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domingo, 6 de novembro de 2011

Elaboração de Luto Exige Ritos de Passagem




         As elaborações de lutos - em casos de mortes - não podem ser consideradas completas sem os rituais fúnebres. Essas celebrações, além de possibilitar contatos afetivos e de conforto entre parentes, apresentam simbologias que pretendem concretizar o ocorrido. '' Em todas sociedades existem ritos e mitos sobre a morte pois ela implica tomada de providencias práticas e a reordenação sociais. Existem também questões lógicas que os rituais tem de resolver. Mas como pode um ser pensante pensar o não-pensamento? Um alguém pensar o ninguém, o nada que a morte representa. Essa angustia lógica é superada pelos rituais'', argumenta José Carlos Rodrigues, da PUC - RJ. Segundo Maria Helena Bronberg, da PUC - SP. '' a morte é um grande desorganizador cultural; e a cultura encontra respostas para ela por meios dos rituais, que juntam as pessoas, dão uma condição segura para expressão dos afetos e ajudam no processo de construção do significado. Se houver dois indivíduos em uma ilhota do pacífico e um deles morrer, haverá um ritual '', afirma.
        Os rituais fúnebres - e a elaboração do luto em si - sofrem mudanças de acordo com os processos econômico-sociais vividos pelas sociedades. A tendência hoje é fazer tudo depressa, o mais indolor possível, reduzindo-se a simbologia ao mínimo necessário. ''As pessoas, por exemplo não usam mais o preto para significar a morte, cor que tem função importante, pois comunica ao mundo uma situação especial vivida pela pessoa, que merece um tratamento diferente'', alerta Bronberg.'' Nossa cultura atual desqualifica os rituais e tira um pouco do seu valorIsso tem conseqüências: as pessoas não conseguem fazer o processo de luto '', complementa Maria Julia kovács. Nos antigos ritos em casos de mortes familiares, as pessoas participavam do ritual, que eram eventos públicos. Hoje os rituais fúnebres tendem a ser ''escondidos muito mais secos e assépticos''.
        As principais tradições religiosas existentes no mundo - judaísmo, cristianismo, islamismo,budismo e hinduismo - possuem seus próprios rituais e explicações para a morte. ''O homem religioso é aquele que acha que veio de algum lugar e que vai para algum lugar. O espaço religioso é excelente para que a morte tenha voz e cada tradição transita isso de uma forma diferente. É comum a todas elas que a morte seja um rito de passagem; isso nenhuma nega '', observa Cristina Guarnieri, psicoterapeuta e mestre em ciências da religião pela PUC SP. Também a faixa etária influencia na forma como o ser humano enfrenta a morte: '' O adulto idoso pode pensar que triunfou sobre a morte, o adulto jovem tem algo semelhante à repulsa, pois isso não pertence ao momento dele'', avalia Bromberg. Infância e adolescência são as idades mais sensíveis, às quais se devem dispensar uma abordagem clara para a morte.
        O luto - e seu ritual - também pode ser coletivo quando a comoção por perdas mobiliza grandes massas. Uma pesquisa recente (*) apontou as cinco maiores tragédias brasileiras: a morte de Ayrton Senna (54,6%); suicídio de Getúlio Vargas (15,2%); rejeição da emenda das Diretas Já para Presidente da Republica, em 1984 (14,2%); morte de Tancredo Neves (10,7%);derrota pra o Uruguai na copa de 1950 (5,3%). Todos esses eventos foram seguidos de lutos: '' Isso acontece exclusivamente pelo simbólico. Pouquíssimos dos populares que se enlutaram por Getúlio Vargas e por Senna os conheceram pessoalmente. É a partir do que eles significam que se desencadeia o luto'', analisa Maria Helena Franco Bromberg, da PUC SP.

Suicídio de Getúlio Vargas, em agosto de 1954, provoca grande comoção popular e muda os rumos da vida política do país.


