoio para enlutados o que nos desastres modernos freqüentemente é a única coisa necessária. Quando um avião cai, não há sobreviventes, não há ninguém para resgatar. Trata-se apenas de recuperar os corpos e prover apoio para as famílias. 
Nós não dizemos: O que quer que a pessoa sinta tem que ser colocado para fora, e isso será terapêutico. 
Você não pode evitar que os pássaros da tristeza voem sobre sua cabeça, mas pode evitar que eles construam ninhos em seus cabelos." (provérbio chinês). 
O luto pela perda de uma pessoa amada é a experiência mais universal e, ao mesmo tempo, mais desorganizadora e assustadora que vive o ser humano. O sentido dado à vida é repensado, as relações são refeitas a partir de uma avaliação de seu significado, a identidade pessoal se transforma. Nada mais é como costumava ser. E ainda assim há vida no luto, há esperança de transformação, de recomeço. Porque há um tempo de chegar e um tempo de partir, a vida e feita de pequenos e grandes lutos e o ser humano se dá conta de sua condição de ser mortal, porque é humano. 
Maria Helena P. Franco

2 comentários:

  1. As pessoas se vão mais a nossa
    alma fortalece.

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  2. Incrível esse texto, especialmente pela coincidência com o provérbio...muitas vezes quando escrevi no meu caderno, chamava minha dor de "grande pássaro negro." Infelizmente, ele ainda faz muitos ninhos em meus cabelos.

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