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sábado, 11 de fevereiro de 2012




"Somos preparados para enterrar nossos pais, não nossos filhos"


Mônica Dirane Reis, 35 anos, dona de casa, perdeu o filho Pedro Paulo, 4, de câncer, em 1997
"Um dia Pedro Paulo caiu e cortou o lábio. No hospital, o médico notou um caroço em seu abdômen: era câncer. Eu não podia entender. Pedro nunca se queixara de dor.
Ele começou a fazer quimioterapia, mas outros tumores foram aparecendo, tudo em 11 meses. Nossa casa vivia cheia de gente de todas as religiões orando por ele. Antes de deitar ele dizia: - Jesus, me cura!.
O tempo todo achei que meu filho ia sobreviver. Um dia antes a médica me disse que não tinha mais jeito. Perto de 23h, sua respiração estava ruim. Fiquei sozinha com ele no quarto. Estava inconsciente, mas eu tinha certeza de que podia me ouvir. Coloquei a mão sobre seu coração e disse: 'Meu filho, vá em paz e prometo que a mamãe vai ficar bem'. Depois de 15 minutos ele faleceu.


Então desmoronei. Durante a doença era difícil eu chorar. Como desejei estar em seu lugar! Tinha o ímpeto de sair correndo ao imaginar meu filho na cama sem respirar. Por que uma criança sofrer dessa maneira?
Na primeira semana fiquei quietinha em casa. Depois da missa de 7º dia, me tranquei no quarto dele e dividi suas roupinhas e brinquedos em sacolas. No dia seguinte, meu marido e eu distribuímos tudo na periferia. Guardei só algumas pecinhas que ele mais usava e uns brinquedos, como um carrinho com controle remoto que ele adorava.
Enquanto dobrava suas roupinhas, percebi que nada me traria ele de volta. Olhei para minha filha, Karina, de 7 anos, e vi que ela estava precisando de mim. Eu a tinha deixado de lado para me dedicar ao Pedro.


Mesmo assim, parei no tempo por uns dois meses. Levava a Karina na escola e o resto do tempo ficava olhando para o nada, analisando o que tinha acontecido. Recebia muita visita, mas para mim era indiferente se a casa estava cheia ou vazia. Eu estava vazia.
Até que comecei a me envolver com a religião espírita. Recebi uma mensagem psicografada do Pedro. Ele disse que estava bem e logo me mandaria uma mensagem maior. Já recebi outras... Isso não me ajuda 100%, mas me consola.


Três meses depois, um apartamento que havíamos comprado ficou pronto e comecei a me envolver com a mudança. Me candidatei a síndica, já para me ocupar, porque até hoje é 24 horas o Pedro Paulo na minha cabeça. Depois de tudo arrumado, voltei à depressão.
Fui a uma psicóloga para levar a Karina e entrei no tratamento. Eu não tinha mais auto-estima, não saía, não me vestia direito. Fiquei seis meses e voltei a gostar de mim, mas a vaidade acabou. Não uso mais brinco, não passo batom. Não superei essa perda. Não tenho coragem de passar na rua do hospital. Desvio, porque vai me trazer recordações, vou ver a lanchonete onde comprava o suco que o Pedrinho gostava.


O que me faz ir adiante é minha filha e a certeza de que amei e fui amada pelo Pedrinho. Tem horas em que a dor ainda vem com muita intensidade, principalmente ao entardecer. Estou assistindo TV, de repente as imagens dele vão me pressionando, é uma dor forte e estridente.
Tenho fotos do Pedrinho pela casa toda. Algumas pessoas até criticam, mas meu filho foi um pedaço de mim, existiu. Dois dias antes de falecer, no hospital, ele me ajudou a montar um álbum dele. Tem fotos desde que eu estava grávida, até sua última foto. Quer dizer, meio álbum, só...


Quando vejo uma família com um casal de filhos, me vem o 'por quê?'. Em festa de criança, vou constrangida, me culpando de o Pedro não estar ali. Penso em ter outro filho, mas seu espaço nunca será preenchido.
Somos preparados para enterrar nossos pais, não nossos filhos. Mas minha história é igual a de tantas outras mães... Com a perda compreendi que não somos nada. Eu era rancorosa, emburrava por qualquer coisa. A gente aprende exatamente o que arruina a vida, o que é problema sério. A morte uniu meu marido e eu. Já tive várias crises no casamento, mas hoje qualquer briguinha é pequena diante do que passamos.