        Em alguns casos - particularmente na morte de políticos e conflitos bélicos - o luto pode ter repercussões sociais. A morte dramática de Getúlio, por exemplo reverteu e adiou um processo de golpe de estado que só se efetivou uma década mais tarde. Tancredo Neves comoveu as massas reforçando o momento cívico no contexto da redemocratização do pais - A Nova Republica - após 20 anos de ditadura militar. No entanto o maior cortejo fúnebre já registrado no Brasil foi o do piloto de formula 1 Ayrton Senna, em 1994. Ayrton encarnava a figura de herói nacional. Outro luto esportivo que ainda hoje repercute foi a derrota da seleção brasileira de futebol na final da copa de 1950 - '' nossa maior catástrofe a nossa Hiroshima '' segundo epitáfio de Nelson Rodrigues.
Jornal do CRP
As religiões e seus preceitos:

Judaísmo

A mais antiga das religiões ocidentais fundamenta-se nas escrituras deixadas pelos profetas na Bíblia Sagrada. A vida é preparação para um mundo vindouro; a cremação é proibida. Judeus não velam mortos com caixão aberto, pois a exibição do corpo é considerada desrespeito. Os homens são enterrados com seu xale de oração. Durante a cerimônia, o rabino discursa e os filhos homens recitam oração (kadish). O luto judaico acontece em três fases: shivá ? sete primeiros dias; shloshim ? período de 23 dias; avelut ? estende-se até o primeiro ano após o falecimento, porém só deve ser observado pelos filhos.

Budismo

Equipara a vida presente a uma situação de ?sono?, motivada pela ignorância que mantém o homem inconsciente de sua verdadeira natureza e preso a um ciclo de renascimentos e mortes (tudo é transitório e interligado). Ao obter a ?Verdadeira Sabedoria?, ele se liberta, alcançando o Nirvana ou estado de perfeição espiritual. Os budistas adotam prioritariamente a cremação. Durante o luto é importante cultivar sentimentos de gratidão com relação aos familiares que se foram e aprender com o morto sobre a inevitabilidade da morte.

Cristianismo

Abrange as religiões que professam os preceitos deixados por Jesus Cristo, crê nos profetas bíblicos e no Novo Testamento dos profetas cristãos. Inclui Católicos, Evangélicos, Pentecostais e Ortodoxos (o Espiritismo, que reúne os seguidores de Alan Kardek, é uma tradição particular nesse contexto, pois crê na reencarnação do espírito, que é eterno e evolui). Os cristãos crêem que após a morte o espírito vai para o céu ou para o inferno (os católicos crêem no purgatório), de acordo com os pecados que cometeu. Crêem no Juízo Final, quando os mortos ressuscitarão para uma vida eterna junto a Deus. Os rituais de morte e luto têm similaridades, incluindo: unção, velório, enterro e orações (cultos, missas).

Hinduísmo
Crê na reencarnação. A vida na terra é parte de um ciclo eterno de nascimentos, mortes e renascimentos. A pessoa pode levar uma vida voltada para o bem e se libertar desse ciclo. O cumprimento correto do dharma (dever prescrito) pode levar o praticante à mukti (liberação) do karma (ciclo repetitivo de nascimento e morte). Os mortos são cremados em uma pira aberta, acesa pelo filho mais velho do falecido.



Candomblé

De origem africana, entende que a vida continua por meio da força vital imperecível de cada um: o ori, que volta a reencarnar em outro corpo da mesma família. O rito funerário (axexé) começa após o enterro e pode durar dias; objetos pessoais do morto são quebrados e jogados em água corrente. A morte leva tempo para ser superada e mais tarde o ente que se foi interfere na energia do grupo ao qual esteve ligado.


Islamismo
Pertence à tradição dos profetas bíblicos, mas tem Maomé como último grande profeta. Vê a morte como passagem para uma próxima etapa; no Juízo Final acontecerá a ressurreição, todas as almas retornarão a corpos jovens e sem defeitos. A cremação voluntária é proibida. O caixão serve apenas para transportar o corpo até o cemitério; deve ser simples. O velório apenas serve para cumprir a burocracia ou aguardar um parente. Quanto antes for realizado o sepultamento melhor. Não há luto; para o islamita a morte deve ser vista como natural.

2 comentários:

  1. minha cara amiga esses vidios do padre marcelo, nossa muito lindo apesar da dor que estou sentindo com a perda da minha filha hoje tenho muitas licoes em relegioe que busco. Nao sou revoltada com deus sei que ele sabe de todas as coisas,mais com a medicina sei que deus deu aos sabios buscarem em si a inteligencia para que qualquer doenca as vezes podessem ser descoberta e nao foi isso que aconteceu com minha amada filha o medico nao detectou o cancer aonde podia nao ser curada que sei que deus e quem pode curar qualquer doenca. E ele tava tratando de outra coisa quando ela foi em outro proficional e deu o resultado do cancer.Busco sou muito religiosa e acredito muito em deus. Um beijo grande.

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  2. Considero linda a filosofia budista. A vida verdadeira é quando nos tornamos as borboletas que são libertas do casulo.Nossos filhos são como borboletas, livres, infinitamente livres.

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