Levo uma vida normal. Tomo conta de umas creches com mães que passaram pela mesma experiência. A gente visita o hospital do câncer, converso com as mães, vejo um espelho do que passei, e isso me alivia.
Nada repara a perda de um filho. Nada. Dou minha vida pela minha filha, mas hoje, se eu cair doente numa cama, vou ficar dividida. Se fico, por causa da Karina, ou se vou me encontrar com Pedro Paulo."



fonte: marieclaire

Um comentário:

  1. Boa Tarde...
    Sempre sigo o blog,acho excelente as mensagens postadas por vcs.Percebi nesse tempo que minha dor passa por vários estágios onde aos pouquinhos vou tentando me reerguer e agradeço muito pois muito que leio aqui é de extrema importância pra minha melhora.Hj é exatamente assim que me sinto...




    Muitos sabem o drama que vivi há algum tempo ,muitos compreendem a dor que carrego...
    Mas o que muitos nem imaginam é a batalha que eu enfrento pra conseguir prosseguir.
    Senti necessidade de expressar meus sentimentos nessas linhas,vontade de chorar nesse momento,posso garantir que minha dor não é menor nem tão pouco maior dos que passaram por semelhança perda.Sei das dificuldades que enfrentamos,ah só hoje posso entender a face triste daquela mãe que por um motivo ou outro se viu sem seu filho,ou sem um ente querido.
    Nunca imaginei que doesse tanto,achei que o tempo curasse,cicatrizasse aquilo que não podemos mudar.Achei que o ser humano fosse capaz de entender as leis de DEUS,pelo contrário acredito que a maioria das pessoas que recebem tal notícia se virem contra o que até então parecia não ser tão difícil entender...
    Embora sua vida não seja a mesma,seu sorriso já não tenha tanta graça,sua luz já não brilhe como antes...Saiba que não estamos sozinhos,não somos os únicos.
    Acredito que haja um propósito ,acredito numa força maior que mesmo não percebendo ela caminha lado a lado com nossa esperança e vai aos pouquinhos nos mostrando o quanto somos capazes,o quanto somos guerreiras e o mais importante o quanto suportamos.
    Vi nesse período de dor que suportei e enfrentei o que parecia insuportável,aprendi que não somos donos de ninguém e que nossos filhos são sim empréstimos a nós oferecidos e que devemos dar o melhor,educar e torna-los pessoas simples sem fazer diferença com ninguém,amar ao próximo e ainda mostrar que ser humilde não significa ser pequeno...
    Minha luz eu busco todos os dias,meu sorriso eu ofereço com o mais simples "'oi" e mesmo sentindo aperto no meu coração agradeço pelo tempo que vivi com meu filho,o quanto pude amar e o quanto eu pude ensinar...
    Agradeço pelas oportunidades que tive ao lado de um ser tão cheio de luz...
    Sei que não somos capazes de agradar a todos,cada ser tem uma maneira de enxergar as coisas e as vezes sua maneira de pensar incomoda ou não agrada os outros e aí gera conflitos e desavenças.Mas posso garantir que aprendi com ele que não precisamos agradar todo mundo,mas sim ser sincero com quem está do nosso lado e isso já basta.
    Aquilo que parecia ter tanta importância hoje já não tem o mesmo valor e o que parecia ser insignificante hoje vejo o quanto significa.
    Passamos a ver com outros olhos,o simples amanhecer faz muita diferença...
    Cada momento,cada gesto passa a ser único e é estranho que ao mesmo tempo que necessito estar com ele ,algo me afirma e prova que ele continua comigo muito mais presente do que antes.
    Sei que muito tenho pra aprender e ensinar,não vim pra ficar de braços cruzados.
    Mesmo minha dor sendo maoir que minha vontade,ainda assim procuro não ficar na escuridão,não me escondo na minha tristeza.
    Farei que minha força deixe o coração do meu menino em paz e que ele ainda deposite em mim a esperança que podemos, somos capazes de surpreender a nós mesmos quando a vontade é desistir.
    Deixe a luz entrar no seu coração e te de força,se mostre com coragem,enfrente suas dificuldades...
    E lembre-se que nada é pior do que cruzar os braços e esperar sua hora chegar.
    DEUS sabe das suas necessidades,compreende seus fracassos mas não permite sua fraqueza diante de um obstáculo,pois tenho certeza que o que está reservado pra você eu não vou herdar e nem tão pouco vivenciar,posso te ajudar,te apoiar e até permanecer do seu lado mas a força está em você e a sua luz só você pode mantê-la seja ela acesa ou apagada para sempre.
    Que DEUS na sua infinita bondade nos permita chorar mas nos ensine a enxergar e entender que somos sim capazes !!!!

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